De modo geral, os objetivos do trabalho profissional do Assistente Social são
apresentados a partir de três classes. Na primeira forma os objetivos aparecem a partir da
descrição da própria ação, isto é, os autores dos artigos descrevem as atividades que se
inserem no seu trabalho profissional tais como:
Socializar as informações referentes aos direitos sociais.
Orientar usuários quanto aos seus direitos trabalhistas, previdenciários e de cidadania; [...] Sistematizar reunião mensal em grupo com pacientes de pré e pós-transplante, a fim de dar esclarecimentos sobre o tratamento proposto e possibilitar espaço de troca com vista ao fortalecimento de vínculos
familiares. (CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 2001).
Proporcionar condições/estímulo para o resgate/construção da cidadania dos jovens participantes do projeto, que através da troca de experiências possam facilitar seu auto-conhecimento, auto-estima e auto-cuidado, construindo sua identidade e tendo uma inserção mais harmônica no mundo. (CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 2001).
Deste modo os objetivos da ação sócio-educativa do trabalho profissional tomam a
forma da ação em si, imediata, sem especificar sua finalidade e tampouco indicar a concepção
teórica que a orienta.
Os objetivos do Assistente Social em seu trabalho profissional também aparecem
centrados nas questões da família e do comportamento do grupo familiar e/ou de seus
membros:
Reforçar os vínculos afetivos, esclarecer o desempenho de papéis (em muitos casos alternados) realizando acompanhamentos que possibilitem a compreensão do conjunto de fatores que afetam o equilíbrio emocional, econômico, social das famílias e dos educandos em particular, discutindo suas estratégias de sobrevivência e organizando grupos de discussões com temáticas de interesse da instituição e da família. (CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 1998).
Prestar atendimento sócio-educativo em meio aberto e orientação e apoio sócio-familiar às crianças, adolescentes e suas famílias ou de casos que demandem alguma intervenção profissional, como situações de violência doméstica, exploração sexual ou do trabalho infantil, infrações penais, risco de vida por envolvimento com tráfico, encaminhamentos do Conselho Tutelar. (CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 2001).
Realizar uma intervenção sócio-educativa centrada no atendimento personalizado, garantindo a promoção social do adolescente através de orientação, fortalecendo vínculos familiares e comunitários, escolarização, inserção no mercado de trabalho e cursos profissionalizantes/formativos. (CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 2001).
Esses objetivos demonstram uma ação sócio-educativa muito pontual, centrada na
família, em suas crises, no sentido de mudança comportamental. A nosso ver, isso pode ser
individualização, em que “tira-se de foco a discussão da família no contexto de uma sociedade
desigual e excludente”. (MIOTO, 2004, p. 2).
A terceira classe demonstra que os objetivos estão mais voltados para a defesa dos
direitos sociais e da cidadania, numa perspectiva crítica:
Identificar os aspectos sociais, econômicos e culturais relacionados ao processo saúde-doença, buscando formas de enfrentamento individual e coletiva para estas questões; Contribuir para uma percepção mais elaborada dos usuários quanto ao contexto geral da sociedade, a partir da análise crítica das questões do seu cotidiano, estimulando-os a uma participação e conquista de seus direitos, além do esclarecimento e informações gerais sobre os serviços oferecidos pela instituição com o propósito de melhor utilizá-los. (CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 2001).
Oportunizar discussões em torno dos direitos e a realidade do sistema de saúde para contribuir com o desenvolvimento do processo de conscientização do grupo trabalhado. (CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 2001).
Observa-se então, uma maior preocupação do profissional em ultrapassar as questões
individuais, num movimento em que são gestados elementos de crítica, comprometidos com o
projeto societário das classes subalternas e com a construção de propostas coletivas de luta
pela emancipação.
Alguns artigos destacam o objetivo do trabalho do Assistente Social, mas este aparece
de um modo muito amplo indicando inclusive um certo messianismo por parte do
profissional:
Reverter o processo de exclusão social a que são submetidas as pessoas portadoras de deficiência ou que apresentam atraso no desenvolvimento global, através de ações que garantam a participação e a acessabilidade aos espaços e equipamentos sociais, possibilitando a reconstrução e o resgate da cidadania; Garantir a participação da família nos diferentes programas de atendimento tornando-as parceiras no processo de habilitação/reabilitação da criança e do adolescente portador de deficiência. (CONGRESSO
Fortalecer os usuários no processo de mudança da realidade na qual se inserem, bem como na direção da ampliação dos direitos e na efetivação da cidadania. (SEMINÁRIO LATINO AMERICANO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 2001).
Em alguns artigos, os objetivos do trabalho profissional do Assistente Social, não
estão especificados demonstrando assim a existência de uma proximidade ou mesmo uma
igualdade entre os objetivos da instituição e os do profissional:
Oferecer espaço físico e atividades de arte e cultura que atendam as necessidades de lazer do ser humano, viabilizando relações sociais positivas, que minimizam aspectos negativos da internação hospitalar; [...] socializar informações ampliando o nível de consciência de pacientes e familiares com maior integração dos diversos agentes do processo de assistência da instituição e estimular o relacionamento adequado entre familiares e equipe de saúde. (CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 2001)
Desenvolver um projeto de atenção social aos familiares de pacientes de esclerose lateral amiotrófica que produza, através de sua participação experiências resultantes que possam potencializar melhorias dos níveis de qualidade de vida da família aumentando as condições de cuidados junto aos seus pacientes. (CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 2001).
Neste panorama, observa-se ainda, que as políticas dirigidas às famílias se ocupam
muito mais dos direitos e responsabilidades individuais de seus membros. De acordo com Lo
Vuolo (2001) o principal objetivo dessas políticas é a normatização das relações internas da
unidade familiar, suas formas de constituição, desenvolvimento e dissolução. Com isso, não
avançam na consideração das relações externas da família e dos fatores que determinam suas
circunstâncias (emprego, serviços de saúde e de educação, assistência social, infra-estrutura
etc.), o que poderia garantir uma outra qualidade de vida.
Outro ponto a destacar é que o objetivo da ação sócio-educativa está muito ligado ao
Estimular o movimento de replanejamento da vida, assumindo a consciência da doença e resgatando as relações funcionais e de afetividade; avaliar e refletir junto a família sobre a condição de doença e de co- dependência e estimular a participação da família no processo de reconstrução de vida pelo alcoolista. (CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 2001).
Instrumentalizar familiares de pacientes do ambulatório, enfermaria e comunidade a conhecer, entender e desvendar a complexidade e especificidades da questão do idoso. (CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 2001).
Assim, a ação sócio-educativa assume um caráter muito particularizado devido às
situações sociais que envolvem o usuário atendido nos diferentes espaços ocupacionais
existentes. Contudo, o que deve chamar nossa atenção não é a particularidade da ação, mas o
fato desta ação se concentrar apenas nos processos familiares, sem que ocorra o movimento
necessário “para o trânsito entre o individual, o familial e o coletivo, entre o privado e o
público”. (MIOTO, 2004, p. 5).
Cabe ressaltar que em alguns trabalhos não foram identificados os objetivos.