• Aucun résultat trouvé

Chapitre 6. Structuration d’une approche de conception sécuritaire

6.3. Application : conception sécuritaire de la liaison trois points (LTP)

6.3.7. Conclusion sur la reconception sécuritaire de la liaison trois points

Apresentamos e classificamos as dimensões que compõem o indicador capital tecnológico-informacional. A dimensão de condições particulares de acesso ao computador e à Internet e as condições de uso compostas pelas habilidades informáticas e habilidades informacionais. Para as condições materiais reunimos elementos que compuseram o perfil social, cultural e econômico dos estudantes pesquisados. Para as condições de uso trabalhamos verificando a qualidade de uso do computador e da Internet procurando definir os saberes e os procedimentos que os estudantes adotam com as TIC's.

Procedemos com a classificação dos estudantes em níveis de capital tecnológico- informacional. Somamos os pontos de cada estudante obtidos para a classificação de cada dimensão do indicador e obtemos a média de 59,6 pontos, a mediana de 63,2 pontos, a moda foi composta pelos pontos 36; 56,5; 68,75; 69,75; 71,25 que se repetiram quatro vezes. O desvio padrão foi de 19,5 em um percurso que teve a pontuação mais baixa observada com 4,5 pontos e a pontuação mais alta foi 96,75.

Seguindo o princípio adotado de construção de estratos niveladores a partir da relação entre a média e o desvio padrão, obtivemos cinco níveis de capital tecnológico- informacional. O nível (-3) agregou 6% dos indivíduos que pontuaram abaixo de 20,6; o nível (-2) foi composto por 11% daqueles que obtiveram os valores 20,6 a 40,1 de pontuação; o nível (-1) foi ocupado por 26% dos estudantes que pontuaram entre 40,1 e 59,6. O nível (+1) foi formado por 42% dos estudantes que tiveram pontuação entre 59,6 e

79,1; o nível (+2) agregou 14% dos estudantes que tiveram acima de 79,1 pontos, sendo os valores mais altos observados de capital tecnológico-informacional.

Considerando que a escala de níveis de capital tecnológico-informacional de (-3) a (+2) pode ser nominalmente representadas pela escala (-3) péssimo, (-2) ruim, (-1) regular, (+1) bom, (+2) ótimo. Entre as pontuações que mais se repetiram (moda) três delas indicam capital tecnológico informacional acima da média e ocupam o nível (+1). A Metade dos indivíduos apresentaram pontos acima de 63,2, considerando que a mediana ocupa o nível (+1) de nossa escala, verificamos que é maior o número de indivíduos ocupando estratos positivos. Na média os indivíduos estão localizados entre os níveis (-1) e (+1) mas em proporção 16% maior no nível (+1). Podemos interpretar que os estudantes possuem bom nível de capital tecnológico-informacional em relação à média informada.

Comparamos a classificação dos estudantes obtida no indicador de capital tecnológico-informacional com a classificação das três dimensões que o compõem. Observamos que 15% dos estudantes apresentaram correlação direta em todas as dimensões do indicador. Entretanto, 85% dos estudantes apresentaram variações de nível de uma dimensão para outra. Estas constatações nos suscitam saber: qual valor as condições juvenis agregam para a construção e acúmulo do capital cultural dos estudantes? Mas também, qual é o papel das do sistema educacional nessa construção? Questionamento que nos encaminha para as considerações finais onde testaremos nossas hipóteses de pesquisas em termos de validação ou refutação e discutiremos os resultados obtidos.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O enquadramento teórico e conceitual das sociedades capitalistas informacionais foi o contexto macro social no qual inserimos o debate acerca das condições materiais e sociocognitivas de acesso e uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC's) para propósitos educacionais. Esse amplo contexto permitiu-nos compreender o papel que a educação e as TIC's operam na dinâmica social, como meios dinamizadores da produtividade e da competitividade, bem como geradores de mecanismos de estratificação e mobilidades sociais. Também, guiou-nos no entendimento da questão particular sobre a qual nos propusemos estudar, a saber: as condições materiais e sociocognitivas para a construção e acúmulo de capital tecnológico-informacional que a escola pública torna possível a Inclusão Digital efetiva e o uso de TIC's na prática pedagógica de Sociologia no Distrito Federal?

Acompanhamos as discussões que se inscrevem acerca das mudanças sociais engendradas pelo desenvolvimento tecnológico e científico na definição das estruturas sociais contemporâneas. O debate foi encaminhado no sentido da relação entre homem, técnica e sociedade, que reflete acerca dos impactos sociais da tecnologia. Este debate filosófico e sociológico subsidiou as construções de definições acerca das sociedades contemporâneas, sociedades pós-industriais e do conhecimento, sociedades informáticas, sociedades da informação e/ou sociedades informacionais. Todas as definições trabalhadas apresentam o primado do sistema científico e educacional nas formas de integração social e das tecnologias, da informação e do conhecimento como os eixos centrais nos processos produtivos e sociais.

As desigualdades econômicas herdadas dos modos de desenvolvimento anteriores do sistema capitalista mantiveram-se e foram incrementadas no informacionalismo. A ampliação do conhecimento através da educação básica e superior permanece um desafio às sociedades marcadas por processos históricos de subdesenvolvimento e pobreza estruturais. Mas, a difusão das TIC's trazem embutidas a promessa de maior conhecimento para as populações e indivíduos. Entretanto, verificamos que tanto o processo que permite o acesso às tecnologias quanto o da apropriação desses bens culturais são marcados por desigualdades de diferentes ordens, econômicas, sociais e culturais.

A centralidade que as TIC's adquiriram na atual conjuntura para o desenvolvimento dos processos produtivos, mas também para as sociabilidades, entretenimento e lazer, as vinculam ao exercício da cidadania. As TIC's não podem ser pensadas apenas como bens de consumo culturais que distinguem e diferenciam os indivíduos, são antes bens irrenunciáveis da civilização que agregam conforto e bem estar à qualidade de vida das populações. Nesse sentido, passaram a integrar o conjunto de reivindicações sociais nas agendas de políticas públicas e de organizações da sociedade civil.

As diferentes estratégias e conjunto de ações adotadas pelos governos para difusão das tecnologias informáticas ficaram conhecidas como políticas de Inclusão Digital. Apresentamos as discussões mais recentes realizadas sobre o processo de Inclusão Digital no Brasil que apontam três modelos que vêm sendo adotados: a ênfase no acesso como sendo a mais comum, a ênfase em inclusão informacional pautada em processos cognitivos e a ênfase na Inclusão Digital pela inclusão social. Ao considerarmos cada um desses aspectos, compreendemos que uma Inclusão Digital plena ou efetiva deve ser planejada e implementada reunindo todos os três aspectos em um mesmo projeto de políticas públicas.

Nesse sentido, refletir sobre a relação entre TIC's e educação no contexto das sociedades capitalistas informacionais requer o debate acerca das desigualdades sociais e digitais que, por sua vez, recai no problema acerca da Inclusão Digital. Quisemos saber qual é a infraestrutura disponível nas escolas públicas segundo os propósitos da Inclusão Digital? Então, delimitamos nosso objeto de estudo para os casos das escolas com Ensino Médio do sistema público educacional do Distrito Federal.

Entretanto, as condições materiais de infraestrutura de TIC's constituem um dos fatores que garantem a Inclusão Digital plena, pois são os artefatos e os serviços que possibilitam o acesso ao uso das tecnologias informáticas, para a integração dos outros aspectos relativos à Inclusão cognitiva e social. Olhamos de perto a questão sobre os aspectos sociocognitivos que as TIC's demandam de seus usuários e vimos que a informação possui certas características que solicitam dos indivíduos conhecimentos adquiridos em processos instrucionais gerais e específicos. Então, o sistema educacional se apresenta como um espaço importante para o desenvolvimento sociocogntivo requerido

para o domínio de habilidades relacionadas com a apropriação qualitativa das informações e conteúdos digitais.

Operacionalizamos o construto teórico conceitual capital tecnológico- informacional, pois ele aglutina diferentes dimensões que permite-nos pensar a respeito dos mecanismos de estratificação e de mobilidade social nas sociedades capitalistas informacionais. O capital tecnológico-informacional, conforme Freitas (2004) envolve as condições materiais de acesso aos bens e serviços tecnológicos, a aquisição de conhecimentos específicos a respeito da operacionalização dos artefatos e construtos, assim como a formação social, cultural e educacional, tratada nos marcos teórico- conceituais bourdieusianos em termos de capital cultural.

As condições materiais que compõem a dimensão do capital tecnológico- informacional foram compreendidas como sendo as condições particulares aos atores sociais escolares para acesso ao uso dos equipamentos e serviços de TIC's, sobretudo o computador e a Internet. Tais condições particulares contemplam os aspectos econômicos, culturais e sociais dos indivíduos e aglutinam capital econômico e capital cultural. Mas, de certa maneira, o capital cultural dos indivíduos mantem-se no processo de distinção que elaboramos a respeito dos conhecimentos informáticos e informacionais que compõem a dimensão de condições de uso do computador e da Internet requeridos na operacionalização das TIC's, conforme proposto por Freitas (2004).

Diferenciamos as habilidades informáticas dos indivíduos das habilidades informacionais porque consideramos estes dois conhecimentos distintos, porém complementares. As habilidades informáticas diriam respeito mais diretamente aos saberes operacionais de controle e gerenciamento dos artefatos de TIC's, mas também com os processos lógicos básicos que envolvem os procedimentos diante dos construtos que compõem os sistemas operacionais e seus programas. As habilidades informáticas podem ser adquiridas com maior facilidade através da familiaridade com que se executa os procedimentos e então, a frequência de uso das TIC's podem ajudar em sua construção.

Mas as habilidades informacionais vão além, ao dizer respeito aos saberes que os indivíduos mobilizam para localizar uma informação, legitimá-la como válida diante dos seus propósitos e apropriar-se dela de diferentes maneiras e para diversos fins. Através das habilidades informacionais esperamos sentir o peso maior da educação formal que o indivíduo vivenciou ao longo do tempo e lhe permitiu o acúmulo de condições

sociocognitivas para usar qualitativamente a informação e os conteúdos digitais. Então, trabalhamos com o construto capital tecnológico-informacional para verificar as dimensões qualitativas da Inclusão Digital que é fomentada através da escola pública com Ensino Médio no Distrito Federal.

Nesse sentido, nos apropriamos da definição de capital tecnológico-informacional de certa maneira particular para refletir sobre as condições materiais e sociocognitivas necessárias à construção e acúmulo de capital tecnológico-informacional que as escolas públicas do Distrito Federal proporcionam aos estudantes e tornam possível a Inclusão Digital efetiva e a inserção inovadora de recursos de TIC's no processo de ensino e aprendizagem de Sociologia.