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: CONCLUSION SUR LA POSSIBILITE DE DEROGATION POUR LES TROIS OISEAUX CONCERNES OISEAUX CONCERNES

Dans le document dossier de demande de derogation (Page 94-98)

Quando se remete à pesquisa da gíria em LSB é surpreendente observar quão poucos dados temos registrados, implicando assim, na dificuldade da comprovação da linguística, no vocabulário das pessoas surdas. Talvez o desconhecimento, o desinteresse ou até mesmo o caráter efêmero do vocabulário gíria em LS, tenham colaborado para tal indiferença desta tão rica e interessante língua do jovem povo surdo, todavia, faz-se necessário observar e fazer registros dos seus linguajares, apesar de que a gíria infringe a norma culta da gramática.

Em se tratando de “gíria”, podemos observar certo número de pesquisadores ao longos dos tempos, visualizando grupos sociais bloqueados ou de pouco significativo, marcando assim, seu conflito com o coletivo, que viam no povo que usa a gíria, pessoas que estão envolvidas com as drogas, com o meretrício, os malandros, os homoafetivos, as pessoas que vivem na rua das grandes metrópoles, as gírias das pessoas ligadas aos grupos românticos, aos poetas, as músicas, as diversões noturnas, aos pontos de encontros nos shoppings, as pessoas ligadas a internet entre outros e porque não ressaltar o falar da gíria em LSB, que até bem pouco tempo atrás também era muito recriminados.

Esse trabalho de identificar ao que chamamos gírias de grupos, historicamente está mais ligado ao interesse de sociólogos, especialistas de História oral ou história social da Linguagem (como por exemplo, Peter Burke e Roy Porter), que encaram o fenômeno como uma das fontes para a análise dos grupos sociais e de sua história, da pesquisa dos linguistas ou lexicógrafos. (PRETI,2000,p.214).

E assim, a palavra, gíria entra nos grandes dicionários e citando um dos mais populares (o Aurélio, por exemplo), que rotula como sendo, linguagem comum, linguagem conhecida, entre outros, fazendo perder seu poder de signo de grupo, desfazendo-se no léxico popular e podemos citar como exemplos, as palavras usadas pela imprensa escrita: grana, legal, bárbaro, etc. também em outras épocas elas foram discriminadas e hoje, estão amplamente divulgadas na linguagem do dia a dia, outrossim podemos classificá-las como sendo gírias comuns, conforme o autor Preti (2000, p.215).

Mas o que dissemos não quer dizer que a gíria não tenha sido objeto do estudo teórico de alguns linguistas deste século. Podemos citar, entre outros Albert Dauzat, que escreveu duas obras importantes sobre o assunto, L’argot de la guerre ( 1919) e Les argots (1956); Pierre Gulraud que produziu um estudo teórico muito didático: L’argot (1956); Alfredo Niceforo que escreveu Le génie de l’argot (1912) , uma obra clássica sobre o assunto, brilhante pela linguagem e pela intuição, embora profundamente marcada pelas doutrinas, naturalistas do começo do século, em particular pelas teorias de Lombroso sobre o criminoso nato; Connie Eble, com vários trabalhos recentes, nos Estados Unidos sobre a gíria de universitários, em especial Slang & Sociability (1996); Denise François, com um capítulo fundamental sobre o tema na obra coletiva organizada por André Martinet, Le Laguage (1968) Amilcar Ferreira de Carro, com seu ensaio sobre A gíria dos estudantes de Coimbra (1947); Antenor Nascentes, pesquisador brasileiro que, respeitadas as devidas idiossincrasias dos filógos pelo tema, escreveu

duas obras importantes, O linguajar carioca (1822) e A gíria brasileira (1953), este um dicionário muito bem documentado; etc. Além deles, um grupo de curiosos pelo assunto também escreveu obras teóricas sobre gíria, como Mário E. Teruggi, geólogo erudito que estudou a gíria argentina em Panorama del Lunfardo; Ernesto Ferrero, critico literário italiano, que produziu excelente trabalho sobre a gíria da Mafia, um dicionário muito bem documentado, precedido de valiosa introdução: I Gerghi dela Malavita (1872); etc.

De acordo com Preti, algumas obras se configuram no cenário brasileiro chamando atenção para aspectos relacionados às gírias e aos grupos nos quais elas são usadas, podemos nos referir aos trabalhos de J. Serra e Gurgel (1984) e seu Dicionário de gírias, temos ainda Mônica Rector (A fala dos Jovens, 1994) Ana Rosa Cabello (Gíria, vulgarização de um signo de grupo, 1989) e assim, quase toda a bibliografia sobre a temática, abrange o estudo da gíria de grupo, dos costumes sociais, de um grupo social em particular, sua faixa etária, grau de escolaridade e outras variantes sociolinguísticas.

Pode-se traduzir a gíria dentro das culturas e estas passam, ou melhor, diversificam-se de geração a geração, contextualizadas de forma diferenciada, perpassando pelo tempo, adquirindo experiências vivenciadas em outros espaços socioculturais, englobando diferentes tipos de pessoas que demonstram através de seu linguajar, sua marca, seu valor, seus trejeitos decididos ou não, fundidas ao seu corpo em movimentos que em concordância com a língua de sinais, denotam sua rotina cotidiana e de dimensão viso-espacial, resultando assim na excentricidade de sua comunicação e vindo assim a postergar suas objetividades reveladas no desempenho da língua de sinais, que expõe sua coreografia em movimentos precisos e ritmados, transpondo o lado social, gracioso, humorístico, lírico e, porque não dizer, sagaz e peculiar de fazer-se prudente e disposto a atrair a atenção de seu receptador.

O contexto narrativo da pessoa surda, apresenta-se em diferentes aspectos, quanto ao enredo, cenário, recursos dramáticos utilizados, abordando em sua explicação uma performance sofisticada, demonstrando expressões exageradas, numa interação de expressão facial e corporal com recursos dramáticos pra que possam atrair seu interlocutor; identificando as pessoas através de seu deslocamento de corpo, para um lado e para outro, fazendo-se entender na interpretação

de sua história, tentando passar informação em toda a sua íntegra e minuciosa explanação dos detalhes possíveis de explicação entre sua lógica e a clareza da elucidação em seus detalhes e movimentos lógicos e claros dentro do discurso, em animações sequenciais em conformidade com seu relato.

Será ressaltado um item curioso a respeito da criação da gíria na pesquisa deste trabalho, foi coletada a informação que esse tipo de comunicação foi criada através de códigos secretos, como meio de resguardar algo ou alguém, onde somente o destinatário é quem a decifrava.

No entanto, a pretensão aqui pesquisada é mostrar o crescente uso da gíria em LSB, nos contextos das gírias internas; gírias externas ou gírias adquiridas; enfocando na gíria em língua de sinais o seu uso em contexto; as mudanças de sinais e os novos sinais.

Sinais estes que estão espontaneamente entrando na vida diária do sujeito surdo.

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