O convívio familiar e social nos ensina as primeiras lições de vida, os valores morais, os meios dignos de sobrevivência, sendo considerada a “escola da vida”. Nesse meio é que aprendemos a nos comunicar, se relacionar e interagir com outras pessoas. A “escola da vida” fornece os meios e os subsídios necessários para construir o conhecimento cotidiano (de senso comum), conhecimento este acumulado ao longo da vida. Porém, é no âmbito escolar (a escola formal) que nos ensina a interpretar, julgar, compreender os fenômenos da Natureza, sendo a escola formal a responsável pela construção do conhecimento científico. De acordo com Coll (2009, p.18), a escola, “em seu caráter social e socializador, [...] promove o desenvolvimento na medida em que promove a atividade mental construtiva do aluno, responsável por transformá-lo em uma pessoa única e irrepetível”, é um ser único por excelência. A instituição de ensino fornece subsídios de aspectos culturais, científicos e sociais para o desenvolvimento do aluno. Ela também fornece os saberes científicos e capacidades que permitem o aluno buscar o desconhecimento, de tornarem-se cidadãos críticos, criativos e participativos em sociedade.
Os fenômenos naturais existem em todos os lugares e em diversas formas, como por exemplo, as chuvas, os raios e trovões, o arco-íris, os ventos e tempestades, a gravidade, o movimento dos corpos celestes, as ondas, o efeito estufa, entre outros. Cabe ao professor, formador e mediador, a responsabilidade de ensinar os conceitos físicos, mostrando ao aluno a relação entre a Física e os fenômenos do seu cotidiano e, ainda, propor meios de ensino que motive o aluno a aprender os conceitos físicos, ensinem aos alunos a olharem o mundo com um olhar científico. Para isso, é necessário que o professor instigue e dialogue com o aluno,
crie condições e situações que permita ao aluno criar hipóteses, a pensar e refletir sobre diversos assuntos, para que ele possa compreender o mundo em que está inserido.
Nesse âmbito de ensino, o professor não transmite o conhecimento ao aluno, que o recebe e ‘digere’, mas utiliza-se de diferentes estratégias que contribuam para a construção de saberes científicos pelos alunos. O professor não deve se ater somente ao livro didático, deve buscar alternativas para o ensino que permita uma aproximação entre o aluno e o conhecimento científico, que atribua “sentido à natureza e a ciência que não são possíveis ao se estudar Ciências Naturais apenas em um livro” (BRASIL, 1998, p. 27).
Nessa perspectiva, as escolas buscam educar o aluno para o exercício da cidadania, promovendo o espírito crítico e consciente em seus atos. A escola, na qual foi desenvolvida as Atividades Didáticas, visa educar o aluno, também nessa perspectiva. Segundo a filosofia da escola, busca estimular o aluno a construir seus conhecimentos e incentiva sua criatividade para o exercício de responsabilidade e respeito, permitindo-o atuar e transformar a sociedade que está inserido. Esta escola se localiza no bairro Camobi, na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. É uma escola pública de ensino fundamental que trabalha com alunos das séries iniciais às séries finais do Ensino Fundamental, nos turnos manhã e tarde, contando com a colaboração de 31 professores, cerca de 5 funcionários e uma estimativa de 400 alunos. Sua estrutura física conta com 10 salas de aula, uma sala de informática, uma sala da direção, uma secretaria, uma sala dos professores, uma Sala de Orientação Educacional (SOE), uma biblioteca (também utilizada como sala de vídeo), um laboratório de Ciências, uma sala de multimeios (para o atendimento de alunos com necessidades educacionais especiais), uma cozinha e um refeitório, uma quadra de esportes coberta e um pequeno parque para as crianças das séries iniciais. O laboratório de Ciências encontra-se em construção, obtidos novos materiais para o laboratório, por meio de uma licitação no ano de 2013. As informações sobre a estruturada escola foram retiradas do site da escola3.
Ao contatar a equipe diretiva, em dezembro de 2013, para desenvolver a pesquisa de mestrado, a mesma se mostrou interessada e receptiva. Todavia, esclareceu-nos sobre a situação do espaço físico limitado da escola, o que poderia dificultar o desenvolvimento da pesquisa, caso fosse necessário utilizar espaços extraclasse ou realizar atividades no turno inverso ao das aulas. Essas limitações foram consideradas na elaboração das AD.
O calendário letivo da escola teve início no dia 20 de fevereiro de 2014 e término no dia 23 de dezembro de 2014. Em seu regimento, o ano letivo é composto por três trimestres e
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a avaliação do aluno é realizada mediante conceitos: OT (ótimo); MB (muito bom); B (bom); R (regular); I (insatisfeito). Alunos com conceito I necessitam realizar os estudos adicionais4 no final de cada trimestre como forma de recuperar os estudos decorrentes daquele trimestre. Os sujeitos dessa pesquisa foram os alunos do último ano do Ensino Fundamental, que em 2014, era formado por duas turmas: turma 91 e turma 92, chamadas nesse trabalho de turma A e turma B, respectivamente. A turma A era composta de 23 alunos inicialmente, reduzindo-se para 20 alunos até a implementação da proposta de ensino, sendo um aluno com necessidades educacionais especiais; e a turma B, formada por 24 alunos inicialmente, reduziu-se a 22 alunos no momento da aplicação da AD. A idade média desses alunos era de 14 anos, considerados alunos de classe social média baixa, em que muitos não tinham acesso à internet fora do ambiente escolar. A disciplina de Ciências dessa série era ministrada duas vezes na semana, totalizando 2h/a semanais.
A escola, que segue as Diretrizes Curriculares Municipais (DCM) – em anexo (Anexo B) – divide os conteúdos da disciplina de Ciências do nono ano, em conteúdos de Química no primeiro semestre e conteúdos de Física no segundo semestre. Dessa forma, as Atividades Didáticas, considerando a estrutura física, funcional, diretrizes e o currículo, foram implementadas no segundo semestre de 2014.
O espaço físico da escola, o contexto social que ela apresenta e as condições de ensino que a mesma fornece são fundamentais para um efetivo processo de ensino e aprendizagem. Esses fatores foram considerados elaboração das AD. Durante o primeiro semestre letivo de 2014, a pesquisadora acompanhou as duas turmas do 9º ano, fazendo as devidas anotações nos diários de aula. O ambiente externo da escola apresenta um local destinado para as práticas esportivas e, também, para a realização de atividades extraclasse, como as apresentações culturais (festa junina, Inter séries, exposições, feiras do livro e de Ciência, entre outras). A disciplina de Educação Física ocupa a quadra de esportes durante todos os períodos da manhã e da tarde, sendo um limitante para a realização da primeira AD, que é utilizada como recurso diferenciado para ensinar os conceitos cinemáticos relacionando ao futebol. Outro fator limitante encontrada no colégio é o precário laboratório de informática. Apesar de apresentar um número significativo de computadores (total de 27 computadores) a disposição dos alunos para a realização de tarefas solicitadas por professores das diversas disciplinas, a maioria desses computadores apresentam problemas funcionais (técnicos), dificultando o desenvolvimento da AD pelos alunos.
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Com relação aos conteúdos de Física a serem ensinados aos alunos do 9º ano da disciplina de Ciências, foram considerados imprescindíveis de estudo, segundo o relato da professora regente, os conceitos envolvidos em cinemática e de dinâmica, incluídas nesse estudo o Movimento Retilíneo e Uniforme (MRU) e o Movimento Retilíneo Uniformemente Variado (MRUV), sendo necessário um aprofundamento no estudo das unidades de medida, transformações de km/h para m/s e vice-versa e as Leis de Newton. Inicialmente esses conteúdos não contavam nas AD, e tiveram que ser incluídos.
2.3 LEVANTAMENTO DE ARTIGOS E TRABALHOS DE ENSINO DE FÍSICA E