Arminda Lopes1, Hugo Morais2, Paula Martins3 & Vanda Batista1
1Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro, Estação Agrária de Viseu, Quinta do Fontelo,
3504-504 Viseu; [email protected]; [email protected]
2Escola Superior Agrária de Viseu, Quinta da Alagoa – Estrada de Nelas – Ranhados, 3500-606Viseu
3Syngenta Crop Protection, Av. D. João II Torre Fernão Magalhães, 1.1702 – 11º Piso
1990-084 Lisboa [email protected]
Resumo
A qualidade da maçã está intrinsecamente associada à polinização. São vários os fatores que contribuem para o seu êxito, assumindo os insetos polinizadores um papel determinante neste processo.
No sentido de incrementar a presença destes insetos nos pomares da Estação Agrária de Viseu, a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC) integrou, a partir de 2010, o projeto “Operation Pollinator”, dinamizado pela empresa Syngenta Crop Protection. Um dos objetivos do referido projeto é a instalação de margens que sirvam de fonte de pólen e néctar para os insetos polinizadores.
Neste contexto foram semeadas, até à presente data, quatro margens com diferentes composições florísticas.
Neste trabalho serão apresentados os resultados obtidos no que se refere à evolução das margens, à dinâmica dos insetos polinizadores e sua influência na qualidade da produção. Palavras-chave: Malus domestica B., Operation Pollinator, biodiversidade.
Abstract
Apple quality is intrinsically related to pollination. There are several factors that contribute to its success, pollinating insects assumes a decisive role in this process.
In order to increase the presence of pollinator insects in Viseu Agrarian Station orchards, the Direction of Agriculture and Fisheries of Center Region integrated, since 2010, Operation Pollinator project, promoted by Syngenta Crop Protection.
Operation Pollinator is an international biodiversity program to boost the number of pollinating insects on commercial farms. It works by creating specific habitats, tailored to local conditions and native insects.
So far, in this context, four field margins with different floristic compositions were sown.
In this work the results obtained with regard to the margins evolution, the pollinating insects dynamics and their influence on quality of production will be presented.
Keywords: Malus domestica B., Operation Pollinator, biodiversity. Introdução
O trabalho ecológico de polinização levado a cabo por uma vasta gama de organismos, quer sejam insetos, aves ou mamíferos, possibilita benefícios económicos e ambientais de valor incalculável para a humanidade e natureza que a rodeia (Batista et al., s/d).
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humanos, dependem da polinização. No caso concreto da macieira a qualidade das maçãs está intimamente relacionada com este processo. Segundo Thomson & Goodell (2001) citados por Batista et al. (s/d), não existem dúvidas de que a quantidade de frutos produzidos e a sua qualidade são afetados quando se verificam condições inadequadas de polinização.
Os principais vetores de pólen na macieira são as abelhas domésticas que constituem 60% a 95% da fauna polinizadora (Trillot et al., 2002). Contudo, as abelhas domésticas não são os únicos agentes polinizadores da macieira. Também as abelhas selvagens são agentes polinizadores conhecidos pela sua eficiência na polinização de maçãs (Dantforth, s/d).
Porém, a sobrevivência destes polinizadores encontra-se ameaçada. Desde 2006 que o Síndroma do Despovoamento de Colónias de Abelhas, mais conhecido por Colony Collapse Disorder (CCD), tem dizimado um número inquantificável de insetos polinizadores por todo o mundo. Até ao momento, ainda não foram definidas as causas que estão na origem desta mortalidade. No entanto, fatores biológicos, ambientais, químicos e procedimentos inerentes ao manuseamento de colmeias estão a ser os principais responsáveis, apontados pelos especialistas, que sustentam não se tratar de um fator isolado, mas sim um conjunto de causas a atuar negativamente sobre as abelhas.
Considerando que um dos fatores referidos assenta na falta de variedade na oferta de alimento, que conduz à diminuição quantitativa e qualitativa de pólen, a empresa Syngenta Crop Protection desenvolve, desde 2001, o projeto “The Buzz Project” alicerçado nos benefícios que a agricultura pode trazer à biodiversidade, promovendo a instalação de manchas de vegetação semeada, criando locais de refúgio e fontes de néctar e pólen para os polinizadores. Em 2009 o projeto adotou o nome “Operation Pollinator” e, a partir de 2010, a DRAPC passou a ser um dos parceiros, desenvolvendo linhas de trabalho na macieira, cultura com grande importância na região Dão-Lafões. Este trabalho tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento de metodologias facilmente aplicáveis pelo agricultor, visto ser ele o elemento chave e de maior importância, em todo o processo.
Material e Métodos
No sentido de implementar o projeto foi instalada, em 2010, a primeira margem no topo Este de uma parcela de 1 ha da variedade Bravo enxertada em M9, designada por F9. A mistura utilizada era constituída pelas seguintes espécies: Foeniculum vulgare, Melissa officinalis, Eryngium campestre, Matricaria recutita, Origanum vulgare, Festuca ovina, Echium plantagineum, Prunella vulgaris, Festuca rubra, Echium vulgare, Salvia verbenaca, Marrubium vulgare e Satureja vulgaris.
No ano 2011 foi semeada outra margem, que designaremos de F12/15, no topo Oeste de uma parcela com 0,5 ha da mesma variedade mas no porta-enxerto M7. A mistura incluía as seguintes Fabaceas: Trifolium fragiferum Palestine, Trifolium incarnatum Contea, Trifolium michelianum Balança, Hedisarum coronarium, Lotus corniculatos, Medicago sativa Hunter River, Melilotus officinalis, Onobrychis viciifolia e Ornithopus sativus.
Em 2012 ressemeou-se a margem F9 com a mistura: Crysanthemum coronarium, Matricaria recutita, Centaurea cyanus, Coriandrum sativum, Brassica napus, Salvia officinalis, Echium plantagineum e Reseda lutea. Esta mesma mistura foi utilizada, em 2013, na sementeira da terceira margem localizada no topo Nascente da parcela F4, constituída pelas variedades Golden, Reineta, Fuji e Granny Smith enxertadas em MM106.
Baseado nos resultados obtidos nos trabalhos realizados foram selecionadas as espécies que apresentaram melhor comportamento e feita uma nova mistura que foi instalada, em 2014, nos topos nascente e poente da parcela F3 constituída por variedades pertencentes aos grupos Gala, Golden, Red Delicious e Fuji, enxertadas EMLA9. As espécies em questão são: Trevo- encarnado (Trifolium incarnatum), Luzerna (Medicago sativa), Trevo-morango (Trifolium fragiferum), Serradela (Ornithophus sativus), Fidalguinhos (Centaurea cyanus), Coentros
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das-searas (Chrysanthemum segetum). Estas margens foram instaladas perpendicularmente às linhas de plantação, uma vez que também já está comprovado que é uma localização mais eficaz, por permitir que os insetos polinizadores se desloquem, a maiores distâncias, ao longo da linha.
Antes da implementação das margens foi aplicado um herbicida sistémico para destruir a vegetação existente. Findo o efeito do herbicida, o terreno foi mobilizado de modo a proporcionar as melhores condições para a germinação das sementes. A sementeira foi feita a lanço, manualmente, e as sementes incorporadas no solo com a passagem de um ancinho.
À semelhança do realizado nos anos transatos, entre março e agosto de 2014 foi monitorizado o desenvolvimento florístico das margens e avaliados os polinizadores presentes, registando as espécies visitadas. Durante o período de floração das macieiras foi também avaliado o número e tipo de polinizadores presentes. As observações seguiram o protocolo disponibilizado pela empresa, resultado da aferição de metodologias desenvolvidas pelos parceiros internacionais do projeto.
Com base nos registos das temperaturas horárias, ocorridas durante o período de floração das macieiras, entre as 9 e as 19 horas, altura em que os insetos polinizadores estão ativos, foi calculada a sua atividade potencial. Esta atividade é expressa em percentagem do número de horas e classificada em: nula, reduzida, média, alta e máxima. Este parâmetro, que resultou da junção de informação obtida em várias fontes bibliográficas, permite ter uma ideia concreta do comportamento destes insetos, face à condicionante temperatura, num período crucial do processo produtivo.
Sabendo que a qualidade das maçãs está intimamente relacionada com a polinização e esta, por sua vez, dependente da atividade dos agentes polinizadores, pretendeu-se avaliar em que dimensão este fator interferia na qualidade dos mesmos. Para isso, foram avaliados os parâmetros peso, diâmetro, dureza da polpa, ºBrix, acidez, amido e número de sementes, na variedade Bravo da parcela F9 em 2013 e na Golden Delicious e Granny Smith da parcela F4 nos anos 2013 e 2014. Estes parâmetros foram obtidos em amostras de 32 frutos colhidos em 4 árvores (dois frutos por quadrante em cada árvore), situadas em pontos estratégicos das parcelas, a diferentes distâncias da margem semeada (fig. 1).
Resultados e Discussão
Os dados referentes à avaliação da apetência dos diferentes polinizadores pelas espécies, semeadas ou espontâneas, encontram-se resumidos nos quadros 1 e 2. As espécies estão agrupadas pelas respetivas famílias e reportadas à margem em que se encontravam presentes. As observações foram efetuadas entre 6 de março e 5 de junho nas margens F4 e F9 e entre 19 de junho e 14 de agosto na F3.
Nas margens F4 e F9, as espécies que mais se destacaram, em termos de floração e de visitas pelos polinizadores, foram o Raphanus raphanistrum (Brassicaceas), o Chrysanthemum coronarium e a Centaurea cyanus (Asteráceas), Malva sp. (Malváceas) e Echium platagineum (Boragináceas).
Nas margens F3 (nascente e poente), destacaram-se as Boragináceas, com a predominância do Echium platagineum, em quase toda a extensão das margens, e posteriormente surgiram as Asteráceas, com a Centaurea cyanus e o Chrysanthemum segetum e as Fabáceas com o Trifolium incarnatum.
Na figura 2 está representada a atividade polinizadora potencial, no período da floração nos últimos 4 anos. Verifica-se que, 2014, foi particularmente favorável ao seu desempenho, pois a atividade potencial foi máxima durante a maior parte do tempo.
No gráfico da figura 3 apresenta-se a distribuição dos vários insetos polinizadores, ao longo do período de observação, na parcela junto à margem F4. O número máximo de polinizadores registou-se aquando da floração entre os dias 10 e 18 de abril, o que era expectável
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feitas nas horas potencialmente mais favoráveis à atividade e durante os 10 minutos definidos no protocolo.
À semelhança dos anos anteriores predominaram as abelhas domésticas mas, embora as condições tenham sido mais favoráveis, o seu número foi significativamente inferior, por razões que não nos foi possível apurar.
Os resultados obtidos relativamente aos parâmetros determinados nos frutos, encontram-se nos quadros 3 a 7. No quadro 3 encontram-se os dados à colheita da variedade Bravo, determinados em 2013, onde é notório um maior número de sementes nos frutos localizados junto à margem (modalidade Nascente/Margem) e junto à parcela constituída por variedades de floração mais precoce (modalidade Meio-Norte). Os parâmetros peso, diâmetro, dureza e acidez foram mais elevados na modalidade Meio-Sul e os parâmetros ºBrix e amido na modalidade Meio-Meio. Atendendo a que esta parcela é constituída por vários clones de Bravo poderá haver situações de diferentes estados de maturação, efeito que se pode sobrepor ao objetivo pretendido.
Relativamente à variedade Golden verificou-se que os frutos amostrados na modalidade Meio eram mais pesados e tinham maior diâmetro (quadro 4). Este facto pode refletir uma polinização menos eficaz nesta posição que está no limiar da capacidade de deslocação dos polinizadores. No que diz respeito aos parâmetros dureza, ºBrix e acidez estes são, significativamente, mais elevados nas modalidades junto aos topos do pomar o que poderá indiciar o efeito positivo tanto da margem semeada (modalidade Nascente/Margem) como da presença de cerejeiras e pereiras, de floração mais precoce (modalidade Poente).
Quanto à variedade Granny Smith os valores do peso e do diâmetro, contrariamente ao verificado na Golden, foram mais elevados junto à margem semeada. Este resultado pode indiciar o facto de os polinizadores se deslocarem com maior facilidade devido à existência de falhas no pomar e à proximidade de macieiras da variedade Gala a Sul. Estes fatores podem também ser responsáveis pela não existência de uma tendência diferenciadora nos outros parâmetros.
Embora não sendo significativo, verifica-se uma tendência de subida do número de sementes nos frutos colhidos junto às margens, em ambas as variedades. É de realçar um maior número de sementes na variedade Granny Smith provavelmente devido à conjugação de todos os fatores atrás referidos.
Conclusões
A instalação das margens nas proximidades das parcelas de pomar contribuiu para aumentar, significativamente, o número de espécies vegetais presentes diversificando a oferta de néctar e pólen. Este trabalho permitiu conhecer a apetência dos diferentes insetos polinizadores pela flora existente e compreender a sua dinâmica.
Independentemente das espécies presentes, a atuação dos polinizadores manteve-se, sendo esta a garantia de que a fonte de alimento constituiu um fator essencial para a sua fixação no local.
No que respeita à produção, os parâmetros qualitativos avaliados, embora estejam dependentes de múltiplos fatores, indiciam efetivamente o efeito benéfico da criação de condições favoráveis à atividade dos polinizadores, obtida através do incremento da biodiversidade, com a instalação das margens semeadas. Este é um dos aspetos que deverá ser alvo de avaliações futuras, no sentido de aferir metodologias que confiram uma maior consistência aos resultados.
Referências
Batista, F., Bessa Batista, E., Almeida, P. & Pacheco de Medeiros, C. (s/d). Efeito da polinização por abelhas e da proporção de variedades polinizadoras na produção de
97 Fruticultura e Viticultura. 25-33.
Danforth, B. (s/d). Diversity and pollination biology of native and managed bees in apple orchards in New York. Cornell University, Ithaca, New York.
Trillot, M., Masseron, A., Mathieux, V., Bergougnoux, F., Hutin, C. & Lespinasse, Y. (2002). Le pommier. CTIFL, Paris
Quadros e figuras
Figura 1 - Planta da Estação Agrária de Viseu com localização das margens semeadas e dos locais de amostragem dos frutos
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Figura 3 – Distribuição dos diferentes polinizadores ao longo do período de observação Quadro 1 – Margem F4 e F9 (período de observação 6 de março a 5 de junho)
Espécie Família Muito
visitada
Moderada/ visitada
Pouco visitada
F4,F9 Camomila (Matricaria recutita) Asteráceas AS,O A,AD
F4 Cardo-comum (Carduus pycnocephalus) Asteráceas
F4,F9 Erva-vaqueira (Calendula arvenses) Asteráceas AS O AD,A
F4,F9 Fidalguinhos (Centaurea cyanus) Asteráceas AS A, AD, O F4 Malmequer (Chrysanthemum coronarium) Asteráceas AS,O A,AD F4 Serralha-preta (Sonchus asper) Asteráceas AS, O AD,A
F4,F9 Soagem (Echium platagineum) Boragináceas AD, AS, A O
F9 Viperina (Echium vulgare) Boragináceas AS,A AD,AS O F4 Bolsa-de-pastor (Capsella bursa) Brassicáceas O AD,AS,A F4,F9 Saramago (Raphanus raphanistrum) Brassicáceas AD, AS, O A
F4,F9 Erva-moleira (Stellaria media) Cariofiláceas O AD,AS,A
F4,F9 Ervilhaca-vilosa (Vicia dasycarpa) Fabáceas A, AS AD, O F4,F9 Serradela-amarela (Ornithopus
compressus) Fabáceas AD,AS O,A
F4 Serradela-cultivada (Ornithopus sativus) Fabáceas AS, O AD, A
F4,F9 Trevo branco (Trifolium repens) Fabáceas AD AS, A O
F4 Trevo-da-pérsia (Trifolium resupinatum) Fabáceas AD AS A,O F4 Trevo-encarnado (Trifolium incarnatum) Fabáceas A AS, O AD F4 Bico-de-pomba-menor (Geranium molle) Geraneáceas O AS,A,AD F4,F9 Erva-de-São-Roque (Geranium
robertianum) Geraneáceas AS O,AD,A
F4,F9 Erva-relógio (Erodium moschatum) Geraneáceas AS AD,O,A
F4 Chuchas (Lamium maculatum) Lamiáceas A O AS, AD F4 Chupapitos (Lamium amplexicaule) Lamiáceas A O AS, AD F9 Erva-crista (Salvia verbenaca) Lamiáceas AS AD,A,O F9 Prunela (Prunella vulgaris) Lamiáceas AS AD,O,A F9 Salva (Salvia officinalis) Lamiáceas AS O,AD,A
F4,F9 Malva (Malva nicaeensis) Malváceas AD, A AS O
F4 Malva-silvestre (Malva sylvestris) Malváceas AD,A,AS O
F4,F9 Fumária (Fumaria officinalis) Papaveráceas AS, O AD,A
F4 Papoila-brava (Papaver dubium) Papaveráceas AS O AD,A
F4,F9 Tanchagem (Plantago lanceolata) Plantagináceas O
F4,F9 Verónica-da-pérsica (Veronica persica) Plantagináceas O AD,AS,A AD – Abelhas domésticas; AS – Abelhas selvagens; A – Abelhões; O – Outros polinizadores; Espécies semeadas
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Espécie Família Muito
visitada
Moderada/ visitada
Pouco visitada F3p Coentros (Coriandrum sativum) Apiáceas O AD,A,AS F3n Coentros (Coriandrum sativum) Apiáceas AS,O AD,A
F3pn Fidalguinhos (Centaurea cyanus) Asteráceas AS,O,A AD
F3pn Pampilho-das-searas (Chrysanthemum segetum) Asteráceas O,AS AD AD F3n Tasneirinha (Senecio vulgaris) Asteráceas AS A,AD,O
F3pn Soagem (Echium platagineum) Boragináceas AS, A AD O
F3pn Saramago (Raphanus raphanistrum) Brassicáceas O AS AD,A
F3n Corriola (Convolvulus arvensis) Convolvuláceas AS A,AD,O F3n Luzerna (Medicago sativa) Fabáceas A AB,AS,O F3pn Serradela-amarela (Ornithopus compressus) Fabáceas AS AD,A,O F3n Serradela-cultivada (Ornithopus sativus) Fabáceas AS AD,O,A
F3pn Trevo branco (Trifolium repens) Fabáceas AD A AS,O
F3pn Trevo-encarnado (Trifolium incarnatum) Fabáceas AS,A AD,O F3p Tanchagem (Plantago lanceolata) Plantagináceas O F3n Tanchagem (Plantago lanceolata) Plantagináceas O F3n Sempre-noiva (Polygonum aviculare) Poligonáceas O AD – Abelhas domésticas; AS – Abelhas selvagens; A – Abelhões; O – Outros polinizadores; Espécies semeadas
Quadro 3 – Parâmetros à colheita da variedade Bravo da parcela 9S, no ano 2013
Modalidade Peso Diâmetro Dureza º Brix Acidez Amido Sementes
Nascente/Margem 148 b 70 7.8 a 12.8 b 1.5 b 3.2 4.2 a
Meio-Sul 169 a 72 7.9 a 11.5 c 2.2 a 3.7 2.6 b
Meio-Meio 155 b 71 7.4 b 13.3 a 1.6 b 4.3 2.9 b
Meio-Norte 155 b 71 7.6 ab 12.8 b 1.7 b 3.8 4.4 a
Sig. * ns * *** *** ns ***
Valores seguidos da mesma letra não diferem significativamente. Sig. = Nível de significância; ns = não significativo ao nível de 0,05; * significativo ao nivel de 0,05; ** significativo ao nivel de 0,01; *** significativo ao nivel de 0,001
Quadro 4 – Peso, diâmetro e número de sementes da variedade Golden da parcela 4S, nos anos 2013 e 2014
Modalidade Peso Diâmetro Sementes
2013 2014 2013 2014 2013 2014
Nascente/Margem 152 b 183 a 69 b 75 a 6,4 b 6,8
Meio 179 a 185 a 73 a 75 a 6,5 b 6,6
Poente 160 b 138 b 70 b 68 b 7,7 a 6,8
Sig. *** *** *** *** ** ns
Valores seguidos da mesma letra não diferem significativamente. Sig. = Nível de significância; ns = não significativo ao nível de 0,05; * significativo ao nivel de 0,05; ** significativo ao nivel de 0,01; *** significativo ao nivel de 0,001
100 2014
Modalidade Dureza ºBrix Acidez Amido
2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014
Nascente/Margem 8,8 a 8,3 a 14,2 b 13,6 a 2,9 b 2,0 7,7 4,7
Meio 7,8 b 7,8 b 12,3 c 12,4 b 2,7 b 2,4 7,9 4,9
Poente 8,8 a 8,2 a 14,9 a 13,5 a 3,7 a 2,2 8,1 5,9
Sig. *** ** *** *** *** ns ns ns
Valores seguidos da mesma letra não diferem significativamente. Sig. = Nível de significância; ns = não significativo ao nível de 0,05; * significativo ao nivel de 0,05; ** significativo ao nivel de 0,01; *** significativo ao nivel de 0,001
Quadro 6 – Peso, diâmetro e número de sementes da variedade Granny Smith da parcela 4S, nos anos 2013 e 2014
Modalidade Peso Diâmetro Sementes
2013 2014 2013 2014 2013 2014
Nascente/Margem 211 a 203 a 77 77 a 7,3 7,9
Meio 184 b 182 b 75 73 b 7,3 7,1
Poente 185 b 188 b 75 75 b 7,0 7,1
Sig. ** *** ns *** ns ns
Valores seguidos da mesma letra não diferem significativamente. Sig. = Nível de significância; ns = não significativo ao nível de 0,05; * significativo ao nivel de 0,05; ** significativo ao nivel de 0,01; *** significativo ao nivel de 0,001
Quadro 7 – Dureza, ºBrix, acidez e amido da variedade Granny Smith da parcela 4S, nos anos 2013 e 2014
Modalidade Dureza ºBrix Acidez Amido
2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014
Nascente/Margem 8,5 b 8,0 ab 11,2 b 11,7 a 8,6 a 7,5 a 6,0 6,1
Meio 9,3 a 8,1 a 12,2 a 11,6 ab 8,1 a 5,7 b 6.1 5,6
Poente 8,8 b 7,7 b 11,3 b 11,1 b 7,2 b 6,6 ab 6,0 5,9
Sig. ** * *** * *** ** ns ns
Valores seguidos da mesma letra não diferem significativamente. Sig. = Nível de significância; ns = não significativo ao nível de 0,05; * significativo ao nivel de 0,05; ** significativo ao nivel de 0,01; *** significativo ao nivel de 0,001
101 Rui Maia de Sousa1 & Fátima Calouro2
1 INIAV, I.P. – Pólo de Atividades, em Alcobaça, 2460-059 Alcobaça, [email protected]
2 INIAV, I.P. – Unidade Sistemas Agrários e Florestais e Sanidade Vegetal -Pólo da Tapada da Ajuda;
Apartado 3228; 1301-903 Lisboa, [email protected]
Resumo
A pereira cultivar ‘Rocha’ tem uma afinidade de enxertia variável consoante o porta- enxerto utilizado. Em geral, essa afinidade é regular com os porta-enxertos designados por francos (Pyrus communis) e variável com os porta-enxertos selecionados dos marmeleiros (Cydonia oblonga).
Os porta-enxertos mais utilizados em Portugal são os provenientes dos marmeleiros (d’Angers EM.A, d’Angers Sydo® e de Provence BA 29). Não sendo a afinidade de enxertia perfeita, é constante a procura de porta-enxertos com melhor afinidade, que induzam boas produções e em que os frutos sejam de qualidade superior. Neste sentido, instalou-se, em Alcobaça, no ano de 2002, um ensaio com três porta-enxertos de pereira (Fox 11®, Pyro dwarf® e Cydomalus®), cujo comportamento com a cv. ‘Rocha’ se desconhecia nas condições edafoclimáticas portuguesas, e com o porta-enxerto Sydo®, cujo comportamento já era conhecido.
Para avaliar o vigor induzido por estes porta-enxertos, determinou-se em cada árvore do ensaio o diâmetro do tronco a 0,20 m acima do ponto de enxertia. A avaliação quantitativa e qualitativa da produção à colheita, foi efetuada anualmente, nomeadamente a produção e as classes de calibre e a forma, o peso, a cor, a dureza, o teor de sólidos solúveis e a acidez dos frutos.
Os resultados obtidos revelaram que o porta-enxerto Cydomalus® não é compatível com a cultivar ‘Rocha’ e o porta-enxerto Pyro dwarf® induz maior vigor que os restantes. Os porta-enxertos Sydo® e Pyrodwarf® induzem maior produção na cultivar ‘Rocha’ que o porta- enxerto Fox 11®. Os frutos resultantes do simbionte ‘Rocha’/Sydo® revelaram-se, em média, mais alongados, mais pesados, com maior teor de sólidos solúveis e menor acidez, quando comparados com os frutos dos outros tratamentos experimentais em estudo.
Palavras-chave: Avaliação, porta-enxerto, vigor, produção, qualidade da produção Abstract
The affinity of pear cultivar 'Rocha' grafting depends on the used rootstock. In general, this affinity is regular with franc rootstocks (Pyrus communis) and varies with the selection of quince (Cydonia oblonga) rootstocks.
In Portugal, the usual rootstocks for pear tree cultivar 'Rocha' are selections of quince (d'Angers Eminence, d'Angers and Provence Sydo® BA 29), which have not a perfect affinity with the species, leading to a constant demand for rootstocks with improved affinity, inducing good productions and fruits of superior quality. With this goal, an experiment was installed in 2002, in Alcobaça, with three pear rootstocks (Fox 11®, Pyrodwarf® Cydomalus®), whose behavior with cv. 'Rocha' was unknown in Portuguese soil and climatic conditions, and the rootstock Sydo®, whose behavior was already known.
To evaluate the effect induced by these rootstocks, it was registered the tree trunk diameter at 0.20 m above the grafting point.
102
performed, namely total production per tree and fruit distribution by size, fruits shape, weight, color, hardness, soluble solids and titratable acidity.
The results showed that the rootstock Cydomalus® is not compatible with the cultivar 'Rocha'. The rootstock Pyrodwarf® induced stronger tree vigor than the others. Rootstocks Sydo® and Pyrodwarf® induced higher productions than Fox 11®. On average, the resulting fruits of the symbiont 'Rocha' / Sydo® proved to be more elongated, heavier, with higher soluble solids and lower titratable acidity as compared to the raised over the other studied