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Conceptual approach

Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada.

(ADÉLIA PRADO) São estas trabalhadoras incansáveis as mães e irmãs

da recordista Kazankina e maravilhosa bailarina que sublimou Espartacos no palco do Bolchoi.

(JOSÉ CRAVEIRINHA)

Apesar de na maior parte da sua obra José Craveirinha apresentar uma visão conservadora do papel da mulher em todos os quadrantes da vida, a verdade é que algumas exceções parecem revelar que essa sua postura não seria inflexível e que o autor começava a demonstrar uma certa abertura para um caminho de igualdade de género.

O século XX foi o século em que as ideias de emancipação feminina se foram tornando reais. No entanto, sabemos que este foi um processo longo e que na maioria dos países ainda não está completamente terminado. Como vimos no segundo capítulo deste trabalho, foi complicado para as mulheres do mundo ocidental impor-se como seres de estatuto semelhante ao do homem, mostrando que valiam tanto como eles nos campos produtivo, social e político.

Simone de Beauvoir, fazendo um apanhado das afirmações de Engels sobre a mulher, lembra que devido à industrialização, ao desenvolvimento da máquina, o acesso feminino ao trabalho se tornou facilitado. A diferença da força física de ambos os sexos deixa de ser importante para a execução das tarefas laborais. Assim:

O manejo de numerosas máquinas modernas não exige mais do que uma parte dos recursos viris. Se o mínimo necessário não é superior às capacidades da mulher, ela

torna-se igual ao homem no trabalho. (…) Quanto às servidões da maternidade, elas assumem, segundo os costumes, uma importância muito variável: são esmagadoras se se impõem à mulher muitas procriações e se ela deve alimentar e cuidar dos filhos sem mais ajuda; se procria livremente, se a sociedade auxilia durante a gravidez e se se ocupa da criança, os encargos maternais são leves e podem ser facilmente compensados no campo do trabalho. (BEAUVOIR, 1981, p. 85)

Neste processo de conquista do mundo do trabalho, foi muito difícil para a mulher adaptar a sua atuação, nomeadamente no que diz respeito a posições de poder ou de chefia. Bourdieu chama a atenção para isso mesmo:

Mais geralmente, o acesso ao poder, qualquer que seja, coloca as mulheres numa situação de “double bind”: se agem como homens, expõem-se a perder os atributos obrigatórios da “feminidade” e põem em questão o direito natural dos homens às posições de poder; se agem como mulheres, parecem incapazes e inadaptadas à situação. (BOURDIEU, 1999, p. 58)

De facto, vemos vários exemplos deste tipo. Um dos exemplos mais gritantes é o de uma das figuras mais peculiares do século XX: Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica entre 1979 e 1990. Por muito que ninguém lhe possa tirar o mérito das suas conquistas, a verdade é que o seu trabalho foi muitas vezes masculinizado, principalmente por ter sido uma governante rígida e conservadora, pouco associada à figura maternal.

José Craveirinha, dado o seu alinhamento ideológico e a notoriedade que foi ganhando antes e depois da independência de Moçambique, teve a oportunidade de visitar a URSS e outros regimes socialistas do mundo da época. Nessas viagens, e principalmente na viagem à Rússia, Craveirinha deve ter tomado contacto com a figura da mulher operária, da mulher que consegue ser socialmente equivalente ao homem – o que o terá marcado bastante.

Os dois poemas que parecem revelar melhor a abertura de José Craveirinha a esta nova realidade que se criava de igualdade de género são os poemas «Fábrica Moscovo», inserido na obra Vila Borghesi e outros poemas de viagem, e o «Hino de louvor a Valentina Tereskova».

Em «Fábrica Moscovo» podemos ler os seguintes versos:

as mulheres trabalham. Junto dos homens

engenheira dirige o trabalho. (…)

São estas trabalhadoras incansáveis as mães e irmãs

da recordista Kazankina (…)

(CRAVEIRINHA, 2012, p. 198)

Em primeiro lugar, parece importante chamar a atenção para o facto de haver uma clara focalização no trabalho da mulher em detrimento do homem. A repetição «Junto das máquinas / (…) Junto dos homens» cria um paralelismo claro entre homens e máquinas, como se ambos se equivalessem perante o trabalho das mulheres e a mulher que dirige – aspetos que ganham relevância acrescida uma vez que os outros elementos são apresentados como contexto, como elementos secundários.

Outro elemento relevante é a referência a Tatyana Kazankina, atleta soviética, tricampeã olímpica e sete vezes recordista mundial. A escolha desta figura, principalmente associada à das operárias fabris, parece querer revelar admiração do sujeito poético pela força e determinação da mulher, que pode efetivamente mostrar o seu potencial quando tem acesso a esse espaço.

O facto de a primeira mulher não ser nomeada pode querer revelar que em Moscovo era comum encontrar-se engenheiras a dirigir o trabalho dos homens, pelo que aquele caso não era excecional ao ponto de o nome ficar gravado na memória de quem a isso assistisse.

O segundo poema que iremos referenciar também tem como figura central uma engenheira soviética, neste caso nomeada por ser mundialmente famosa como a primeira cosmonauta mulher a ter ido ao Espaço.

O «Hino de louvor a Valentina Tereskova» composto por 19 estrofes é provavelmente um dos maiores poemas sobre a mulher alguma vez escrito. Não só porque referencia várias mulheres que fizeram História (como a Virgem Maria, Helen Keller, Josephine Baker, Gabriela Mistral, Eleanor Roosevelt, Rainha Santa Isabel, e Valentina Tereskova), como ainda porque alude a várias mulheres anónimas, que nunca ninguém conheceu como «a mulher que deu o ser a Rabindranat Tagore, / o ventre que

gerou Goya, Beethoven, Madame Curie, / Portinari, Pablo Neruda e a bailarina Pavlova.» (CRAVEIRINHA, 1999, p. 175).

Ao facto de compor um poema dedicado ao feito histórico de uma mulher acrescenta-se ainda a circunstância de esse poema ser um «hino de louvor», o que mais uma vez nos coloca no campo da literatura religiosa. Desta forma, e através da repetição incessante da palavra louvo (inicialmente no início de cada estrofe, e posteriormente a meio e no fim das mesmas), o sujeito poético consegue criar uma amálgama entre uma oração religiosa e um texto quase ideológico de exaltação do papel político e social da mulher ao longo dos tempos: desde a Virgem Maria, mãe de um revolucionário («a Mãe que gerou no seu ventre / o Filho que nos seus dedos fez / o milagre que multiplicou as côdeas de um pão / ensinou as parábolas subversivas de sermos todos iguais») até Gabriela Mistral, vencedora do prémio Nobel da Literatura de 1945 ou a própria Valentina Tereskova, a primeira mulher a visitar o Espaço.

Estas mulheres que o sujeito poético exalta são mulheres que se destacaram não só por feitos políticos, culturais ou científicos, mas também por características notáveis, como a bondade e a generosidade – que é o caso da Rainha Santa Isabel, beatificada e canonizada.

Outro grupo que o sujeito poético louva é o das mães, que formam uma figura basilar para José Craveirinha, como já foi visto anteriormente neste trabalho. Além da presença de Virgem Maria e da referência às mães das figuras emblemáticas atrás mencionadas, o sujeito poético acrescenta:

E louvo o leite no louvado seja

belo seio de todas as mães coagidas entre a paz e a guerra. (Idem, p. 173)

Outro grupo que o sujeito não esquece é o das mulheres que sofrem por se verem privadas dos homens que lhes são queridos: «louvo as órfãs e viúvas dos soldados/ civis e contratados que para nunca mais.» São estas mulheres vítimas das guerras ou de situações sociais desfavoráveis que obrigam os seus homens a emigrar.

Um aspeto bastante interessante é a forma como neste poema José Craveirinha consegue criar uma união entre o universal e o particular, entre o universo (sugerido pelo facto de Valentina Tereskova abandonar a Terra e se tornar um elemento do

universo) e Moçambique. Esta criação de uma harmonia entre espaços e realidades que se cruzam está presente se lermos comparativamente os seguintes versos:

em louvor à Valentina Tereskova

a primeira mulher no inabitado lar do cosmos sorrindo na estonteante granja

colectiva dos astros (…)

E daqui em África

Um moçambicano louva-te

e torna a louvar Valentina Tereskova! (Idem, p. 175/176)

Este poema conta ainda com alguns versos que parecem afastar-se da temática da mulher, mas que acabam sempre por se relacionar com esta, dadas as reivindicações ideológicas que contêm e a crítica social que veiculam. No fundo, lutando pela igualdade e pelos direitos humanos (bandeiras incontornáveis da poesia de Craveirinha) o poeta estaria sempre implicitamente lutando pela causa feminista, sem que muitas vezes tivesse a consciência deste facto.

A criação da figura da mulher trabalhadora é muito importante na obra de José Craveirinha, principalmente se tivermos em conta a sociedade sectária em que o autor estava inserido. O facto deste poeta (pai da literatura moçambicana) veicular ideias que defendem a importância e a igualdade da mulher adquire uma força inegável, pois a arte e a poesia são dos veículos mais poderosos na mudança de mentalidades. Um poema que louva «a enxada nas mãos de calos das heroínas rurais» (Idem, p. 171) poderá fazer mais por estas mulheres do que muitos programas governamentais.

La poésie ne rythmera plus l’action, elle sera en avant. (ARTHUR RIMBAUD)

Those who do not move, do not notice their chains. (ROSA LUXEMBURG)

Apesar de se centrar nas figurações do feminino na obra de José Craveirinha, o presente trabalho nunca teve como objetivo avaliar o sexismo/machismo da escrita do poeta. No entanto, a verdade é que tendo iniciado este caminho com uma opinião subjetiva sobre o mesmo, ele termina com uma visão totalmente renovada.

A importância de José Craveirinha para a literatura e cultura moçambicanas é incontornável. Foi um agente literário (logo, político) muito ativo e revolucionário, incansável na luta pela reabilitação de Moçambique e dos moçambicanos e moçambicanas. Ana Mafalda Leite sintetiza:

A linguagem manifestatária de Xigubo é, por tudo o que foi dito, um acto de legitimação e de conquista de poder simbólico, estético-linguístico, na medida em que entra em desacordo com os valores literários dominantes e consagrados da sociedade colonial em que se insere. Tal tentativa de conquista faz dele um discurso originário, fundador e de certa maneira programático. Poética bifronte, por um lado voltada para um passado tradicional, histórico e literário em que procura reencontrar a devolução de uma imagem que lhe afirme o rosto, por outro decididamente orientada para um futuro profético, de que o sujeito assume a revelação dos sinais. (LEITE, 1992, p. 38)

Como quase todos os temas na obra de José Craveirinha, o tema da Mulher exige que o leitor e/ou o crítico se debruce sobre ele despido de preconceitos, e que esteja preparado para ir aceitando um posicionamento múltiplo e dinâmico do poeta. Se em alguns momentos os sujeitos poéticos criados por José Craveirinha nos surgem com perspetivas bastante sexistas e machistas sobre a figura da mulher, noutros momentos essa visão aparece renovada.

De facto, numa fase de conclusão da leitura levada a cabo da poesia deste autor, podemos voltar a apoiar as palavras de Ana Mafalda Leite sobre o facto de este autor conseguir ligar, fundir e combinar várias realidades e ideias na sua obra:

Ao criar uma poesia “mestiça”, se é que lhe podemos atribuir tal nome, José Craveirinha aproxima, coloca em estado de tensão e de comunhão, realidades diversas, filosofias existenciais, modos de ser e de pensar, registos linguísticos e tradições literárias completamente distintas. (Idem, p. 69)

O estado de tensão permanente entre dois mundos, duas heranças e duas influências torna a escrita deste autor mais rica e reflexiva, o que se manifesta na forma como a mulher é representada.

Outro aspeto importante a referir é a forma como José Craveirinha, dado o seu contexto social, político e literário, a par das transformações da linguagem e da forma de escrever poesia, consegue transformar o mundo que o rodeia, sensibilizar os seus leitores e aqueles que direta ou indiretamente contactam com as suas mensagens poéticas para os aspetos a que alude na sua obra.

Estamos diante de um poeta interventivo, que não se limita a trabalhar esteticamente, mas que pretende resultados reais e materiais, que tem como objetivo a alteração de mentalidades e formas de estar. Apoiamo-nos simultaneamente em Fátima Ribeiro e Eugénio Lisboa:

Como disse Eugénio Lisboa (…) com José Craveirinha estamos diante de um poeta portador de uma voz virilmente indignada, e é mesmo esta indignação interminável, porque nunca suficientemente derrotada, que arranca o irado lirismo que ele nos impõe, materializando uma estratégia, um assalto tacitamente organizado contra o nosso eu, para alcançar um objectivo à escala da humanidade, um projecto grandioso. (RIBEIRO, 1995, p. 18)

Por muito que não fosse uma intenção explícita do autor, a verdade é que o tratamento da figuração do feminino acaba por fazer parte desse seu projeto grandioso. José Craveirinha posiciona-se sempre do lado do oprimido, do explorado, do inferiorizado; pelo que a sua poesia subversiva atinge todos aqueles que se identificam com esse posicionamento.

Apesar de haver quem defenda que no mundo ocidental contemporâneo já não há espaço para a luta feminista, uma vez que as principais conquistas estão alcançadas, a verdade é que ainda há um longo caminho pela frente. Como afirmou Judith Butler:

Although the claim of universal patriarchy no longer enjoys the kind of credibility it once did, the notion of a generally shared conception of “women”, the corollary to that framework, has been much more difficult to displace. (BUTLER, 2006, p. 5)

O nosso objetivo com este trabalho incidiu precisamente numa procura das conceções de mulher presentes na obra de Craveirinha, movidos pela convicção de que estudar este tipo de figurações nos ajuda a compreender melhor o nosso próprio posicionamento face ao papel da mulher num mundo ainda bastante marcado pela herança do patriarcado. A forma como a mulher é representada vai estar sempre associada às estruturas que sustentam a sociedade, tal como afirma Simone de Beauvoir:

A humanidade não é uma espécie animal: é uma realidade histórica. (…) Assim, a mulher não poderia ser considerada apenas um organismo sexuado: entre os dados biológicos, só têm importância os que assumem, na acção, um valor concreto; a consciência que a mulher adquire de si mesma não é definida unicamente pela sexualidade. Ela reflecte uma situação que depende da estrutura económica da sociedade, estrutura que traduz o grau de evolução técnica a que chegou a humanidade. (BEAUVOIR, 1981, p. 84)

Como já aqui foi referido, a crença no facto de não existirem conquistas irreversíveis leva-nos a acreditar que a reflexão sobre este tipo de questões é sempre pertinente. A coexistência, em José Craveirinha, de várias representações da mulher reflete a forma pouco homogénea como a sua figura era e é concebida. Na sua poesia, convivem figuras como a da Mãe e da Prostituta, da Menina e da Doméstica.

A figura da Mãe, como vimos, representa aquilo que é a herança do autor, o seu passado, a riqueza da cultura moçambicana – o universo mágico e ritual a que todos os oprimidos deveriam ir buscar força na sua luta pela independência. A energia materna circula pela natureza e faz parte dela, simboliza a fertilidade, e, assim, a hipótese de renascimento.

Já a figura da Menina assume uma imagem relacionada com a pureza e a inocência; simboliza a fragilidade de todos aqueles assolados pela injustiça e a

desigualdade social. A Menina em Craveirinha surge frequentemente como a vítima de uma situação – quer seja representada enquanto criança, quer pensemos na Menina escondida na figura da Prostituta, que foi obrigada a render-se a uma vida de práticas imorais, degradantes e fisicamente destruidoras.

A Mulher Sensual surge-nos como o mais heterogéneo dos grupos. Esse facto denota-se quer pela quantidade de nomes a quem são endereçados poemas eróticos, como ainda pela coexistência de vários padrões de mulheres erotizadas, pelo que temos referências quer ao padrão da mulher moçambicana (a negra e a mulata), como também a figuras com uma beleza tipicamente europeizada (como Sofia Loren ou Brigitte Bardot). A mulher e o seu corpo são os destinatários da admiração, da adoração e do culto do sujeito poético, muitas vezes vistos como um recetáculo do homem e objeto de uma dominação encoberta.

A Mulher Amada está, por sua vez, imediatamente ligada à figura de Maria, mulher de José Craveirinha, a quem este dedica a obra Maria. Esta mulher é sinónimo de estabilidade e lealdade, surge-nos como a aliada incondicional do autor na sua vida. A dedicação que é muitas vezes associada à Mulher Amada pode adquirir traços de alguma submissão sexista, mas que o sujeito poético tenta sempre contornar atribuindo à referida figura características de força e resistência, como se fosse ele que se encontra submisso a ela e não o contrário.

As duas últimas figuras femininas que decidimos destacar na obra de Craveirinha foram as da Mulher Doméstica e da Mulher Trabalhadora. A sua leitura simultânea permite-nos perceber a complexidade da imagem feminina para o autor: ela tanto adquire a forma de mulher solícita, prestável, amarrada às tarefas familiares e do lar, ser que aguarda o marido, que dele aceita qualquer tipo de atitude (mesmo a infidelidade); como pode ser representada como forte e independente, capaz de assumir papeis que anteriormente estariam reservados aos homens, como engenheira ou astronauta. A coexistência destas duas figuras revela que José Craveirinha abriu espaço na sua obra para a criação de uma mulher fluida e versátil, reflexo não só da forma como as mudanças do mundo moderno influenciavam a sua obra, como também da omnipresente herança dupla que marca o autor.

Como conclusão, podemos afirmar que estas seis figuras femininas que José Craveirinha nos apresenta conseguem opor-se e complementar-se constantemente,

marcando seis imagens distintas da mulher aos olhos do poeta moçambicano. A mãe e a terra que o viram nascer e o criaram, a menina vítima de uma sociedade e de um contexto adverso e injusto, a mulher que ele deseja fisicamente, a mulher a que ele se entrega espiritualmente, a dedicada dona de casa ou mesmo a mulher emancipada são figuras que o acompanharam ao longo da vida, que de várias formas o tocaram e o intrigaram ao ponto de se tornarem objetos poéticos.

O presente trabalho é uma primeira abordagem a um tema que cremos ser deveras rico e útil: o estudo da forma como o feminino é representado na obra de Craveirinha através da categorização dos elementos mais frequentes e marcantes na sua obra.

As diferentes formas como o(s) sujeito(s) poético(s) se dirige(m) a estes diferentes tipos de mulheres tornam-se duplamente ricas: por um lado, ajudam-nos a penetrar melhor no universo literário moçambicano do século XX, nomeadamente o universo de Craveirinha; por outro lado, permitem-nos questionar quer questões como a evolução da figuração do feminino no decurso da História de Moçambique, quer a nossa própria forma de encarar o papel da mulher ao longo dos tempos e na sociedade contemporânea.