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COMPREHENSION DE L’ECRIT Je comprends le texte : Le Coq et le Renard

Dans le document Année Moyenne Livre du professeur (Page 75-81)

Dans le cadre du concours de lecture, mes camarades et moi interprétons nos fables

COMPREHENSION DE L’ECRIT Je comprends le texte : Le Coq et le Renard

Georges Seurat foi um pintor francês do século XIX, que desenvolveu inicialmente

a sua obra artística imbuído do espírito de Impressionismo17, que gradualmente se

afirmava como a expressão artística de vanguarda. No entanto, o seu percurso não se encerrou neste movimento e foi o seu contributo na criação do Neo-impressionismo que o notabilizou para a História da Arte.

17

O Impressionismo foi um movimento artístico que surgiu na pintura europeia do século XIX, em reacção à arte neoclássica, onde “o interesse dos pintores incidia muito especialmente nos aspectos dinâmicos da realidade, os quais permitiam observar evoluções rápidas e mais, usualmente, nas experiencias da mudança e do movimento, mas, também, nas variações da luz e das cores.” (Walter, 2006, p.97)

Nascido em 1859 em Paris, Georges Seurat é oriundo de um contexto familiar que lhe permite, ainda com 18 anos, ser admitido na Escola de Belas Artes, onde toma um primeiro contacto com a arte “oficial”, académica, cuja pintura destacava a mestria da execução, ao nível do desenho e da coloração, e com composições inspiradas na cultura

neoclássica18. É nesta altura da sua vida que Seurat toma o primeiro contacto com as

teorias científicas da cor de Eugène Chevreul e Ogden Rood, seus contemporâneos, bem como os trabalhos de pintura de Leonardo da Vinci. Este contacto faz com que se distancie também do movimento Impressionista que surgia em Paris como reacção à arte académica, que era considerada demasiado rigorosa.

O Impressionismo, surgido na segunda metade do século XIX, surge assim como uma reacção contra os valores da arte oficial, que era apoiada pelo estado, sendo o

nome do movimento derivado da pintura “Impressão Sol Nascente”19 de 1872, de Claude

Monet. Os impressionistas, como o referido Monet, Édouard Manet, Auguste Renoir ou Edgar Degas, pretendiam ver o quadro como obra em si mesma, independentemente das temáticas nobres ou na representação fiel que apresentassem. Isto foi recebido pela crítica como um escândalo, pois além de temáticas não convencionais, como a exibição de nus modernos ou a promiscuidade entre figuras masculinas e femininas identificáveis, a pintura impressionista rompia com a tradição sobretudo em termos técnicos, passando a luz e o movimento, através da aplicação de pinceladas soltas, a serem os principais elementos da pintura. Os impressionistas registavam assim o fugaz, pintando ao ar livre sem acabamento de atelier e desprezavam a paleta sombria da pintura neoclássica.

Este contexto impressionista caracterizou um período de vida artística de George Seurat, mas estas ideias impressionistas foram sendo abandonadas em detrimento dos seus objectivos para uma estética científica. Assim, foi introduzindo uma nova formalidade na pintura, numa tentativa de renovar o Impressionismo, que agora nesta sua proposta era ordenado com elementos científicos e métodos assentes em teorias como as de Chevreul e Rood.

Esta sua proposta ficou para a história como o Neo-Impressionismo (o “novo” Impressionismo), também chamado de Pontilhismo. Rejeitando o efeito fugaz e as pinceladas livres e irregulares do Impressionismo, inventou então a técnica do Pontilhismo, mais aproximada da Ciência, em que as formas se constroem a partir da 18

Deste período Neoclássico, os artistas mais emblemáticos são Jacques Louis David e Jean-Auguste Ingres. 19

Claude Monet retratou uma paisagem de Le Havre, cidade portuária do Norte de França, numa “obra emblemática porque, além de ter dado nome ao grupo, responde às suas principais características: um tema sem transcendência, sem nenhuma preocupação pela figura humana, com os objectos diluídos no conjunto da sensação” (Burón e Almeida, 1992, p.119)

aplicação de pequenos pontos de cor pura sobre um fundo opaco, numa aplicação à Arte dos conceitos científicos de óptica contemporâneos. Este método pontilhista de Seurat surge como uma tentativa de eliminar da arte o imprevisível, a falta de rigor e de uma metodologia sólida, mantendo, ainda assim, a alegria das cores e temáticas “não académicas” na sua proposta.

Com base nos elementos científicos que recebeu, não apenas teóricos como também ao nível operacional (como no caso do “Disco de Cor” de Chevreul), o Neo- Impressionismo reintroduziu a estrutura e a formalidade assente em regras de cor. Nesta linha, esta técnica consistia fundamentalmente no processo de separar as cores nas suas componentes básicas, colocando justapostos os pequenos pontos de cor e permitindo o processo de mistura óptica, em vez de realizar essa mistura na tela. Esta mistura óptica, que é realizada quando o observador se coloca a partir de uma determinada distância, é utilizada cientificamente na pintura, elaborando, a partir das suas próprias experiências e também das ideias científicas que a fundamentam, um sistema baseado na existência de combinações alegres, tranquilas ou tristes em função do tom (mais ou menos luminoso), da cor (mais ou menos fria) e da linha (ascendente, descendente ou horizontal). Nos seus quadros, como na sua obra principal e que serve também de referência a esta investigação - “Um Domingo à tarde na Ilha de Grande Jattte”- apresenta uma atmosfera de monumentalidade através da ordem e equilíbrio dos elementos e da relação rígida das cores, atmosfera esta que alcança precisamente pelas rigorosas investigações de apoio que faz, verificando através da experiência anterior qual a solução que melhor responde aos seus objectivos.

Estes rigorosos estudos teóricos da obra de Seurat e do Neo-Impressionismo fundaram metodologias de trabalho que caracterizaram alguns movimentos artísticos do século XX. Seurat criou uma nova sensibilidade estética, em que o contributo da Ciência era mais um desafio do que uma limitação. “O estilo de Seurat, instruído pelos temas e cores Impressionistas, mas uma forte correcção a estes, marcou um novo passo decisivo em direcção à criação de uma arte de permanência nascida da matéria-prima do Impressionismo” (Thomson, 1999, p. 15).

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