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Comportement sous traction quasi statique dans l’axe des renforts

III.2 Analyse des phénomènes de dégradation sous sollicitations quasi statiques

III.2.1 Comportement sous traction quasi statique dans l’axe des renforts

O colégio do caraça foi fundado em 1821 pelos padres Leandro Rabello Peixoto e Castro e Antônio Ferreira Viçoso com o objetivo de implantar a obra educativa idealizada pelo irmão Lourenço, fundador do Santuário do Caraça, localizado na Serra do Caraça, no município de Catas Altas no Estado de Minas Gerais, onde o edifício do antigo colégio está inserido (FIG. 6.20). O conjunto era uma construção de linhas horizontais, construído para convento e, posteriormente adaptado para colégio. Entre 1860 e 1885, foi construída a primeira metade do edifício destinado aos alunos, sendo finalizada entre 1885 e 1889. O Colégio funcionou até 1968, quando foi destruído por um incêndio que atingiu toda a ala onde funcionavam os dormitórios dos alunos, biblioteca e alguns laboratórios, que deixou o colégio impossibilitado de continuar com sua principal função, passando a se dedicar apenas à formação de religiosos para a Congregação. Atualmente, o Santuário do Caraça é uma instituição voltada para o turismo religioso e o ecoturismo.

FIGURA 6.20 – Vista geral do conjunto.

O Conjunto Arquitetônico, composto pela igreja, casa e claustro dos religiosos da Congregação da Missão, catacumbas, ruínas do antigo colégio, museu, biblioteca, pousada e anexos de serviço, foram tombados pelo SPHAN em 1955 e o Parque Natural composto por números sítios vários naturais possui Tombamento Paisagístico pelo IEPHA desde 1989.

O incêndio de 1968 agravou as condições físicas e estruturais em que a edificação se encontrava, acelerando a necessidade da realização de trabalhos de restauração e consolidação (FIG. 6.21). Deste modo foi dado início aos trabalhos de conservação e restauração da estrutura atingida, aproximadamente em 1984, cabendo à Fundação Roberto Marinho o projeto de intervenção nas ruínas do pavilhão incendiado e ao SPHAN a examinação do efeito do fogo sobre as estruturas e materiais remanescentes.

Para a proposta de consolidação foram colocadas algumas hipóteses. Pressupunha-se a recuperação da caixa muraria com os volumes que existiam antes do incêndio com material moderno, deixando clara a reintegração em contraste da estrutura de pedra com o material contemporâneo. Outra pressuposição era a reintegração somente da metade direita do edifício, construída em pedra, usando como apoio a velha estrutura reforçada e deixando o resto em ruínas estabilizadas, e a última, pressupunha a reintegração do volume do lado direito sem a utilização da estrutura antiga para apoio efetivo. Todas as hipóteses possuem técnicas de consolidação semelhantes, porém, seus cuidados deveriam ser diferentes.

Na primeira opção afirmava-se uma boa margem de segurança no uso da antiga edificação, já que seria criado um reforço que compartilharia a função de apoio da estrutura. Estes sistemas internos de reforço eram supostos em aço ou concreto armado e teriam a finalidade de apoiar os pisos e sua trama, já que os pilares poderiam suportar o peso próprio das paredes e do telhado. Na segunda opção seriam utilizados os recursos citados na primeira, porém, há dificuldades de encontrar soluções para a estabilização do velho pano de parede em tijolo sem que se crie uma série de elementos estranhos ao sistema. A terceira hipótese consiste em cuidados menores com a consolidação profunda, já que a estrutura de sustentação interna é completamente autônoma, capaz de suportar os pisos e telhados além de apoiar as velhas paredes.

Na intervenção realizada foram vinculadas às paredes de pedra existentes, a nova estrutura de concreto através de vigotas de 30 x 15 cm. Foram realizados furos de 60 cm nas paredes na direção das vigas, colocados dois ferros de 5/8” e concretados junto com a nova viga, mantendo a aparência externa das paredes de pedra. Foi realizada consolidação dos muros antigos que permaneceram sem revestimento reintegrando algumas falhas (FIG. 6.22).

FIGURA 6.22 – Intervenção com concreto realizada no edifício incendiado.

A escolha do material utilizado na intervenção impossibilitou a reversibilidade da obra, além de obstruir em vários pontos a visão da edificação no sentido global. Provavelmente, o aço seria mais indicado para o tipo de intervenção proposta, no que diz respeito às características estruturais e estéticas, além de permitir a clara distinção dos materiais e uma abordagem contemporânea da intervenção.

O aço, como já foi dito, possui características que são fundamentais neste tipo de intervenção, como capacidade de garantir uma estrutura estaticamente independente, reversibilidade, atendendo dessa forma pontos colocados nas normas internacionais e políticas atuais de intervenção, sendo que esta última não é permitida pela estrutura de concreto. Além disso, a estrutura metálica possui elevada resistência, dimensões e pesos reduzidos, principalmente se comparado com o concreto – no caso de colunas, obtém-se menor área útil e menores pesos; no caso de vigas, menores alturas (metade das do concreto) e menores pesos (1/6 dos de concreto) (FIG. 6.23, 6.24 e 6.25).

FIGURA 6.23 – Comparação entre colunas de concreto e de aço para cargas de 100 e 1000 t. FONTE – Fakury,s.ref. p. 11.

FIGURA 6.24 – Relação do peso próprio para a sobrecarga em função do comprimento da viga. À esquerda gráfico peso próprio x comprimento da viga e à direita ilustração do suporte de cargas maiores pela viga de aço com seção equivalente à viga de concreto, devido ao baixo acréscimo de peso próprio em função do comprimento da viga.

FIGURA 6.25 – Ilustração da seção transversal da peça de aço equivalente a 1/20 da peça de concreto quando submetidas a uma mesma carga.

FONTE – Fakury,s.ref. p. 11.

Porém, apesar do enfoque estrutural, na utilização de estruturas metálicas em edificações constituídas por pedras, seria necessária a realização de um estudo para saber a compatibilidade entre as duas estruturas, uma vez que, em alguns casos, é possível que aconteça uma reação química entre os elementos componentes das estruturas, o que pode vir a prejudicar a edificação histórica. Nesse caso, a estrutura de aço seria um dos fatores responsável pela aceleração da degradação da estrutura de pedra.

Foram apresentadas várias soluções no capítulo 5 que, depois de estudos como o citado anteriormente, poderiam ser aplicadas em casos com este, resolvendo alguns problemas causados pela estrutura de concreto, como por exemplo a reversibilidade, atendendo desta forma normas estabelecidas pelas cartas internacionais.