• Aucun résultat trouvé

INTRODUCTION GENERALE

N. B : pour 5 patients, un résultat négatif rendu pendant la garde s’est avéré positif lors du

IV. 1.3.1.3 Comportement prophylactique dans notre étude

Através dos tempos, a pobreza relacionou-se à necessidade de trabalho e, posteriormente, à sua ausência. No mundo ocidental, a percepção do pobre e da pobreza organizou a assistência à saúde, tendo a caridade e a filantropia como os principais meios de distribuição de auxílio aos pobres, praticada diretamente entre os indivíduos ou pela criação de instituições especializadas (VISCARDI, 2009; TOMASCHEWSKI, 2007: 14-15; CASTEL, 1998: 47-93). A caridade era praticada a partir da intermediação da igreja e de irmandades,

100 Annuario Fluminense, 1901.

visando o temor a Deus e à máxima dos dez mandamentos de ajudar ao próximo, enquanto que a filantropia caracterizou-se por obras de ação social caritativa ou humanitária, desvinculando- se de qualquer caráter religioso e relacionando-se à percepção de utilidade pública, atrelada a convicções de grupos sociais, compostos por pessoas que se preocupavam em amenizar o impacto da pobreza – os reformadores sociais e os filantropos101 (DUPRAT, 1996, p. V; SANGLARD; GIL, 2014; SANGLARD, 2010).

A historiografia aponta para dois modelos filantrópicos102 de socorro à pobreza: (1) a caridade católica e (2) a filantropia anglo-saxã. No mundo católico, ao longo da Idade Média, a manutenção de hospitais primeiramente passava pelos donativos e esmolas destinados às igrejas e aos mosteiros que posteriormente começaram a ser destinadas a instituições religiosas leigas que mantinham obras de caridade, tornando-se mediadoras e depositárias da filantropia católica, ou seja, colocando-se entre o filantropo e a caridade. No mundo anglo-saxão a filantropia privada pautou-se na valorização da ação, e consequente prestígio dos benfeitores, bem como a firmação de relações sociais e competição entre diversos grupos. Neste contexto, e filantropia privada pode ser exemplificada pela abertura, na Europa, de diversos dispensários (alguns especializados), enfermarias, asilos, hospícios, casas de banho, entre outros; enfim, lugares que abrigavam e alimentavam os pobres. (SANGLARD, 2008, p. 36).

A lógica filantrópica desenvolveu-se articulada à ideia de progresso e civilização, ancorando-se no conhecimento “mais racional” dos problemas sociais em oposição ao mero voluntarismo caritativo. As ações filantrópicas cumpriram um papel fundamental na construção e manutenção de um poder local, ao pacificarem eventuais conflitos resultantes de exclusão social de grupos específicos e substituindo, mesmo precariamente, a ação de um Estado ainda

incipiente. Nessa dinâmica social, os filantropos tornam-se “detentores do capital simbólico”,

na medida em que este grupo era considerado pela sociedade como possuidor do mais elevado prestígio social, ou seja, aquele que delibera a respeito dos valores simbólicos de grande parte dos objetos, pessoas, ideias e lugares, não só dentro do seu grupo como também, de forma direta ou indireta, para toda a sociedade (RANGEL, 2013: 21; VISCARDI, 2004; LEMOS, 2004).

No Brasil a questão da pobreza foi acentuada pela abolição da escravatura, enquanto que a assistência à saúde dos pobres era caracterizada por pontos de dispersão e desorganização

101 Segundo Sanglard (2010), com base nos estudos de Horne (2004), os reformadores sociais surgiram na França como um grupo composto por médicos, industriais e políticos. Contrapunham-se aos filantropos por atribuírem a eles uma resposta ineficaz às necessidades sociais, em um momento em que eram redefinidas as fronteiras entre o público e o privado.

102 “A prática de filantropia é indissociável da questão da pobreza. De forma geral, a filantropia pode ser concebida com base na ideia cristã de salvação e também como resposta a uma demanda social, ou ainda como uma política dos ricos e como uma forma de poder. Os filantropos podem participar mediante doações e legados, loterias, bailes beneficentes, sermões religiosos, entre outras formas de angariar fundos. Qualquer que seja a motivação ou a forma de praticá-la, a filantropia sempre socorreu os pobres e os doentes”. (SANGLARD, 2008, pp. 25, 26).

de muitas inciativas privadas pelo cultivo primitivo de solidariedade humana, limitada à caridade religiosa. Entre o final do século XIX e início do século XX, a racionalização das ações e laicização das práticas assistencialistas surgiriam como solução. As elites formadas nesse período compartilhariam da ideia de que só o trabalho seria capaz de evitar a degenerescência racial. Entendia-se que a caridade deveria ser parceira da ciência, pois apenas por meio dela seria possível uma organização metódica (VISCARDI, 2011; PAIVA, 1922: 50).

Durante a Belle Époque, a elite carioca buscava firmar seus nomes na sociedade e refazer um ambiente aristocrático, a partir da arquitetura de suas residências, na maneira de se vestir e nas interações sociais. Na formação das elites, a prática da filantropia tornou-se uma forma de o modelo de assistência predominante na Primeira República cumprir um papel fundamental na estruturação das instituições sociais (ABREU, 2015: 07, 11; RANGEL, 2013: 21, 70).

Nesse cenário, os pobres e a pobreza eram colocados no centro das reflexões políticas, ao passo que as elites dominavam, influenciadas pelas preocupações governamentais, como causas estruturais da pobreza. Utilizavam-se de ações filantrópicas que visavam à utilidade social, a qual, por vezes, poderia ser confundida com humanidade, cidadania e patriotismo. A filantropia acabou penetrando no cotidiano da vida social, tornou-se um ideário para a sociedade brasileira, caracterizado pela construção de um projeto de uma nação moderna, impulsionando uma nova concepção de assistência. Já os filantropos construíram um novo espaço político, o qual foi usado para tecer redes de influência facilitadoras da mudança da sociedade onde se inseriram (ABREU, 2015: 07, 11; RANGEL, 2013: 21, 70; SANGLARD, 2010).

Na cidade do Rio de Janeiro, a elite social era composto fundamentalmente por famílias que controlavam organizações empresariais há algumas gerações, famílias tradicionais da sociedade carioca, intelectuais e profissionais liberais com excepcional nível de formação e alto prestígio social. Nesse caso, a grande concentração desse grupo encontrava-se essencialmente na Zona Sul (LEMOS, 2004).

Nesse sentido, nas cidades os dispensários surgem financiados pela filantropia médica e pelas elites sociais, ligadas às redes sociais, políticas, econômicas e religiosas, bem como às atitudes patriarcais predominantes em relação aos pobres. De modo similar, aimplantação da PB, bem como seu desenvolvimento e sustentação, ocorreu principalmente em razão do financiamento pela elite. Essa filantropia atendia à lógica de que tal prática era indissociável da questão da pobreza, uma espécie de resposta a uma demanda social na qual os filantropos participam mediante doações e legados, loterias, bailes beneficentes, sermões religiosos, entre outras formas de angariar fundos (WITHEY: 469; SANGLARD, 2008: 25-26).

Elite de Botafogo 95% Governo

5%