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Comportement des sous r´ eseaux magn´ etiques en fonction de la temp´ erature140

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6.3 Magn´ etisme versus Temp´ erature

6.3.3 Comportement des sous r´ eseaux magn´ etiques en fonction de la temp´ erature140

1.2.2. O cosmo como “v1.2.2. O cosmo como “v

1.2.2. O cosmo como “vééééu” de u” de u” de u” de

alal----ḤalalḤḤḤaqqaqqaqqaqq

Entretanto, fazendo jus à condição de tanzīh de al-Ḥaqq, o cosmo também significa um véu para o Real, pois, como nos afirma Ibn ‘Arabī: “Deus fez as criaturas como véus (ḥujub –

ﺠﺣ

, ḥijāb –

بﺎﺠﺣ

). Quem as conhece como tais é conduzido a Ele, mas quem as toma como reais não alcança Sua Presença.” 264 Em outra parte ele repete esta afirmação: “As coisas

261 FM II 473.33, apud SDGSDGSDGSDG,,,, p. 3. Cf. outros textos do Futūḥāt com o mesmo teor: “Tudo na existência

engendrada é sinal d’Ele” (IV 411.20); “Todas as coisas possíveis são sinais” (III 492.11); “tudo que não é Deus é um lócus para o fluir das instruções do Real para eles” (III 372.34). Para todas as citações, cf.: Id., ibid., p. 4.

262 FM III 148.10, apud SDGSDGSDGSDG, p. 3 e 5. 263 FM III 210.02, apud SDGSDGSDGSDG, p. 4.

264 FM II, p. 460 apud William CHITTICK, Ibn ‘Arabī and his school. In: Seyyed Hossein NARS. Islamic Islamic Islamic Islamic

são com relação a Deus como véus; quando desaparecem, fica a descoberto o que existe detrás.” 265 Também em sua obra traduzida como “Terminología Sufi” ele afirma sobre a palavra

sitr (véu, cortina): “Tudo o que se oculta daquilo que faria com que te desvanecesses. Chama- se assim à envoltura do Universo.” 266

O conceito de “véu” é bastante importante na mística em geral, bem como na cosmologia e mística muçulmanas, pois se associa a certa forma de se compreender o Real e Sua presença no cosmo e manifesta traços de Sua relação com os seres humanos. Revela o Seu “escondimento” de tudo e em tudo, bem como a sutileza de Sua presença, apontando para a dimensão apofática de Sua Realidade.

Em árabe, a palavra ḥijāb significa algo que separa duas coisas 267 e é proveniente do

verbo ḥajaba, esconder da vista, ocultar. Na tradição corânica, 268 este vocábulo também possui

o significado de separação, pois o véu vela realidades, encobre-as, dividindo dois mundos. E qual é o sentido profundo deste encobrir?

Um primeiro significado se relaciona com a separação conforme afirmado anteriormente, pois o véu aponta para o impedimento de que se veja a face de alguém ou do que se encontra

265 FM II, p. 507-508, apud. Claude ADDAS. Ibn ‘Arabí o la búsqueda del azufre rojoIbn ‘Arabí o la búsqueda del azufre rojoIbn ‘Arabí o la búsqueda del azufre rojoIbn ‘Arabí o la búsqueda del azufre rojo, p. 144. 266 IBN ‘ARABĪ. Terminología sTerminología sTerminología sTerminología sufiufiufiufi, p. 97.

267 A palavra ḥijāb pode ter vários significados, dentre os quais: véu, cortina, biombo, tela, quebra-luz,

tabique, envoltura, membrana. Cf. DAEDAEDAE. Cf. também Jean CHEVALIER & Alain GHEERBRANT. DAE Dicionário de símbolos

Dicionário de símbolos Dicionário de símbolos Dicionário de símbolos.

268 A palavra ḥijab é utilizada em sete ocasiões no Corão. Cf. Corão 19:17, no qual Maria é isolada de sua

família por meio de um véu; 33:32.53, nos quais as mulheres do Profeta são separadas dos estranhos ou não familiares por uma cortina; 7:46, no qual os salvos serão separados dos condenados por meio de um véu; 42:51: “A nenhum mortal lhe é dado que Deus lhe fale, a não ser por inspiração, ou detrás de um véu, ou mandando-lhe um enviado”; 38:32, no qual o sol é ocultado por meio do véu da noite; 41:5, no qual um véu separa de Deus, ocultando-Lhe aos corações; 17:45, no qual, durante a recitação do Corão, um véu separa os que crêem dos que não crêem na outra vida. Cf. Hanna KASSIS & Kart KOBBERVIG. LLLLas concordancias del Coránas concordancias del Coránas concordancias del Coránas concordancias del Corán, p. 260.

do outro lado dele. Portanto, ele possui a função de vedar a visão e de impedir o contato. A utilização deste termo pode manifestar uma situação que impede a proximidade de Deus ou o encontro com Ele, como nesta afirmação de Hallaj: “Seu véu são suas paixões.” 269

Ao mesmo tempo, pode indicar uma “separação do mundo” ou fuga mundis, como no caso das mulheres pertencentes aos Institutos de Vida Consagrada na tradição cristã, que se cobrem com um véu para manifestar sua consagração a Deus, resguardando a vivência de uma relação íntima com Ele como seu maior amor. Esta consagração implicará a fuga do pecado e do afastamento de Deus, procurando criar um espaço interior de disponibilidade a Deus, numa organização da vida que priorize a prática religiosa (estabelecimento de horários para orações, meditações, rituais, estudos, práticas caritativas). Além disso, supõe, em muitos casos, a inserção em uma coletividade que se autocompreende como uma família fundada num ideal carismático que nasce com um líder religioso ou um místico inspirador. Também no caso do véu das muçulmanas, ele significa a separação da própria intimidade do olhar alheio, reservando-a especialmente para o marido.

Neste sentido, o silêncio ou a linguagem simbólica na tradição apofática também é um véu que guarda uma vivência íntima e singular. O místico tem acessos únicos e especiais a uma intimidade não manifestada a todas as pessoas ou ao menos não manifestada da mesma forma a todas as pessoas.

No caso deste primeiro sentido acima descrito, o cosmo, entendido como véu, visa manter a compreensão de que ele possui uma relação íntima com al-Ḥaqq, sendo Seu espelho e expressão de Seus Nomes. Ele está separado de qualquer concepção profanadora ou que o desvincule de Sua Raiz, uma vez que é essencialmente teofania e guarda expressões singulares dos Nomes divinos. Ao mesmo tempo ele também não pode ser divinizado, pois somente o Real é em Si mesmo.

Entretanto, qual é a função desta separação? Um primeiro sentido é evitar a exibição demasiada ou desnecessária que possa expor a intimidade ou banalizar o encoberto, dessacralizá-lo. Neste caso, o véu impede comportamentos não pautados pela cortesia que a relação com al-Ḥaqq exige, da mesma forma que propicia um ambiente resguardado, reservado e seguro para as relações íntimas.

Mas o véu também tem a função de proteger o sujeito que vê, para o caso de suas vistas não suportarem os efeitos de conhecer ou experimentar o que lhe está vedado. Assim, Deus revestiu as criaturas “com o véu de seu nome, pois, se lhes mostrasse as ciências de seu poder, desmaiariam, e, se lhes revelasse a Realidade, morreriam.” 270 É como o efeito da luz

solar que pode cegar. Portanto, o véu protege e resguarda.

Um segundo significado do encobrir realizado pelo véu se encontra em sua função mediadora: ele é um barzaḫ, uma vez que ḥijāb significa também tela (como uma tela de um computador ou televisão ou de uma pintura). Neste sentido, ele propiciaria ou proporcionaria um contato entre duas realidades distintas. Assim, se por um lado, o véu impede a visão, por outro, é uma possibilidade de se perceber a manifestação de algo, mesmo que sob sua cobertura ou delimitação. É como um rosto encoberto pelo véu: em sua inteireza não é visto, mas seus contornos e algumas de suas partes, como os olhos, podem ser percebidos. Nesta perspectiva, o véu obriga a utilização de faculdades humanas como a imaginação e a memória e exige o desenvolvimento de uma percepção mais elaborada, aguçada e sutil. Além do mais, pede humildade, pois, quando se sabe da sua existência que vela o conhecimento e a manifestação plena do que está por detrás, sabe-se também da existência de imagens projetivas sobre o que está vedado à vista. Esta consciência, por sua vez, abre espaço para uma relativização de qualquer imagem, pois insere a percepção na sua condição projetiva em face do véu e o reconhecimento de que a realidade escondida é mais ampla que o que é visto. O cosmo

também é este tipo de véu que realiza a mediação entre o Real e os seres humanos. Ele é um

barzaḫ que, como teofania, manifesta os Nomes divinos e funciona como um espelho a refletir Seus Atributos.

Por outro lado, se o véu é usado ou tirado, ele produz efeitos distintos. Se usado, pode significar que exige um conhecimento oculto, um segredo escondido à maior parte das pessoas, mas acessível a quem conhece os mistérios do que ele oculta: é o conhecimento esotérico que demanda uma percepção peculiar pertencente aos iniciados.

Se o véu é tirado, pelo menos em parte, possibilita a revelação, olhar sem véus o que estava impossibilitado de ser visto. Nesta perspectiva, o conceito de véu como algo que vela também sugere uma reflexão sobre o conceito de revelação. O prefixo “re” significa, neste caso, tirar o véu para possibilitar a visão de algo oculto, escondido. 271 Na concepção akbari, este

conceito pode ser pensado a partir de uma outra concepção do prefixo “re”, que aponta para a noção de uma repetição, como nas palavras refazer, recolocar, retomar, reiniciar, etc. Neste sentido, a palavra revelação indicaria a existência de um “duplo véu” (algo que re-vela / vela de novo), algo que é encoberto duplamente na medida em que se manifesta.

Pensando a partir do modelo da revelação de um negativo fotográfico, este manifesta, ao ser revelado, uma cena ou imagem que estava escondida nele e somente apareceu após um processo químico que possibilitou a sua tradução em formas visíveis para o olhar. Porém, esta mesma cena não é capaz de manifestar a vida que em si é dinâmica, cheia de inovações e acontecimentos inesperados, que podem ser percebidos e experimentados a partir de diversos ângulos, etc. Neste sentido, a cena que a foto revela, além de mostrar algo acontecido, exerce uma ação “congeladora” no que está mostrando, promovendo uma situação dupla: ao mesmo tempo em que gera uma proximidade da vida na medida em que a retrata, gera também uma

271 É o mesmo uso do prefixo na palavra reprovação como ato de tirar uma aprovação, ou seja, não

distância dela, pois esta sempre se concretiza dinamicamente, possuindo uma mutabilidade que lhe é inerente. Assim, a foto não manifesta situações anteriores, esconde dimensões do contexto no qual foi tirada, não revela acontecimentos posteriores, além de esconder o fotógrafo, bem como, em parte, sua subjetividade que optou por mostrar algo e não mostrar outra coisa. 272 É um mostrar escondendo e um esconder mostrando.

Para Ibn ‘Arabī, o ḥijāb é “Tudo o que esconde de tua vista o objeto de tua busca.” 273

Mesmo os mensageiros e as escrituras sagradas das religiões, que costumam ter um valor absoluto para os seus seguidores, são véus e, muitas vezes, véus espessos, se são tomados como o único caminho de manifestação do Real, impedindo, portanto, a percepção de Sua presença sob outras formas.

Também são véus cada ser criado, incluindo neste rol os seres humanos, pois “Ele fala com você através de você, uma vez que você vela a si mesmo para você, e você é Seu véu sobre você [...] Não há escapatória dos véus, porque não há escapatória de você. Então, entenda! E Deus fala o ḥaqq e Ele guia no caminho [Corão 33:4]”. 274

Portanto, não há como deles fugir: “Nós lhe demos o conhecimento de que as ocasiões são véus divinos que não podem ser levantados, salvo através deles mesmos. Levantá-los é idêntico a abaixá-los e a realidade de obliterá-los é a mesma que afirmá-los”. 275

Mesmo após a morte, os véus permanecem. Ibn ‘Arabī afirma que ouviu

272 Na perspectiva teológica cristã, vários autores insistem na concepção de que a Revelação, seja ela de

que religião for, traduz apenas algumas dimensões do Real, não sua totalidade. Cf., dentre outros, Edward SCHILLEBEECKX. História humana, revelHistória humana, revelHistória humana, revelação de DeusHistória humana, revelação de Deusação de Deusação de Deus, p. 30-31, 46, 105, 215, etc; Clodovis BOFF. Teoria do método teológicoTeoria do método teológicoTeoria do método teológico, p. 340 ss. Teoria do método teológico

273 IBN ‘ARABĪ. Terminología sufiTerminología sufiTerminología sufiTerminología sufi, p. 109.

274 FM II 553.26, apud SDGSDGSDGSDG, p. 109. Em outros trechos ele também afirma: Deus “não colocou nenhum

véu sobre você a não ser você mesmo”. (FM III 215.3); “Não há escapatória do véu, pois não há escapatória de você”. (FM II 554.21). Para as duas últimas citações, cf. SDGSDGSDGSDG, p. 120.

um dos šayḫs (sic) dizendo: “Enquanto ele tem sua natureza mortal, o discurso pertence a ele proveniente de detrás do véu, mas, quando ele se afasta desta natureza mortal, o véu será levantado.” Este šayḫ era ‘Abd al-‘Azīz ibn Abī Bakr al- Mahdawī, conhecido como Ibn al-Karih. Eu ouvi isto dele em sua casa em Tunis. Nisto, ele estava correto e errado.

Ele estava correto em sua afirmação e estipulação de que o discurso vem de detrás do véu e este discurso não pode ser trazido junto com o testemunho. Ele errou ao dizer, sem qualificação, que o véu será levantado. Alguém deve dizer antes que o véu da natureza mortal do servo será levantado, porque, sem dúvida, existem outros véus por trás do véu da natureza mortal. Assim, este véu da natureza mortal pode ser levantado por ele, mas depois Deus lhe falará por detrás de um outro véu. 276

Porém, se al-Ḥaqq cria tudo por misericórdia, os véus, mais que uma negação de possibilidades, representam a manifestação desta misericórdia. Todo o cosmo é um véu do Real que lhe dá o ser e indica a própria Essência ornada por um manto misericordioso e compassivo, que é a possibilidade de existência do mundo. Por isto, “nunca cesse de contemplá-Lo, em cada forma que percebes, pois de verdade o véu teofânico é supremamente revelador.” 277 Revelador da face do Real e de Sua misericórdia criadora. Face esta que se faz

presente nos véus, embora estes não sejam Sua face, pois “Ele não pode ser visto, exceto por detrás de um véu, da mesma maneira como Ele não fala, exceto por detrás de um véu. Se o espectador deve vê-Lo diretamente, ele não irá vê-Lo até que o Real seja sua vista. É Ele quem vê a Si mesmo através de Sua vista na forma de Seu servo.” 278

E al-Ḥaqq fala escondido sob um véu de diversas maneiras. É esta diversidade que explica a diversidade de reações que o gnóstico pode ter diante das experiências de

276 FM II 601.31, apud SDGSDGSDG, p. 108. SDG

277 IBN ‘ARABĪ. A alquimia da feA alquimia da feA alquimia da feA alquimia da felicidade perfeitalicidade perfeitalicidade perfeitalicidade perfeita, p. 141. 278 FM IV 19.12, apud SDGSDGSDG, p. 107. SDG

desvelamento, pois, quando o Real se descobre através de formas familiares, há um tipo de reação. Porém, quando Ele se desvela em formas não familiares e sem precedentes, esta experiência pode “esmagar o recipiente”. 279

Portanto, há ainda outra dimensão da misericórdia presente nos véus: eles não permitem a aniquilação diante de Ḏāt. Ibn ‘Arabī resume esta sua visão no capítulo 254, do Futūḥāt al-Makkiyya, cujo título é o seguinte: “Sobre o verdadeiro conhecimento do véu, que é o que vela você do que lhe aniquila.” No final deste capítulo, ele comenta a partir do hadiṯ do véu: “Deus tem setenta véus de luz e escuridão; se Ele os tirasse, a glória de Sua face iria queimar tudo que a vista de Suas criaturas percebessem.” 280 Ele mesmo afirma: “Quanto à misericórdia,

isto é porque Ele sabe que as coisas recentemente chegadas [criadas] não podem subsistir diante da glória de Sua face. Ao contrário, elas seriam queimadas por ela; então, através de Sua misericórdia para com elas, Ele as cobre com a finalidade de que seus seres [entidades] possam subsistir.” 281 E como a misericórdia de Allāh a tudo envolve, os véus a tudo envolvem e

respondem por uma função pedagógica e dinamizadora na vida interior do gnóstico, pois, “Se não fosse por esta cortina, você não cresceria na busca de conhecê-Lo.” 282

A atitude compatível do gnóstico diante da percepção da misericórdia divina deve ser marcada pela cortesia: “E observa sempre a cortesia (adab) apropriada diante Dele quando rezas, já que do contrário estás sendo descortês e desconsiderado.” 283 A definição de Rudolf

279 SDG SDG SDG SDG, p. 107.

280Hadiṯ encontrado em Muslim, Īmān 293; Ibn Māja, Muqaddima, 13. Cf. SPKSPKSPKSPK, p. 401, nota 19. 281 FM II 553.26, apud SDGSDGSDG, p. 109. SDG

282 FM II 553.26, apud SDGSDGSDG, p. 109. SDG

283 FM IV, p. 406 na edição crítica de O. Yahya, 1975/1395, apud James W. MORRIS. La Imaginación

Divina y el Mundo Intermédio: Ibn ‘Arabī y el Barzaj. PostdataPostdataPostdata, XV, p. 47, 1995. A este respeito, existe Postdata um texto interessante de Thomas Merton: “Respeito pelo mistério de Deus, veneração da sacralidade do mistério, temor e humildade ao abordar a santidade inefável d’Ele, que só pode ser conhecido em Si Mesmo pela própria revelação de Seu ser – eis aí virtudes essenciais de uma alma

Otto acerca do Sagrado enfatiza duas dimensões do mesmo: “Mysterium tremendum et fascinans” 284 O fascinans é a face compassiva do Real que atrai o gnóstico. Ao mesmo tempo,

o tremendum é Sua face majestosa, esplendorosa, que amedronta o gnóstico diante de sua grandiosidade aniquiladora. Assim, ter cortesia com al-Ḥaqq implica reconhecer estas suas duas dimensões, o que implica no reconhecimento de várias de Suas dualidades que se integram em Sua Unidade – Beleza / Majestade; Misericórdia / Severidade; Tašbīh / Tanzīh – e também o reconhecimento do véu que impossibilita o completo acesso ao “Totalmente Outro”, que é o Real devido à barreira (barzāḫ) que há entre a criação e o Criador (Ḫaliq).

Entretanto, os véus não são exclusivamente a criação. Para além dela, em última instância, o véu é o próprio Real, o “Totalmente Outro” de Otto, pois “Nada O esconde, salvo Sua manifestação.” 285 E o que faz Dele um escondido é, deste ponto de vista, a incapacidade

humana que falha em reconhecer as manifestações de Ḏāt, pois “Ele diz: Nada é não manifesto. A falta de conhecimento é que o faz não manifesto. Não há nada de não manifesto no caso do Real, pois Ele se dirigiu a nós dizendo que Ele é o Manifesto e o Não manifesto, e o Primeiro e o Último [Corão 57:3]. Em outras palavras, o que você procura no não manifesto é manifesto, então, não se canse.” 286 Esta incapacidade humana deve ser suprida pelo

verdadeiramente religiosa. Perder essas características é perder nosso espírito religioso. Crescer com elas é crescer na verdadeira vida interior. A objetividade loquaz de um relacionamento em que a familiaridade já destruiu todo o sentido da realidade do Tremendum Mysterium de Deus é quase tão ruim quanto o agnosticismo.” Thomas MERTON. Merton na intimidadeMerton na intimidadeMerton na intimidadeMerton na intimidade, p. 130-131.

284 Cf. Rudolf OTTO. O sO sO sO sagradoagradoagrado. agrado

285 FM IV 407.21, apud SDGSDGSDG, p. 104. Com o mesmo sentido, cf. também Id., ibid., II 558.27, apud Id. SPKSDG SPKSPKSPK,

p. 364-365.

286 FM IV 407.21, apud SDGSDGSDG, p. 104. A respeito desta afirmação do Real como Véu Supremo, é SDG

interessante comparar com João da Cruz, que discorre sobre as três motivações para a denominação noite escura: a primeira, diz respeito a esta realidade experimentada como privação dos sentidos e dos apetites; a segunda, experimentada como fé; e a terceira noite é a experiência do próprio Deus que “se comunica à alma de forma tão secreta e íntima, que se torna uma outra noite para ela. E, como

desenvolvimento de uma capacidade de abertura (fatḥ) que propicie a percepção das manifestações do Real, pois “É o mundo empírico que constitui um mistério, algo de eternamente escondido e invisível, enquanto o Absoluto é o Aparente eterno que não é nunca escondido. As pessoas normais se enganam completamente a este respeito. Crêem que o mundo é aquele que aparece e o Absoluto um mistério escondido”. 287

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