2 Techniques expérimentales 9
3.3 Couplage VOF / LES
3.3.1 Revue bibliographique
3.3.1.1 Comportement de la turbulence proche d’une interface
Algumas das homenagens recebidas em vida têm o testemunho publicado (Júnior, 1934; Anónimo, 1951; AAVV, 1957; Anónimo, 1957; Gonçalves, 1957; Monteiro, 1959; Serrão, 1959; AAVV, 1959). A 16.4.1951 foi realizada uma homenagem no Museu de Antropologia da UP. Na ocasião reuniram-se sócios da SPAE, o reitor da UP (membro da SPAE), o vice-reitor da UP, os directores das FCUP e FMUP e o director do Centro Universitário do Porto da Mocidade Portuguesa. A reunião teve como objectivo fazer a entrega pública do busto em gesso de Mendes Correia (figura n.º 20), feito pelo escultor Pinto do Couto, ao IAUP. No dia 4.4.1957 ocorreu uma homenagem na SGL58, incluindo sessão solene, exposição biobibliográfica, oferta do busto de Mendes Correia em bronze (figura n.º
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Foi também agraciado com as condecorações: Cavaleiro da Ordem Civil de Afonso XII (Madrid, 1921); Colar da Academia Pontifícia de Ciências Novi Lyncaei (Roma, 1924; figura n.º 17); Comendador da Ordem da Corôa da Bélgica (Bruxelas, 1931); Oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul (Rio de Janeiro, 1937); Comendador da Ordem da Corôa de Itália (Roma, 1939); Benemerência, com medalha de ouro, da Sociedade Nacional Dante Alighieri (Roma, 1940); Oficial da Ordem Nacional da Legião de Honra (Paris, 1941); Comendador da Ordem de Afonso X, o Sábio (Madrid, 1945); Medalha de vermeil da Liga Francesa de Entreajuda Social e Filantrópica (Paris, 1955) e Grande Oficialato da Ordem de Instrução Pública (França). Recebeu também a Honra da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência (Petrópolis, 1937). No contexto nacional recebeu as distinções de Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública (Lisboa, 1931); Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo (Lisboa, 1937; figura n.º 18); Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública (Lisboa, 1941); Grande-Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada (Lisboa, 1957); Grande Oficial da Ordem do Império (Lisboa, 1958); Comenda dos Bombeiros Voluntários Portuenses (Porto) e foi honrado pela Cruz Vermelha Portuguesa.
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21), um banquete para mais de 250 individualidades e uma mensagem59. Estiveram presentes, entre outros, Ruy Ulrich, o Conselheiro Afonso de Melo, Ezequiel de Campos, Sarmento Rodrigues, Sá Carneiro, Carrington da Costa60, Almeida Garrett, Joaquim Fontes (presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses), o embaixador do Brasil, Álvaro Lins, cientistas franceses e belgas, com os quais Mendes Correia trabalhou em África e missionários de África. O pretexto para o evento foi o facto de ter recebido o título de Sócio Honorário de «um dos mais categorizados areópagos do Mundo – o “Royal Anthropological Institute of Great Britain and Ireland”»61. Durante a homenagem, à qual assistiram mais de 600 pessoas, Mendes Correia recebeu vários telegramas, cartas e cartões62. Depois de ter atingido o limite de idade para o serviço docente do ensino oficial foi publicado um volume jubilar dos TAE (volume XVII, 1959), uma homenagem promovida por uma comissão presidida por Amândio Tavares, então reitor da UP. Nesse volume colaboraram mais de 50 especialistas portugueses e estrangeiros de antropologia, etnografia e arqueologia63.
Após o seu falecimento, outras publicações o homenagearam (Monteiro, 1960; Ribeiro, 1963; Castro, 1964; Teixeira, 1964). Em 1963 a CMP atribuiu o seu nome a uma das ruas: «Rua do Professor Mendes Correia (1888-1960) – Antropólogo e Arqueólogo», situada na freguesia de Paranhos. A 25.1.1964 foi-lhe feito um elogio, publicado posteriormente64, na Academia Portuguesa de História, numa sessão presidida por Possidónio Mateus Laranjo Coelho e secretariada por Damião Peres. Em 198865, por ocasião do centenário do seu nascimento, foi realizada uma homenagem que incluiu uma publicação66 e uma exposição, com alguns dos seus livros e pertences, no edifício antigo da FCUP, onde hoje funciona a
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Entregue por R. Ulrich, em pergaminho, assinada por centenas de amigos a admiradores, dentro de uma pasta. 60
Presidia à Comissão Executiva da JMGIU; sucedeu Mendes Correia na regência da cátedra de geologia. 61
Separata do Boletim da SGL, 1957, n.º 4-6: 125. 62
De: ministro da Presidência, ministros da Marinha, Negócios Estrangeiros e Ultramar; Júlio Dantas; Caeiro da Mata; Cordeiro Ramos; Pedro Calmon Maximino Correia, Amândio Tavares, Mosés Amzalak (reitores das Universidades do Brasil, de Coimbra, Porto e Técnica de Lisboa); embaixadores do Brasil, Inglaterra, França, Bélgica, União Sul-Africana; governadores-gerais de Angola e da Guiné e antigos governadores ultramarinos. E de: Henri Breuil; Enriço Erulli, Presidente do Instituto Italiano de Antropologia; Sauter, Presidente do Instituto de Antropologia de Genebra; Frh. Von Eickstedt, do Instituto de Investigações Antropológicas da Universidade de Mainz (Alemanha); Norbert Laude, da Real Academia das Ciências Coloniais e Director do Instituto Universitário dos Territórios do Ultramar, da Bélgica; Renato Biasutti, da Academia Nacional de Lincei, de Roma; José Maria Cordero Torres, da Sociedade de Estudos Internacionais e Coloniais, de Madrid; Herskovits, da Northwestern University, de Illinois; Raymond Furon, do Museu Nacional de História Natural, de Paris; Frans Olbrechts, Director do Museu Real do Congo Belga; Emory Ross e Daryll Forde, do Instituto Internacional Africano de Londres; J. Vanhove, do Instituto Internacional das Civilizações Diferentes; Governador-Geral Oswald Durand, Secretário Perpétuo da Academia das Ciências Coloniais de Paris; e Émile Verleyen, do Instituto Universitário dos Territórios do Ultramar, da Bélgica (AAVV, 1957; Anónimo, 1957). 63
Nele participaram arqueólogos como H. Breuil, F. Bouza-Brey, J. Maluquer de Motes, J. M. Blázquez, P. Bosh Gimpera, J. Desmond Clark, A. Garcia y Bellido, J. Roche e R. Dart.
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Elogio do Professor Doutor António Mendes Correia, Lisboa, Academia Portuguesa de História; Castro, 1964. 65
Machado Cruz era director do Museu de História Natural. Huet Bacelar colaborou na produção. 66
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reitoria da UP. A sua biografia faz parte do Dicionário de Educadores Portugueses (Roque, 2003), coordenado por António Nóvoa e Filomena Bandeira (2003) e do Dicionário Biográfico Parlamentar (Rolo, 2004), dirigido por Manuel Braga da Cruz e António Costa Pinto, com a colaboração de Nuno Estêvão Ferreira. Numa edição da revista Al-Madan (1999), foi lembrado em artigos sobre o percurso da arqueologia em Portugal67, a partir dos quais podemos perceber com quem colaborou na produção de trabalhos, ou na promoção de eventos, no âmbito da investigação e divulgação do conhecimento arqueológico e com quem se confrontou, ou entrou em dissidência, a propósito da defesa de algumas teorias e ideias, principalmente com Manuel Heleno, arqueólogo e discípulo de Leite de Vasconcelos, mas também com José Coelho, Henri Vallois ou Damião Peres.
Em 2005 foi homenageado no ciclo de exposições «Aventureiros, Naturalistas e Coleccionadores», uma iniciativa da Universidade Júnior, coordenada pela Reitoria da UP e por Paulo Gusmão Guedes, que decorreu no Jardim Botânico da FCUP, entre 18.10.2005 e 30.11.2005. A organização teve o apoio do Centro de Estudos Africanos da UP e beneficiou da existência do espólio do Museu de História Natural da FCUP68. Esta iniciativa foi dirigida aos estudantes do ensino básico e secundário. Cada uma das exposições do ciclo foi dedicada a uma colecção, um evento e uma personagem69. A primeira (figura n.º 22) foi dedicada à etnologia e à arqueologia, assim como à figura de Mendes Correia. Em exibição estiveram vitrinas com objectos, excertos de textos e fotografias (figura n.º 23). As peças seleccionadas, provenientes de várias regiões do globo (Europa, África, Ásia, América do Sul e Oceânia), faziam parte de colecções do antigo IAUP. A exposição incluía também um painel com fotografias de frente e perfil de autóctones das então colónias (figura n.º 24). O visitante era como que convidado - a partir do seu olhar desprotegido e distanciado e baseado na sua experiência sensitiva - a encontrar uma ordem para o aparente caos ali existente: mulheres e homens, provenientes de distintos territórios, com diferentes penteados, adereços e tatuagens, com mais ou menos roupa, mas ali misturados como se fizessem parte do mesmo conjunto.
Em 2007, quando visitei o Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro, que possui a maior e mais diversificada biblioteca de autores portugueses fora de Portugal, celebravam-se os 170 anos da sua edificação (figura n.º 25) - cuja fundação remonta a
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A primeira associação arqueológica nacional - Sociedade Arqueológica Lusitana - data de 1849. A ela se associaram nomes como Almeida Garrett, Feliciano Castilho e Alexandre Herculano. Só em 1933 é fundado o Instituto Português de Arqueologia, História e Etnologia, que publicava a revista Ethnos.
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Reitoria da Universidade do Porto (coord.). 2005. 69
Decorreram no Jardim Botânico da UP as exposições: 1. Etnologia e Arqueologia, Mendes Correia (Outubro- Dezembro de 2005); 2. Medicina, Luís de Pina (Fevereiro-Março de 2006); e 3. Botânica, Gonçalo Sampaio (Junho-Setembro de 2006). A homenagem a Augusto Nobre realizou-se entre o final de 2006 e Janeiro de 2007.
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14.5.183770 - com uma exposição de fotografias, surgindo Mendes Correia em algumas delas, junto de figuras de relevo da sociedade brasileira da época. Uma das fotografias tinha sido tirada por ocasião do centenário de fundação do gabinete (1937), que coincide com a data de uma das viagens feitas por Mendes Correia ao Brasil. Durante essa visita71, averiguei a existência dos seus trabalhos em alguns locais. No Gabinete Português de Leitura72 em Salvador da Bahia encontrei apenas a segunda edição de Raízes de Portugal73 (1944b). O local em que encontrei mais textos foi na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio Janeiro (vide Anexo I), e sobretudo na sede do Gabinete Português de Leitura, na mesma cidade, onde encontrei mais de nove dezenas de textos (vide Anexo II). A título de comparação, podemos referir que nestas bibliotecas a presença de trabalhos de Eusébio Tamagnini, antropólogo contemporâneo que liderava a escola antropológica de Coimbra, é muito inferior ou mesmo inexistente. Por exemplo, na Biblioteca Nacional do Brasil não encontrei quaisquer referências aos seus trabalhos, nem pela pesquisa geral, nem no catálogo antigo, e no Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, encontrei apenas três textos (vide Anexo III). Esta quase ausência ilustra o facto de Eusébio Tamagnini não ter tido a mesma importância social, académica e internacional que Mendes Correia.
Recentemente, foi homenageado por ocasião do cinquentenário da sua morte em dois eventos, nos quais participei com apresentação de comunicação: a) o «1.º Seminário de História do Património e da Ciência – A. A. E. Mendes Corrêa (1888-1960) entre a ciência, a docência e a política»74, organizado pela Secção de História do Património e da Ciência da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, em colaboração com o Curso de História e o Núcleo Lusófono da História, da Universidade Lusófona, a 9.12.2010, tendo dele resultado a publicação de um livro (Martins, 2011); b) a conferência transdisciplinar «A Universidade e a Ciência, A Cidade e a Nação»75, organizada pelo Departamento de Ciências e Técnicas do Património da FLUP, com a colaboração da FCUP e o apoio da CMP, a 6.1.2011. Foi lembrado ainda numa sessão de homenagem, que também contemplou António de Almeida76
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Brochura comemorativa dos 170 anos do gabinete. 71
Pesquisa realizada durante o mês de Agosto de 2007. 72
Os portugueses criaram vários «gabinetes de leitura»: Rio de Janeiro (1837), Recife (1850) e Salvador (1863). 73
Trata-se de uma obra relevante do ponto de vista das interpretações da formação da nação portuguesa. Talvez, por isso, estivesse presente em bibliotecas que institucionalizam uma presença nacional portuguesa no Brasil. 74
Além de mim, participaram: Teresa Salomé Alves da Mota (UL), Catarina Casanova (ISCSP), João Luís Cardoso (Universidade Aberta), Ana Cristina Martins (IICT e Universidade Lusófona) e Pereira Neto (ISCSP). 75
Participaram também: Huet Bacelar; João Luís Cardoso; Armando Coelho e Sérgio Gomes (FLUP); Fernando Sousa (FLUP e Universidade Lusíada do Porto), Maria José Cunha (FCUP) e Fernando Noronha (FCUP). 76
Licenciou-se em medicina. Foi professor no ISCSPU, onde deu etnologia de ultramar português, e foi responsável pelo curso complementar de ciências antropológicas e etnológicas. No trabalho de campo em Angola contou com o apoio de Carlos Estermann. Realizou estudos entre os bosquímanos com a sua filha.
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(secretário perpétuo da SGL) e a sua filha Maria Emília de Castro e Almeida (presidente e vogal das secções de Antropologia e de Etnografia da SGL), realizada a 15.10.2011 na SGL.
Em conclusão
Mendes Correia nasceu numa família privilegiada do Porto, o que à partida lhe deu bases para construir o percurso da sua vida. Foi o mais velho de quatro irmãos e o único a estudar medicina. A sua família viveu essencialmente ligada ao Porto e, apesar de não ter tido filhos, foi chegado aos sobrinhos com quem manteve uma relação próxima. Foi no liceu que se começou a formar o seu pensamento e surgiram os primeiros interesses pelas ciências e pela história, simultaneamente. Em 1911 concluiu o curso de medicina. No entanto, e apesar de o seu pai ter sido médico, decidiu dedicar-se a outras áreas. A sua vida dividiu-se principalmente entre duas cidades – a do Porto, numa primeira fase, e a de Lisboa, na segunda fase. Porém, e apesar de na segunda fase ter casado e vivido em Lisboa, foi sempre considerado um «homem do Porto». Da sua biografia destacam-se as actividades ligadas ao ensino e à investigação, mas também à divulgação cultural e as funções políticas. A nível local, destaca-se o facto de ter sido presidente da CMP (1936-1942), e a nível nacional, o seu papel enquanto deputado à AN (1945-1957) e presidente da SGL (desde 1951). Mas foi, sobretudo, o fundador e o mentor da Escola de Antropologia do Porto, promovendo a implantação e o desenvolvimento da antropologia em Portugal. Apesar da importância que teve no passado, o seu nome caiu quase no esquecimento. Todavia, foi homenageado ainda em vida e o seu nome continua a ser lembrado, embora em ocasiões esporádicas. Nos eventos realizados no cinquentenário da sua morte (em 2010 e 2011) foi associado por cada um dos intervenientes a uma área específica e não a várias, como aconteceu nas homenagens que lhe foram feitas ainda em vida. Esta nova tendência, de associar o seu nome a uma área científica, ou à política, e não a diversas actividades, poderá despertar um motivo de reflexão futura. Todavia, além do que as comunicações, relatos e descrições destas homenagens nos possam dizer, é importante analisar a sua produção científica e o seu legado.
37 CAPÍTULO 2
INSTITUCIONALIZAÇÃO DA ANTROPOLOGIA EM PORTUGAL: