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9.3 Experiments

9.3.4 Comparison of adaptation behavior for BLSTM-CTC and TDNN AMs142

Após a derrota dos revoltosos no 18 de Janeiro de 1934, comunistas e anarquistas vieram a público manifestar as suas posições sobre o movimento, refutando responsabilidades e atribuindo ao parceiro na Frente Única as culpas daquilo que tinha corrido mal.

O primeiro a fazê-lo foi a CIS, em fevereiro de 1934, dedicando ao movimento dois breves parágrafos.

Segundo Patriarca (2000, p. 57), “a sua principal preocupação é responsabilizar os dirigentes das outras correntes pelo fracasso do movimento”. Por outro lado, acrescenta Manta (1975, p. 97), a CIS apresenta-se como “o único organismo capaz de reagrupar as forças dispersas e prosseguir a luta”. Apesar de reconhecer que o movimento foi uma “miséria”, a CIS não deixa de elogiar as dezenas de milhares de trabalhadores que entraram em greve, que se tornou geral em algumas regiões, entre as quais a Marinha Grande.

No manifesto a CIS não faz referência a algumas ações mais radicais, como as sabotagens em Coimbra e Leiria e a explosão de bombas em Xabregas e Benfica, num aparente esquecimento das ofensivas anarquistas O PCP, por seu turno, veio a terreiro falar em vitória, afirmando que o movimento tinha mostrado o desejo das massas “de seguirem as palavras de ordem do Partido Comunista”, (Pereira, 1984, pp. 50-51).

Numa outra perspetiva acusou a CGT, FAO e sindicatos autónomos pelo falhanço do movimento, apelidando os parceiros da Frente Única de “traidores”, responsáveis pelo “fracasso da greve”, afiança Patriarca (2000, p. 61).

O Partido Comunista acusou, ainda, a CGT de não ter enviado as instruções aos seus “próprios setores”, para além de a greve ter sido anunciada “por meio de estampidos de bombas e tiros de pistola a cerca de 12 horas antes da entrada das massas para o trabalho” (Patriarca, 2000, p. 61).

O PCP assumia, assim, os sucessos e atribuía aos demais participantes no movimento o que tinha corrido menos bem, nomeadamente aos anarquistas. Nessa linha de ideias, Bento Gonçalves defendeu que as ações de carácter sedicioso “foram a expressão das tendências anarquistas ainda enraizadas no movimento sindical português”130.

Aliás, os comunistas viriam a assumir a paternidade do 18 de Janeiro, indo um pouco a reboqueou servindo-se daquilo que a imprensa tinha publicado, pois, segundo Patriarca (2001, p. 63), “os comunistas constroem, a partir dos relatos dos jornais […] um outro 18 de Janeiro, na senda do que a imprensa havia tão insistentemente propalado, a sua autoria”.

Como parece evidente, a linha anarquista refutou que o movimento tivesse liderança comunista, tanto mais que, nessa altura, “o partido não estava apto a exercer esse lideralismo pois atravessava uma crise interna profunda e confessa” (Santana, 1978, p. 98).

A CGT reagiu apenas em abril através de um artigo que denominou «Especulação infame», publicado no jornal A Batalha, no qual se mostrava incomodada com a derrota sofrida em 18 de janeiro e com o que foi publicado na imprensa “venal”131.

Os responsáveis da CGT acabavam por lembrar que o objetivo central do movimento era mostrar o desagrado pela legislação corporativa, desvalorizando assim o carácter revolucionário da ação. O texto não deixava de responder à posição do PCP, nomeadamente à autoria comunista do movimento, considerando tal posição um descaramento que tinha como objetivo ganhar terreno.

A CGT assumiu a paternidade de várias ações, entre as quais a da Marinha Grande e, apesar de reconhecer a influência bolchevista, mais que a «cegêtista», lembrou que os êxitos ali obtidos se tinham ficado a dever aos materiais que a CGT lhes fornecera.

130 Cf. http://www.ocomuneiro.com/paginas_m_bento_goncalves_DuasPalavras_1941.html, jornal eletrónico

consultado em 24 de maio de 2014.

131 O principal alvo foi o jornal O Seculo, acusando-o de “propaganda baixa e repelente contra a organização

A CGT reconheceu, ainda, que o movimento não tinha correspondido ao que se pretendia e dividiu as culpas por si, pela errada mentalidade de algumas classes e pelos chefes bolchevistas. Contudo, não deixou de reafirmar que o movimento fora obra sua.

Em junho de 1934, no jornal Avante, o PCP respondeu à CGT. Começou por identificar os erros e progressos relacionados com o 18 de Janeiro, deixando claramente de lado qualquer triunfalismo.

O PCP assumiu, ainda, que sabia do descarrilamento do comboio em Santa Iria de Azóia e que teria sido um militante seu a engendrar o plano.

Os comunistas reconheciam que os atos de terrorismo não tinham sido apenas obra da CGT como em fevereiro tinham feito crer. Isto porque, segundo Patriarca (2000, p. 69), “muitos comunistas comungavam dos mesmos ideais e com igual fervor”.

A autora acrescenta que a confissão comunista relativamente ao mistério acerca da autoria do descarrilamento em Santa Iria se encontrava “resolvido e explicado” bem como “o ostensivo silêncio que a CGT sobre ele guardara”.

No denominado «Project de lettre au PC du Portugal»132, de setembro e novembro de

1934, foram feitas duras críticas ao movimento em geral e à Marinha Grande em particular, que “não pode ser citado como um exemplo da aplicação do leninismo”. Isto porque, acrescentava, “esta acção foi desencadeada apesar de não existirem condições necessárias de encetar a luta decisiva pelo poder”. A partir do momento em que estas críticas foram produzidas, “a verdade é que o movimento deixa de ser um tema público nos meios comunistas” (Patriarca, 2000, pp. 72-73). Em suma, o PCP surgiu, numa primeira fase, com um discurso triunfalista, mais tarde um pouco mais realista, ao qual se seguiu uma reação da CGT amargurada pela derrota. Patriarca (2000, p. 482) é perentória ao afirmar que as palavras e os atos de comunistas e anarquistas “surgem invertidos”.

No caso das ações insurrecionais da Marinha Grande, “no fundo, era o que os anarquistas gostariam de ter feito e não fizeram”.

Relativamente aos comunistas, construíram uma realidade que se adaptou ao seu discurso oficial, chamando a si apenas o que lhe convém.

O PCP teve ainda o cuidado de responder ao que tinha sido escrito na imprensa, que apelidava de «burguesa».

132 Arquivo do Instituto de Ciências Sociais (ICS), fundo da Internacional Comunista, (documento 111, maço 31,