5.2 Évaluation des caractéristiques globales du recalage
5.2.1 Comparaison de deux mesures de similarité
NA: No seu entender, o que é uma organização?
Líder 4: Uma organização é uma estrutura empresarial, ou não, que tem a sua hierarquia bem marcada em que cada pessoa que trabalha nessa mesma organização deverá saber qual é a sua posição própria.
NA: Enquanto líder, como promove a maneira da organização trabalhar e as pessoas se relacionarem no seu seio?
Líder 4: Primeiro tem de haver uma relação interpessoal interpares. Essa relação tem de ser fomentada. As pessoas deverão saber, voltamos ao mesmo, qual a sua posição. Para que tudo funcione deve haver reuniões interpares em que os objetivos são esclarecidos e são definidos e em que aquilo que se pretende de cada uma das pessoas da organização fica bem definido.
NA: Para além da posição hierárquica que ocupa, o que faz de si um líder?
Líder 4: Eu penso que as pessoas que trabalham comigo e que me veem como líder, vêem-me, essencialmente, porque não sou uma pessoa conflituosa. Sou uma pessoa que sabe ouvir, sabe ouvir os outros quando colocam os problemas e sou alguém que tenta resolver os problemas criados sem que haja conflito. Portanto, tento… Se houver necessidade de ir à luta, entre aspas, vou à luta, mas tento sempre pela via do não- conflito conseguir resolver as situações e penso que as pessoas com quem trabalho e que me consideram e que me veem como líder, portanto as pessoas que trabalham diretamente comigo, as minhas tuteladas, veem isso em mim. É uma das coisas que referem sempre.
NA: Por que acha que tem colaboradores? Ou os colaboradores seguem- no/aceitam as suas indicações porque é uma líder? Acha que pode eventualmente haver outros motivos?
Líder 4: Penso que esteja relacionado com a resposta anterior. Eu penso que é essencialmente isso. Consigo ser justa também nas decisões que tomo e nas avaliações que tomo relativamente às pessoas e penso que, essencialmente, é isso. É o não ser uma pessoa que cria conflitos e que, além disso, consegue resolver os conflitos que são
criados. Portanto, consigo fazer uma boa gestão das relações humanas e relações interpares.
NA: Que técnicas utiliza para os influenciar de forma a que eles cumpram as suas sugestões?
Líder 4: Por vezes, tem que ser “é assim, porque tem de ser assim”. Não há hipótese, mas tento sempre quando eles não estão a ver claramente o porquê da situação tento sempre fazer-lhes ver, portanto por outros… Dando exemplos semelhantes, tentar levá- los a perceber o que é que se passa ali. A minha área é muito específica, não é, portanto na área da saúde há muitas coisas que não… Há muito o limbo. Portanto, há muita coisa que não podemos dizer é assim mesmo com certeza ou não, não é com certeza, mas tentar ver e levá-los a fazer as coisas que são necessárias é sobretudo dando-lhes exemplos semelhantes e tentando-lhes explicar o porquê das coisas. Isto na prática diária clínica. Relativamente a outras situações, em que, por exemplo, que têm de fazer trabalhos e que têm de fazer apresentações, pronto, muitas vezes tento-lhes fazer ver sempre qual é a melhor situação para chegarem àquele objetivo, mas quando às vezes há pessoas que mantêm uma ideia muito numa outra área e tenho de ser mais incisiva e, às vezes, tenho de dizer que tem de ser feito, porque tem de ser feito.
NA: Alguma vez sentiu que ao estar a persuadir os seus subordinados foi mal interpretada?
Líder 4: Já… Já. Isso já me aconteceu e não tenho qualquer problema depois em chamar as pessoas à parte… Essencialmente, é assim, eu nunca chamo à atenção na presença de outros. Portanto, escolho sempre estarmos só nós os dois e tentar esclarecer a situação e já me aconteceu perceber que estava a ser mal interpretada e depois chamar a pessoa à parte e explicar-lhe o porquê para ficaram as coisas todas esclarecidas… Mas já. Tenho muito esse hábito [esclarecer as coisas], sim. Se eu vejo que as coisas não estão a ser bem interpretadas.
NA: E ficou tudo esclarecido?
Líder 4: Ficou tudo esclarecido, sim. Normalmente, as pessoas aceitam bem os meus comentários e as minhas observações.
Anexo 5: Transcrição da entrevista ao Líder 5
NA: No seu entender, o que é uma organização?
Líder 5: Ora bem, uma organização é um conjunto de pessoas, um conjunto de sistemas, um conjunto de espaço, que tem como objetivo um fim, que pode ser a prestação de um serviço, pode ser a produção de um bem, tendo valores, missão.
NA: Enquanto líder, como promove a maneira de a organização trabalhar e de as pessoas se relacionarem no seu seio?
Líder 5: A liderança não é algo que se imponha. A liderança é algo que é aceite e um líder tem de ser aceite e nunca tem de se impor. Isso é fundamental para que uma organização tenha melhores líderes e menos líderes. Isto tem a ver simplesmente com o facto de que as organizações são feitas de pessoas e nós temos de ter em atenção que as organizações ao serem feitas de pessoas nós temos de liderar pessoas e a forma como isso é feito é através do reconhecimento do seu líder. E o seu líder é reconhecido pelo comportamento, pela atitude, pela motivação, por fazer cumprir os objetivos, pelo trabalho em grupo, por estimular o bom relacionamento. Por exemplo, eu já fiz com a minha equipa, que lidero há mais de 20 anos… Sempre liderei equipas praticamente desde que comecei a trabalhar. À exceção dos primeiros dois anos. A partir daí, sempre liderei equipas. Umas maiores, outras mais pequenas… E voltando ao exemplo. Por exemplo, tenho uma casa no Alentejo e eu já organizei eventos no Alentejo com a minha equipa para poder, enfim, despertar, para podermos partilhar, para estarmos mais à vontade, para criarmos confiança entre nós, para estarmos num ambiente fora do ambiente profissional para nos pudermos conhecer melhor… Onde não há o chefe e o colaborador. E tudo isso ajuda, no fundo, a cimentar o relacionamento, porque quando tu lideras uma equipa, tu tens de saber trabalhar com cada um deles, tu tens de conhecer cada pessoa, tu tens de conhecer cada pessoa que trabalha contigo e, por vezes, tens de o fazer até no aspeto pessoal. Ou seja, se a pessoa tem filhos, se a pessoa tem dificuldades financeiras, se a pessoa tem problemas de saúde, enfim… Para puderes, no fundo, perceber até que ponto é que tu podes trabalhar determinados objetivos com essa pessoa, perceberes por que é que ele sai às cinco horas e não sai às oito da noite, perceberes por que é que ele chega cedo e os outros chegam tarde, por que é que tu podes pedir a um para ficar até mais tarde e ao outro não podes pedir para ficar até mais
reage… Isso é muito importante conhecer em cada uma das pessoas que trabalham contigo. Logicamente que isso se faz através de várias formas. Quando tens equipas mais pequenas ou quando tens equipas que tens coordenadores ou tens coordenações, ou seja, tu com uma equipa de 200 pessoas não podes liderar 200 pessoas. Em termos médios, cada chefia, vamos lá, deve trabalhar diretamente com uma equipa de apenas sete pessoas. Quando tens 200, tens de ter vários colaboradores, como é o meu caso. Sou diretor e tenho vários coordenadores, que depois têm as suas próprias equipas. Trabalho com aquela equipa de coordenação, que tenho à minha frente. E para isso tu precisas de motiva-los, precisas de dizer “olha, fizeste mal” ou tu precisas de dar feedback permanente, precisas de dizer que está errado também… ainda hoje me aconteceu isso, chamar a atenção de uma pessoa que trabalha comigo. Uma colaboradora minha que fez mal, ou seja, ela entendeu que devia ir por certo caminho, porque quis assim, e não era o melhor caminho e eu tive de chamá-la à atenção para não voltar a fazer o mesmo e sobre esse tema para falar sempre comigo antes de tomar qualquer atitude. E ela percebeu, mas tens de explicar, não é impor. Tens de explicar por que é que ela fez mal, por que é que ela tem de falar comigo, porque eu tenho mais dados do que ela para poder decidir sobre o caminho a percorrer… E todos estes aspetos será o conjunto, no fundo, do que tens de implementar na tua equipa para que eles te reconheçam como um líder.
NA: Para além da posição hierárquica que ocupa, o que faz de si um líder?
Líder 5: O que faz de mim um líder? Exatamente o reconhecimento, o reconhecimento que a minha equipa me vê como tal [um líder], reconhecimento no trabalho, no esforço. Temos de ser os primeiros a dar o exemplo, temos de trabalhar mais do que eles para estarmos sempre por cima, ou seja, para que de facto quando tu lideras, quando tu chamas a atenção ou quando tu determinas determinados caminhos a percorrer para atingires um determinado objetivo ou uma meta, porque qualquer líder deve estabelecer, quer o seu colaborador, o seu objetivo. Uns devem ter orientações, qual é o caminho que devem percorrer, qual é a forma de o fazer, para que não cometam erros, para que sejam eficientes e para que possamos atingir os objetivos o mais rápido possível. Tudo isto explicado, tudo isto orientado, tudo isto uma vez aceite faz um líder.
NA: Por que razão acha que tem colaboradores? Ou os colaboradores seguem- no/aceitam as suas indicações porque é um líder?
Líder 5: Porque acreditam, porque eu já demonstrei e porque eles já foram comigo lado a lado e perceberam que indo comigo é mais fácil… Porque tenho mais experiência, porque tenho mais formação, tenho mais conhecimento sobre determinados temas, por isso eles sentem conforto na minha pessoa para puderem desempenhar a sua função, ou seja, um líder é como algo mais velho que nós vemos, não é… E está ali o poço da sabedoria, da experiência, da razão acima de tudo e é nesse sentido que eles me seguem, porque, de facto, entendem que eu tenho essas valências todas e isso é a forma como eles entendem e como me seguem, porque de facto acreditam.
NA: Que técnicas utiliza para os influenciar para que eles cumpram as suas sugestões?
Líder 5: É simples. É estabelecermos regras e as regras podem ser regras de conduta, regras de atuação, no sentido de percebermos que temos um objetivo a atingir em conjunto e se nós percebermos que se formos em grupo ou em equipa conseguimos atingi-los. De facto, se, porque é mais fácil do que a responsabilidade estar só numa única pessoa para o poder fazer, e isso é uma forma de nós o podermos fazer é de facto aconselhar, é, de facto, dizeres qual é o caminho... Eles acreditarem que aquele é mesmo o caminho. Ou seja, tens de fazer, explicando, demonstrando por que é que se forem para o lado que lhes mandam ou se vão para outros caminhos, dando exemplos de erros que já tenham sido cometidos, de situações semelhantes que já tenham acontecido. No fundo, é demonstrando permanentemente que as minhas opiniões, que as minhas sugestões os leva ou nos leva a todos a cumprir o objetivo.
NA: Alguma vez sentiu que ao estar a persuadir algum dos seus colaboradores foi mal interpretado?
Líder 5: Não, nunca senti isso, porque, de facto, as pessoas gostam de trabalhar comigo. Ou seja, eu tenho essa sorte, porque eu gosto de pessoas... Ainda sou daquelas pessoas que a palavra é um contrato. Se a pessoa disser “eu vou fazer isto”, eu não preciso de estar a assinar nenhum contrato... “E vou estabelecer preços consigo e fazemos um acordo. Eu vou-lhe comprar isto por X”, não preciso de um contrato. Basta a palavra.