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IV. Résultats : Mesure de transfert de matière lors de l’absorption chimique du CO2

3. Comparaison avec les résultats de la simulation numérique

Apesar de as condições de vida serem muito díspares daquelas a que estamos habituados, todas as pessoas tinham uma alegria e uma simpatia genuínas e sempre nos receberam de uma forma plena de simplicidade mas muito acolhedora. Foi muito marcante testemunharmos a forma como as pessoas partilharam connosco o pouco que possuíam e, acima de tudo, fazendo-nos sentir como se estivéssemos em casa.

Em relação ao trabalho na escola, organizámos aquilo que se pode chamar de escola de Verão em que os miúdos de Buba tiveram a oportunidade de frequentar durante o seu tempo de férias. Começamos por dividir as actividades em dois turnos. O da manhã destinava-se aos mais pequenos, do jardim (equivalente ao pré-escolar) até à 4ª classe (que equivale ao 4º ano). Da parte da tarde as actividades destinavam-se aos alunos mais velhos, desde a 5ª classe até à 11ª classe (o que é equivalente ao nosso 5º ano até ao 11º ano). Neste turno incluímos também alguns adultos que queriam melhorar as suas competências na língua. Uma vez que duas das alunas ficaram apenas os primeiros quinze dias e uma das professoras esteve apenas na última quinzena, acabávamos por ser apenas cinco ou seis “professoras” para todas estas classes, pelo que dividíamos os alunos em grupos, de duas classes diferentes, podendo chegar aos quarenta elementos. Era impressionante verificarmos que, de dia para dia, tínhamos cada vez mais alunos a virem inscrever-se, até que tivemos que chegar a um ponto e não aceitar mais inscrições, uma vez que já não tínhamos condições físicas e logísticas para de responder a tantos pedidos. No segundo ano, como fomos oito elementos ao longo de todo o mês conseguimos ter mais alunos inscritos, e embora as turmas continuassem a ser bastante grandes, conseguimos separar os alunos por classes. Uma das estratégias que adoptamos foi a de separar, no turno da manhã, os alunos do jardim, que tinham actividades das nove horas até às dez horas, dos alunos da 1ª à 4ª classe, que começavam às dez horas e trinta minutos e acabavam às doze horas e trinta minutos.

Ao contrário daquilo que acontece nas salas de aula onde costumamos leccionar, nestas salas, que eram improvisadas com o material do jardim infantil que as irmãs dinamizam em Buba, isto é, com carteiras e cadeiras pequeninas, os alunos estavam atentos e em silêncio e tinham uma enorme vontade de aprender. Trabalhavam com um simples caderno e com lápis ou caneta que lhes fornecíamos no início de cada aula e acompanhavam a exposição que as professoras iam fazendo num pequeno quadro de lousa que existia na sala. Se, com os miúdos que já iam à escola a comunicação era mais fácil (embora a língua que eles dominavam fosse o crioulo), com os mais pequenos do jardim a comunicação era quase impossível, dado que eles não falavam português e nós não falávamos crioulo. Apesar destas lá nos fomos entendendo entre gestos, sorrisos e afectos. No início quando começamos a trabalhar com os mais pequeninos fazendo actividades muito simples para lhes ensinar coisas tão básicas como os números, as letras do alfabeto ou as cores apercebemo-nos que eles gostavam muito de pintar. Como não tínhamos lápis de cor ou marcadores para todos os alunos, depois de distribuídos os desenhos que eles iam pintar, distribuíamos os lápis de cor dando-lhes a oportunidade de escolher um lápis de um conjunto que guardava num estojo. Alguns deles tinham dificuldade em escolher o lápis que queriam pois ficavam maravilhados a olhar para tantas cores. Como não estavam habituados a pintar, partiam com frequência os lápis e estavam sempre a chamar-nos para lhes aguçar os lápis. Era impressionante ver a alegria deles a olhar para um bico um lápis afiado como se fosse uma obra de arte. No trabalho com estes miúdos pequenos achamos que aquilo que foi mais marcante foi perceber que alguns deles reagiam com estranheza quando tínhamos uma atitude carinhosa com eles, como se fosse algo que desconhecessem. A carência que estes miúdos tão pequenos demonstravam relativamente aos afectos é algo que nos comoveu.

Com os mais velhos fazíamos actividades mais “complexas” como ler um texto e fazer a interpretação do mesmo, fazer um resumo ou escrever uma composição. Apesar das muitas dificuldades que tinham, os alunos empenhavam-se nas tarefas e fomos testemunhas da vontade que tinham de aprender. Apesar da consciência que possuem relativamente às poucas condições que têm para poder estudar e sonhar com um futuro melhor, todos eles tinham sonhos e planos para o seu futuro. Muitos destes alunos ajudavam os pais no trabalho do campo, de parte da manhã, e à tarde vinham até à escola para aprenderem português. Num dos dias tivemos uma situação impressionante com um dos nossos alunos mais velhos que se sentiu mal durante uma aula. Este aluno tinha estado a trabalhar no campo durante a manhã e tinha-se atrasado. Ao chegar

a casa só teve tempo de se arranjar para vir para a escola e, como não queria chegar atrasado à aula, não teve tempo de almoçar, daí que se tenha sentido fraco e quase a desfalecer.

No trabalho que fomos fazendo com as irmãs nas actividades que desenvolvem junto da comunidade pudemos verificar que muitas vezes, por falta de dinheiro, as pessoas não se tratam e continuam a morrer de malária e de outros problemas facilmente resolúveis no Ocidente. Já no trabalho que fazem prestando ajuda alimentar às crianças desnutridas ou órfãs, esta é disponibilizada às famílias mediante o controlo do peso das crianças em causa. Todos os meses, as crianças são pesadas na missão e, em função das necessidades alimentares, as famílias levam papas e leite a preços simbólicos. O que foi chocante para nós, que estamos habituados a ver a forma protectora e carinhosa com que as crianças são tratadas no Ocidente (não esquecendo que infelizmente nem sempre é assim) foi ver que as crianças na Guiné não são normalmente tratadas como um tesouro que os pais querem proteger e cuidar. As mulheres na Guiné têm inúmeros filhos e os homens, que são na sua maioria muçulmanos, têm muitas mulheres diferentes e filhos de todas elas. Assim, a imagem dos pais a dedicarem toda a sua atenção ao filho e às suas necessidades é algo que não é comum em Buba. Quando os bebés são pesados na missão, isso é feito numa cesta que se pendura numa balança. Naturalmente, como os bebés não estão habituados, têm medo e quanto mais a cesta abana mais eles choram. Quem acaba por acarinhar o bebé que chora são as irmãs e, nós quando lá estamos, porque as famílias não têm o instinto de o fazer.

No primeiro ano em que fizemos voluntariado, ao chegar ao final do mês tínhamos a sensação que embora tivéssemos trabalhado muito, aquilo que tínhamos feito tinha sido como uma gota no oceano e que tinha deixado muito mais marcas em nós do que nas pessoas que fomos ajudar. Embora continuemos a achar que aqueles que mais recebem numa acção de voluntariado são os voluntários, tivemos a oportunidade de testemunhar, ao voltar à Guiné, que aquilo que fizemos, embora pouco, foi bastante significativo para aquele povo que tem tão pouco e que deixou marcas mais profundas nas pessoas do que aquilo que poderia imaginar. O facto de sentirem que alguém, que não os conhece de lado nenhum, vem de longe para lhes dedicar atenção, carinho e para lhes ensinar um pouco de português, fez com que se sentissem valorizados e importantes.

A relação que se estabeleceu entre o grupo de voluntárias foi bastante forte, especialmente no primeiro ano. Julgamos que isto terá acontecido, especialmente, pelo facto de nos unir a incerteza do que íamos encontrar e o receio que sentíamos por irmos para um país tão diferente daquilo que estamos habituadas. Embora a decisão de ir tenha implicado alguma coragem da nossa

parte, acho que a atitude das alunas (e das suas famílias) foi extremamente audaz. À medida que o tempo foi passando e que fomos vendo que nos íamos adaptando ao calor, à humidade e lidando melhor com a pobreza que íamos vendo; à medida que nos sentíamos cada vez mais felizes pela acção que estávamos a desempenhar, foi-nos unindo um enorme sentimento de cumplicidade e de entreajuda. Como ficamos a viver na missão das irmãs em Buba (e também em Bissau onde ficamos ao chegar e ao partir), acabamos por integrar as rotinas das irmãs e partilhar com elas o espaço da sua clausura. Para nós, foi marcante testemunharmos a vivência das irmãs, fraterna e hospitaleira, e percebermos que, em pouco tempo, também nós já vivíamos essa fraternidade. No final da nossa passagem por Buba, as irmãs, juntamente com os jovens que fazem parte do coro da missa fizeram-nos uma pequena despedida, agradecendo a nossa ajuda e desejando-nos bom regresso, numa atitude de grande gratidão. Na verdade quem se sentia verdadeiramente grata por aquilo que tinha recebido eramos nós.

Tivemos oportunidade de visitar outras missões, conhecendo um pouco mais do trabalho que se vai fazendo em diferentes regiões da Guiné e das necessidades, que infelizmente não são muito diferentes daquelas que fomos vendo em Buba.

No segundo ano, apesar de já termos ultrapassado o receio que tínhamos relativamente ao que íamos encontrar na Guiné, o regresso a Buba e à Missão Católica foi um momento profundamente marcante. A sensação que sentimos ao pisarmos aquela terra novamente e revivermos tantas emoções vividas, um ano antes, foi avassaladora. Voltar a ver aquelas pessoas que tanto nos marcaram no ano anterior, foi uma imensa alegria.

Reflectindo sobre a experiência vivida, continuamos a achar que é apenas uma pequena ajuda que levamos a uma pequena comunidade, durante um mês por ano, mas ainda assim, parece-nos que conseguimos levar aquelas pessoas alguma esperança e um sentimento de que alguém lhes dá atenção e se preocupa em os ajudar. Para nós esta experiência foi profundamente gratificante e de tal forma significativa que podemos considerar que Buba se tornou, para nós, num lugar antropológico.