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COMMUNICATIONS SUBSYSTEMS

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7. COMMUNICATIONS SUBSYSTEMS

A discussão em torno da inter-relação do binômio educação-comunicação não é recente e, embora seja alvo de análise e de construções teóricas há muito tempo, esta discussão, em geral, tem sido impregnada por preconceitos, intolerância e incompreensão por ambas as áreas. Entender as implicações, os conflitos e a dialogicidade entre estas duas linguagens, bem como a complexidade que a tecnologia da informação trouxe aos fenômenos educacionais, torna-se relevante para compreender os desafios para a construção de políticas para a formação continuada de professores na era da informação.

As discussões entre estas duas áreas do saber perpassam, pelas críticas às grandes mídias e à comunicação massiva, com ênfase às atribuições negativas desta, na criação de problemáticas sociais, como: “violência”, “desinteresse pelos fatos sociais”, “individualismo”, “consumismo”, “criação de modelos negativos”, etc. Por outro lado, a crítica é feita à estagnação do aparelho educacional diante das constantes e incessantes mudanças nas relações sociais e tecnológicas, protagonizadas pelos meios de comunicação.

Essas mudanças, que não se restringem somente ao uso de novos aparelhos e recursos eletrônicos e digitais, mas que, pela ampliação e difusão dos meios interdependentes de comunicação que alteram, também, os comportamentos e

relacionamentos de uma sociedade, transformando sua maneira de pensar, agir e adquirir conhecimento, deslocam o sistema educativo do lugar de referência da interpretação da realidade e da existência, destituindo-o de seu papel de principal tecido constituinte da sociedade.

Contudo, estes embates se mostram ultrapassados e infrutíferos, quando se deseja determinar as contribuições deste diálogo na perspectiva da construção de uma realidade educacional, onde a educação se apresente como alvo, tendo a comunicação como mediadora. Neste sentido, Jesus Martín Barbero (apud Quiroz,1993, p. 81)

contribui com o entendimento deste diálogo afirmando que:

[...] nem os meios são o inimigo da educação (ou o contrário) nem estão destruindo ou substituindo a escola. O que os meio fazem é desorganizar a hegemonia da escola desafiando sua pretensão de continuar sendo o único espaço legítimo de organização e transmissão dos saberes. Isso exige situar a relação escola-meio de comunicação além do debate sobre os efeitos morais ou ideológicos, isto é, no âmbito da cultura e na sociedade, nas mudanças que vinculam as novas condições do saber com as novas maneiras de sentir e a novas figuras da sociabilidade.

O debate que importa na construção deste diálogo encontra-se no entendimento do papel da educação em uma sociedade midiática e imagética; sociedade esta caracterizada pela insubordinação dos signos frente às linguagens comunicacionais convencionais, causada justamente pelo avanço da tecnologia da informação e pelos meios de comunicação de massa, fazendo da escola exatamente o lugar onde mais se sente essa insubordinação.

Nos espaços pedagógicos, a tendência dominante é que comunicação se configure como um processo de mão única, onde a participação dos alunos se dá de forma restrita e definida; excluindo a possibilidade de encontros e compartilhamentos de conhecimentos, fundamentados no contato com a linguagem digital, e que não se limitam aos muros da escola.

Este contexto é histórico, pois, desde as primeiras experiências no processo ensino–aprendizagem, o homem utiliza “formas de comunicação” para efetivar a

transmissão do conhecimento; o que não significa que existiam ou que continuem a existir, de fato, os processos dialógicos de interação entre mestre e alunos.

A distância entre emissor e receptor, acentuada pelas mudanças no paradigma tecnológico-comunicacional, caracteriza as análises das relações entre comunicação e educação, pela tensão, oposição e defasagem; e isto, mesmo quando há a tentativa de equiparação, pois quando o sistema educacional percebe a transformação, esta já deixou de ser inovadora, pois já cedeu lugar ao novíssimo.

Enquanto o divórcio entre a cultura de onde falam e pensam os docentes e aquela de onde sentem e percebem os mais jovens é cada dia maior, a escola continua procurando encobrir sua crise de comunicação com rituais de modernização tecnológica e reduzindo o seu conflito com a cultura áudio-visual e informática a um discurso de lamentações morais. (BARBERO, in QUIROZ 1993, p. 81)

A relevância dos estudos para o entendimento deste processo está na perspectiva dos questionamentos apresentados por Lévy (1999, p. 172):

Como manter as práticas pedagógicas atualizadas com estes novos processos de transação de conhecimento, ou como o aparato escolar está efetivamente se adequando a estas alterações de signos, que também transformam toda a maneira clássica de interpretar o mundo e a realidade, e como reagem os educadores diante destas mudanças provocadas pelos meios comunicacionais e tecnológicos?

Neste ponto, Barbero e Rey (2001, p. 20) questionam também:

O que poupa a escola de precisar questionar a profunda reorganização que vive o mundo das linguagens e das escritas com a conseqüente transformação dos modos de ler, deixando sem apoio a obstinada identificação da leitura com o que se refere somente ao livro e não à pluralidade e heterogeneidade de textos, relatos e escrituras (orais, visuais, musicais, áudio-visuais e telemáticos) que hoje circulam?

Ao levantar este questionamento, os autores colocam em foco os espaços de descentralização de cultura e saber: a TV e o computador, e a legitimidade de seus signos como fontes constitutivas de informação e formação.Na escola, o espaço de

comunicação é caracterizado pelo texto, onde o saber se institui a partir das relações estabelecidas entre o texto escrito e o desenvolvimento escolar; os meios de comunicação e informação transmitem, através de seus fluxos, uma comunicação polissêmica que contraria o texto escrito, fugindo assim do controle da sintaxe (BARBERO e REY, 2001).

Hoje, a sociedade reconhece, identifica-se e interage com os produtos culturais gerados pelos fluxos informacionais, dando origem a hibridismos, caracterizados por expressões e linguagens próprias, elaborando, difundindo e, muitas vezes, acabando por configurá-las em novas hermenêuticas.

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