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2. LA DIMENSION DE LA TERRITORIALITÉ

2.2. Communication et publicité

Um dos pilares da Fundação Casa Grande é a geração de renda através do empreendedorismo social. Desde o início, a Casa possibilita uma série de oportunidades de geração de renda aos pais das crianças que frequentam a instituição, assim como aos jovens que cresceram dentro da fundação, oferecendo a esses últimos a vantagem de serem os donos do seu próprio negócio. Essa visão foi instigada com o programa de Empreendedores Sociais que a fundação promoveu no ano de 2010, aumentando o número de negócios apoiados pela ONG. Atualmente, nove negócios estão diretamente ligados à fundação: o restaurante da fundação, a lojinha de artesanato, a marca de roupas Modus Cariri, a Agência de Turismo Comunitário, a produtora cultural, a pizzaria Café Cultural Nova Olinda, a cafeteria Violeta e dois escritórios de consultoria em arqueologia. Todos os negócios são devidamente registrados na Receita Federal, e se localizam dentro ou no entorno da Fundação Casa Grande. A criação de cada empreendimento ocorreu segundo o interesse e aptidão pelo negócio que se desejava construir, como indicado nos depoimentos a seguir:

Quando era pequena participei da Casa Grande, e depois saí, fui trabalhar fora e retornei para entrar no grupo de empreendedorismo social, que cada um foi criando sua empresa. Eu criei minha empresa de camisetas [...] Cada um foi se especializando numa área. Minha área aqui na Casa Grande é produtos e moda. Cada um é responsável por uma área. (FLORA, 24 ANOS)

Teve um programa de empreendedorismo social, e aí a gente montou um restaurante de comidas internacionais, mais focadas na comida italiana. A gente faz uma mesclagem de comidas internacionais, mas com carne de sol e macaxeira, faz a pizza com produtos locais, de uma forma diferente. A massa fresca a gente trouxe para cá, as pessoas não conheciam. As pessoas que vem de fora também gostam, porque, tipo, você está comendo uma massa fresca em pleno sertão. Então eu participo dessa forma, com esse restaurante que a gente tem, levando essa qualidade culinária para as pessoas, tanto da cidade, quanto as que vem visitar. (CONCEIÇÃO, 34 ANOS) Vários dos empreendimentos (Figura 14) foram pensados no intuito de aproveitar alguma demanda de produtos e serviços geradas a partir das atividades da Fundação Casa Grande, principalmente em relação às necessidades que surgiram com o aumento do fluxo no turismo promovido pela instituição. A formação desses empreendimentos segue a proposta da construção de uma rede Turismo de Base Comunitária, que implica o fornecimento de bens e serviços por parte da comunidade local, favorecendo o surgimento de pequenas, médias e microempresas dispostas a atender as necessidades decorrentes da atividade turística (SEBELE, 2010).

FIGURA 14 – Pizzaria e lojinha de artesanatos do programa de Empreendedorismo Social.

A partir dessa rede, os empreendimentos passam a manter uma comunicação entre eles, buscando uma articulação eficiente do sistema. Esse tipo de articulação entre os empreendimentos é evidenciada quando a fundação promove um evento, como observado no relato a seguir:

Quando tem evento, tem a reunião com todos. Eu e “Rosinha” somos dessa parte da alimentação, aí a gente se reúne com a pessoa responsável pela produção, e se reúne para ver quantas pessoas vem, o que vai ser servido e o que não vai ser servido. Nosso cardápio é muito vasto, mas temos uma cozinha desse tamanho (pequena). A gente vê o que pode servir para aquele grupo de pessoas. Então a gente faz todo esse planejamento antes, essa coisa de como vai ser. (CONCEIÇÃO, 34 ANOS)

Falando de evento, que é uma coisa que envolve todo mundo, Casa Grande, comunidade e o grupo de mães. Quando se pensa num evento, tem que se incluir todas as empresas, a comunidade e incluir as mães. (FLORA, 24 ANOS)

Se o pessoal vem para almoçar, eles vão almoçar aqui porque o restaurante está aberto para almoço. Se é para jantar, vai para “Júlio” porque ele trabalha com jantar. A pousada está aberta para receber. Eu acho que cada um que tem a sua oportunidade aqui. (ROSINHA, 42 ANOS)

A forma como os empreendimentos sociais se organizam, ressalta novamente a relação de sistema existente no turismo comunitário, condizente com a abordagem de Beni (1990), que vê o turismo de forma sistêmica no qual seus componentes estão ligados, em interdependência. Nota-se que há uma preocupação de manter uma interconexão entre os negócios e se busca um benefício mútuo, como apresentado no depoimento a seguir:

Esse trabalho que eu faço na minha produtora em parceria com a fundação, gera um impacto na Agência de Turismo Comunitário, que vai fazer hospedagem na casa das famílias, que vai gerar renda para essas famílias, na movimentação do restaurante da Casa Grande que as pessoas vão almoçar aqui (...). Então impacta todos. Ativa todo o sistema. Quando a gente tem um movimento concentrado de pessoas nos eventos, ele é maior, gera mais visibilidade a curto prazo e aumenta o número. (GABRIELA, 28 ANOS)

Como a Fundação Casa Grande se caracteriza como uma organização sem fins lucrativos, parte dos lucros obtidos pelos empreendimentos gerados dentro da instituição são destinados ao apoio na manutenção da Casa. O percentual final para doação à Casa é avaliado pelo próprio dono do negócio. É incentivado que esta doação seja realizada de forma espontânea, não havendo qualquer cobrança coercitiva da instituição quanto à disponibilização do valor. O depoimento de Flora esclarece como ocorre o repasse de valores à fundação:

Não é obrigatória (a doação). Por exemplo, é estimado 10% do que eu vendi na lojinha, eu tenho que passar para a Casa Grande. 10% do que foi movimentado na

agência, tem que passar para a Casa Grande. O restaurante acaba não cobrando, porque quando tem alimentação, que os gestores vem comer aqui, não é cobrado. Vai da pessoa. Se você quer ajudar, quer contribuir, você faz (...) Quando a gente vê que está precisando de alguma coisa, a gente compra sem medir esforços. Isso acontece de uma forma espontânea. Não tem uma fiscalização de uma pessoa vendo quanto você vendeu (...). As pessoas fazem de boa vontade. Como a gente quer, e a gente acredita, a gente faz e as vezes dá até mais de 10%. Tem mês que não dá, porque, por exemplo, eu tô construindo minha casa e está apertado para dar 10%, então a pessoa passa quanto tempo ela quiser sem dar nada. (FLORA, 24 ANOS)

É visto, portanto, que a rede formada pelos empreendimentos sociais que foram originados dentro da Fundação Casa Grande, estabelecem entre eles uma relação de cooperação típica dos empreendimentos de um Turismo de Base Comunitária.