5. Analyse des entretiens et confrontation au cadre théorique
5.1 Stratégies d’adaptation
5.1.4 Communication intercouple
APRENDIZAGEM
Assim, selecionamos esse contexto espaço-temporal específico (os intervalos) considerando-o um dos lugares-momentos em que mais se percebe o estabelecimento de práticas comunicativas.
Esses momentos deveriam constituir o ambiente por excelência de encorajamento do sujeito, como cidadão dialógico e participativo, capaz de transformar sua realidade social. Isso inspirou a pesquisa desenvolvida com os jovens estudantes em seus ambientes escolares, sem o propósito de analisar práticas educativas em espaços que geralmente apresentam menor potencial de interação.
Seria possível observar esses jovens nas praças, nas ruas, em suas residências, contudo, foi escolhido esse ambiente num contexto amazônico específico17 porque esse é um dos lugares onde os jovens são obrigados a estar juntos. Espaço extremamente interessante, pois se vai não por lazer ou por entretenimento, mas por “obrigação”, o que torna ainda mais curioso perceber como as práticas comunicativas são tecidas.
Pensamos a escola, como ponto de observação e análise de uma realidade, por entender que ainda constitui um espaço de “obrigação” do estar juntos; é o point onde se reúnem vários jovens que formam uma rede, na qual é possível depararmo-nos com dinâmicas de outras redes, o que possibilita estabelecer e perceber vários sistemas de relação que compreende desde a missão educacional e seus projetos de leitura, escrita e produção até à missão social que objetiva formar para a vida.
Compararmos, então, os ambientes periformais de aprendizagem a uma rede, na qual é tecido um conjunto de relações, em que se articulam e tencionam vários processos é pensarmos na própria escola, na família, nas instituições governamentais, nas práticas culturais, no contexto em que a escola está inserida, além de sentimentos e desejos particulares a cada sujeito envolvido num complexo jogo de relações.
Neles se descobrem os primeiros amigos, se configuram os primeiros namoros, onde visualizamos, portanto, um ambiente por excelência constituído para/pelo desenvolvimento de processos comunicacionais.
Essas questões nos apontam a importância desta pesquisa para o campo da comunicação, pois é na conflituosa experiência de se conviver, na reciprocidade de cada
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homem com os outros no mundo, na coletividade, que se processa e se desenvolve a comunicação (MARTÍN-BARBERO, 2014).
Nessa abordagem, argumentamos que não deveria haver educação sem comunicação, pois não há construção de conhecimento sem comunicação. A escola, mais especificamente os
ambientes periformais de aprendizagem, se apresentou como o lugar propício de aproximação e investigação do fenômeno comunicativo.
Desse modo, começamos por vestir o uniforme dos alunos para penetrar em seu cotidiano escolar e perceber as práticas relacionais em situações de comunicação com vistas a investigar “aquilo mesmo que os teóricos sem objeto e os observadores sem conceitos não sabiam perceber e que permanecia ignorado, porque muito evidente, como tudo o que é óbvio” (BOURDIEU, 2004, p. 11).
Lugares nos quais se organizam cenas do dia a dia, geralmente relegadas a uma condição não-científica, como o são os contatos entre os discentes nos intervalos das escolas, nos possibilitaram defender a importância de um trabalho de investigação centrado na análise das práticas comunicativas tecidas nos lugares-momentos.
Um dos mais importantes cientistas sociais do século XX, Erving Goffman18, nos fornece interessantes pistas para que o cotidiano19 seja vislumbrado, revelando cenas que nos permitem analisar determinadas situações comunicativas.
Considerando essa perspectiva, o foco desta pesquisa construiu-se orientado a compreender a configuração estabelecida pelos discentes nos momentos de comunicação tecidos por eles em relações, especialmente em circunstâncias de maior incidência comunicativa, como os intervalos, entendendo que esses intervalos se configuram em
ambientes periformais de aprendizagem. São espaços nos quais se mesclam crenças, costumes, sonhos, medos, dúvidas, expectativas, elementos que configuram a cultura cotidiana.
Optamos por selecionar esse espaço de constituição de práticas variadas de comunicação, em decorrência das observações exploratórias nas quais percebemos que os intervalos são, de certa forma, ignorados por muitos sujeitos que fazem parte da escola, mas tão ansiosamente aguardados e procurados pelos protagonistas do sistema.
18 Filho de Max Goffman e Ann Auerbach, Erving Goffman nasceu em Frances, em 1922. Seu trabalho trouxe à
luz aspectos do cotidiano, que não eram julgados socialmente relevantes. São citados em pesquisas de natureza variada, focalizando especialmente nas situações e construção do próprio processo interativo (GASTALDO, 2004).
Esse lugar de entrada cautelosamente selecionado, portanto, nos pareceu favorável para percebermos de que forma esses alunos configuram as práticas comunicativas nas interações que estabelecem, observando o processo como um fenômeno distinto na construção do conhecimento, que ultrapassa os
(…) muros da escola: não mais fechada na sala de aula (local por excelência da educação), o mundo se abre à educação em todos os seus lugares. E se quisermos enfatizar o ângulo otimista da expressão, a educação aberta significaria também não- mais-fechada-na-tradição, aberta ao novo, à experimentação, a novas formas, novas necessidades, novas percepções (BRAGA, 1999, p. 137).
Essas questões nos permite enfatizar que não há educação sem práxis comunicativa baseada no processo de interação entre os sujeitos, ratificando que o olhar desta pesquisa direciona-se para esse lugar possível de estudo dos fenômenos comunicacionais, entendendo que, no momento em que as pessoas no mundo todo se inter-relacionam mediadas por invenções tecnológicas cada vez mais avançadas, será importante perceber como são tecidas as práticas comunicativas desses estudantes.
O passo inicial foi dado. Que esta pesquisa possa garantir a colheita de novos e promissores frutos, priorizando a ideia de que “o outro”, em seus mistérios, incertezas, incompreensões, mas esperançoso de um futuro melhor, seja capaz de dar sentido e contribuir na transformação de uma realidade social, na qual a aprendizagem e a construção do conhecimento aconteçam, onde quer que ele esteja.
O delineamento metodológico para análise das práticas comunicativas percebidas nos
ambientes periformais de aprendizagem nas duas instituições investigadas será apresentado nas discussões do próximo capítulo.