3. État des lieux et analyse des besoins
3.5 Typologie des besoins
3.5.2 Modalités de mise en œuvre
3.5.2.5 Communication et valorisation du patrimoine institutionnel
Ao desenvolver a problemáticas das FNS como sistemas funcionais, Luria introduziu uma nova noção na neuropsicologia, a noção de fator. Ao definir a essência da análise sindromática, ele assinalou que em caso de lesão de determinado elo do sistema funcional surgirão perturbações primárias nos processos psíquicos que estão diretamente relacionados com o trabalho deste elo e perturbações secundárias que surgirão por força das leis da organização sistémica das funções e que dependerão das primárias. O elo lesado do sistema funcional, que provoca todo um conjunto de perturbações nas FNS (ou síndrome neuropsicológico) foi designado por Luria como fator. E descobrir este elo patológico, ou fator, é que é o objetivo da análise sindromática (ou fatorial).
A análise sindromática é um instrumento da investigação de um dos mais importantes problemas da neuropsicologia, o problema dos fatores.
O fator é a noção teórica na qual assenta a análise sindromática das perturbações das FNS. A síndrome forma-se como resultado da perturbação de determinado fator. O objetivo da análise sindromática é precisamente a busca e descoberta desse fator.
Por fator, Luria (1981) compreendia a função propriamente dita de uma ou outra estrutura cerebral, de determinado princípio de seu funcionamento. Cada área cerebral do sistema funcional que esteja na base de uma função psicológica qualquer responde por determinado fator. A sua eliminação, ou alteração patológica, leva à perturbação do funcionamento do correspondente sistema funcional no seu todo. Isto significa que o sistema funcional pode ficar comprometido em caso de lesão de um grande número de áreas cerebrais mas que a sua perturbação dependerá das diferentes localizações dessas lesões. A lesão de uma estrutura cerebral pode manifestar-se na desintegração completa do modo do seu funcionamento (ou da função) ou na alteração patológica do regime ou do princípio do seu funcionamento. O estado patológico dos diferentes setores do cérebro manifesta-se na alteração de padrões fisiológicos de funcionamento destas estruturas, isto é, na alteração dos processos nervosos, da sua intensidades, equilíbrio, mobilidade, enfraquecimento da atividade analítica, sintética, mnésica, etc. Deste modo, na noção fator entram também os processos fisiológicos locais que se desenvolvem em determinadas estruturas cerebrais, formadas de síndromes.
O fator é a unidade estruturo-funcional do cérebro que determina o carácter da síndrome neuropsicológica. O fator neuropsicológico constitui o resultado do trabalho de uma ou outra estrutura cortical altamente especializada (Korsakova, Mikadse, & Balashova, 1997; Luria, 1969). Estes fatores ou mecanismos psicofisiológicos submetem-se à ação e unem-se em sistemas funcionais (Anokhin, 1980), os quais, constituem a base psicofisiológica da ação do sujeito.
Por exemplo, a leitura e a escrita constituem atividades psicológicas complexas que não se localizam em zonas restritas do cérebro. A organização destas atividades requer a participação de vários mecanismos cerebrais que se formam durante a vida do indivíduo, no processo da sua atividade.
Na participação da leitura e da escrita são incluídos múltiplos setores do cérebro humano, sendo que cada um deles realiza a sua contribuição para este trabalho. A esta constelação funcional de diferentes setores cerebrais, denomina-se sistema funcional complexo (Anokhin, 1980), enquanto que o trabalho que realiza cada um destes setores particulares do cérebro, denomina-se fator neuropsicológico (Korsakova, Mikadse, & Balashova, 1997; Quintanar & Solovieva, 2003; Luria, 1986, 1989).
A análise das alterações das FNS, denominada por Luria como análise sindromática, pressupõe a busca da base primária da síndrome (fator ou fatores) que determina todo o carácter da síndrome. A este estudo através dos fatores, responsáveis por vários elos dos sistemas funcionais que se encontram na base das FNS, Luria apelidou também de análise fatorial (Luria & Artemieva, 1970).
Na neuropsicologia desenvolvida por Luria, o essencial é a qualificação, assim o importante é a orientação à análise da forma como se realizam as tarefas, a natureza e o tipo de dificuldades e nos apoios que são úteis para a execução correta da tarefa (Glozman, 1999, 2002; Khomskaya, 2002; Luria, 1977, 1999; Tsvetkova & Quintanar, 1995). Assim, a análise qualitativa permite a caracterização dos erros e a identificação dos mecanismos cerebrais que possam estar comprometidos. Para isso, o conceito fator neuropsicológico é importante. Este fator, proposto por Luria (1977) define-se como resultado do trabalho de várias zonas corticais especializadas. Como exemplo, o trabalho de setores pré-motores orienta-se à organização sequencial de ações motoras, enquanto os setores temporais secundários do hemisfério esquerdo, encarregam-se da análise e síntese dos sons da linguagem.
De acordo com o exposto, a lesão de um setor cortical especializado (fator) afeta ou impede que este realize o seu trabalho específico e conduz à desintegração de todas as funções ou ações nas quais é necessário tal trabalho. Desta forma, a análise qualitativa permite identificar a causa dos erros, isto é, o fator ou fatores comprometidos, o que permite relacionar o nível psicológico da ação com os seus mecanismos cerebrais, uma vez que cada ação requer a participação de diferentes fatores (Quintanar & Solovieva, 2008).
De acordo com as conceções de Luria (1981), cada FNS é assente em vários fatores diferentes e é por isso que as perturbações de cada uma dessas funções varia de atributo (forma) dependendo do fator lesado.
O estudo da questão dos fatores na neuropsicologia está indissociavelmente ligado com o desenvolvimento posterior da teoria da localização dinâmica sistémica das FNS, com o estudo da especificidade daqueles sistemas funcionais que asseguram o funcionamento das formas complexas da atividade psíquica do indivíduo (Khomskaya, 1999).
De acordo com Luria (1981), na qualidade de fator pode estar o elo comum a vários sistemas funcionais. Isto ocorre porque os sistemas funcionais que asseguram a realização das diferentes FNS são compostos por elos tanto específicos como gerais, isto é, por mecanismos tanto especializados como gerais a todo o cérebro. É a lesão destes elos que leva à perturbação simultânea de várias FNS com uma mesma base relacionada com a lesão do elo. Nestes casos fica comprometido um determinado parâmetro das FNS. A análise sindromática permite distinguir o elo lesado, comum a uma série de sistemas funcionais (fator) a definir, a partir da síndrome neuropsicológica correspondente, a área de lesão do cérebro.
No entanto, um dos problemas importantes está relacionado com a classificação dos fatores. A partir da análise dos dados neuropsicológicos, obtidos a partir de diverso material clínico, permitiu identificar os seguintes tipos de fatores (Khomskaya, 2002): fatores modalmente específicos, fatores não modalmente específicos, fatores relacionados com o trabalho das áreas de associação dos grandes hemisférios, fatores inter-hemisféricos ou fatores relacionados com o trabalho do hemisfério esquerdo e direito como unidade, fatores de comunicação inter-hemisférica, fatores relacionados com o trabalho das estruturas hemisféricas subcorticais profundas do cérebro.
Todos os fatores descritos na neuropsicologia possuem um traço comum: a perturbação de qualquer um deles em resultado de uma lesão cerebral local (ou de qualquer outro processo patológico) leva ao aparecimento de determinada síndrome neuropsicológica que se caracteriza por uma estrutura de sintomas que lhe são inerentes. Todos estes fatores possuem uma determinada autonomia, independência. Regra geral, a perturbação de um fator não se repercute nos outros. Significa isto que eles espelham o trabalho de diferentes sistemas cerebrais relativamente autónomos que se caracterizam por determinadas leis que lhes são inerentes só a eles (Khomskaya, 2002). Contudo, podem ser distinguidas duas orientações nas investigações das FNS.
A primeira orientação, a psicológica, que estuda as FNS como sistemas psicológicos complexos, caracteriza-se pela sua lógica de aparecimento e desenvolvimento que preconiza que as FNS têm uma procedência histórico-cultural, que são socialmente determinadas na ontogénese, que durante o seu processo de formação assentam inicialmente em apoios externos e posteriormente em internos, o que se dá em
social, a mediação, a consciencialização e a arbitrariedade são as características mais importantes das FNS, enquanto a atividade, o trabalho e as relações humanas são condições essenciais para a sua formação.
A segunda orientação de abordagem das FNS é a abordagem neuropsicológica. Esta ocupa-se do estudo da organização cerebral das FNS e estuda-as como sistemas funcionais específicos. Estes sistemas funcionais incluem um grande número de áreas cerebrais que trabalham em conjunto, são os mecanismos cerebrais concretos das FNS. São distintas dos sistemas funcionais fisiológicos e assumem uma estrutura mais complexa, grande plasticidade, mutabilidade e intermutabilidade dos elos e, grande dependência das condições de desenvolvimento da formação, o que conduz à possibilidade de reconstrução destes sistemas.
Os sistemas funcionais, em cujo trabalho participam diferentes fatores neuropsicológicos, dependendo da ação concreta que o sujeito executa, representam a base psicofisiológica dos processos psicológicos (órgãos funcionais). Uma vez que cada sistema funcional constitui o resultado do trabalho de zonas cerebrais específicas, a sua localização tem um carácter sistémico (Akhutina, 1996; Luria, 1986). Este princípio é fundamental na escola neuropsicológica de Luria, na qual não se localizam funções (memória, atenção, etc.) mas sistemas funcionais e seus componentes (fatores neuropsicológicos), como mecanismos psicofisiológicos das ações humanas.
Para uma ação particular como a leitura, por exemplo, a análise psicológica dos seus elementos estruturais permite identificar os fatores neuropsicológicos que participam na sua realização. Estes fatores, por sua vez, assinalam o estado funcional das zonas cerebrais correspondentes. As provas neuropsicológicas incluem procedimentos que permitem conhecer a participação dos diferentes fatores para uma ação.
O estudo das FNS da escola de Luria esteve sempre submetido à estratégia comum da análise sindromática, isto é, à busca dos sintomas e síndromes neuropsicológicos relacionados com determinada localização da lesão cerebral e dos seus fatores condicionantes e com as suas classificações do ponto de vista da teoria da localização dinâmica sistémica das FNS.
Dentro da abordagem de Luria, a distribuição e o funcionamento dos fatores neuropsicológicos são importantes para identificar as vias e os métodos para a reabilitação neuropsicológica, não só a pacientes com perturbações, como por exemplo afasia (Tsvetkova, 1985; Luria & Tsvetkova, 1981; Tsvetkova, 1988), mas também em indivíduos com dificuldades durante o seu desenvolvimento, cuja base se constitui por um desenvolvimento funcional insuficiente de um ou outro fator neuropsicológico (Luria & Tsvetkova, 1997; Quintanar & Solovieva, 2000).
A reabilitação neuropsicológica também se apoia no princípio da formação gradual do fator neuropsicológico afetado, com o apoio das ligações conservadas (Pilayeva & Akhutina, 1997; Polonskaya, Yablokova & Akhutina, 1997).