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O processo começa com o que denominamos fase exploratória da pesquisa, tempo dedicado a interrogarmo-nos preliminarmente sobre o projeto, os pressupostos, as teorias pertinentes, a metodologia apropriada e as questões operacionais para levar a cabo o trabalho de campo. Seu foco fundamental é a construção do projeto de investigação. (MINAYO, 2003, p.26)

Neste capítulo apresenta-se a construção das bases teórico-metodológicas estabelecidas para a realização da fase empírica do estudo.

Inicia-se com a descrição da fase exploratória resultante do quadro provisório desenhado na gênese do estudo; uma etapa participativa, estruturada para permitir o aprofundamento e a integração de quatro subtemas: grupos de pesquisa; diálogos de

disciplinas; questão ambiental; pesquisa com enfoque participativo.

Após esse primeiro momento de reflexão teórico-prática, avançamos para o conjunto de reflexões teóricas que estabelecem o referencial de entrada para a fase de levantamento de dados em campo. Nestes tópicos serão construídas reflexões e relações sobre os novos subtemas que emergiram da fase pré-campo (ou fase exploratória), a saber: Questão

ambiental, Grupo de pesquisa, Atitude participativa e Estética.

O capítulo prossegue com a descrição da etapa de seleção e definição do grupo para

teste dos instrumentos de coleta de dados do estudo, ou seja, a fase de preparação para a

fase de coleta de dados; ou, conforme orientado pelo Método do Estudo, a fase “Entrando no Campo”.

Encerra-se o capítulo com uma leitura de integração dos aprendizados desta etapa do estudo, que serão mobilizados nos encontros e nas descobertas que conduzirão as reflexões e os aprendizados da etapa de campo.

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2.1 PARTICIPAÇÃO NO PESQUISAR COLETIVO: emergência de desafios particulares

A fase exploratória que construiu o tema deste estudo foi realizada junto a um grupo de pesquisa, na ocasião, com dois anos de atividades coletivas de investigações científicas. Esse grupo desenvolve projetos liderados por professores de um programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com seu foco de atuação em gestão

ambiental participativa. PERFIL DO GRUPO

• Nome: Exploratório

• Instituição: Universidade pública de Santa Catarina • Vínculo: Pós-graduação

• Participantes: 5 Doutores; 20 Estudantes (2 doutorandos, 10 mestrandos; 8 graduandos) As atividades da exploratória desenvolveram-se entre os meses de setembro de 2002 e abril de 2004, após a fase de conclusão dos créditos disciplinares das atividades do doutorado. Vale ressaltar que, no espaço de tempo entre a fase disciplinar e a entrada oficial no Grupo, foram apresentados três pré-projetos de pesquisa, nos quais estavam apresentados os contornos deste estudo, e também desenvolviam-se diversas atividades coletivas junto aos participantes do grupo (produção de artigos e projetos) que vinham sendo realizadas desde o término do mestrado, em março de 2000. Indica-se, dessa forma, que já havia estabelecimento de relações de convivência anterior que auxiliaram o processo de entrada no grupo de pesquisa.

Na ocasião do ingresso no grupo, estavam sendo elaborado um projeto, com financiamento do CNPq, cuja temática integrava a gestão ambiental participativa a ações de gestão de recursos hídricos. O projeto tinha como ambiente de ação um município localizado na Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí (SC) e sua concepção buscava incorporar e avançar sobre os resultados de outras pesquisas já desenvolvidas pelo grupo naquele espaço local.

A opção pela bacia hidrográfica como unidade de planejamento permite, segundo Hidalgo (1995), o estabelecimento de “uma visão global do conjunto formado pelo meio físico e social presentes, ou seja, uma representação não fragmentada das relações entre o ser humano e a natureza e da natureza e seus recursos naturais entre si mesmos” (as diferentes unidades ecológicas existentes na bacia), independente de definições territoriais, econômicas ou políticas. (SIERVI, 2000, p.44)

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O aprendizado coletivo iniciado em 2000 junto àquele município havia permitido a integração de quatro pesquisadores de campo sob um único objetivo de pesquisa: a instrumentalização da gestão ambiental participativa local. Esta experiência individual-coletiva possibilitou o exercício de ações em grupo para diagnóstico e tratamento da problemática dos recursos hídricos locais a partir de ações em três espaços: o rural, o educativo e o de ocupação do solo.

O novo projeto trazia proposta de ampliar da ação em pesquisa com a incorporação de outros temas, porém mantendo o mesmo foco de instrumentalização da gestão ambiental local. Agora havia temas ligados à análise e à produção de

informações técnicas para monitoramento e acompanhamento envolvendo questões referentes à qualidade e à quantidade de água; zoneamento para implantação de unidades de conservação; implantação de unidades demonstrativas de saneamento; ações de educação sanitária; e desenvolvimento de plano de turismo sustentável. Como elementos de integração e apoio às ações de gestão

ambiental participativa local estavam ainda definidos no projeto ações de construção

metodológica de integração para as atividades do grupo e de avaliação para as práticas participativas do projeto, elaboração de um atlas ambiental e um Sistema de Informações Geográficas.

Após a aprovação desse projeto, em novembro de 2002, e tendo sido realizada a estruturação da equipe de pesquisa, ingressaram formalmente na equipe de liderança do grupo dois professores doutores (um interno, outro externo ao programa de pós- graduação), com objetivo de agir na coordenação das atuações em áreas complementares ao desenvolvimento das metas definidas no projeto. O grupo de pesquisadores de campo, ao longo desse período exploratório, contou com a participação de dez alunos desenvolvendo formação em mestrado (de oito áreas disciplinares diferentes15), dois em doutorado (acrescentando mais uma área disciplinar

– Engenharia Florestal) e mais alguns alunos de graduação (em três outras áreas disciplinares16), com participação mais transitória dentro da formação de base do grupo.

As atividades desenvolvidas dentro do grupo nesse período foram focadas em duas

15 Pedagogia, Engenharia Civil, Biologia, Geografia, Arquitetura, Agronomia, Turismo e Engenharia Sanitária e Ambiental. 16 Informática, Comunicação Social e Farmácia e bioquímica.

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frentes, de acordo com os seguintes objetivos:

1. contribuir na estruturação do processo de pesquisa do grupo, principalmente no momento em que havia vínculo como bolsista do projeto – de setembro de 2002 a setembro de 2003, atuando sobre a sistematização das ações metodológicas desenvolvidas;

2. acompanhar o desenvolvimento das atividades de pesquisa do grupo, visando amadurecer a temática do projeto de doutorado, principalmente no que dizia respeito aos aspectos relacionados às dinâmicas participativas (interna-externa) presentes na construção da pesquisa pelo grupo.

Vale ressaltar que essas atividades exploratórias estenderam-se, neste período, não só especificamente naquelas internas ao grupo, mas também participando de outras oportunidades de interação externa, justamente pelo fato de estarmos em atividade com ele. Conversas com outros grupos de pesquisa, outros pesquisadores, técnicos e pessoas ligadas ao meio acadêmico permitiram a validação de alguns elementos que foram sendo observados dentro da dinâmica do grupo. Este fato representou uma oportunidade complementar nessa fase, pois abriu campo para a ampliação de minhas observações sobre a temática em estudo dentro de outros espaços de pesquisa acadêmica. Nessas ocasiões, foi possível verificar que muitos dos elementos retirados das observações no grupo de pesquisa também eram objeto de reflexão e preocupação teórico-prática em outras configurações de grupos que atuavam sobre as questões ambientais.

Inicialmente, deve-se destacar que essa participação direta em atividades de pesquisa em grupo permitiu um mergulho na ação-reflexão sobre o tema em estudo, que ocasionou, por um lado, um choque de realidade, aqui entendido como uma possibilidade de interação

ética com o tema central de meu estudo (a participação direta na ação de pesquisar em grupo

– conteúdos teórico-práticos) e, por outro, uma nova possibilidade de compreendê-lo através de uma interação estética (a participação direta na forma de se estruturar e de agir do grupo). Mas a compreensão inicial da interação estética tardou até se consolidar como um entendimento teórico-prático mobilizador. Isso porque, no princípio das atividades no grupo, estando impregnada de um “olhar civil17” da participação (Quadro 2), as observações

17 Reconhecemos como “olhar civil” as bases de conhecimento sobre participação desenvolvidas a partir de estudos sobre as ações coletivas da sociedade.

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estiveram focadas em aspectos já conhecidos, que eram familiares, embora muitas vezes não correspondessem a qualidade e especificidade das informações colecionadas.

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