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Comment améliorer l’enseignement actuel en chirurgie

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E- Comment améliorer l’enseignement actuel en chirurgie

A investigação qualitativa, tal como foi definida acima, apresenta um conjunto de características que lhe são intrínsecas. Segundo Bogdan e Biklen, (1994) as principais características são cinco e não têm que estar todas presentes numa investigação com o mesmo nível de profundidade. A primeira característica refere-se ao facto de na investigação qualitativa a fonte directa de dados ser o ambiente natural, sendo o investigador o instrumento principal. O investigador acaba sempre por se introduzir, com maior ou menor grau, no ambiente onde pretende recolher os dados e quer esteja munido ou não de alguns equipamentos de vídeo ou áudio ou apenas da papel e lápis, acaba sempre por desempenhar um papel primordial na sua análise. É ele que tem que rever na totalidade os materiais registados, sendo o seu entendimento sobre esses materiais o principal instrumento de análise. A frequência dos locais de estudo é essencial para compreender o contexto e as acções pois estas são observadas no seu ambiente natural. Com vista a não perder o significado o investigador não deve separar os actos, palavras ou gestos do seu contexto.

A segunda característica está relacionada com o facto de a investigação qualitativa ser descritiva. Os dados recolhidos são quase sempre organizados sobre a forma de palavras ou imagens, em vez de números. Os investigadores procuram analisar os dados usando toda a sua riqueza e respeitando a forma em que eles foram registados ou transcritos. Tudo deve ser analisado com base no princípio de que nada é trivial e que tudo pode vir a constituir uma pista para estabelecer uma maior compreensão do objecto de estudo. Assim, quando se pretende que sejam tidos em conta todos os detalhes, a descrição parece ser um bom método de recolha de dados.

A terceira característica está relacionada com o facto de os investigadores qualitativos se interessarem mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados e produtos. A forma como as pessoas negoceiam os significados, como começam a utilizar certos termos ou como

é que certas noções começam a fazer parte do senso comum são indicadores de que na actividade dos investigadores os processos desempenham um papel primordial. Tomando como exemplo a investigação educacional, a ênfase qualitativa no processo tem sido importante no desenvolvimento da ideia de que o desempenho cognitivo dos alunos é afectado pelas expectativas dos professores. Esta conclusão, que é corroborada pelos métodos quantitativos, encontra nas estratégias qualitativas uma forma de evidenciar como as expectativas se traduzem nas actividades, procedimentos e interacções diárias.

A quarta característica está relacionada com a forma como os investigadores qualitativos analisam os dados, admitindo uma tendência para que esta análise seja feita de forma indutiva. A recolha de dados não é feita com o objectivo de provar hipóteses previamente estabelecidas, mas antes para construir abstracções com base no agrupamento dos dados particulares. A teoria é assim construída com base nas várias peças individuais da informação recolhida que se vão inter-relacionando, dando origem àquilo que se pode designar por teoria fundamentada. O investigador vai usar parte do estudo para perceber quais são as questões importantes, ao invés de partir do pressuposto que já sabe essas questões antes de efectuar a investigação.

A quinta e última característica prende-se com o significado, que é considerado de importância vital para a abordagem qualitativa. Os investigadores qualitativos têm como principal preocupação certificarem-se que estão a apreender as diferentes perspectivas adequadamente. Por vezes os dados recolhidos são de novo mostrados aos indivíduos sobre os quais incide a investigação, por forma a poder proporcionar ao investigador a segurança de que os registos são rigorosos e reflectem de forma clara os significados que os sujeitos lhe atribuíram. Os investigadores qualitativos estabelecem estratégias e procedimentos que lhe permitem tomar em consideração as experiências do ponto de vista do sujeito.

Para além das características principais da investigação qualitativa, há algumas questões que se revestem de especial importância quando se utiliza esta abordagem como forma de gerar teoria. Uma dessas questões prende-se com o carácter científico deste tipo de investigação. Se considerarmos que uma boa parte da atitude científica passa por uma mente aberta no que diz respeito ao método e às provas, implicando a sua investigação uma averiguação empírica e sistemática que se baseia nos dados, podemos considerar que a investigação qualitativa preenche estes requisitos.

Outra questão que por vezes se coloca pretende estabelecer as diferenças entre o trabalho do investigador qualitativo e o do professor, quando se trata de um contexto educativo. O investigador aparece aqui com um papel diferenciado do papel do professor. Enquanto o

investigador tem como preocupação primordial observar e conduzir a investigação, recolhendo dados com bastante detalhe, o professor tem que se focar nas aulas e na forma de lidar com os alunos e, se pretender realizar em simultâneo uma investigação, os dados recolhidos acabam por serem menos completos. O sucesso também é encarado de modo diferente. Enquanto que o investigador pretende atingir aquilo que se pode designar por uma boa investigação, o professor está mais preocupado com conteúdos e resultados específicos. Outra diferença reside no facto de o investigador ter sido treinado para utilizar um conjunto de procedimentos e técnicas desenvolvidos ao longo de vários anos para poder recolher e analisar dados. Há ainda o facto de o investigador se basear em teorias e resultados anteriores de investigação que servem de cenário para fornecer pistas e dirigir o estudo de modo a contextualizar novos resultados.

Uma terceira questão refere-se à generalização dos resultados da investigação qualitativa. A generalização é normalmente encarada como a aplicabilidade dos resultados de um estudo particular a locais e sujeitos diferentes. Nesta perspectiva alguns autores não se preocupam com esta questão, e quando há alguma preocupação eles fazem questão em explicitá-la. Há outros autores que têm essa preocupação e podem neste caso basear-se em outros estudos para determinarem a representatividade do que encontraram ou mesmo conduzir alguns estudos mais pequenos. Há também investigadores que não usam a generalização no sentido convencional, estando mais preocupados em estabelecer afirmações universais sobre processos sociais gerais do que considerações relativas aos pontos comuns de contextos semelhantes, como por exemplo turmas. Desta forma, em vez de estarem preocupados com o facto de os seus resultados serem generalizáveis, procuram saber se outros contextos e sujeitos podem ser expostos a estes resultados. Outros investigadores qualitativos utilizam o seu trabalho como forma de documentar um determinado contexto ou grupo de sujeitos, devendo a generalização ser entendida como o trabalho que outros devem desenvolver para articular os seus resultados com o quadro geral que se procura traçar. O seu trabalho surge como um possível gerador de anomalias que outros investigadores devem procurar explicar.

O papel do investigador no enviesamento dos dados também é por vezes um motivo de preocupação. Dada a natureza da investigação qualitativa parece fácil que os preconceitos e atitudes dos investigadores tenham influência sobre os dados uma vez que estes são em grande parte um produto da sua compreensão da situação e que pode não traduzir fielmente o que de facto se passa. Há no entanto uma preocupação dos investigadores com os efeitos da sua subjectividade nos dados, pelo que eles tentam sempre estudar objectivamente os estados subjectivos dos seus sujeitos. Esta abordagem é auxiliada pelos métodos utilizados e pelo facto de o investigador passar uma quantidade de tempo considerável no campo que o leva a

um confronto constante das suas opiniões e preconceitos com os dos sujeitos. Desta forma os dados apresentam uma descrição bastante detalhada dos acontecimentos que vão para além de qualquer preconceito do investigador. Há ainda a acrescentar o facto de o investigador ter por objectivo principal a construção de conhecimento e dada a complexidade das situações a sua preocupação centra-se na descrição de muitas situações e não na restrição do campo de observação. Por vezes são os próprios investigadores a referir os seus enviesamentos como forma de lidar com eles.

A presença do investigador qualitativo no campo também parece ser um outro modo de enviesamento dos dados, pois acaba sempre por introduzir algum tipo de modificação no comportamento dos sujeitos que vai estudar. Este problema parece ser transversal a todos os tipos de investigação, pois mesmo na elaboração de um estudo experimental pode por vezes ser criado um ambiente artificial. No caso da investigação qualitativa uma forma de minimizar este “efeito do observador” pode ser através da interacção com os sujeitos que deve ser feita de forma natural, sem provocar intrusões ou significar qualquer ameaça para estes. Como um dos objectivos do investigador é compreender o sujeito no seu ambiente natural, é possível proporcionar situações em que a acção pela sua presença não seja muito diferente daquilo que aconteceria na sua ausência. Compete no entanto ao investigador compreender os efeitos da sua presença, mediante um conhecimento aprofundado do contexto, utilizando-o para construir uma consciência mais ampla da natureza do campo em estudo.

A questão da garantia, isto é, se o facto de investigadores distintos estudarem o mesmo contexto poder conduzir às mesmas conclusões, não é partilhada por todos os investigadores. A possibilidade de estes investigadores poderem ter interesses diversos e provirem de formações académicas bastante diferentes pode conduzir com certeza a resultados não comparáveis. A garantia que podemos buscar neste tipo de situações estará mais relacionada com o facto de haver por parte dos investigadores uma preocupação com o rigor e a abrangência dos seus dados. Poderemos sobretudo admitir que há uma correspondência bastante forte entre os dados registados e aquilo que se passa de facto no local de estudo.

Com a apresentação das principais características da investigação qualitativa e com o enumerar de algumas das principais questões que se colocam, procurou-se fazer um retrato deste tipo de investigação que sirva de suporte à elaboração de uma recolha de dados num ambiente educacional, por forma a poder observar os alunos no seu ambiente de aprendizagem, com o objectivo de caracterizar a sua compreensão dos conceitos matemáticos que são abordados neste contexto.

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