Bern Martens Danny De Schreye Maurice Bruynooghe t Department of Computer Science, Katholieke Universiteit Leuven
4 Combining These Techniques
Vale do Tejo.
Outra preocupação que tivemos foi a de incluir elementos em diversidade de situações na coordenação da biblioteca, isto é, com condições de trabalho diferentes em termos de horário, dentro do que era possibilitado legalmente às escolas na época - ano lectivo 2007/2008 (8h, 11h e 35h semanais, respectivamente) e que, embora sendo da mesma área geográfica alargada, os elementos da amostra não se conhecessem entre si, nem pudessem contactar durante o estudo. Na selecção, interveio ainda a informação solicitada a coordenadores interconcelhios32 ao serviço da RBE, de casos potencialmente interessantes para o estudo, uma vez que são profissionais conhecedores do trabalho realizado nas escolas.
Dado tratar-se de uma amostra de conveniência e considerando a metodologia de estudo de caso, a pesquisa possui a limitação de não permitir a generalização dos resultados, pois não se consegue saber se se obteriam os mesmos no caso dos elementos seleccionados serem outros, pelo que se deve ter a devida reserva nas generalizações. Após a selecção, fizemos um contacto telefónico com os coordenadores em questão, explicando o estudo a realizar e solicitando a sua colaboração. Todos se disponibilizaram de imediato, pelo que seguidamente procedemos à solicitação de autorização, por escrito, aos órgãos de gestão das escolas e às respectivas Direcções Regionais de Educação. As autorizações foram todas concedidas por escrito, à excepção de uma que foi feita oralmente. Os documentos comprovativos integram o nosso processo da investigação.
2.1.1 Métodos de recolha de dados
O estudo de caso pode utilizar diversas técnicas de recolha de dados, em particular a observação directa e entrevistas aos sujeitos envolvidos (Yin, 2005, 26-27). No estudo em questão, para atingir os seus objectivos, considerámos como instrumentos privilegiados para a recolha de dados:
- inquérito por entrevista, no início da investigação;
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Os Coordenadores Interconcelhios da RBE são profissionais que, ao serviço do programa, coordenam directamente no terreno o trabalho das escolas integradas na RBE, sendo que cada um possui um conjunto variável de concelhos a seu cargo, definido centralmente, de acordo com características geográficas e dimensões dos concelhos.
- observação de duas actividades de trabalho colaborativo em cada escola, identificadas e propostas pelo respectivo coordenador de biblioteca;
- notas de campo.
A opção pela utilização destes instrumentos prende-se com as características do estudo em questão, pois considerámos serem os mais adequados ao objectivo traçado. Por outro lado, tivemos a preocupação de recolher dados através de diferentes fontes de informação, no sentido de conferir mais fiabilidade ao estudo.
Estas decisões conduziram à selecção de formas de recolha de dados normalmente mais morosas, mas com a vantagem de permitir uma interacção directa com os interlocutores, sem limitações de tempo, nem condicionalismos de respostas pré-apresentadas, permitindo aprofundar uma ou outra questão, conforme as situações.
Utilizámos o inquérito por entrevista ao coordenador da biblioteca, no início do estudo para averiguar qual o seu conceito de trabalho colaborativo e respectivas formas de concretização, por comparação com o referencial teórico definido. Posteriormente procedemos à observação directa de duas actividades de trabalho colaborativo, identificadas e propostas pelos coordenadores, no sentido de comparar os dados da observação com os conceitos dos coordenadores, verificando se correspondiam ou não, bem como com o referencial teórico.
Inquérito por entrevista
A pesquisa a que nos propusemos centra-se no estudo de indivíduos em contexto, na sua forma de interagir, daí a utilização da entrevista pela «compreensão rica e matizada» (Ruquoy, 2005, 84) que possibilita.
As entrevistas realizadas não têm um grande grau de directividade e foram pouco estruturadas, com o objectivo de não condicionar muito as respostas dos entrevistados (Carmo e Ferreira, 1998). Neste ponto, concordamos com Tuckman (2005, 321), quando refere que ao optar-se por respostas não estruturadas consegue-se mais informação, pois é mais fácil aos entrevistados falar do que escrever e assim desenvolvem mais as suas opiniões e conceitos. Tal como referem Bogdan e Bilken (1994), «a entrevista é utilizada para recolher dados descritivos na linguagem do próprio
sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo.» (p. 134).
Para a entrevista elaborámos um guião (Anexo 1), onde definimos os temas que considerámos adequados aos objectivos a atingir com o estudo e procedemos ao trabalho de concepção das perguntas, respeitando os procedimentos metodológicos da bibliografia específica.
Na condução da entrevista, não fomos muito rígidos nem directivos e sem esquecer os objectivos da mesma, respeitámos o fluir das intervenções, direccionando quando necessário e precisando informações para sistematizar as ideias expostas. Fomos fazendo comentários de confiança ao orador e fazendo pontos intermédios da situação, quando entendemos necessário. Procurámos também encadear as questões de forma adequada aos objectivos, mas com sequencialidade relativamente ao discurso do entrevistado, fazendo pontes com afirmações anteriores.
As entrevistas duraram, em média, entre uma hora, a uma hora e trinta minutos e foram realizadas por nós, que conduzimos toda a investigação.
No início das entrevistas procurámos colocar o entrevistado à vontade através de um diálogo descontraído, criando «um ambiente de partilha voluntária de informação e não de aquisição coerciva.» (Carmo e Ferreira, 1998, 125).
Com vista a evitar que se considerasse questão condicionante de respostas, à partida, deixámos para o final as perguntas relativas a aspectos pessoais do coordenador, como anos de experiência, formação, etc.
As entrevistas foram previamente agendadas, com todos os entrevistados, para o primeiro período lectivo, marcando a hora e definindo com todos que seria na escola respectiva, em espaço que permitisse algum isolamento. A todos foi enviado por e-mail, dois dias antes da realização da entrevista, o respectivo guião (Anexo 1), tendo sido alertados para o efeito por contacto telefónico.
Ao realizar as entrevistas, nas quais seguimos o guião apresentado no Anexo 2, começámos por identificar o trabalho a realizar, os objectivos da entrevista, agradecemos a pronta disponibilidade para colaborar no estudo e sublinhámos a importância que isso tem para a investigação nesta área do saber. Referimos uma vez mais a confidencialidade dos intervenientes e respectivas instituições e a garantia do uso exclusivo dos dados recolhidos para o âmbito estrito deste estudo.
Tal como referem Carmo e Ferreira (1998), no início de uma entrevista há a presença de dois interlocutores, duas janelas, cuja interacção apresenta áreas livres
muito reduzidas, áreas cegas relativamente grandes e áreas secretas igualmente extensas. Assim, considerando que "o objectivo de uma entrevista é abrir a área livre dos dois interlocutores no que respeita à matéria da entrevista, reduzindo, por consequência a área secreta do entrevistado e a área cega dos entrevistadores." (idem, 1998: 126), procurámos colocar os entrevistados à vontade, assumindo uma postura informal e utilizando um vocabulário corrente. Evitámos induzir respostas e permitimos o fluir a conversa, regra geral sem interromper os interlocutores, deixando-os à vontade para expor os seus pontos de vista.
Os ambientes em que decorreram as entrevistas foram similares, adequados, embora diferentes. No caso das coordenadoras A e B, a entrevista decorreu num gabinete da escola, com isolamento e privacidade. Com a coordenadora C, a entrevista decorreu num pequeno espaço de gabinete que a equipa da BE/CRE utiliza para trabalho, mas que apenas é separado da sala da BE/CRE por estantes, havendo por vezes um pequeno ruído de utilizadores em utilização do espaço. No entanto, consideramos que isso não foi impeditivo do bom decurso da entrevista.
É nosso entendimento, que nos três casos se criou um ambiente informal e de abertura, favorável à realização das entrevistas de acordo com o seu objectivo.
Observação Directa
Considerando com Ruquoy (2005) que «o que as pessoas afirmam sobre as suas práticas não é suficiente para revelar as lógicas que as subentendem.» (p. 88), utilizámos também a observação directa para poder verificar e articular as afirmações dos entrevistados com as respectivas práticas, pois «embora a entrevista permita aceder às representações dos sujeitos (quer se trate de opiniões, de aspirações ou de percepções), só de forma imperfeita dá informações sobre as suas práticas.» (idem: 88). Deste modo, com a observação pretendemos confirmar as opiniões dos sujeitos em estudo manifestadas nas respectivas entrevistas (Tuckman, 2005, 524).
No segundo e terceiro períodos, respectivamente, foram feitas duas observações de actividades em cada uma das três escolas estudadas. As actividades a observar foram seleccionadas pelos coordenadores de biblioteca, tendo-lhes sido solicitada a observação
de actividades em que tivessem trabalho colaborativo com professores e preferencialmente, duas actividades que divergissem entre si.
Para a observação preparámo-nos, através da leitura de literatura específica e elaborámos uma tabela de recolha de dados (cf. Anexos 8, 10 e 12).
Nas seis actividades observadas, verificámos que a nossa presença não foi elemento inibidor do decurso da actividade, tendo sido sempre explicada de forma simples pelo coordenador aos alunos: “É uma professora que está a visitar-nos hoje”.