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Colour convention for main morphological grain shape classes

APPENDIX A: GRAIN SHAPE CLASSIFICATION A.1 Main and subclasses of grain shapes

A.2 Colour convention for main morphological grain shape classes

A Região Oeste e Extremo Oeste de Santa Catarina foi colonizada principalmente por filhos e netos de imigrantes europeus vindos do Rio Grande do Sul. A grande maioria destas famílias vieram em busca de terra para se instalar e onde pudessem desenvolver atividades rurais e artesanais. Passaram a viver em comunidades compostas, em sua maioria, por conhecidos e parentes que faziam parte do mesmo grupo migratório. A maior parte das terras era coberta por densas matas naturais e com relevo acidentado, oferecendo solo fértil pela pouca exploração e existência destas matas até o período da ocupação pelos imigrantes (CANCI; BRASSIANI, 2004; CANCI, 2006).

A Região do grande Oeste do estado de Santa Catarina é caracterizada pela agricultura familiar, evidenciada pela diversidade de formas de reprodução social e relação com a natureza. Em 2006 representava 92% das unidades de produção com área inferior a 50 hectares (IBGE, 2006). Compreende 33% da área e da população rural do estado, segundo dados do IBGE, em 2010, possuía 19% da população total de SC, sendo 28% da população residindo no meio rural e que produz 75% do leite do estado (CEPA, 2015).

Fazendo parte da Região do grande Oeste de SC, destaca-se a Região Extremo Oeste Catarinense (REOC), que no ano de 2010 possuía 43,1% dos seus habitantes localizados no meio rural, o que representava quase metade da população (IBGE, 2012), sendo esta uma característica relevante ao avaliar as relações de um sistema agroalimentar. A REOC atualmente é constituída por 21 municípios (Figura 1) com dinâmica essencialmente rural. Conforme o IBGE, em 2014 contava com uma população total de 174.732 habitantes, destes, 59.415 habitantes da população rural (CEPA, 2016).

Figura 1: Localização da Região Extremo Oeste Catarinense (REOC), seus municípios,

estado e país.

Fonte: Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica do Extremo Oeste SC (2016).

A REOC está embasada na produção agrícola familiar, mesmo tendo diminuído a sua população rural como mostram os dados do IBGE, passou de 43% em 2012 para 34,18% em 2014 (CEPA, 2016). Cazella e Capellesso (2015), afirmam que a Região Extremo Oeste Catarinense tem uma agricultura familiar caracterizada pela geração de renda superior a média nacional. Citam a importância do acesso às políticas públicas como ferramenta que promove incentivos na socioeconomia dos envolvidos.

A característica fundiária da região está baseada em pequenas propriedades rurais, em possuidores e proprietários de pequenas áreas de terra. Os estabelecimentos rurais familiares possuem, na maior parte, tamanhos de 10 a menos de 20 hectares de área (IBGE, 2006). E, conforme dados do Atlas de Santa Catarina (2008), apontam que a predominância de trabalho nestas unidades de produção é familiar. A região apresenta relevo montanhoso, e apenas um terço da área é apta para cultivos anuais (WENDLING, 2012). Pela dificuldade da escassa área com condições de se trabalhar os cultivos anuais, muitas famílias se inseriram na produção pecuária, principalmente de aves, suínos e leite. Nessas unidades, o leite desempenha um papel econômico e social relevante. Além disso, a região possui características ambientais favoráveis à atividade leiteira como distribuição regular de chuvas ao longo do ano e temperatura média anual de 28 °C (EPAGRI, 2008).

Dados do CEPA (2015) mostram um crescimento considerável na produção de leite pela agricultura familiar no Oeste e Extremo Oeste do estado nos últimos anos. Tendo uma ascensão muito grande (aumento de 191% de 2000 a 2013) e, em termos de participação, a REOC representa 21,7% da produção no estado de SC (CEPA, 2015). O cenário da região é

considerado muito importante na produção de leite também pelo grande número de empresas de pequeno e grande porte do setor de lácteos que se instalaram na região, fomentando a produção, sendo que em 2009 havia, na REOC, 24 agroindústrias de grande porte, de leite e derivados. Pode-se destacar também como característica da região o surgimento de cooperativas familiares, organizadas e dirigidas pelos agricultores para criar escala de venda do leite e conseguir preços mais justos. Esses dados das propriedades e da produção de leite mostram a importância da atividade no desenvolvimento regional e para a agricultura familiar que nela se insere.

Considerando que no Brasil 84,4% do total de estabelecimentos rurais são representados pela agricultura familiar, a qual possui somente 24,3% da área de terras, onde a agricultura orgânica é praticada por 1,75% do total dos estabelecimentos rurais do país, vê-se a importância da agricultura familiar como produtora de alimentos (IBGE, 2006). O cenário da Região Sul mostra que 1,92% dos estabelecimentos rurais praticam agricultura orgânica, somando um total de 19.276 estabelecimentos (IBGE, 2006). O estado de Santa Catarina tem a maior parte de estabelecimentos orgânicos localizados na Região Oeste. Este fato deve-se, possivelmente, a iniciativas não-governamentais que surgiram na década de 1990, na busca de formas alternativas para viabilizar a sobrevivência das pequenas unidades de produção familiar (OLTRAMARI; ZOLDAN; ALTMANN, 2002).

Considerando o aspecto socioeconômico como parte da ação dos agricultores familiares em busca de melhorias, aponta-se também a região como local de iniciativas importantes sobre a produção de alimentos e produtos orgânicos, com uma grande diversidade de grupos de agricultores, organizados em grupos formais e informais que, no trabalho, envolvem os mais diversos atores. Boa parte desses grupos tiveram início junto aos movimentos sociais do campo, pastorais da terra e grupos de reflexão comunitários, entre outros. Por meio dos grupos locais e comunitários, os atores começaram a se inserir nas organizações estaduais e nas macrorregiões do país.

Um exemplo de inserção desses grupos é a participação dos mesmos na Rede Ecovida de Agroecologia, que tem abrangência nos três estados do Sul e em parte de um estado do Sudeste. Mediante a produção orgânica buscaram meios de conseguir a soberania alimentar, diminuir a dependência de empresas integradoras, práticas poluidoras e, principalmente, começaram a valorização do conhecimento endógeno e cultural sobre as práticas agrícolas e comerciais. Nesse cenário, onde a produção de leite ainda é praticada na região de forma independente (sem integração) com uma crescente produção orgânica na agricultura familiar,

pode-se dizer que o leite orgânico é uma alternativa às práticas produtivistas impostas aos agricultores.

As motivações na direção dos orgânicos na região Oeste e Extremo Oeste de SC são diversas; envolvem desde aspectos econômicos, sociais e ambientais, como apontado por estudos de Honorato (2011) e Lovatel e Gazolla (2017). No caso do leite orgânico, Honorato (2011), em pesquisa realizada na região Oeste de SC, apontou a questão financeira, busca de melhor saúde para a família, qualidade de vida, melhorar as condições do solo e pastagens e o uso de tecnologias próprias, entre outras, como as principais motivações dos agricultores, mesmo o leite não sendo processado como orgânico nos mercados - o que também corrobora com o estudo de Lovatel e Gazolla (2017) sobre a produção e mercados de alimentos orgânicos na região.

As experiências investigadas na região tiveram início nos grupos de reflexão comunitários e nos encontros das cooperativas familiares, que foram formadas para comercializar o leite em conjunto como forma de melhorar a escala de negociação por melhores preços de venda. Essas cooperativas singulares da REOC formaram uma central das cooperativas, a Cooperativa Central da Agricultura Familiar e Economia Solidária (COOPERCENTRAL), formalmente constituída em 2013 para negociar a venda coletiva do leite de forma a barganhar preços melhores e diminuir custos de aquisição de insumos e materiais necessários à produção, negociando a compra e venda de forma coletiva, além de, periodicamente, reunirem-se para discutir aspectos importantes para a agricultura familiar e seus associados, que na maioria são os mais excluídos do processo modernizante da agricultura. Mesmo inseridos em um ambiente coletivo de negociação de compra e venda, o preço, por vezes, não resulta justo, pelos altos custos na produção de leite quando praticada no sistema moderno, de forma dependente das práticas empresariais.

Juntamente com o contexto produtivo, em meados de maio de 2015, surge na região uma rede de entidades e organizações que começa a discutir a organização de toda a cadeia do leite orgânico, em torno do objetivo de promover a produção orgânica de leite e buscar alternativas que viabilize o processamento desse leite de forma separada, específica, para que não seja comercializado sem a diferenciação orgânica, além de articular práticas que viabilizem a produção de leite em pequena escala. Essa trajetória histórica das famílias, instituições e das organizações em torno do leite orgânico, será descrito no Capítulo 4.

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