O paradigma construtivista baseou-se na ontologia relativista, a epistemologia subjetivista monista e na metodologia hermenêutica. Para o paradigma da sustentabilidade, propõe-se compreender diferentemen- te esses elementos, assim descritos no quadro a seguir:
Quadro 1: Ontologia, epistemologia e metodologia do novo paradigma Fonte: Elaboração dos autores
Crença convencional Crença construtivista Crença na sustentabilidade Ontologia realista: existe
apenas uma simples realidade, independente
dos interesses do observador. Opera de
acordo com as leis naturais imutáveis (causa
e efeito).
Ontologia relativista: existem múltiplas realidades construídas
socialmente, não governadas por qualquer
lei natural. A verdade é definida dentro de uma construção em que exista o
consenso.
Ontologia ecológica: existem múltiplas realidades. Realidades construídas socialmente, e realidades não observadas. Os significados e conceitos são estabelecidos a partir
de uma construção que reconhece homem e
mundo observado e complexo em suas redes
de relações. Epistemologia objetivista
dualista: assegura que é possível para o observador
exteriorizar o fenômeno estudado, mantendo a
distância adequada e excluindo qualquer consideração de valor que
possa influenciá-lo.
Metodologia da sustentabilidade: envolve
uma continuidade, interação dialética, análise
crítica e reanálise, e por fim, o compromisso com o
resultado. Metodologia hermenêutica:
envolve uma continuidade, interação dialética, análise
crítica e reanálise. Metodologia
intervencionista: priva o contexto da influência que
pode contaminar o questionamento.
Epistemologia da complexidade: não existe
um investigador e um investigado, mas, tão somente, a avaliação que
acontece através do paradigma da complexidade, em que
atores investigam realidades por eles construídas. Indivíduo e mundo estão interligados em redes muitas vezes não
claras. Epistemologia subjetivista
monista: o investigador e o investigado estão interligados de forma que os achados na investigação
são criações dentro do processo.
ONTOLOGIA ECOLÓGICA
Para Guba e Lincoln, existem múltiplas realidades e essas são construídas socialmente. Para o novo paradigma da sustentabilidade, o ser é social, mas complexo. O ser é complexo porque não é limitado pelas construções, ou seja, ultrapassa a soleira da significação social e aceita o não construído como possível. De forma que todos os vínculos, homem e mundo, devem ser compreendidos como interessados, ou seja, uma rede da vida, tomando emprestado o conceito de Fritjof Capra (1996).
A ontologia ecológica renova o compromisso do avaliador, que na quarta dimensão era a responsabilidade com o processo, para uma responsabilidade mais ampla espacialmente, a rede de vínculos no presente, e temporalmente, a rede de vínculos após a avaliação em si. Se o avaliador original da primeira dimensão de Guba e Lincoln tem seu papel convertido de técnico para especialista em análise de dados qualitativos (sem perder o conhecimento sobre os métodos quan- titativos), na quinta dimensão o avaliador é crítico em sua análise. A análise crítica incorpora o avaliador não apenas no processo de constru- ção, mas, principalmente, no resultado e sustentabilidade dos ganhos.
Na segunda dimensão, o papel do avaliador é convertido de descritor dos objetivos para um historiador. Para Guba e Lincoln, o pa- pel original visava detalhar o atendimento ou não de um objetivo, e na quarta geração o papel de descritor buscava compreender de modo mais completo e complexo o avaliado em um contexto maior. (GUBA; LINCOLN, 1989) O avaliador da quinta dimensão reconhece que a complexidade nasce nele mesmo, e todo contexto analisado é parte de seu próprio paradigma complexo.
Se na terceira dimensão o avaliador tem o papel de julgador e essa perspectiva muda na quarta dimensão para mediador que pro- move o consenso, na quinta dimensão o avaliador debate a decisão que o afetará. Uma metáfora que pode promover clareza é a da tribo, em que se uma decisão precisa ser tomada, a tribo é convocada para juntos debaterem as tantas possibilidades e juntos chegarem a uma resposta que bem ou mal é compromissada por todos. Contudo, tal- vez nessa metáfora o mais relevante seja aprender com o pensamento
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tribal que tudo que fizermos hoje, faremos para nós mesmos ou para aqueles caros a nós. O avaliador da quinta dimensão avança para além do papel de mero descobridor, para além do papel de formador de realidades. O avaliador da quinta dimensão é um construtor implica- do. O construtor implicado é aquele que constrói a própria casa onde irá morar.
O avaliador da quinta dimensão avança para além do papel de controlador, para além do papel de colaborador. O avaliador da quinta dimensão é envolvido. Seu papel antes político, agora é envolvido pela
pólis, tornando-o cidadão responsável.
O avaliador da quinta dimensão avança para além do papel de investigador, para além do papel de aprendiz e professor. O avaliador da quinta dimensão é tranformador-transformado da e pela realidade. Um conceito amplamente discutido por Paulo Freire, o indivíduo centrado na pedagogia da liberdade se reconhece como aquele que transforma o mundo e é, assim, transformado por ele. O mundo mediatiza as rela- ções do indivíduo que se encontra no papel daquele que ensina junto ao indivíduo que aprende. Na pedagogia libertadora de Freire não exis- te hierarquia entre esses indivíduos na construção do conhecimento, pois, a rigor, o conhecimento é sempre construído em relação. Portanto, aquele que pretende transformar, se percebe no fim, transformado pela própria construção. O avaliador da quinta dimensão é envolvido pela construção conjunta e é transformado por ela.
Finalmente, o avaliador da quinta dimensão avança para além do papel de observador passivo, para além do papel de agente da mu- dança. O avaliador da quinta dimensão é um ator êmico. Sua atuação não termina depois de uma fronteira, após um tempo determinado. A cena do ator êmico inclui o sujeito na mudança na decisão, responsa- bilizando-o. Dessa forma, o imperativo de Guba e Lincoln sobre o quanto um sujeito é responsável pela avaliação quando essa é negoci- ada, ganha uma nova perspectiva: o sujeito é responsável pelos resul- tados (eficácia), mas também pela sustentabilidade desses resultados (efetividade).
EPISTEMOLOGIA DA COMPLEXIDADE
Como já foi explicado acima, o conhecimento nesse novo