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4.2 Faciliter la réutilisation des connaissances médicales pour l’explora-

4.2.5 Codes sources et vignette

A última dimensão para análise dos precursores de um comportamento socialmente empreendedor é a perceção da viabilidade da iniciativa. De acordo com o referencial proposto por Naffziger et al. (1994), esta variável era designada como “existência de uma ideia de negócio viável”. Contudo, atendendo à natureza do empreendedorismo social, considerar-se-á a designação “perceção de viabilidade da iniciativa de empreendedorismo social”.

Para Naffziger et al. (1994) a criação de expectativas quanto à viabilidade de um negócio resulta de três dimensões: (i) da própria ideia de negócio; (ii) da relação percebida entre a implementação da ideia e os seus resultados; e (iii) da relação percebida entre as expectativas e os resultados esperados. Acerca da formação das intenções para a criação de uma iniciativa social, Mair e Noboa (2006) destacam a importância da perceção de viabilidade e a desejabilidade da oportunidade social. De um modo similar, Perrini et al. (2010) argumentam que a avaliação de uma ideia

(oportunidade social) resulta da ponderação da mudança que o projeto irá produzir e da sua sustentabilidade económica. Deste modo, poder-se-á considerar a perceção de viabilidade de uma iniciativa de empreendedorismo social como resultado de três elementos: a ideia, a perceção da sua viabilidade e a perceção da sua desejabilidade. No entanto, a ideia é uma condição necessária, embora não suficiente, para a criação de uma iniciativa empreendedora. Algumas ideias evoluem para a criação de um empreendimento, enquanto outras nunca sairão da fase da ‘ideia’ (Naffziger et al., 1994). Desde o trabalho seminal de Shane e Venkataraman (2000) que o conceito de oportunidade é considerado central no comportamento do empreendedor. A oportunidade é vista como um estado futuro desejado, que se considera ser possível de atingir (Austin et al., 2006) e como a presença de uma combinação de circunstâncias favoráveis que tornam possível um determinado curso de ação (Cajaiba-Santana, 2010). Após o reconhecimento da oportunidade, o empreendedor social irá tentar convertê-la num conceito organizacional, mobilizar os recursos e desenvolver as atividades necessárias para que esta possa ser explorada e serem obtidos os resultados pretendidos (Brooks, 2009). Assim, quanto maior for a capacidade de um empreendedor social em identificar oportunidades, maior será a probabilidade de este vir a criar um projeto de empreendedorismo social (Korosec & Berman, 2006; Okpara & Halkias, 2011).

Segundo Austin et al. (2006), a oportunidade poderá resultar do reconhecimento de uma necessidade social já existente (que não está a ser adequadamente satisfeita), ou da identificação de um novo problema social. Tal como sugeriu Schumpeter (1934), as economias operam num constante estado de desequilíbrio, em que alterações nas condições contextuais são passíveis de criar novas oportunidades. É o ‘estado de alerta’ do empreendedor (Kirzner, 1979) que permite que este esteja preparado para lidar com as alterações contextuais. Segundo diversos autores (Alvarez & Busenitz, 2001; Guclu et al., 2002; I. Popoviciu & S. Popoviciu, 2011) este estado de alerta permite: (i) que o empreendedor social preste atenção para as novas oportunidades com impacto social positivo; (ii) possua o discernimento para reconhecer uma oportunidade quando esta se apresenta; e (iii) reconheça e formule as estratégias mais adequadas para a capitalização da oportunidade.

Shane e Venkataraman (2000) assinalam que apesar das oportunidades serem, por si só, um fenómeno objetivo, o seu reconhecimento resulta de um processo subjetivo que

deriva de diferentes convicções que os agentes têm em relação ao valor relativo dos recursos quando convertidos em produtos ou serviços.

O reconhecimento de uma oportunidade poderá emergir de vários elementos:

(i) Algo que cause perturbação no empreendedor social ou que este gostasse de mudar (Guclu et al., 2002; Yunus, 2008);

(ii) Valores pessoais do empreendedor social (Guclu et al., 2002);

(iii) Experiência pessoal e profissional, como a formação, hobbies ou experiências de trabalho (Corner & Ho, 2010; Guclu et al., 2002; Light, 2006a);

(iv) Rede de relações do empreendedor social (Ármannsdóttir, 2011; Dorado, 2006); (v) Características de uma dada comunidade e respetivas estruturas sociais e

institucionais (Light, 2006a; 2008; Mulgan, Tucker, Ali & Sanders, 2007); (vi) Ambiente externo (contexto), que influencia a natureza e o resultado de uma

oportunidade (Austin et al., 2006; I. Popoviciu & S. Popoviciu, 2011).

Como se constata, as oportunidades são uma construção que resulta da interação entre um indivíduo, a forma como este perceciona uma oportunidade e a comunidade que o rodeia (Cajaiba-Santana, 2010; Jack et al., 2008; Trivedi & Stokols, 2011).

Após serem reconhecidas, as oportunidades terão de ser avaliadas e exploradas (Light, 2008). Para Shane e Venkataraman (2000), o empreendedor apenas poderá usufruir de uma oportunidade se esta gerar valor, enquanto para Guclu et al. (2002), uma oportunidade apenas será ‘atrativa’ se tiver o potencial para gerar um resultado que justifique os recursos que a sua exploração exige. De seguida, compete ao empreendedor social encontrar um modelo de negócio que permita explorar a oportunidade de um modo sustentável (Ármannsdóttir, 2011; Light, 2008).

Apesar de os empreendedores estarem dispostos a assumir riscos, a evidência empírica identifica uma relação negativa entre a perceção de risco e a decisão de se iniciar um novo projeto (Hoogendoorn et al., 2010; Smith, Stevens & Barr, 2010). Por consequência, os empreendedores irão, provavelmente abandonar os seus esforços de criação de um negócio se perceberem que não são capazes ou que não irão ser bem- sucedidos. Estrin et al. (2011) constatam que o facto de o indivíduo acreditar que possui as competências necessárias (autoeficácia) e que existe um baixo risco de insucesso está positivamente associado à criação de uma organização socialmente empreendedora.

Outros estudos demonstram que os empreendedores sociais consideram de uma forma mais veemente que o risco de fracasso os impedirá de iniciar um novo projeto (comparativamente com os empreendedores económicos) (Harding & Cowling, 2006; Hoogendoorn et al., 2011). Os empreendedores sociais receiam, para além dos riscos financeiros associados ao insucesso, o estigma resultante do seu fracasso pessoal, designadamente o risco de reputação, honestidade e perda de credibilidade na sua rede de relações pessoais, que segundo Hoogendoorn et al. (2011) são elementos importantes para os empreendedores sociais. O desejo do empreendedor em desenvolver a iniciativa será, portanto, tanto maior quanto maior for a perceção de que a ideia social é viável (Mair & Noboa, 2006) e que a atuação irá produzir resultados positivos num espaço razoável de tempo (London & Morfopoulos, 2010).

A análise do constructo perceção de viabilidade pode ser feita à luz das teorias de personalidade. A literatura sugere a autoeficácia como um dos traços mais importantes, que representa as competências pessoais do indivíduo para lidar de um modo eficiente com uma diversidade de situações stressantes e persistir perante a adversidade, traduzindo a extensão com que o indivíduo acredita que é capaz de desempenhar os papéis e tarefas do empreendedor (Lukeš & Stephan, 2012; Renko, Kroeck & Bullough, 2012). Pessoas com um maior locus de controlo interno, isto é, pessoas que acreditam que através das suas qualidades, competências e esforço podem influenciar um determinado evento, e que os resultados não são determinados por fatores externos tais como a ‘sorte’, terão também uma maior propensão empreendedora (Brooks, 2009; Zwan, Thurik & Grilo, 2010).

Por último, a perceção de que uma iniciativa é desejável ou conveniente influenciará a intenção empreendedora. Para Mair e Noboa (2006) esta perceção é construída com base na leitura que o indivíduo faz sobre as consequências, boas ou más, que o seu comportamento irá proporcionar, e sobre a extensão com que a sua atuação será apreciada por uma comunidade. O facto do empreendedor sentir que o seu esforço é meritório influenciará positivamente a sua propensão para atuar (Ármannsdóttir, 2011; London & Morfopoulos, 2010). Shaw (2004) identifica, através de um estudo qualitativo, que a maioria dos empreendedores sociais reconhece a existência de uma lacuna no fornecimento de serviços ou uma necessidade social não satisfeita, como o principal fator para a criação e desenvolvimento da iniciativa. A sua investigação indica, assim, a identificação e exploração de uma necessidade social não satisfeita como um

motivo-chave para o envolvimento na organização. Porém, o empreendedor social apenas o irá fazer se acreditar que é capaz de reunir os recursos, e planear e executar a estratégia necessária para a produção efetiva de determinados resultados (Ármannsdóttir, 2011; Brooks, 2009; Mair & Noboa, 2006).

As dimensões desejabilidade e exequibilidade propostas por Mair e Noboa (2006) são congruentes com a teoria das expectativas de Vroom (1964). Esta teoria apesar de ser essencialmente um tópico de investigação no campo da motivação laboral e comportamento organizacional, recentemente tem sido aplicada no contexto do comportamento empreendedor (Renko et al., 2012). Para Vroom (1964), a força motivacional, ou seja a quantidade de esforço que um indivíduo irá exercer para atingir os seus objetivos, resulta do produto de dois elementos: (i) o valor ou atratividade atribuída a um objetivo (valência); e (ii) a probabilidade percebida de que o objetivo irá ser alcançado (expectativa). Por outras palavras, a teoria das expectativas de Vroom postula que as ações do indivíduo são conduzidas pelas consequências esperadas, em que a motivação do indivíduo deriva do quão fortemente acredita que um certo nível de esforço conduz a um determinado resultado e do quão atrativo é para si esse resultado. Pelo exposto, e tal como anotado por Fitzsimmons e Douglas (2011), a perceção de desejabilidade está associada ao conceito de valência e a exequibilidade à noção de expectativa de Victor Vroom. Deste modo, quanto maior for a preferência do indivíduo por um determinado resultado (quanto maior a valência ou a desejabilidade), e quanto maior for a expectativa de que as suas ações conduzem ao resultado pretendido (expectativa ou exequibilidade), maior será a força motivacional. Se um destes elementos for nulo, não haverá motivação e, por consequência, não haverá lugar a um comportamento socialmente empreendedor.

3.6 Síntese

Os autores têm afirmado que quando os indivíduos se envolvem no empreendedorismo social o fazem de uma forma intencional (Mair & Noboa, 2006). Interessa, por isso, compreender quais os fatores que os levam a tomarem a iniciativa social e a dedicarem o melhor do seu esforço.

O comportamento do empreendedor e as condições em que é desencadeada a iniciativa social são afetados por um conjunto de fatores, não só de natureza externa como também interna. No plano externo é reconhecida a influência do ambiente sobre a predisposição do empreendedor social, seja pela criação de novas necessidades sociais (ou intensificação dos problemas já existentes), seja pela promoção dos valores associados ao empreendedorismo social, como pela criação de um contexto que propicie a sua prática, ou pela criação de um contexto legal, económico ou tecnológico favorável ao seu desenvolvimento. Ao nível interno são apontadas como relevantes algumas características psicográficas (como os traços pessoais) e demográficas, incluindo a idade, género, formação ou o percurso pessoal e profissional do indivíduo, que condicionam as suas escolhas e ações futuras. A par do estímulo que estes elementos exercem, os empreendedores quando se envolvem num projeto social fazem-no tendo em mente determinado(s) propósito(s) que gostariam de alcançar. Os investigadores reconhecem a preponderância do desejo de criar valor social na decisão de envolvimento ao empreendedorismo social, muito embora admitam a presença de outros motivos, de caráter pessoal.

A consciência de que o modelo idealizado para dar resposta a uma questão social será verdadeiramente capaz de criar valor social numa área desejada (quer pelo indivíduo, quer pela sociedade) contribui positivamente para a formação da sua decisão.

A compreensão dos fatores que contribuem para a adoção de um comportamento socialmente empreendedor envolve, assim, em paralelo com uma análise do perfil do empreendedor uma abordagem contingencial, onde se avalie as suas experiências pessoais e profissionais anteriores, os objetivos que pretende alcançar, toda a envolvente externa que rodeia e a viabilidade percebida pelo indivíduo.

Conhecer o que leva um indivíduo a atuar como empreendedor social implica, por isso, compreender de uma forma holística os múltiplos vetores que concorrem para a formação das suas intenções. Muito embora se tenha examinado cada uma dessas dimensões de uma forma isolada, na realidade estas encontram-se intrinsecamente relacionadas, configurando um quadro de análise capaz de explicar a adoção de um comportamento socialmente empreendedor.