Após a realização das oficinas de formação com os professores, demos início à etapa seguinte da ação cultural, que consistiu no desenvolvimento e acompanhamento das atividades com os alunos.
Esta etapa se iniciou no dia 1 de agosto e foi até 6 de outubro de 2017, período equivalente a pouco mais que um bimestre no calendário letivo da escola, em que os alunos e professores puderam apreciar e estudar as músicas de Carlos Zens de diversas formas, demonstrando resultados variados em suas produções. Poderão ser notados variações, nos modos de colaboração e produção de cada professor.
Para estruturação dessa parte, resolvi ordenar a descrição das atividades de acordo com os turnos matutino e vespertino, mais os depoimentos dos professores(as) complementando-as algumas análises teóricas pontuais, de acordo com a relevância dos elementos que emergirem da pesquisa.
Pelo turno da manhã, houve a colaboração de 11 professores, sendo 07 professoras pedagogas, das turmas do 1° ao 5° ano; 01 professora da biblioteca, 01 professora de recursos multifuncionais para alunos especiais, 01 professora de ensino religioso e 01 educador musical.
No vespertino, também houve a colaboração de 11 professores, sendo 08 pedagogas das turmas do 1° ao 5° ano; 01 professora da biblioteca, 01 de educação física e 01 educador musical.
Sobre a dinâmica de ensino, é uma característica da escola pública de ensino fundamental I, a presença de uma única professora pedagoga por turma, que atua de forma multidisciplinar, ministrando noções básicas em diferentes disciplinas, como português,
matemática, história, geografia e biologia, diferentemente dos professores de disciplinas específicas, como música, ensino religioso e educação física, que trabalham a mesma disciplina em várias turmas. Com isso, consequentemente, as professoras pedagogas trabalham cotidianamente com os mesmos alunos, exercendo maior influência na sua aprendizagem. Cabe aqui ressaltar, que a maioria das professoras passaram a utilizar o recurso da música como som ambiente para a realização das atividades cotidianas.
Destaco também uma atividade registrada, cotidianamente, no espaço escolar, que perpassou todas as turmas, que foi a utilização de um aparelho de som da escola, tocando músicas de Carlos Zens, durante o horário do intervalo para os alunos no pátio. Todos os dias uma das professoras, ou alguém da secretaria, ligava o som em volume ambiente e o colocava na janela da sala da secretaria que dá para o pátio da escola. Ali, os alunos faziam suas refeições e brincavam ao som ambiente das músicas de Carlos Zens. A professora também variava os CDs do artista.
Em observações e conversas pude perceber que a maioria das crianças gostavam da presença da música ambiente, sabiam que se tratava da obra de Carlos Zens, mas não se concentravam para apreciar as músicas, pois preferiam brincar e conversar, algo totalmente compreensível, devido ao curto tempo de 20 a 30 minutos de intervalo. Mesmo assim, após as primeiras semanas do projeto na escola, pude observar alguns alunos cantando e dançando as músicas mais conhecidas que estavam sendo trabalhadas em sala de aula durante o recreio. Isso leva a perceber o reconhecimento e a afinidade que os alunos estavam desenvolvendo pelas músicas, ao ponto de não haver registros de reclamações sobre a música nesse período, mas sim com interações positivas por parte dos alunos.
Também criei um banner para exposição da imagem de Carlos e da ação cultural no espaço escolar (Figura 9), o banner ficou fixado numa parede do pátio, a lado da placa de bronze com informações sobre a construção do prédio, bem visível a todos que circulam pela escola. Esse banner funcionou como uma bandeira para o projeto, ajudando a divulgar e informar a comunidade escolar sobre a novidade. Vale destacar nesse ponto, o auxílio financeiro da gestão da escola que me ajudou a custear a impressão do banner.
Fonte: Acervo pessoal
Analisando a imagem do banner, procurei destacar a figura do estado e da bandeira do Rio Grande do Norte justamente para facilitar o entendimento sobre a valorização da cultura Potiguar. Utilizei, com a devida autorização, a imagem da capa do CD Pescador de Sons de Carlos Zens, seu trabalho mais recente, onde ele, em pé e descalços no ambiente do mangue do rio Potengi, principal rio da cidade de Natal, segura uma rede de pescar com vários instrumentos musicais dentro. Para mim, essa imagem retrata a ligação do artista com a natureza, com a diversidade musical e com sua terra natal. Enviei o banner a Carlos antes de enviar para impressão, para que o mesmo sugerisse modificações e autorizasse o processo.
3.3.1 Atividades do turno matutino
3.3.1.1 Atividades do educador musical das turmas do 3° ano “A” e 5° ano “A”
O educador musical do turno matutino, professor Artur, trabalha apenas com as turmas do 3° ano “A” e 5° ano “B”. Sobre planejamento das aulas para o Música Potiguar na Escola, o professor afirmou que: “basicamente todas as atividades são parecidas ou
iguais para as duas turmas”. No primeiro horário, o professor começava com a turma do 5° ano “B” e, após o intervalo, seguia para a turma do 3° ano “A”.
O professor foi um dos primeiros a iniciar os trabalhos em sala de aula, logo a partir do dia 01 de agosto. A primeira aula começou com o professor apresentando o projeto aos alunos, em ambas as turmas. Ele explicou o significado da palavra potiguar e apresentou o músico que seria homenageado, Carlos Zens.
O professor fez, então, um momento de apreciação musical da música Calango da Praia/Araruna (2014), utilizando o seu celular ligado a uma caixa de som portátil da escola. Explicou a turma que o ritmo característico da música é o maxixe, e também que Calango da Praia, trata-se de uma composição de Carlos Zens, e Araruna é uma composição de domínio público. Essa música recebeu homenagem in memoriam ao Mestre Cornélio Campina, fundador do grupo de tradição Araruna, no bairro das Rocas, em Natal.
Alguns alunos demonstraram animação ao ouvirem a música. Outros acompanharam com palmas e aos poucos, espontaneamente, foram aprendendo a cantar a letra da música.
Em seguida, conversaram um pouco sobre os animais ao quais a música faz referência, o Calango e a Araruna. Identificaram que o calango se trata de um réptil, comumente conhecido como lagartixa, e que a araruna é um pássaro de cor preto comum na região do Nordeste.
Depois, o professor copiou a letra da música no quadro e pediu que os alunos copiassem em seus cadernos para ajudar a memorizar a letra e exercitar a escrita. Além disso, o professor Artur, demonstrando seus talentos nas artes visuais, fez um desenho de um calango no quadro para que os alunos utilizassem como modelo para desenhar também, assim que terminassem a letra da música.
É importante salientar que o professor Artur, além de músico, também é um excelente artista visual, portanto, praticamente em todas as suas aulas, apesar do foco ser direcionado para a música, sempre estava presente algum desenho para ilustrar a atividade.
Figura 7: Letra da música Calango da Praia/Araruna
Calango da Praia/Araruna – Carlos Zens/DP – In memorian ao Mestre Cornélio Campina Calango vem
Calango vai Calango fica Calango sai (bis)
Araruna
Eu tenho um pássaro preto, araruna Que veio lá do sertão, araruna (bis) Xô, xô, xô araruna
Xô, xô, xô araruna Xô, xô, xô araruna
Calango calango ligeiro Calango calango faceiro (bis) Calango corre sobe
O morro bem ligeiro Eu já vi calango aceso “subi paia” de coqueiro
Não deixa ninguém te pegar
Fonte: Carlos Zens (2014)
Na semana seguinte, o professor relembrou aos alunos que a escola estava trabalhando com a ação cultural Música Potiguar na Escola, e organizou a turma para irem à sala de informática, para assistirem vídeos de Carlos Zens. Na sala de informática, os alunos ficaram sentados nas cadeiras, o professor utilizou o projeto e o aparelho de som e colocou o vídeo da música Calango da Praia/Araruna (2014). Apreciando o vídeo, os alunos puderam visualizar o próprio Carlos Zens tocando sua flauta transversal, bem como os demais músicos e instrumentos, como o violão, a sanfona, o cabixi e o tambor. Os alunos cantavam e se balançavam na cadeira, enquanto assistiam ao vídeo.
Após essa atividade, a turma retornou para a sala de aula e o professor Artur escreveu no quadro quatro perguntas para os alunos copiarem e responderem em seus cadernos:
1. Quais foram as suas impressões em relação ao artista Carlos Zens? 2. Quais os instrumentos musicais presentes na banda?
3. O que você achou das músicas?
4. Quais as suas maiores expectativas em relação à apresentação de Carlos Zens na E. M. Ivonete Maciel?
Registrei algumas das respostas escritas nos cadernos pelos alunos:
1. “Canta muito bem, sempre mantém o sorriso no rosto”; “Uma pessoa sempre alegre”; “Que ele é um senhor bem legal”;
2. “Caxixi, violão, tambor, flauta transversal e sanfona”
3. “Legais e divertidas”; “Boa, ótima, leve e sensacional”; “Muito boa e divertida e cada uma das músicas tem um significado”
4. “Que será uma honra receber em nossa escola e fico feliz. Venha. As músicas são muito boas.”
Analisando a realização dessa atividade, foi uma ideia que ajudou os alunos a elaborarem e escreverem suas primeiras opiniões sobre a obra do artista que estavam conhecendo, fornecendo as primeiras impressões sobre a obra musical apresentada. Em
suas respostas demonstraram afinidade e simpatia pela figura do artista, considerando-o uma pessoa de boa índole. O reconhecimento dos instrumentos e as impressões sobre a música demonstram o desenvolvimento do ouvido crítico dos alunos.
Nas duas semanas seguintes, ou seja, as duas aulas acabaram não ocorrendo devido a uma paralisação nacional de luta dos servidores públicos e, na semana seguinte, por causa de problemas de saúde do professor Artur.
Nas duas semanas seguintes, houve imprevistos e as atividades foram retomadas no final de agosto. O professor Artur, propôs às turmas a criação de um jogo da memória com os elementos presentes nas músicas de Carlos Zens. Dividiu a turma em grupos de 06 alunos, para que cada grupo desenhasse e recortasse em cartolina pelo menos 05 pares diferentes de cada imagem referente à obra do artista. O professor pediu para os alunos identificassem os elementos para a confecção do jogo da memória, com isso, apareceram: o triângulo, a flauta transversal, a sanfona, o caxixi, o calango, a araruna e o arapuá. Com isso, o professor desenhou cada um dos elementos no quadro para que os alunos pudessem utilizar de modelo para seus desenhos:
Figura 8: Ilustrações para confecção do jogo da memória
Fonte: Acervo pessoal
Enquanto faziam a atividade, o professor ajudava os alunos, dando dicas de desenhos e tocando a música Calango da Praia/Araruna no violão, por algumas vezes. Após cada grupo terminar seu jogo da memória, o professor pediu que os grupos trocassem os jogos entre si e que brincassem com a produção de outro grupo, quando se deu um
momento muito rico de compartilhamento.
Enquanto os alunos jogavam, o professor ia chamando grupo por grupo para executarem uma prática com os instrumentos de bandinha rítmica da escola (tambor, agogô, claves e triângulo). Cada aluno executava um ritmo simples, acompanhando a música Calango da Praia tocada pelo professor no violão. Como havia poucos instrumentos, cada grupo tocava a música uma ou duas vezes, depois paravam e cediam espaço para o grupo seguinte, o que encurtava a duração da prática. Observei que alguns alunos ficaram bastante animados pela prática, outros demonstravam indiferença e alguns poucos preferiram não tocar. Ao final da aula, o professor guardou os jogos de memória produzidos pela turma para, em outro momento, expô-los no Espaço Cultural Música
Potiguar na Escola.
Na semana seguinte, já em setembro, o professor explorou a temática da diversidade dos gêneros musicais, reinterpretando a música Calango da Praia/Araruna. No quadro o professor escreveu: “Vamos cantar as músicas Calango da Praia/Araruna em ritmos diferentes, qual você gostou mais?” O professor, então, foi perguntando aos alunos alguns gêneros musicais conhecidos. Surgiram: reggae, pop, funk, rap e rock. Conforme os alunos iam falando os gêneros musicais, o professor tocava no violão uma versão diferente da música, referente a cada gênero identificado. Foi um momento divertido, em que os alunos achavam engraçado a maneira que cada versão soava.
Em seguida, o professor Artur perguntou aos alunos quais eram as características humanas por trás desses gêneros musicais. Ele desenhou no quadro a figura de três calangos: um vestido com roupas de reggae, onde os alunos identificaram o cabelo
dreadlocks, a touca e o instrumento contrabaixo como características deste gênero; um
outro calango vestido com rapper, os alunos identificaram características como roupas folgadas, correntes e o microfone; e, por último, um calango fêmea, maquiada, com uma coroa, vestida de princesa e também com um microfone, representando, segundo os alunos, o gênero pop. Por último, o professor pediu que cada aluno desenhasse o calango de acordo com o gênero musical que lhe agradasse.
Fonte: Acervo pessoal
Analisando essa atividade, creio que ela cumpriu bem o objetivo de apresentar outros gêneros musicais para os alunos, aproximando-se da realidade deles, pois foram os próprios alunos que citaram os gêneros musicais com os quais estão mais familiarizados, eles ainda se divertiram explorando as diferentes sonoridades de cada gênero com a ajuda do professor. Destaco também, o estudo das características socioculturais que compõem cada gênero musical, o professor conduziu os alunos a refletirem sobre os estereótipos musicais. Os alunos também tiveram a oportunidade de exercitar a escrita e o desenho, durante a aula de música.
Essa prática desenvolvida pelo professor Artur, explorando diferentes arranjos das músicas e diferentes gêneros musicais, de acordo com Penna e Marinho (2005), levam o aluno ao contato direto com o fazer musical, pois explora toda a musicalidade internalizada.
Ao se lançar ao desafio da criação de um rearranjo, o aluno tem a possibilidade de internalizar toda sua criatividade, bem como a bagagem musical que traz consigo, proporcionando a abertura de novos horizontes e situações. Essa prática revela-se mais produtiva quando são selecionadas músicas que remetam a temas: músicas que se relacionem com vivências pessoais ou com temáticas culturais, isto é, com temas que se ligam ao imaginário social (PENNA e MARINHO, 2005).
Para a educação musical no ensino básico, que o processo do rearranjo facilita o diálogo entre o popular e o moderno, aproximando os elementos da cultura popular para o contexto do cotidiano cosmopolita da periferia. A partir dessa estratégia, a cultura popular se adapta à contemporaneidade, através de inovações e modificações em suas características, mas sem perder a sua essência, preservando-se ao longo do tempo.
nova, Natal das Dunas Brancas (2014), tocada no ritmo de sambareggae. O professor copiou a letra da música no quadro, em seguida, tocou no violão para os alunos e praticaram o canto coral em uníssono para aprenderem a melodia. Após esse momento, o professor Artur pediu que os alunos copiassem a letra da música em seus cadernos e fizessem um desenho sobre uma das cenas contidas na música.
Figura 10: Letra da música Natal das Dunas Brancas
Natal das Dunas Brancas “Natal eu amo você!” – Carlos Zens
Natal das dunas brancas Que acorda cedo A claridade do sol No meu aconchego
A fortaleza dos Reis Magos Os Três Reis do Oriente Minha Noite do Sol Minha estrela cadente
Olhando o Potengi, Lindo céu contemplo, Um belo por-do-sol No entardecer reluzente, As xanas são meninas Nos canteiros permanentes Encantos de jardins No coração da gente. “Natal, eu amo você, Eu quero te ver linda Tô louco pra te ver” Fonte: Carlos Zens (2014)
Enquanto copiavam, o professor foi conversando com a turma, explorando o conteúdo da letra. Perguntou aos alunos se eles conheciam as referências presentes na letra, todos identificaram que a música faz várias referências a cidade de Natal. Seguiu-se uma conversa sobre os lugares que eles já conheciam e não haviam conhecido ainda. Houve uma boa participação da turma. Durante a observação participante, falei que pela janela da sala, os alunos podiam observar as dunas que cercam o próprio bairro onde moram e também as flores xanana espalhadas pela praça ao lado da escola, elementos retratados na letra da música. A importância dessa música para o conhecimento e valorização do patrimônio material, imaterial e natural de Natal na escola será mais detalhada nos tópicos seguintes.
Aproximando-se o fim do mês de setembro e, consequente, o final da etapa das atividades em sala de aula, o professor Artur praticou o canto coral em uníssono das duas músicas aprendidas com ambas as turmas. Após a prática vocal, na turma do 5° ano “A”, o professor confeccionou junto com os alunos uma faixa de boas-vindas para Carlos Zens. Os alunos se reuniram em duplas, cada uma desenhou e recortou as letras para compor a faixa coletivamente, que, posteriormente, ficou exposta na entrada do espaço cultural.
No 3° ano “A”, confeccionaram caricaturas de Carlos Zens em seus cadernos, seguindo o modelo feito pelo professor. Posteriormente, a caricatura do professor fora
utilizada como decoração no palco do evento de culminância.
Figura 11: Caricatura de Carlos Zens e faixa de boas-vindas
Fonte: Acervo pessoal
Na última semana de aulas sobre o projeto, o professor fez uma composição coletiva em homenagem ao artista, com a turma do 5° ano “A”. Primeiro, o professor apresentou o conceito de brainstorm14 para a turma, e começou a explorar palavras para compor a música junto com os alunos. Surgiram palavras como: flauta, boina, amor, alegria, mágica, varinha de condão. Com isso, o professor foi escrevendo a música no quadro e criando em conjunto com os alunos. Os alunos cantaram a música junto com o professor, que acompanhou no violão:
Figura 12: Transcrição da composição coletiva sobre Carlos Zens
A Flauta mágica de Carlos Zens – Composição da turma do 5° ano “A”
Ô Carlos ZEns, O que é que tens? Qual a magia em teu som?
Toda vez que a flauta toca Traz um toque de magia
Traz amor e alegria, Traz poder e simpatia
Da sua boina, o que tira? Um coelho encantado?
Um calango avexado? Um fuxico bem contado.
A flatua de condão Canta bela melodia Vem suave, assobia Dia e noite, noite e dia.
Fonte: Acervo pessoal
Ao longo dessa etapa, o professor introduziu a obra do músico para os alunos e,
paulatinamente, foi incentivando os mesmos a exercitarem a criatividade, direcionando-a para a produção de textos, desenhos e, por fim, uma música para homenagear o artista. Com isso, o professor planejou apresentar essa música com os alunos do 5° ano “A” no evento de culminância e o canto coral com os alunos do 3° ano “A”.
Posteriormente, em entrevista com o professor Artur, conversamos sobre essa etapa de atividades em sala de aula:
PESQUISADOR: Gostaria que você falasse sobre as contribuições que esta etapa trouxe para sua prática como educador musical.
ARTUR: Eu acho que o projeto conseguiu mostrar pra mim, como professor, um belo repertório de o que fazer em sala de aula, porque muitas vezes a gente quando vai planejar fica pensando: e aí o quê que eu faço? Em um sentido amplo, o quê que eu faço com as condições que são oferecidas pra mim como profissional? O que que eu faço com os conhecimentos que eu tenho? E eu acho que esse projeto é um bom norte para saber o que fazer mesmo, o quê que eu posso fazer. É uma boa vertente, um bom pensamento que ocupa o tempo de uma forma bem otimizada.
PESQUISADOR: E como é que você avalia a resposta dos alunos?
ARTUR: Sem buscar romantizar muito, alguns deles, a maioria na verdade, eu percebi mudanças, percebi que eles se envolveram, mas acho importante também frisar que alguns deixaram passar, alguns dos alunos que a gente abordou esse projeto eu vi que [gesto de desinteresse] sabem quem é Carlos Zens, mas não foi uma mudança de vida... Mas vários deles eu vi que realmente vão guardar esse momento. Eu percebi isso quando foi faltando uma semana pra finalizar o projeto, eu vi que alguns estavam sem saber direito o que é que estava acontecendo, mesmo com muitos também estando antenados [risos]. E é basicamente isso, acho que não tem como pegar 100% de todos, mas acho que 70% ou 80% das turmas que eu trabalhei, se vc chamar pra conversar, eles vão