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CMDMDL Statement

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E se a educação é um desses meios, entre as representações que pudemos constatar através dos desenhos, identificamos também alunos que trouxeram a cultura africana e sua influência na cultura brasileira. Imagens de máscaras africanas, rodas de capoeira, a influência da música e da culinária também apareceram. Ainda que sejam poucos os questionários que apontaram para essas representações positivas do continente africano, eles sinalizam que o trabalho diferenciado em sala de aula, a partir de uma perspectiva menos eurocêntrica e mais multiculturalista, já vem trazendo resultados positivos.

Por fim, a última questão a ser analisada nesse trabalho é a questão 21, que afirmava que “Patrícia Moreira, Fernando Ascal, Éder Braga e Rodrigo Rychter, torcedores do Grêmio identificados cometendo atos de injúria racial contra o goleiro Aranha, do Santos, que foi chamado de macaco, no dia 28 de agosto de 2014 em

QUESTIONÁRIO N°241 QUESTIONÁRIO N°174

duelo da Copa do Brasil, tiveram o processo suspenso. O quarteto seria julgado, podendo pegar de um a três anos de detenção ou ainda pagamento de multa. Agora, apenas comparecerão a uma delegacia de polícia em dias e jogos do Grêmio uma hora antes do evento e sairão uma hora depois. A pena a que os torcedores foram submetidos foi branda demais, posto que a impunidade em casos como esse favorece a continuidade de casos de racismo em todo Brasil”.

Essa questão tem o objetivo de verificar de que forma os alunos se relacionam com as práticas de racismo no Brasil. Com já afirmamos em outros momentos dessa dissertação, o racismo aparece quase que naturalizado em nosso país, misturado com uma cordialidade que dá um tom de brincadeira a atos e falas preconceituosos. Não é o caso do que se relata acima. O que vemos ali é um ato explicitamente racista e que foi punido de forma muito branda, demonstrando inclusive o descaso com que os órgãos competentes tratam esse tipo de crime no Brasil.

Do total de participantes, 71.5% concordou ou concordou totalmente com a afirmação, 16.1% não soube opinar e 12.4% discordou em alguma medida. Separados por raça / cor ou escola pública / privada, os resultados ficaram bastante semelhantes aos obtidos somados todos os participantes. Entre os alunos de escola pública 68.2% concordaram em alguma medida com o enunciados. Entre os alunos de escola particular esse percentual sobre para 75.2%. Os que discordaram em alguma medida com a afirmação foram 13.6% na escola pública e 11.1% na privada e os que não souberam responder foram 18.2% nas escolas estaduais e 13.7% nas particulares. Já entre brancos e negros, o percentual foi exatamente igual entre os que concordaram em alguma medida com a afirmação: 72.2%. Os que não concordaram ou discordaram totalmente somaram 11.7% entre os brancos e 11.1% entre os negros e os que não souberam responder foram 16.1% entre os brancos e 16.7% entre os negros.

72% 12%

16%

Concordo/Concordo totalmente Discordo / Discordo totalmente Não sei

GRÁFICO 58 - Questão 21: Patrícia Moreira, Fernando Ascal, Éder Braga e Rodrigo Rychter, torcedores do Grêmio identificados cometendo atos de injúria racial contra o goleiro Aranha, do Santos, que foi chamado de macaco, no dia 28 de agosto de 2014 em duelo da Copa do Brasil, tiveram o processo suspenso. O quarteto seria julgado, podendo pegar de um a três anos de detenção ou ainda pagamento de multa. Agora, apenas comparecerão a uma delegacia de polícia em dias e jogos do Grêmio uma hora antes do evento e sairão uma hora depois. A pena a que os torcedores foram submetidos foi branda demais, posto que a impunidade em casos como esse favorece a continuidade de casos de racismo em todo Brasil. Números totais

Fonte: A autora. 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00%

Escolas Públicas Escolas Par culares

Concordo / Concordo totalmente Discordo / Discordo totalmente Não sei GRÁFICO 59 - Questão 21: Patrícia Moreira, Fernando Ascal, Éder Braga e Rodrigo Rychter, torcedores do Grêmio identificados cometendo atos de injúria racial contra o goleiro Aranha, do Santos, que foi chamado de macaco, no dia 28 de agosto de 2014 em duelo da Copa do Brasil, tiveram o processo suspenso. O quarteto seria julgado, podendo pegar de um a três anos de detenção ou ainda pagamento de multa. Agora, apenas comparecerão a uma delegacia de polícia em dias e jogos do Grêmio uma hora antes do evento e sairão uma hora depois. A pena a que os torcedores foram submetidos foi branda demais, posto que a impunidade em casos como esse favorece a continuidade de casos de racismo em todo Brasil. Resultados a partir do critério de classificação tipo de escola

GRÁFICO 60 - Questão 21: Patrícia Moreira, Fernando Ascal, Éder Braga e Rodrigo Rychter, torcedores do Grêmio identificados cometendo atos de injúria racial contra o goleiro Aranha, do Santos, que foi chamado de macaco, no dia 28 de agosto de 2014 em duelo da Copa do Brasil, tiveram o processo suspenso. O quarteto seria julgado, podendo pegar de um a três anos de detenção ou ainda pagamento de multa. Agora, apenas comparecerão a uma delegacia de polícia em dias e jogos do Grêmio uma hora antes do evento e sairão uma hora depois. A pena a que os torcedores foram submetidos foi branda demais, posto que a impunidade em casos como esse favorece a continuidade de casos de racismo em todo Brasil. Resultados a partir do critério de classificação raça/cor

Fonte: A autora.

Esses resultados são importantes porque demonstram que a maior parte dos alunos reconhece atos explícitos de racismo e também concorda que as punições que até então são aplicadas para esse tipo de crime são brandas demais e pouco eficazes no seu combate. Por outro lado, é preciso problematizar essa pesquisa num contexto mais amplo.

Analisando as representações construídas sobre o continente africano, seu povo, sua história e sua cultura, as respostas obtidas quando os alunos foram questionados a respeito das cotas raciais ou sobre religiões de matrizes afro- brasileiras e africanas, ficamos nos perguntando se teríamos resultados tão contundentes contra o racismo se tivéssemos colocado uma situação daquelas em que o preconceito racial se maquia e se camufla, por trás da cordialidade do nosso povo “mestiço”. Ficamos aqui em falta com essa questão, pois não poderemos respondê-la apenas com base em suposições.

De qualquer forma, reiteramos o papel da escola nesse sentido: nas instituições de ensino é importante e urgente combater o racismo, porém é necessário erradicá-lo nas suas mais variadas formas, especialmente naquelas mais

veladas, travestidas de brincadeiras e piadas, que por vezes passam despercebidas, mas que são igualmente dolorosas e cruéis. A mudança no trato dos conteúdos relacionados à história e cultura afro-brasileira e africana bem como a ampliação do espaço reservado a esses temas no currículo se mostram como estratégias úteis nessa tarefa.

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