As pesquisas realizadas através da internet nos repositórios das várias universidades resultaram na identificação de dissertações da autoria de vários agentes educativos, abordando tópicos relacionados com esta problemática, ainda que com focos diversos. Assim, como resultado das pesquisas, apresentaremos, de seguida, esses estudos que se inserem na linha de investigação “Avaliação: sistemas, processos e agentes” e, também, as suas principais conclusões.
O trabalho intitulado Concepções e práticas de avaliação das aprendizagens de professores do 1.º ciclo do ensino básico: Três estudos de caso realizado por Joaquim Lalanda Roseiro Boavida e apresentado em 1996, na Universidade Católica Portuguesa, conclui que as três professoras entrevistadas apesar de defenderem a prática da avaliação formativa, as suas práticas pedagógicas continuavam a ser ditadas pela valorização da avaliação sumativa e dos seus resultados.
Um outro estudo apresentado em 2006, na Universidade de Lisboa por Rodrigo Pereira Gomes - Concepções e práticas de avaliação de professores do 1.º ciclo, ensino básico, sublinha que:
Dos resultados obtidos poderemos concluir que a avaliação das aprendizagens é um processo complexo que suscita muitas interrogações, dúvidas e incertezas, quer no domínio teórico, quer no das práticas. As conceções e práticas predominantes, nas formas de avaliar os processos e resultados de aprendizagem, permanecem quase inalteradas. O que se faz é, sobretudo, ditado pela experiência profissional sendo notória a ausência de um quadro teórico de referência que aponte caminhos e ajude a fundamentar as várias decisões que vão sendo tomadas. Os professores manifestam relativa insegurança nesta área. (p. i)
Neste estudo, sustenta-se a complexidade do ato avaliativo e a ausência de um quadro teórico que permita aos docentes justificar as suas práticas pedagógicas a fim de alcançarem a finalidade suprema da educação: o sucesso escolar dos alunos. Esta situação é geradora de alguma insegurança para os professores.
Na Universidade de Lisboa, em 2008, com o título Dez anos de investigação em avaliação das aprendizagens: Reflexões a partir da análise de dissertações de mestrado, Carla Maria Lopes Martins apresenta os seguintes resultados do estudo:
Os resultados desta investigação evidenciam que a maioria dos estudos tiveram como objetivo o estudo das conceções e práticas de avaliação de professores ou apenas as práticas de avaliação. No entanto, a principal fonte de informação foi baseada em entrevistas a professores, com pouco recurso à observação de aulas.
Desta forma, na grande maioria dos estudos as práticas de avaliação dos professores não foram efetivamente observadas. O contexto disciplinar mais utilizado tem sido o da disciplina de matemática, sendo o secundário o nível de ensino mais estudado. O estudo demonstrou ainda que o primeiro ciclo foi o nível de ensino menos investigado. (p. i)
Neste estudo constatamos que o 1.º Ciclo do Ensino Básico continua a ser o nível de ensino menos investigado e que o contexto disciplinar mais utilizado tem sido a matemática, o que nos leva a concluir que as restantes áreas disciplinares ainda carecem de mais investigação.
Na investigação realizada por Ana Sofia Pereira Gomes Estêvão e que originou o trabalho A participação de alunos do 1.º ciclo no processo de avaliação em aulas de matemática apresentado em 2009, na Universidade de Lisboa, a autora afirma o seguinte:
O estudo permitiu concluir que há uma relação evidente entre as práticas de avaliação e a participação dos alunos na avaliação das aprendizagens e que as conceções dos professores e alunos sobre a avaliação também influenciam a participação destes na avaliação das aprendizagens. A participação dos alunos na avaliação das aprendizagens em Matemática revela-se através das interações estabelecidas entre os próprios alunos e entre os alunos e o professor no processo de ensino-aprendizagem. (p. ii)
Esta investigação salientou a importância dos alunos participarem na avaliação das aprendizagens, negociando e apropriando-se dos critérios de avaliação. Quando há este conhecimento tácito dos critérios de avaliação, todo o processo torna-se explícito para os intervenientes no mesmo.
No trabalho Avaliação da fluência de leitura oral em alunos de 2º ano do 1º ciclo de Flora Saudan Correia Tristão, apresentado em 2009 na Universidade de Lisboa, a autora chegou às seguintes conclusões:
dados de dispersão da turma permitem tecer algumas considerações e sugere-se a aplicação dos procedimentos a uma amostra representativa da população para o estabelecimento de normas portuguesas de fluência de leitura oral. Relativamente à correlação entre variáveis verificou-se uma correlação significativa entre a velocidade de leitura e a qualidade na leitura. A avaliação global da leitura pela professora também se mostrou significativamente correlacionada com as variáveis de velocidade de leitura e a qualidade de leitura. (p. iii)
A investigação de Maria Raquel Marques Pedro Monteiro apresentada na Universidade Aberta em 2010, com o título O teste em duas fases e o relatório escrito na avaliação das aprendizagens em Ciências Naturais - 3º Ciclo do Ensino Básico, evidencia o seguinte:
Os resultados mostraram que a proposta avaliativa, que incluiu uso de instrumentos alternativos de avaliação, promoveu o desenvolvimento de competências cognitivas como pesquisa, comunicação, raciocínio e metacognição. Os resultados indicaram, também, que foram desenvolvidas certas competências sociais, nomeadamente de responsabilidade, compromisso, autonomia, respeito, empenho, entreajuda e convívio. Há fortes evidências de que ocorreu trabalho colaborativo e cooperativo durante a consecução dos trabalhos no âmbito dos relatórios escritos. O estudo aponta para que a diversidade de cenários de aprendizagem pode ter contribuído para tornar as aulas de Ciências Naturais e a ciência, de um modo geral, mais atraentes e ainda que as conceções dos alunos sobre ciência se tornaram mais próximas das suas realidades e mais humanizadas. (p.ii)
Nesta investigação, releva-se a ideia que os instrumentos alternativos de avaliação promovem o desenvolvimento de competências cognitivas e sociais e que a diversidade de cenários poderá contribuir para que as aulas se tornem mais atraentes e mais próximas dos alunos.
No estudo realizado por Paulo Agostinho Lourenço Dias, Práticas de avaliação formativa na sala de aula: regulação e feedback, apresentado em 2011 na Universidade Aberta, são indicados os seguintes resultados:
Em síntese, os resultados revelaram que, sob o ponto de vista dos alunos, avaliar é identificar o que se aprendeu e como se aprendeu e serve para os professores reconhecerem quais os alunos que têm dificuldades de modo a poderem ajudá-los a ultrapassá-las. As evidências encontradas indicam que o teste em duas fases, o relatório e o trabalho desenvolvido na wiki contribuíram para os alunos melhorarem as aprendizagens, para realizarem novas aprendizagens, para desenvolverem as competências gerais e específicas propostas pelos Programas de Português do Ensino Básico e ainda para desenvolverem competências sociais e tecnológicas. (p. i)
Neste estudo, constatamos a conceção de uma avaliação que assiste às aprendizagens através de instrumentos alternativos de avaliação e das novas tecnologias. Este trabalho com os alunos permitiu que os mesmos melhorassem a sua aprendizagem e refletissem sobre a mesma através das estratégias metacognitivas que desenvolveram.
Com o trabalho intitulado Aprender a ter esperança: construção, implementação e avaliação de um programa para o 4º ano do 1º ciclo de escolaridade, apresentado em 2011 na Universidade de Lisboa, Andrea Liliana Fernandes Rodrigues Ritter sublinha que:
Os dados indicam que em relação à Escala de Esperança para Crianças não houve diferenças significativas nos níveis de esperança auto-avaliados no grupo de intervenção. Relativamente às variáveis relacionadas com o desempenho escolar, houve uma diferença significativa e positiva relatada pelas professoras nas variáveis “Motivação” e “Desempenho” no grupo de intervenção. Na análise de conteúdo realizada aos dados da entrevista feita aos alunos do grupo de intervenção no pré e pós aplicação do programa, verificou-se a) um maior conhecimento acerca do conceito de esperança e das variáveis que o compõem; b) uma maior experiência de sentimentos positivos; e c) consequentemente mais esperança relatada pelas crianças após o programa. Vários dos fatores que contribuíram para estes dados indicados pelos alunos são apresentados e analisados, e as limitações do estudo, as suas implicações terapêuticas e sugestões quanto a investigações futuras são também abordadas e discutidas. (p. iii)
Em 2012, Lúcia Grave Magueta apresenta Um estudo de avaliação do currículo da área de expressão e educação plástica no 1º ciclo do ensino básico com base na metodologia da referencialização na Universidade de Lisboa, com as seguintes conclusões:
Os resultados vêm mostrar que o currículo de EEP se pratica na conformidade com o que é prescrito, sobretudo ao nível do Programa do 1º Ciclo do Ensino Básico, e que faz parte do quotidiano escolar. Apurou-se também que, no geral, as atividades, as estratégias de ensino, as opções metodológicas, os materiais didáticos, a planificação e a avaliação, que integram as práticas da EEP estão em coerência com os princípios teóricos atuais relativamente à concretização do conceito de expressão plástica. No entanto, este estudo identificou aspetos que se podem traduzir na melhoria do currículo de EEP, colocando-o numa perspetiva de inovação e de compreensão da sociedade em evolução, proporcionando aos alunos uma maior amplitude de experiências no que se refere ao contacto com as artes e com o uso da linguagem plástica. A estratégia de construção de um referencial para a avaliação de programas e o próprio referencial de
avaliação são também resultados que se alcançaram com este trabalho. (pp. iv-v)
Este estudo evidencia a dicotomia currículo como plano - currículo como projeto, ancorando-se na perspetiva de que a construção de um referencial para a avaliação de programas é uma atividade que pode ser realizada através de uma investigação.
Neste conjunto de investigações incluímos o presente estudo que foi por nós desenvolvido em 2013 intitulado A avaliação como processo socialmente construído na escola do 1.º CEB – Um estudo de caso, cujos resultados e conclusões serão apresentados ao longo deste trabalho.