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Climate Change Vulnerability and Disaster Risk Management

3. Round tables

3.7 Climate Change Vulnerability and Disaster Risk Management

O agrupamento das amostras, gerado a partir dos dados de frequência relativa das espécies constantes, demonstra a separação da amostra 12 das demais, no nível de similaridade de 0,29. O isolamento desta amostra pode ser explicado pela singularidade da mesma, que, além de apresentar, apenas, 133 espécimes triados e 11 espécies constantes, possui o táxon Amphistegina gibbosa com percentual de 49,6%, o que corresponde a, aproximadamente, metade das suas espécies constituintes. Com a separação da amostra 12, as demais foram classificadas como pertencentes ao Grupo A, caracterizado por apresentar amostras com 300 espécimes triados e número de espécies constantes oscilando entre 32 (amostra 32) e 17 (amostra 13). Considerando o grande número de amostras que constituem este grupo, foi possível dividí-lo (no nível de similaridade de 0,43) nos Subgrupos A’ e A’’) (Figura 26).

O Subgrupo A’ é constituído pelas amostras 20, 59, 58, 44, 22, 60, 10, 8, 11, 36 e 61. Esta associação é caracterizada por possuir amostras que apresentam como espécies constantes mais representativas (freqüência relativa igual ou superior a 10%) os taxa Amphistegina gibbosa (amostras 8, 10, 22, 44 e 60), Amphistegina lessonii (amostras 10, 20, 22, 36, 44, 58, 59, 60 e 61), Archaias angulatus (amostras 8, 10, 11, 22, 36, 59, 60, 61), Peneroplis carinatus (amostras 10, 11 e 36) e Quinqueloculina lamarckiana (amostras 11 e 36) (Figura 26).

O Subgrupo A’’, representado pelas amostras 13, 21, 62, 38, 46, 50, 64, 37, 63, 32, 33, 42 e 45, possui Peneroplis bradyi (amostras 62 e 63), Peneroplis carinatus (amostra 45), e Quinqueloculina lamarckiana (amostras 13, 21, 37, 38, 46, 50, 62, 63 e 64) como espécies constantes mais representativas (freqüência relativa igual ou superior a 10%). Neste subgrupo, apenas as amostras 32, 33 e 42 tiveram todas as espécies com percentual inferior a 10%. Ainda neste subgrupo, a amostra 13 possui a espécie Amphistegina lessonii como representativa. Portanto, as amostras do Subgrupo A’’, a exceção da amostra 13, possuem duas espécies representativas em comum com amostras do Subgrupo A’ sendo estas: Peneroplis carinatus e Quinqueloculina lamarckiana. Na única amostra do Subgrupo A’’ em que a espécie Peneroplis carinatus é representativa, aparece com percentual de 10,3%, que é inferior ao percentual em que foi representativa no Subgrupo A’. A espécie Quinqueloculina lamarckiana, por sua vez, foi extremamente

representativa nas amostras do Subgrupo A’’, estando presente em nove amostras, com percentual superior a 10%, ao passo que no Subgrupo A’ este táxon só foi representativa em duas amostras (amostras 11 e 36) (Figura 26).

0 3 6 9 12 15 18 21 24 0,24 0,32 0,4 0,48 0,56 0,64 0,72 0,8 0,88 0,96 S im ila ri ty 1 3 2 1 6 2 3 8 4 6 5 0 6 4 3 7 6 3 3 2 3 3 4 2 4 5 2 0 5 9 5 8 4 4 2 2 6 0 1 0 8 11 36 61 12 0 3 6 9 12 15 18 21 24 0,24 0,32 0,4 0,48 0,56 0,64 0,72 0,8 0,88 0,96 S im ila ri ty 1 3 2 1 6 2 3 8 4 6 5 0 6 4 3 7 6 3 3 2 3 3 4 2 4 5 2 0 5 9 5 8 4 4 2 2 6 0 1 0 8 11 36 61 12 A’’ A’ A A’’

Figura 26. Associação das amostras a partir dos dados de frequência relativa das espécies constantes.

Amostra 13

Amostra 12 Grupo A Subgrupo A’ Subgrupo A’’ Amostra 13

Amostra 12 Grupo A Subgrupo A’ Subgrupo A’’

6 DISCUSSÃO

Os resultados da análise granulométrica dos sedimentos mostram, de forma geral, o predomínio de sedimento areia (média de 61,01% nas amostras), sem evidência de um padrão característico de distribuição. A fração cascalho representa a segunda classe granulométrica mais abundante (média de 25,64% nas amostras). Segundo Burone et al. (2003) a deposição de sedimentos finos não é possível em áreas com fortes correntes. Portanto a dominância destas frações sobre fração lama pode ser explicada pela forte atuação de processos hidrodinâmicos, indicando que se trata de um ambiente de alta energia.

A análise de agrupamento das amostras com base na granulometria do sedimento deixa evidente a formação de dois subgrupos constituídos por amostras com elevado teor de areia (subgrupo 1A, amostras com percentual de areia entre 30 e 71%; e subgrupo 1B, amostras com percentual de areia superior a 80% ou entre 50 e 80%, associado a teores de lama mais representativos que a fração cascalho). Entretanto, os subgrupos formados confirmam a não existência, neste trabalho, de um padrão de distribuição das frações granulométricas em função da batimetria, uma vez que, nos dois subgrupos foram reunidas amostras de plataforma interna, média e externa. Apenas as amostras de talude (20, 32 e 58) foram incluídas exclusivamente no subgrupo 1A.

Na plataforma interna a maior expressividade na deposição de sedimentos finos (lama) nas amostras 64 e 50 pode ser explicada pela proximidade da amostra 50 da foz do Rio Itapicuru, o que eleva o aporte de sedimento fino neste trecho. Araújo (2004) relata teor de lama de 67,9 % em uma das amostras coletada a aproximadamente 3 km à NE da foz do rio Joanes, na profundidade de 40m. Segundo Bittencourt et al. (2000) o padrão de dispersão de sedimento na costa do estado da Bahia, é determinada pela direção das ondas que atingem a costa, o que varia no decorrer do ano, de maneira que as ondas de sudeste e sul-sudeste predominante no período outono-inverno promove deriva litorânea sudoeste-nordeste, enquanto que as ondas de nordeste e leste, características do período primavera-verão, desencadeiam deriva nordeste-sudoeste, o que justifica o transporte deste sedimento, na direção nordeste e permite compreender a grande presença desta fração na amostra 64, localizada ao nordeste da foz deste rio.

Por sua vez, a abundância da fração lama em amostras das plataformas média e externa pode ser explicada, principalmente, pela menor ação de ondas, em função da maior profundidade, o que diminui a hidrodinâmica e facilita a deposição destes sedimentos. Araújo (2004), em estudo realizado no trecho da plataforma continental ao Sul da área estudada relatou resultados semelhantes com relação à deposição de sedimento lamoso, identificando menor percentual desta fração nas amostras de superfície, quando comparadas com as frações areia e cascalho.

Estes dados corroboram com as análises realizadas por Andrade (1997), na região de Praia do Forte, litoral norte do Estado da Bahia, que observou o predomínio do sedimento fração areia em toda a área analisada. Nesta mesma área, a fração lama depositou-se em percentuais mais elevados próximo à foz do Rio Pojuca, em áreas protegidas por bancos recifais e em zonas com profundidade superior a 37m. Em estudo realizado no trecho da plataforma continental sul do Estado da Bahia, entre os municípios de Prado e Nova Viçosa, Nascimento (2003) também identificou o predomínio da fração areia sobre os valores de cascalho e lama. Nesta área a fração lama só foi expressiva em amostras coletadas muito próximo às estruturas recifais, uma zona que apresenta inúmeros canais interrecifais, que servem de armadilha para o sedimento lamoso, impedindo que e mesmo seja transportado pelas correntes atuantes na área.

A fauna de foraminíferos estudada pertence à Província Zoogeográfica da Índia Ocidental, Caribeana ou Antilhana, que tem início no Equador e se distribui pelas costa da Colômbia, Venezuela, Guianas e Brasil, até a latitude de 33º (Boltovskoy, 1965). Segundo Roettger (1973) esta zona é caracterizada pela presença de espécies de foraminíferos típicos de águas quentes.

A análise das espécies de foraminíferos encontradas na área estudada revela, apenas, cinco espécies principais (1,89%): Quinqueloculina lamarckiana, Amphistegina lessonii, Archaias angulatus, Amphistegina gibbosa e Peneroplis carinatus, pertencentes a quatro gêneros. A elevada abundância destas espécies (superior a 6%) permitiu reuní-las no grupo I da análise multivariada das associações faunística. Por sua vez, o grupo II desta análise, formado por 30 taxa com abundância reativa inferior a 4%, apresenta parte das

espécies com distribuição regular e parte destas com distribuição irregular ao longo dos trechos batimétricos.

Dentre as espécies principais, o gênero Quinqueloculina é citado em diferentes trabalhos com ampla distribuição em ambientes marinhos (Sanches et al., 1995; Leipnitz, 1996). Nascimento (2003) ao analisar sedimentos de áreas nas proximidades da costa até a isóbata de 30m encontrou a espécie Quinqueloculina lamarckiana com maior freqüência de ocorrência da área (97,37%). Segundo Zaninetti (1979) o gênero Quinqueloculina é característico de ambientes marinhos, embora algumas espécies também possam aparecer em ambientes mixohalinos, em pequeno número, geralmente apresentando baixa abundância relativa. É o caso da Quinqueloculina seminulum, que se mostra capaz de tolerar ambientes restritos, sendo relatada por Macedo (1994) na Península Itapagipana, local de característica lagumar.

Vilela (2008), em estudo realizado sobre a ocorrência microfossilífera na Margem Equatorial Brasileira, faz referência à caracterização de biofácies representadas pela associação de gêneros de foraminíferos dominantes, com destaque para a associação Amphistegina/Archaias/Quinqueloculina, como característica de ambiente de plataforma.

Os gêneros Amphistegina, Archaias e Peneroplis a estão também citados como principais em estudos realizados em diferentes trechos da plataforma continental brasileira (Nascimento, 2003; Silva, 2004; Araújo, 2004), eles são classificados em função da dimensão de suas testas, possuindo em geral tamanho médio de 100µm a 1 mm, mas alguns espécimes podem atingir grandes dimensões (de 1 a >10 cm). Estes últimos são informalmente denominados de "macroforaminíferos", sendo característicos em ambientes de sedimentação carbonática na zona fótica.

Estes foraminíferos de maior dimensão representam componentes de significativa

importância nas comunidades de mares tropicais e subtropicais, sendo

predominantemente encontrados desde a zona entre-marés até o limite da zona eufótica (Hoheggeren et al., 1999), o que ajuda a explicar a abundância destes gêneros na área de estudo.

Considerando, ainda, a avaliação da abundância relativa das espécies a partir da classificação de Dajoz (1983), 13 espécies foram consideradas acessórias (4,91%) e 249 (93,96%) traços. Estes dados são compatíveis aos encontrados por outros autores em diferentes trechos da costa do estado da Bahia (Moraes, 2001; 2006; Bruno et al., 2009).

Moraes (2001) encontrou nas áreas recifais de Praia do Forte e Itacimirim, no Litoral Norte do Estado da Bahia, nos períodos de inverno e verão, 5,45% e 3,85% de espécies principais; 16,36% e 21,15% de espécies acessórias e 78,19% e 75,00% de espécies três espécies traços, respectivamente. Moraes (2006) em estudo realizado na plataforma continental da região norte da Costa do Dendê, identificou 1,11% do total de taxa obtidos como principais, 16,67% como acessórios e 82,22% como traços. Bruno et al. (2009) em estudo realizado no Recife de Fora, região Sul da Bahia, encontrou 14,63% espécies principais, 36,59% acessórias e 48,78% traços.

A composição quantitativa (número de espécies) da microfauna estudada nestes trabalhos, com a ocorrência de várias espécies com baixa abundância é citada por Ferreira (1980) como uma característica típica de faunas de baixa latitude, condição semelhante aos locais em que transcorreram estas pesquisas.

A análise de distribuição das espécies principais em diferentes intervalos batimétricos revelou que na plataforma interna 11 espécies foram consideradas principais, dentre as amostras deste intervalo, ao passo que na plataforma média, externa e talude, 13, 9 e 6 espécies, respectivamente, foram consideradas principais. Estes dados revelam maior número de espécies principais nos intervalos mais próximos à costa, onde há maior instabilidade nos fatores bióticos e maior turbulência. Nestes intervalos, portanto, eleva-se a representatividade de espécies com testas mais resistentes adaptadas a viverem em ambientes com maior energia hidrodinâmica e com variações nas condições físico- químicas do meio.

Este fato pode ser confirmado através da análise qualitativa das espécies principais nos diferentes intervalos batimétricos. Nas zonas de plataforma interna, média e externa as cinco espécies principais na área de estudo (Quinqueloculina lamarckiana, Amphistegina lessonii, Archaias angulatus, Amphistegina gibbosa e Peneroplis carinatus) apresentam abundância superior 5%. No talude, apenas a espécie Archaias angulatus não representa

uma espécie principal. Estes dados revelam estreita semelhança com os registros efetuados por Araújo (2004), em estudo realizado no trecho da plataforma continental adjacente à área deste estudo. Neste trabalho a autora também encontrou Amphistegina lessonii, Amphistegina gibbosa, Peneroplis carinatus e Archaias angulatus, como espécies abundantes. Ainda neste trabalho a espécies Archaias angulatus também apresenta alta abundância na plataforma interna.

Segundo Gualancañay (2007) a espécies Quinqueloculina lamarckiana pode ser encontrada em locais de águas agitadas, uma vez que apresentam testas resistentes. Portanto a presença de Quinqueloculina lamarckiana como espécie principal em todos os intervalos batimétricos pode ser atribuída ao fato deste táxon apresentar testas resistentes e que suportam a acentuada hidrodinâmica de ambientes de plataforma.

Dentre as espécies principais destaca-se, ainda, o táxon Globigerinoides ruber, por ser o único de hábito planctônico a apresentar-se como principal em amostras localizadas nas plataformas média e externa e no talude. A ausência deste táxon na plataforma interna se deve também ao fato deste intervalo batimétrico apresentar baixa salinidade e condições de energia hidrodinâmica elevada, interferindo na integridade das testas. Esta espécie também foi encontrada por Araújo (2004) como a única forma planctônica abundante na plataforma externa e no talude continental.

A análise das amostras a partir da freqüência de ocorrência das espécies mostra que das 267 espécies encontradas, 35 são consideradas constantes, 47 acessórias e 185 acidentais. Entre as espécies constantes, Amphistegina lessonii e Quinqueloculina lamarckiana merecem destaque pelo fato de estarem presentes em todas as amostras. Além da ampla distribuição na área de estudo estas espécies são as que apresentam maior representatividade na área, com percentuais de 8,75% e 11,50%, respectivamente. Este dado reafirma a relação feita entre abundância destas espécies e a característica morfológica de suas testas, que suportam condições de hidrodinâmica acentuada. Segundo Thomas & Schafer (1982) espécies com testas mais robustas tendem a resistir com maior freqüência e por mais tempo ao desgaste, obtendo uma distribuição mais ampla do que as formas mais frágeis. A condição frágil das testas de muitas espécies pode explicar então o grande número de espécies acidentais.

A análise de distribuição das espécies constantes, nos diferentes intervalos batimétricos (plataformas interna, média e externa e talude), considerando a média da abundância absoluta de cada táxon nos diferentes níveis batimétricos (Tabela IX), evidencia que 17 espécies apresentaram distribuição regular, ou seja, ao longo dos quatro intervalos, com percentual médio de abundância igual ou inferior a 5%, sendo estas: Articulina mucronata, Cibicides pseudoungerianus, Cibicides refulgens, Elphidium poeyanum, Eponides repandus, Poroeponides lateralis, Pyrgo subsphaerica, Quinqueloculina angulata, Quinqueloculina auberiana, Quinqueloculina bicostata, Quinqueloculina polygona, Quinqueloculina pricei, Quinqueloculina sp1, Siphonina pulchra, Textularia cônica, Textularia kerimbaensis e Triloculina lútea (Figura 27).

Outras espécies, também constantes, apresentaram distribuição irregular nos diferentes níveis batimétricos. Neste sentido, Amphistegina gibbosa, Quinqueloculina disparilis curta e Quinqueloculina lamarckiana evidenciam maior representatividade nos ambientes de plataforma interna, média e externa, com redução no percentual médio de abundância absoluta na zona do talude. Em contrapartida, as espécies Amphistegina lessonii e Articulina multilocularis apresentaram distribuição crescente em direção ao talude (Figura 27).

Os taxa Archaias angulatus, Peneroplis bradyi, Peneroplis carinatus e Textularia candeiana foram mais representativos nos intervalos de plataforma média e externa, evidenciando percentuais médios de abundância absoluta inferiores na plataforma interna e talude (Figura 27). Resultados semelhantes a estes foram encontrados em Araújo (2004) ao estudar a microfauna da região adjacente ao sul da área deste estudo onde Peneroplis carinatus, Peneroplis bradyi e Textularia candeiana se reafirmam como abundantes na plataforma média, mas o mesmo não acontece em relação ao talude.

As demais espécies constantes evidenciaram maior abundância em intervalos específicos, sendo estas: Quinqueloculina laevigata e Quinqueloculina seminulum (plataforma interna); Peneroplis proteus (plataforma média); Elphidium discoidale, Globigerinoides ruber e Textularia agglutinans (plataforma externa); Discorbis floridana (Plataforma interna e talude); Textularia gramen (Plataforma média e talude) e Peneroplis pertusus (Plataformas interna e média e talude) (Figura 27).

O número de espécies de foraminíferos encontrados na área de estudo pode ser considerado alto (267 espécies e 64 gêneros) se comparada à observada por alguns autores para outros trechos da plataforma continental do Estado da Bahia. Em estudo realizado na região de Arembepe a Morro de São Paulo, Macedo & Machado (1995) identificaram 104 espécies; Nascimento (2003) registrou a presença de 150 espécies no trecho da plataforma continental entre os municípios de Prado e Nova Viçosa, estremo sul do Estado da Bahia; Silva (2004) encontrou 152 espécies de foraminíferos em pesquisa realizada na Costa Atlântica de Salvador e Moraes (2006) identificou 180 espécies em estudo desenvolvido entre a Foz do Rio Jequiriçá e a Ponta dos Castelhanos, sul da Bahia. Entretanto, os valores de riqueza encontrados neste estudo são compatíveis com aqueles encontrados por Andrade (1997), ao analisar amostras provenientes de Praia do Forte, com 223 espécies e por Araújo (2004), que identificou 312 espécies em estudo realizado de Salvador a Barra do Itariri.

A análise dos valores riqueza revela que índices superiores a 10,000 foram observados em 14 amostras, sendo cinco de plataforma interna (amostras 63, 38, 37, 64, 50), duas de plataforma média (21 e 33), quatro de plataforma externa (42, 44, 46 e 59) e três de talude (20, 32 e 58). Em geral, estas amostras apresentam percentual superior de areia, quando comparado com a fração cascalho. Apenas nas amostras 44 e 59 (plataforma externa) o percentual de cascalho foi superior ao de areia.

Assim, elevados valores de riqueza foram registrados em amostras com reduzido teor de cascalho (amostras de plataforma interna) e em amostras localizadas distante da costa (plataforma média, externa e talude). Nas amostras de plataforma interna os valores

>30 30 >20 20 >10 10 >5 5-0

Média da Abundância Absoluta

Espécies constantes PI PM PE TL Amphistegina gibosa Amphistegina lessonii Archaias angulatus Articulina mucronata Articulina multilocularis Cibicides pseudonngerianus Cibicides refulgens Discorbis floridana Elphidium discoidale Elphidium poeyanum Eponides repandus Globigerinoides ruber Peneroplis bradyi Peneroplis carinatus Peneroplis pertusus Peneroplis proteus Poroeponides lateralis Pyrgo subsphaerica Quinqueloculina angulata Quinqueloculina auberiana Quinqueloculina bicostata Quinqueloculina disparilis curta Quinqueloculina laevigata Quinqueloculina lamarckiana Quinqueloculina polygona Quinqueloculina pricei Quinqueloculina seminulum Quinqueloculina sp1 Siphonina pulchra Textularia agglutinnans Textularia candeiana Textularia conica Textularia gramen Textularia keribaensis Triloculina lutea

Figura 27. Distribuição das espécies constantes por intervalos batimétricos, a partir dos percentuais médios de abundância absoluta de cada táxon. Plataforma Interna (PI), Plataforma Média (PM), Plataforma Externa (PE) e Talude (TL).

elevados de riqueza se justificam em função da disponibilidade de matéria orgânica em sedimentos de granulometria mais fina. Ferreira (1977) e Araújo (2004) sugerem certa relação entre a granulometria e a expressão quantitativa e qualitativa dos foraminíferos, ressaltando a existência de uma fauna empobrecida nas amostras de granulometria mais grossa, uma vez que este tipo de sedimento retém muito menos matéria orgânica do que o sedimento mais fino. Em contrapartida, o registro elevado de riqueza em amostras distantes da costa pode ser explicado pela menor oscilação dos fatores ambientais nestas zonas,já que as áreas costeiras estão mais sujeitas às variações ambientais que as regiões oceânicas, onde as condições são mais estáveis (Sanches, 1992).

Os índices de diversidade encontrados nesta pesquisa oscilaram entre 1,766 (amostra 12) e 4,103 (amostra 32). Considerando a distribuição batimétrica destas amostras, é possível verificar que o menor e o maior valor deste índice foram registrados em amostras localizadas na plataforma interna e no talude, respectivamente. Em linhas gerais, as amostras de plataforma externa e talude apresentam maiores valores de diversidade, o que corrobora a interpretação de que, zonas mais distantes da costa, sujeitas a menores oscilações nos fatores abióticos, representam habitats mais favoráveis ao estabelecimento de espécies. Esta relação também foi feita por outros autores que, em diferentes áreas, registraram uma relação direta entre aumento da diversidade de foraminíferos e aumento da profundidade (Sanches, 1997; Araújo, 2004).

Comparando os valores de diversidade encontrados neste estudo com aqueles registrados em outras pesquisas realizadas em diferentes trechos da platafrma continental do estado da Bahia, é possível perceber relativa semelhança. Andrade (1997), em estudo realizado Litoral Norte do Estado da Bahia, verificou índices de diversidade que variaram entre 2,09 e 5,86; Silva (2004), na costa atlântica de Salvador, encontrou valores oscilando entre 2,62 e 3,70; Araujo (2004), entre Salvador e Barra do Itariri, registrou valores entre 2,02 e 4,07; Moraes (2006), na plataforma continental da região norte da Costa do Dendê, verificou valores entre 1,34 e 5,96.

A análise da microfauna evidencia, ainda, o predomînio de espécies bentônicas (94%) sobre as planctônicas (6%). Registro semelhante foi realizado por outros autores (Araújo, 2004; Moraes, 2006) e justificado em função das espécies planctônicas requererem ambientes de águas mais profundas. Segundo Boltovskoy & Whight (1976), o aumento

da profundidade muda a relação entre a composição das assembléias de foraminíferos bentônicos e planctônicos; em águas profundas a proporção de planctônicos aumenta em relação aos bentônicos. Por outro lado, a abundância da fauna bentônica reflete a sua capacidade de adaptação a diferentes condições. Os foraminíferos bentônicos podem viver tanto entre os grãos de sedimento como aderidos a substratos como algas e fragmentos de outros organismos (Murray, 1991).

Analisando-se a distribuição batimétrica das espécies planctônicas deste estudo, pôde-se observar que Globigerinoides ruber ocorre, ainda que com poucos indivíduos, em cinco das sete amostras da plataforma interna, aumentando em direção ao talude. Da mesma maneira, Globigerinoides trilobus e Globigerinoides sp também estão presentes em todos os níveis batimétricos até o talude. Seis espécies planctônicas têm sua distribuição restrita a um dos intervalos de profundidade, sendo estas, Globigerina conglomerata, Globigerina eggeri e Globigerinita iota na plataforma interna; Globigerinella aequilateralis na plataforma média; Globigerinita glutinata e Orbulina universa restritas ao talude (Figura 28). Em estudo realizado no trecho da plataforma continental adjacente à área deste estudo, Araújo (2004) fez referência à distribuição das espécies Globigerinoides ruber e Globigerinoides trilobus em amostras da plataforma e do talude. Em outros estudos, estas espécies também são citadas como presentes nos sedimentos superficiais da plataforma e talude continental (Tinoco, 1985; Leipnitz & Leipnitz, 1996).

Apesar do baixo percentual de espécies planctônicas, 4,3% do total de espécies, estiveram presentes em grande parte das amostras, ausentando-se, apenas, nas amostras 12 e 13, localizadas em região muito próxima a costa, sujeitas a elevada hidrodinâmica e baixa salinidade o que desfavorece a presença destes organismos.

As espécies planctônicas apresentam testas de constituição hialina, enquanto que os bentônicos apresentam coloração esbranquiçada quando as carapaças são calcárias, e pardacentas quando são aglutinadas (Loeblich & Tappan, 1964). Contudo, nos sedimentos superficiais da plataforma e talude continentais no litoral norte da Bahia, região adjacente a deste trabalho, foram amostradas testas coloridas de amarelo, marrom, preta e mosqueada (Araújo, 2004). Essa variação de cores se deve a ação de bactérias aeróbicas sobre a matéria orgânica das camadas de sedimentos superficiais, além da presença do elemento químico ferro.

Figura 28. Ocorrência das espécies planctônicas por nível batimétrico. Plataforma Interna (PI),