Le bilan malformatif
VIII. COMPLICATIONS POST OPERATOIRES Précoces :
1. Les classifications pronostiques :
Ao produzir espaço, o homem confere a ele significado. Prestígio, poder e utilidade são atributos abstratos, cuja materialidade prescinde de valores e ideários coletivos. Nas
Figura 2: A rua comercial como lugar do encontro. Ilustração do artista
Cesar Lobo - Rua das Flores - Centro de Curitiba.
Fonte: Diário Urbano: a vida na cidade.
Disponível em: <http://diariourbano.com.br/2010/06/03/curitiba- em-desenho-parte2/> Acesso em: 7 abr. 2015.
cidades históricas de Minas, por exemplo, a rua direita era o espaço dos comerciantes, do fluxo, dos negócios.
A Avenida Paulista, em São Paulo, foi inaugurada no final do século XIX com finalidade de ser elegante. Nos anos seguintes à sua ocupação, a alta elite paulistana não fez por menos e povoou a avenida mais larga da época com dezenas de palacetes e mansões nos mais variados estilos.
A sofisticação da Paulista refletia, acima de tudo, o fetichismo de fazendeiros e comerciantes endinheirados, que cultivavam o status de poder e de riqueza. As mansões eram a representação material dessa condição. A era dos barões se esvaiu, mas o significado de poder permaneceu. Aos poucos, os casarões da Paulista deram lugar a edifícios residenciais e comerciais, bancos e escritórios importantes, que fizeram dela o centro financeiro do país (SHIBAKI, 2007).
Abrigo, habitação, adoração, comércio, fluxo, produção, travessia e saudade são exemplos de como os homens atribuem incontáveis significados aos lugares e construções criadas por eles, utilizando-se da arquitetura, que transforma a paisagem, conferindo ao espaço arquétipos impregnados de ideais e aspirações.
Tuan (1983, p.19), em sua análise topofílica, explica que “os homens não apenas discriminam padrões geométricos na natureza e criam espaços abstratos na mente, como também procuram materializar seus sentimentos, imagens e pensamentos. O resultado é o espaço escultural e arquitetural e, em grande escala, a cidade planejada”.
Arte e arquitetura, segundo esse autor, buscam visibilidade. “São tentativas de dar forma sensível aos estados de espírito, sentimentos e ritmos da vida diária. A maioria dos lugares não são criações deliberadas, pois são construídas para satisfazer as necessidades práticas” (TUAN, 1983, p. 184).
A cidade concebida como arte, diz Rossi (1995, p.137), é um artefato pelo qual “podemos observar e descrever ou procurar compreender seus valores estruturais”. As formas e tipologias arquitetônicas para Rolnik (1994, p.17) “podem ser lidas e decifradas como se lê e se decifra um texto”, pois o “desenho das ruas e das casas, das praças e dos templos, além de conter a experiência daqueles que os construíram, denota o seu mundo”. Para haver troca é necessário lugar para encontro. Através dos tempos, os espaços destinados ao comércio adquiriram inúmeras formas. No ocidente, ainda na Idade Média, o comércio desenvolveu-se nos encontros dos fluxos.
Vargas (2009) diz que, no passado, além da neutralidade na escolha do lugar, a facilidade de acesso entre moradias de vendedores e compradores era condição essencial para formação dos espaços comerciais.
Fonte: Isaxar.
Disponível: <http://www.shutterstock.com/pt/subscribe> . Acesso em: 7 abr. 2015.
Fonte: Tout l'oeuvre peint de Bruegel l'ancien. Paris : Flammarion,
1981.
Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ pg000010.pdf>. Acesso em: 8 mai. 2015.
Figura 4: Os fluxos da Idade Média. "Le Combat de Carnaval..." de
Peter Brugel - o velho. Ela também explica que “estes fluxos, aos poucos, propiciam o surgimento de outras
atividades que sedimentam núcleos com características urbanas e, ao impregná-los com os aspetos sócio-culturais dos indivíduos envolvidos, transformam este espaço físico inicial do encontro, em lugar” Vargas (2005, p.11).
No Oriente dos árabes, a rua ladeada de lojas, todas especializadas num mesmo comércio é conhecida como sukh, sinônimo também de mercado. Em um processo sucessivo de transformação, essa tipologia de comércio tornou-se parte integrante das nucleações urbanas.
No século XI na Europa, as grandes feiras reascenderam o comércio. Segundo Braudel (2009, p. 45), elas encontraram nas lojas “a primeira concorrência”, constituindo-se em verdadeiras “células restritas, inumeráveis”, portanto, “outro instrumento elementar de troca”. Análogo e diferente, “a feira é descontínua ao passo que a loja funciona quase constantemente”.
Braudel (1998, apud VARGAS, 2009, p. 10), salienta a influência dos espaços de comércio medievais na formação dos espaços de comércio modernos:
É importante mencionar que estes locais de mercados abertos e não cobertos, e mesmo as grandes feiras que se proliferaram na Europa, principalmente na Inglaterra e França, vão conduzir, respectivamente, ao aparecimento dos edifícios de mercado. Estes atuarão como elementos centrais das políticas públicas do final do século XIX, na área de abastecimento das grandes cidades, e ao aparecimento dos centros de exposição.
As condições econômicas, tecnológicas e sociais das cidades propiciaram, ao longo da história, o surgimento de diversas tipologias de edifícios comerciais (GARREFA, 2002). O bazar árabe, os mercados medievais, a loggia italiana, as galerias comerciais, as lojas de departamentos, os shopping centers são algumas dessas tipologias que correspondem a diferentes períodos históricos. Na evolução do comércio, algumas delas permanecem, enquanto outras são substituídas ou renovadas.
A construção dos grandes mercados de ferro e vidro, as exuberantes galerias e passagens da Europa dos séculos XVIII e XIX, as lojas de departamentos, os super e hiper mercados e os shoppings dessas últimas décadas, são exemplos de espaços contemporâneos, portadores de significados, conceitos, ideais e principalmente valor.
Essas tipologias manifestam a relação estabelecida entre consumo e espaço. Isso fica mais evidente quando uma mesma mercadoria é comercializada com significativa diferença de valor, tomando-se por base onde ela está sendo oferecida.
Os signos que se atribui a determinado espaço influi no valor da mercadoria. Em São Paulo, por exemplo, um sofisticado magazine, a Villa Daslu, ficou nacionalmente
conhecido como “templo do luxo”, atendendo a clientes exclusivos, com marcas de alto valor, vendendo desde roupas até lanchas.
Em outra situação, um produto comercializado em um mall pode ter maior valor que o mesmo produto vendido em uma loja de rua. O status determinado de um local é condição que agrega valor ao produto. Essa equação se aplica a espaços privativos que atraem públicos seletos dispostos a pagar o preço que for pela exclusividade.
Em um ciclo alucinado onde o sistema se mantém aquecido pelo aumento contínuo do consumo, Vargas (2009, p.7) afirma que a valorização da diferença se apresenta como alternativa para a continuidade da acumulação. E acrescenta:
a evolução das relações humanas, através do tempo, passa pelas atividades de troca e, com ela, muitas vezes se confunde, a observação das transformações das práticas comerciais e do significado do “Lugar do Mercado”, ou seja, da sua condição de espaço da troca para a de espaço do consumo [...]”(VARGAS, 2009, p. 3).
O consumo do espaço pela sociedade atual é fator preponderante para a arquitetura cujo encargo, nesse contexto, é criar e recriar lugares que não somente incentivem o consumo, como também atraiam fluxos progressivos e cíclicos de indivíduos.