4.3 Exp´erience 2 : hi´erarchisation des strat´egies sonores
5.1.1 Choix de cas d’usages
Inicialmente é preciso admitir e destacar quanto a esse método de custeio, um pressuposto básico para a seqüência de qualquer observação em torno dele:
⇒ Método de custeio direto não é uma expressão que representa mero sinônimo para o método de custeio variável, tratando-se, portanto, de métodos de custeio definitivamente distintos.
Não é uma afirmativa redundante ou mesmo simplista, diz respeito sim, a um esclarecimento de fundamental importância para se retificar um constante equívoco observado na literatura da área. As obras e autores nacionais, praticamente em sua totalidade, normalmente indicam essas denominações para referenciar um mesmo método de custeio, e mesmo quando o mencionam como método específico, o fazem muito sinteticamente. Tal situação certamente contribui para dificultar o processo de comunicação e respectivo entendimento em torno dos conceitos relacionados à área de custos.
Silva (1980, p. 37-47) ressalta tal situação, expondo que no seu entendimento tratam-se de métodos de custeio distintos, apesar de apresentarem a mesma estrutura de apuração que utiliza a margem de contribuição como ferramenta complementar de análise.
No âmbito da nomenclatura utilizada para se referir aos métodos de custeio direto e variável têm-se, ainda, segundo Pompermayer (2000, p. 64), custeio marginal, custeio por absorção parcial e custeio por não-absorção, e conforme Gasparini (2001, p. 84-85), custeio por contribuição, custeio intermediário, custeio específico e custeio híbrido.
Apontando o que se entende como o cerne da questão, numa das raríssimas abordagens relacionadas ao tema, comentando sucintamente as diferenças entre esses métodos de custeio, Bruni & Famá (2003, p. 200) destacam:
As duas expressões, diretos e variáveis, baseiam-se em conceitos bastante diferentes. A diferença entre custos diretos e indiretos refere-se à possibilidade de identificação dos gastos
com objetos específicos de custeio. Custos variáveis e fixos distinguem-se em função de flutuações nos volumes. Enquanto a primeira dicotomia é foco de atenção dos contadores, a segunda é enfatizada nos processos de administração empresarial e análise econômica – embora ambas sejam de fundamental importância na gestão de custos e formação de preços.
Assim, a despeito dos aspectos terminológicos envolvidos, por mais determinantes que sejam para a manutenção dos equívocos indicados, a divergência mais importante reside na falta de percepção de que o método de custeio direto representa uma concepção específica de tratamento dos custos, e que dessa forma, oferece procedimentos e propostas informativas também particulares.
Percebe-se que a causa do equívoco reside na interpretação incorreta de fundamentos teóricos básicos, especialmente relacionados aos conceitos elementares de qualificação dos custos como diretos e variáveis.
Deve-se, portanto, ter cautela no emprego dessa nomenclatura que possui a função de enquadrar os gastos sob determinadas óticas específicas. De forma lógica, simples e objetiva, segundo os preceitos teóricos que estabelecem definições diferentes para cada tipo de custo, nem sempre um gasto classificado como direto será, também, variável, e por outro lado, conseqüentemente, um gasto indireto não será necessariamente fixo.
Certamente, exige-se atenção especial para o aspecto evidenciado, pois a literatura acadêmica, no sentido de prover conhecimento íntegro e consistente sobre a área, deve esclarecer essas nuances tão básicas do conhecimento sobre custos, mormente quanto ao discernimento elementar em torno das classificações e comportamento dos custos.
Mesmo que, segundo Padoveze (2006, p. 78), haja certa semelhança operacional entre os métodos, que torne perdoável e aceitável o entendimento similar entre ambos, ainda assim, apresentar coerentemente as diferenças existentes, por mais sutis que sejam, é uma importante função da qual o meio acadêmico não pode prescindir.
Sobre a sua concepção operacional específica, Gasparini (2001, p. 91), também de forma sucinta, relata que no método de custeio direto são apropriados aos produtos ou serviços apenas os gastos perfeitamente identificáveis com eles e com as linhas a que pertencem.
O autor continua sua explanação citando que se trata de um método em que a locução “direto específico” refere-se não apenas a unidade do produto, mas também a departamentos e linhas envolvidas diretamente com os produtos. Complementa, esclarecendo que os gastos diretos do produto serão apropriados de forma direta, e os gastos diretos dos departamentos e linhas do produto, por intermédio de rateio.
Tal afirmativa difere da menção apresentada anteriormente, que ressalta as similaridades do método de custeio direto com o método de custeio variável, e sugere diferenças ainda mais profundas, que de antemão desqualificariam qualquer possibilidade de admissão de semelhança entre ambos.
Enfim, observa-se muitas lacunas a serem dirimidas, mais uma vez resultantes de abordagens continuadas e não devidamente aprofundadas quanto aos aspectos teóricos e qualitativos cabíveis em diversos temas relacionados à área de custos.
No âmbito do estudo em curso tais características e detalhes operacionais não serão tratados, no entendimento de que seria necessário um trabalho específico e de considerável profundidade para que a abordagem pudesse ser consistente. Da mesma forma, deixar-se-á de apresentar os aspectos favoráveis e desfavoráveis afeitos ao método, pois seriam necessárias, para tanto, dentre várias informações, as relacionadas a sua efetiva operacionalização, e mesmo que se possa imaginar que tais concepções guardem certa similaridade com o método de custeio variável, as afirmações expressas não seriam consistentes em face de particularidades não conhecidas e normalmente presentes em cada um dos métodos, além das divergências que puderam ser percebidas mesmo na abordagem superficial que foi dispensada ao assunto.
Assim, o estudo limitar-se-á na apresentação dos aspectos já evidenciados, certamente de valor considerável, apesar de introdutórios.