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Chapitre 2 JUSTIFICATION DU CORPUS

III. Choix d’un dictionnaire comme source de corpus :

Figura 4 - Guião da entrevista semiestruturada usada no estudo.

Lembremos as proeminentes palavras de William Foddy (1996, p. 35):

“Se os investigadores não estão seguros quanto à natureza da informação que desejam, não podem esperar que as perguntas que formulam sejam relevantes face aos tópicos que têm em vista e supõem pertinentes.”

A decisão sobre o conteúdo da entrevista semiestruturada, isto é, a opção pelas quatro perguntas formuladas, justifica-se da seguinte forma:

Pergunta nº 1

o Pensa na sua morte? (em caso negativo, avançamos para a 3ª questão);

Pela necessidade de abordar a perspetiva individual de morte no entrevistado. Esta questão remete-o à sua história de

vida ainda que foque um aspeto circunscrito. A história de vida

é mais frequentemente estudada pela via qualitativa, estando “orientada para a compreensão, por parte do observador, de

vivências subjetivas, devendo este, ao mesmo tempo, «conservar a distância», o que lhe permite manter a referência aos critérios que orientam a sua investigação, e «colocar-se no

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lugar do outro»” (Crespi, 1997, p. 224). Esta questão permite

saber se a morte constitui motivo de reflexão e pensamento.

Pergunta nº 2

o Sobre o que pensa, quando pensa na morte?;

Partindo da afirmação de que a morte se constitui como objeto de pensamento, procurar discernir que constituintes têm o denominado pensamento de morte. Em que pensa quando pensa na sua morte, pretende ligar-nos às preocupações últimas e mais íntimas do entrevistado.

Pergunta nº 3

o A prática regular da AFD tem, para si, alguma relação com a morte? (em caso afirmativo, passamos à 4ª pergunta);

A razão da inclusão desta pergunta prende-se com a necessidade de estabelecer uma relação entre a prática da AFD e o pensamento e perspetiva pessoal face à morte. Pretendemos, com clareza, definir se o entrevistado identifica algum tipo de relação entre as referidas componentes. Justifica-se igualmente, pela necessidade de juntar ambas as dimensões na oratória do idoso.

Pergunta nº 4

o Pessoalmente como relaciona a AFD e a morte?;

Fundamenta-se pela importância de compreender, a partir da visão pessoal do interlocutor, a relação que estabelece entre a AFD que pratica e o seu pensamento sobre a morte. Assim, através da identificação desta possível relação, efetuar uma análise e interpretação da entrevista à luz da revisão de literatura realizada.

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Cada uma das questões propostas no guião da entrevista assume objetivos individuais, que se fundem nos objetivos gerais do estudo, já indicados. A abordagem prática, ou de forma mais precisa, o momento efetivo da entrevista, foi previamente preparado no sentido da apresentação das questões ao/à entrevistado/a, precaver uma linguagem de tipo diferencial.

Pretendemos no fundo, através da introdução das questões de forma contextualizada e com uma linguagem adequada ao entendimento do entrevistado (um sinal capaz de ser compreendido pelo recetor), facilitar e propiciar a capacidade de diálogo. Trata-se em última análise, de reduzir o efeito perturbador das questões propostas.

Contudo, é justo afirmar, que “a ausência de uma definição clara do

conceito de «pergunta perturbadora» constitui uma questão central” (Foddy,

1996, p. 132). Até pela preocupação inerente a um estudo qualitativo, seremos forçados a admitir que não existe uniformidade entre as pessoas, sobre o que é ou não é perturbador, no sentido de limitador da expressão oral.

Na prática, ao entendermos os entrevistados como seres únicos, devemos no contexto da entrevista procurar usar um tipo de linguagem o mais adequado possível ao entendimento e capacidade discursiva do nosso interlocutor.

Finalmente, pensamos ser pertinente neste momento incluir o seguinte excerto, da autoria de um conjunto de professores de métodos de investigação em ciências sociais8:

“O guia da entrevista distingue-se do protocolo do questionário. Enuncia os temas a abordar com o objetivo de intervir de maneira pertinente para levar o entrevistado a aprofundar o seu pensamento ou a explorar uma questão nova de que não fala espontaneamente. O guia não é utilizado como um questionário (para estimular a conversa é preferível utilizar o vocabulário do entrevistado, e não os termos do guia), é um

8 Os autores da obra referida são: Luc Albarello, Françoise Digneffe, Jean-Pierre Hiernaux,

Christian Maroy, Danielle Ruquoy e Pierre de Saint-Georges. Todos foram docentes na FOPES (Faculté Ouverte de Politique Économique e Sociale) da Universidade Católica de Lovaina.

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sumário, recorre-se a ele respeitando o mais possível a ordem de exposição do pensamento do entrevistado. O procedimento seguido corresponde bem à lógica da entrevista semidiretiva: explorar livremente o pensamento do outro, permanecendo ao mesmo tempo no quadro do objeto de estudo” (Albarello,

Digneffe, Hiernaux, Maroy, Ruquoy, & Saint-Georges, 1997, pp. 110, 111).

Construído e ponderado, o guião da entrevista semiestruturada acompanhará o investigador durante as entrevistas.

A realização das entrevistas

Observando os procedimentos adotados e no seguimento da informação já descrita ao longo desta secção do estudo, indicaremos então, as condições exatas da realização das entrevistas, com vista à recolha dos testemunhos.

Assim, o processo de preparação e realização das entrevistas ocorreu entre Junho e Julho de 2012. Após uma primeira introdução (por parte do professor do grupo) à investigação a desenvolver, o investigador reuniu no decorrer de uma das aulas com os idosos.

Este encontro permitiu explicitar e enquadrar melhor o grupo, em relação à natureza do trabalho e da entrevista a realizar. Seguidamente, e de forma natural, reuniu-se um grupo mais reduzido de algumas pessoas, sendo estas, as que demonstraram capacidade de iniciativa, predisposição e interesse em participar. O investigador falou depois, mais em pormenor, com esse conjunto mais restrito.

Posteriormente, e após esclarecidos os critérios de inclusão (descritos anteriormente nas condições prévias e objetivos) selecionamos sete participantes.

A entrevista foi marcada para a aula seguinte, ficando os sete elementos esclarecidos sobre o teor do trabalho, embora, propositadamente, sem conhecimento concreto acerca das questões a responder.

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No dia da realização das entrevistas, os idosos responderam sem uma ordem estabelecida, tendo o investigador respeitado as suas vontades em ser primeiro, segundo etc. Todas as entrevistas foram realizadas numa sala anexa ao pavilhão desportivo, no exato momento em que uma aula de Ginástica Funcional decorria.

A decisão sobre o dia, o local e a hora de realização das entrevistas foi uma decisão do grupo, sem qualquer tipo de imposição do investigador.

O momento das entrevistas decorreu, portanto, na referida sala fechada, sem interferências exteriores de qualquer tipo. O guião da entrevista encontrava-se junto ao entrevistador, garantindo assim, que o entrevistado não visualizava de forma direta a grelha de questões. Após uma breve conversa introdutória, e o registo dos dados pessoais mais relevantes, o investigador aciona o gravador com o consentimento do entrevistado, posicionando o aparelho de dimensão reduzida, junto de ambos. O entrevistador e o seu interlocutor não usam os seus nomes próprios.

Concluída a entrevista, o investigador informa o entrevistado que irá desligar o gravador. Logo de seguida, o entrevistador acompanha o atleta até junto do grupo (em atividade) e conversa num tom informal e descontraído.

Todos os intervenientes ficaram esclarecidos quanto ao tratamento e destino a dar aos seus testemunhos.

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