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Chimie de coordination de l’aluminium

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Chapitre 2 : Nouveaux complexes de Salen chiraux des métaux du groupe

III. Synthèses de complexes d’aluminium-, gallium- et indium-Salen

1. Chimie de coordination de l’aluminium

O Rio São Francisco é um dos dois rios mais importantes do País. Caracterizado como o maior rio que nasce, corre e deságua exclusivamente em terras brasileiras, constitui um patrimônio comum do povo brasileiro. Afirmar esta noção de “patrimônio comum” significa reforçar a perspectiva de construção de uma estratégia de desenvolvimento territorial sustentável por uma série de razões:

• Por um lado, pelo fato das águas do São Francisco se constituírem num significativo potencial de transporte, de geração de energia elétrica, de abastecimento doméstico e industrial, de irrigação, de aqüicultura e de turismo e lazer. Fundamentalmente, o Rio São Francisco é vida, porque a água é fonte de vida.

• Por outro lado, pelo fato das águas do São Francisco se constituírem em recursos a serem transmitidos às gerações futuras, ou seja, aqueles

recursos utilizados atualmente e os elementos do meio que podem ser considerados recursos potenciais no futuro (GODARD, 2002).

É nesta perspectiva de “patrimônio comum” que se apresenta o Rio São Francisco. Sua área foi estimada em 640.000 km2 (8% da área do País). Os Estados de Minas Gerais e Bahia representam 83% da área, Pernambuco, Sergipe e Alagoas 16%, Goiás e o Distrito Federal 1%. Por cortar cinco estados brasileiros, o São Francisco é também chamado de rio da “Unidade Nacional”. Ele “sempre foi um caminho líquido a ligar as populações de cinco estados [quatro deles nordestinos de clima semi-árido], por meio de um transporte barato, acessível a todos, permitindo assim manter os laços afetivos e a unidade cultural do povo

barranqueiro” 34 (UNGER, 2001, p. 61).

A extensão do curso principal do Rio São Francisco (da Serra da Canastra, no Estado de Minas Gerais à foz, no Oceano Atlântico, entre os Estados de Sergipe e Alagoas) é de 2.700 km, sendo 1.520 km navegáveis. A vazão média anual é de 2.980 m3/s, o que compreende a uma descarga média anual de 94 bilhões de m3/s (CODEVASF, 2001). 54% do vale do São Francisco estão no “polígono das secas”. A figura (3) localiza a divisão político- administrativa da bacia do São Francisco.

34 São chamadas de barranqueiros as pessoas que habitam às margens do São Francisco. A palavra vem de barrancas formadas pelo efeito da erosão. No período das enchentes as águas arrastam o barro das barrancas, transformando-se nas águas barrentas durante as cheias do rio.

FIGURA 3: Divisão político-administrativa da Bacia do São Francisco. Fonte: CBHSF, 2004

De fato, o rio une três regiões. Pela diversidade climática, extensão e características topográficas, habitualmente é dividido em: Alto, Médio, Submédio e Baixo São Francisco, nas quais podem ser caracterizadas três zonas biogeográficas distintas: a mata, a caatinga e os cerrados (CHESF,

2005).

Da Serra da Canastra, em Minas Gerais, o Rio São Francisco segue para o Nordeste, percorre áreas extremamente secas da caatinga brasileira, passa por áreas de transição e encontra o mar entre Alagoas e Sergipe. Hoje, na era do avião e da energia barata, esta função de rede de circulação é algumas vezes esquecida e o Rio São Francisco é sobrevalorizado pelos seus perímetros irrigados. Ele vai “sendo sugado pelo desenvolvimento ‘pontual’ de projetos de irrigação [...] conectados diretamente à rede global dos complexos agroindustriais [...]” (HAESBAERT, 2002, p. 383).

É verdade que pela ação antrópica sofrida desde seu povoamento, acelerado nesses últimos 35 anos, a região sofreu um processo de artificialização35 profundo. Suas espécies vegetais nativas foram substituídas por cultivos e pastagens por meio de práticas predatórias como o desmatamento por queimadas. O resultado foi a expansão das atividades agrossilvopastoris, sendo a maioria delas de altos impactos tecnológicos no ambiente, por meio da intensificação da mecanização.

Apesar disso, o diagnóstico da Bacia do São Francisco (CBHSF, 2004) reforça o papel de reserva de sua biodiversidade. Em relação à fauna aquática, o São Francisco apresenta a maior biomassa e diversidade de peixes de água doce da região Nordeste. Constam-se ali um grande número de espécies endêmicas de peixes anuais (família Rivulidae), encontradas somente ao longo do médio curso do rio. Esta reserva natural aquática foi considerada pelo Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (PROBIO) como área de extrema importância para a ictiofauna, destacando-se, dentro desse trecho, as regiões de Itacarambi, Guanambi e Bom

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Entende-se por artificialização o processo de mutação de um espaço, em suas diferentes escalas (local, regional, nacional), modificado pela ação humana. Este processa uma transformação dos recursos naturais, neste caso, transformando imensas terras secas da caatinga em áreas irrigáveis, onde foram implantados grandes projetos agropecuários, dentre eles os de fruticultura tropical e de cana-de-açúcar em vastas áreas da caatinga.

Jesus da Lapa (CBHSF, 2004).

Os dados do diagnóstico da CBHSF mostram igualmente riscos relacionados à remoção da cobertura vegetal e aos usos do solo para agricultura. Eles têm contribuído para o aumento dos processos erosivos, carreando sedimentos para a calha dos rios da Bacia. Esse processo tem alterado, sem dúvida, sua capacidade de retenção, com efeitos inevitáveis nas planícies de inundação (CBHSF, 2004).

Do ponto de visto social e econômico, o Rio São Francisco é também representativo da diversidade e, sobretudo, da desigualdade social persistente no País. A Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco apresenta áreas de acentuada riqueza e alta densidade demográfica, bem como áreas de pobreza crítica e população bastante dispersa (CBHSF, 2004).

A população da Bacia foi estimada em 15,5 milhões de pessoas (CODEVASF, 2005a). 74,4% da população da Bacia vivem na zona urbana, e 25,6% na zona rural. Convém salientar que 50% da população da Bacia vivem em 14 municípios com população maior que 100.000 habitantes, localizados nos seguintes Estados: Minas Gerais (Belo Horizonte, Contagem, Betim, Montes Claros, Ribeirão das Neves, Santa Luzia, Sete Lagoas, Divinópolis, Ibirité e Sabará); Bahia (Juazeiro e Barreiras), Alagoas (Arapiraca) e Pernambuco (Petrolina); 90% do total de municípios da Bacia são de pequeno porte, com população urbana inferior a 30.000 habitantes (CBHSF, 2004; IBGE, 2000)36. Esta diversidade está também presente na zona semi-árida, à qual se destaca por ser a que será estudada com mais precisão.

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Para Veiga (2005) a metodologia oficial de cálculo do “grau de urbanização” do Brasil é anacrônica e obsoleta. Enquanto a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) considera 150 hab/km² para que uma localidade seja considerada urbana, no Brasil 70% de seus municípios têm densidades demográficas inferiores a 40 hab/km². Por este critério apenas 411 dos 5.507 municípios brasileiros existentes até 2000 seriam considerados urbanos. De acordo com Veiga (op. cit., p. 65) “o Brasil considera urbanos os habitantes de qualquer sede municipal, mesmo que tais localidades pertençam a ecossistemas dos menos artificializados”.

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