5. SUGGESTIONS FOR APPLICATION OF METHODS
5.2. Characterization of the scenario
Jorna-A: não fizemos mais nada nesse sentido. A gente foi, tratou o outro como fonte de qualquer outra coisa, pegou o que ele nos ofereceu e criou alguma coisa. // (TEMPO) mais
prático a gente fazer da forma que é mais rápida, sabe? Sabe aquele tempo? Porque isso demanda muito tempo, demanda encontros com as pessoas, encontros demorados, a gente se reuniu com essas meninas, sabe, pra fazer essas coisas. E... e aí eu acho que... o tempo que a gente tem, assim, na universidade é muito pouco pra poder fazer isso. E a gente, às vezes, acaba ligando pra pessoa e perguntando: “e aí, pode me dar uma entrevista?” “Posso”, e pronto. Está pronta a sua matéria. // Não, porque depois eu continuei fazendo a mesma coisa. Não mudou. É... continuei fazendo a mesma coisa. Eu acho que é mais pelo tempo, porque dessa forma aí [educomunicativa], eu acho que demanda muito tempo da gente. A gente não tem um tempo pra gente poder desenvolver aquilo, pra gente raciocinar sobre aquilo: “nossa, vamos fazer isso aqui de uma forma diferente?” Não, a gente não pensa isso. E se a gente for enrolando com aquilo, vai ficando uma coisa em cima da outra... Então, a gente já quer terminar logo aquilo, [pra] passar pra outra, sabe? É assim graduação.
Jorna-B: (aplicou em PEX e fez a comparação entre os trabalhos) // Ah, em vários! Nossa, muitos! Tem um trabalho que eu fiz para Jornalismo Digital, que era uma long form que o professor propôs sobre qualquer assunto, era livre. Então, eu me propus a ir ao Hospital de Clínicas durante uma semana, passava a tarde lá só observando. // Os conceitos que eu aprendi nessa matéria [Comunicação e Educação] lá no primeiro período, eu usei completamente nesse texto [produzido para disciplina Jornalismo Digital, no 3º período]. Foi um trabalho muito... porque esse trabalho de observação não existe sem os observados, não existe sem as pessoas que você conversa, que você está vivendo ali no dia-a-dia da produção. Então, nesse trabalho eu usei muito desses conceitos. (TEMPO) Aí, depois no final, vai ficando tudo mais apertado, tudo mais corrido, a gente precisa entregar uma reportagem por dia pra uma disciplina, e tem dez disciplinas, então... ao longo do curso, acho que a gente usa mais Educação e Comunicação no começo mesmo. Porque depois, mesmo que você tenha a teoria, igual eu falei, usava muito, tentava usar ao máximo no meu estágio, mas, no final aqui na faculdade mesmo, é tudo pra ontem, sabe? A gente tem que fazer o máximo de rapidez possível, porque tem várias coisas para serem feitas, e a gente vai usando cada vez menos.
Jorna-C: Eu acho que “durante” a gente amadureceu muito até para a graduação, até para o Dínamas [PEX]. Porque o Dínamas foi um projeto educomunicativo também... a gente fez o site, [...] a gente ia lá e ouvia as histórias e tal, a gente só não contava, a gente fazia coisas com elas, sabe? Não era só “ah, eu cheguei aqui, vou fazer minha pauta”. Não, era com elas. Tanto que no site tem uma parte de crônicas que elas escrevem junto, sabe? Eu acho que é
importante pro jornalista porque, a profissão de jornalista, por mais que ele tem que cumprir tarefas, ele sempre depende do outro. // Em rádio, em tudo, acho que em TV também, eu acho que em todos, né? Não tem como você falar “ah, nesse aqui eu usei, nesse aqui eu não usei.” Porque você se torna também, né, um pouco mais assim [educomunicativo]. // Eu acho que é uma coisa tão natural, que eu não percebo se eu estou sendo educomunicativa, mas eu acredito que sim. Mas, eu não sei se é só por causa da disciplina ou por causa do envolvimento com o PET também.
Jorna-D: Nós fizemos o PEX, projeto experimental, foi um documentário sobre experiências agroecológicas de agricultores familiares daqui, ao redor de Uberlândia. E o nosso olhar, apesar de não ser 100% educomunicativo, diante dos prazos que nós tínhamos, às vezes, a gente tinha que guiar algumas coisas, mas o trato com os agricultores foi essencial. (TEMPO) [falando sobre o PEX] o ‘sempre que possível’ de novo, no trabalho [no estágio] e agora nesse caso. Porque, às vezes, o processo, não a abordagem, não o olhar, mas o processo de fazer educomunicativo demanda um pouco mais de tempo, porque, às vezes, os indivíduos envolvidos não têm o conhecimento pra fazer. Então, demanda um pouco mais de tempo.
Jorna-E: Eu acho que quando você começa a entender que você está produzindo alguma coisa pra alguém, mas, que vem deles a informação, acho que a gente começa a tratar até com mais respeito, porque a gente precisa deles pro nosso trabalho ser feito. Então, eu acho que em tudo, assim, eu apliquei; até a forma de falar, a forma de contribuir, a forma de mostrar pra eles também o quê que está sendo feito, porque eu tinha muito a impressão, tipo... das pessoas, por exemplo, marcarem uma entrevista e a pessoa nem saber do quê que se trata, sabe?
Jorna-F: eu estava participando de um projeto na Eseba65 que foi bem interessante, que era a
construção de um jornal; então, eu achei muito educomunicativo: os meninos do 9º ano estavam construindo [o jornal] e eu estava ali como bolsista do Jornalismo, ajudando, falando dos princípios do jornal, como é que era a edição, mas, eles queriam escrever e tudo o mais. [...] a gente estava dando essas oficinas assim, né, como você fazer uma leitura crítica. E, aí, eu dei uma oficina para o pessoal do EJA66 e foi muito legal! Aí, eu vejo a Educomunicação
65Eseba: Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia. 66EJA: Educação de Jovens e Adultos
meio que possível, no caso eu como jornalista assim... na sala de aula. // a minha postura enquanto jornalista, eu enquanto sujeito diante de outro sujeito; então eu não estou ali pra... [...] querer sugar o outro e vou embora. Então, as aulas de Educomunicação ficaram marcando muito na minha cabeça, sabe? De eu fazer sempre essa autocrítica, né? Quero ensinar o outro? Como assim? A disciplina me deixou essas questões, para eu refletir e pensar depois nas minhas práticas ao longo do curso.
Jorna-G: Em todos esses trabalhos [de antropologia no 2º p., PIC III, no jornal-laboratório e PEX], o comportamento foi o mesmo. A gente teve uma conversa logo no início, muito esclarecedora, de propor e construir um projeto juntos. Naquele momento, em todos esses, a gente disse: “olha, o nosso conhecimento sobre vocês, sobre o seu grupo, sobre a sua profissão, as suas atividades, são esses. E a gente acredita que dá pra trabalhar assim. Mas, o que que você quer fazer, o que que você... qual que é a sua demanda?