• Aucun résultat trouvé

Characterization of the 3D PSF 2 in the presence of aberrations

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 66-71)

Germer (2002), destaca que é ilusória a posição política de que é preciso se adaptar ao sistema capitalista na agricultura, buscando eficiência produtiva e tecnológica, fundado em políticas públicas de apoio inclusive. Esse é um caminho impossível de ser alcançado visto que para isso parte expressiva dos agricultores devem ser expulsos de suas terras.

Bartra (2015), destaca que os meios de produção que estão nas mãos do camponês, se reproduzem pela dinâmica do Capital e todo excedente cedido pelo trabalhador transforma-se em Mais valia capitalizada. Afirma-se então, que a reprodução camponesa e sua manutenção, mesmo que de forma parcial, subordinadas ao sistema Capitalista. Ou seja, por mais que se caracteriza por ações

59

e processos diferenciados, esse grupo de famílias, está submetido às normas e regras do desenvolvimento econômico Capitalista.

Delgado (2012), complementa destacando que todo esse processo é puxado fortemente pela mão do Estado e dos interesses do grande capital, que acabam gerando a exclusão dos pequenos produtores não associados ao capital financeiro, ficando marginalizados do progresso técnico.

Constata-se na atualidade um claro processo de exclusão gradativa das famílias camponesas, configurando-se nem processo crescente de êxodo rural e assalariamento. Essa base estrutural do modelo de desenvolvimento Capitalista no campo, condiciona a necessidade de criar alternativas a este processo hegemônico. Exige uma grande capacidade de explorar as contradições existentes neste processo, na busca contínua de construir ações inovadoras e significativas que fortaleçam a permanência e progressão das famílias agricultoras.

Aspectos sociais e políticos tem se caracterizado de forma muito superficial não tendo aprofundamento necessário, capaz de superar as contradições existentes e construir a Agroecologia como um projeto diferenciado e alternativo aos sistemas agrários. Fica claro também a necessidade de incentivos e regulação da produção agrária, rompendo com a dinâmica hegemônica de mercado da atualidade (Gonzalez de Molina, 2009).

Bartra (2015) ainda destaca que todo produto lançado no mercado assume a forma de mercadoria capitalista, independente do seu processo de produção. Mesmo que se organize processos de produção diferenciados, independentes de insumos externos, estabelecendo manejo com bases agroecológicas, quando estes produtos entram no mercado, são caracterizados como mercadorias, e estão sujeitas às leis e tendências do mercado capitalista.

O grau de exploração exercida sobre os camponeses, podem sofrer variações conforme o seu planejamento e práticas estabelecidas em seu meio de produção. No caso das unidades que são dependentes de insumos, tecnologias e outros materiais fundamentais na execução da produção, o que interfere diretamente no custo, a sua exploração é aumentada visto que alimentada vários setores, onde a Mais Valia está inclusa. Assim todo o excedente gerado deverá ser distribuído por

60

diversos atores que diretamente se envolveram no processo (Bartra, 2015). Da mesma forma os processos de comercialização se enquadram dentro da mesma lógica, visto que instituem-se regularmente os atravessadores.

Van Der Ploeg (2008) discute que a subordinação ao processo de mercantilização, seja aquisição ou comercialização, induz à dependência e impõe um processo necessário de capitalização a fim de se manter continuamente no processo produtivo. Dessa forma, essa subordinação ao mercado, resulta em uma maior taxa de exploração e consequentemente menor taxa de renda líquida com a família camponesa, para a sua manutenção.

Para Bartra (2015), essa transferência de valores maximiza de forma expressiva os lucros das grandes empresas capitalistas. Ou seja, caracteriza se assim um sistema produtivo dependente, submerso de forma intensa as leis capitalistas e com uma taxa de exploração maior. Neste caso agrega se vários fatores, que podem comprometer a permanência dos trabalhadores no campo, nos seus meios de produção, visto a sua necessidade de obter eficiência produtiva e de estar subordinado ao pacote tecnológico integrado com a indústria.

Germer (2002) sugere que no Brasil, o termo agricultura Familiar seja alterado para empresa “familiar/assalariada” acreditando ser o termo mais apropriado, baseado na concepção Norte Americana. O autor destaca que esta se configura como uma fase transitória de um processo social e as suas formas de produção não podem ser instituídas de forma arbitrária, mais sim devem possuir eficácia técnica e econômica compatível com o ritmo e a intensidade de acumulação dos termos agregados. Assim, seguindo uma lógica puramente capitalista, as famílias agricultoras cumprem uma função dentro do sistema e constituem-se com um processo passageiro, visto que gradativamente vão sendo excluídas pelo próprio sistema. Isto pode ser referenciado conforme dados dos países mais capitalizados que reduziram seu percentual de agricultores familiares a uma média de 5% da população. No caso dos EUA, esse percentual chega próximo a 2%.

Se considerarmos, de forma panorâmica, o desenvolvimento da agricultura no Brasil, fortemente influenciado pelas ações de estado e do capital externo, veremos que essa tese vem se confirmando, sendo que está se caminhando rumo ao que

61

está proposto pelos moldes capitalista da agricultura. Historicamente, constituí-se uma política agrícola nacional subordinada aos interesses capitalistas e que tem configurado um cenário de exploração cada vez mais agravado, tanto dos recursos naturais quanto dos seres humanos envolvidos. Ou seja, temos todas as condições, sendo pessimista, de seguir a mesma lógica desenvolvimentista dos países capitalistas avançados, que promoveram o processo gradativo de êxodo rural.

Temos entretanto, diferentes análises neste processo histórico, que se contrapõe a essa trajetória determinada pelos autores anteriormente citados. Para Chayanov (1974), o Camponês não é tipicamente capitalista e, ainda, que a viabilização econômica das unidades camponesas considera alguns aspectos básicos, combinado entre si quantitativamente os fatores de Força de trabalho, Terra e Capital. O Fator que determina o equilíbrio destes três é a Força de trabalho disponível, visto que quanto maior o for, maior é o potencial de trabalho, assim como a necessidade de consumo, que pode ser viabilizado pelo trabalho fora, caso os meios de produção não o sejam suficientes. O autor ainda destaca que é preferível ajustar o equilíbrio econômico sempre no trabalho externo, que na maioria dos casos é temporário, viabilizando as unidades campesinas.

Podem se constituir ainda, sistemas produtivos mais simplificados em relação ao mercado, constituindo as chamadas cadeias curtas e organizados de forma mais complexa em seu sistema de produção, estabelecendo um planejamento e integração de práticas produtivas contínuas dentro do sistema, capazes de manter bons graus de eficiência. Dessa forma constitui-se menor dependência ao mercado, com menor grau de exploração, constituindo diferentes estratégias de reprodução e que possibilitam a viabilização econômica e social das famílias camponesas de forma mais consistente (Van Der Ploeg, 2008).

Sistemas produtivos eficientes está relacionado à capacidade individual das famílias agricultoras em conduzir práticas adequadas de manejo. A fertilidade do Agroecossistema, maximizando o aproveitamento dos recursos naturais existentes é de responsabilidade do agricultor, visto que é ele que define em última instância, o que vai ser trabalhado, conforme destaca Khatounian, (2002). Ou seja conforme essas práticas é que se conduz os níveis de fertilidade e consequentemente altera os níveis de produtividade e dependência de insumos externos.

62

Assim, conforme destacado por Bartra (2015), a luta camponesa é a de buscar autonomia nos meios de produção de forma contínua superando a subordinação e de forma conjunta, consequentemente, combater a proletarização. Constrói se assim uma estratégia de resistência, construindo ações que resultam em diminuição do êxodo rural.

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 66-71)