No município de Araraquara, a fala de P1, não posicionou exatamente como um entrave, mas trouxe a menção sobre o treinamento dos novos funcionários contratados, que tem sido realizado pelos funcionários antigos.
P1 citou que a estrutura ligada à Arborização Urbana envolve diversas práticas, como poda, plantio, manutenção de viveiros, entre outras, e que no município de Araraquara, muitos desses serviços são terceirizados. Nesse caso, também existe uma demanda de acompanhamento e orientação, principalmente na manutenção e plantios. Sendo assim, o município sempre disponibiliza técnicos para acompanhar as equipes terceirizadas, cobrando que a manutenção seja feita da forma correta.
Em relação às podas, P1 mencionou a questão das podas drásticas, pois devido aos conflitos ligados à infraestrutura urbana, normalmente as empresas de energia elétrica precisam fazer podas nos locas onde tem a fiação. Devido a esse fato, têm sido feitas reuniões com essas empresas, envolvendo inclusive a promotoria de meio ambiente. Essas reuniões têm buscado encontrar alternativas para que as podas sejam realizadas da melhor forma, evitando as podas drásticas que podem prejudicar o desenvolvimento dessas árvores, pois, de acordo com Auer et al. (2012), dificultam a cicatrização e causam cortes que facilitam a penetração de fungos.
No município de São Carlos, houve menção em relação à estrutura da Gestão da Arborização Urbana do município de São Carlos, na qual P2 cita que o setor de arborização está separado em duas secretarias. Na fala de P2 não se notou uma dificuldade com esse fato, pois os funcionários das duas secretarias fazem os cursos de capacitação e compartilham os conhecimentos entre si e com outros funcionários envolvidos com a Arborização Urbana, inclusive os terceirizados. Porém, essa constatação foi adicionada às Dificuldades/entraves, porque na Questão 9 que vai tratar da estrutura da arborização, foi observado que a divisão em mais do que uma secretaria acaba atrapalhando um pouco nos trâmites ligados à AU, já que essa separação não é só na atribuição de tarefas, mas também física.
O comentário sobre a busca por novas técnicas de manejo e manutenção de árvores, na transcrição de P1, demonstra uma preocupação por parte da equipe técnica da AU em aperfeiçoar o trabalho que tem sido realizado nessa temática.
Com base nas percepções dos interlocutores ou suplentes sobre as dificuldades e boas práticas dos municípios no critério AU5 (Capacitação dos profissionais), foram elencados alguns pontos fortes e fracos observados em relação à GAU, dos municípios estudados (Quadro 20).
Quadro 20: Pontos fortes e fracos de Araraquara e São Carlos observados no critério AU5.
MUNICÍPIO PONTOS FORTES PONTOS FRACOS
ARARAQUARA
Foram contratados novos funcionários para o setor da AU no segundo semestre de 2019 e os
funcionários mais antigos os têm capacitado.
As capacitações realizadas com funcionários não ligados diretamente à AU têm incluído os
terceirizados.
Existe um acompanhamento de técnicos do município na manutenção da AU realizado pelos
terceirizados. O município tem realizado reuniões com as empresas de energia elétrica para encontrar alternativas que minimizem as
podas drásticas.
Não foram identificados na resposta à Questão relacionada ao
critério AU5.
SÃO CARLOS
Funcionários das duas secretarias principais do setor de AU participam de capacitações e compartilham os conhecimentos adquiridos entre si e com outros atores envolvidos com a AU.
Setor de arborização separado em duas secretarias que são distantes
MUNICÍPIO PONTOS FORTES PONTOS FRACOS
A equipe da AU não se limita aos cursos oferecidos pelo PMVA, buscando cursos especializados e
novas técnicas de manejo e manutenção de árvores. Fonte: Elaboração própria.
A seguir, são apresentadas as transcrições da Questão 3.5 do roteiro de entrevistas, referentes ao critério AU5 da DAU; constam as Dificuldades e Boas práticas observadas, separadas em sequências (Quadro 21).
Quadro 21: Transcrições e sequências das respostas à questão 3.5 do roteiro de entrevistas.
Questão 3.5. O que está sendo feito para possibilitar que profissionais da estrutura municipal envolvidos com
a Arborização Urbana sejam capacitados em seu município? Quais as dificuldades encontradas e boas práticas adotadas para atender a esse critério?
Seq. Transcrição 11 – P1 (AU5/Capacitação dos profissionais)
Percepções dos interlocutores Dificuldades Boas Práticas
1
P1: - Então, como eu falei, esses funcionários são novos, né? A gente tinha uma equipe de funcionários da Arborização Urbana que era mais antiga, essa equipe aumentou, esses funcionários mais antigos, eles têm dado o treinamento pra os que chegaram.
Novos funcionários necessitam de treinamento. Funcionários antigos treinam os funcionários novos. 2
P1: - E... se a gente pensar em uma estrutura maior, por exemplo, pra serviço de poda, plantio, viveiro, que envolve toda essa estrutura de Arborização Urbana, muitos desses serviços são terceirizados, principalmente essa parte da manutenção, poda, e... plantios, isso tudo é terceirizado, o viveiro não, mas a gente tem sempre um técnico do município acompanhando essas equipes de campo que são terceirizadas. Então, o pessoal é bastante exigente, no sentido ai desse manejo, que acompanha essas equipes terceirizadas, então, qualquer divergência em relação ao que é necessário, isso é comunicado pra empresa pra que ela prontamente se adeque.
Existem agentes terceirizados que necessitam de acompanhamento técnico. Os técnicos do município acompanham e orientam os terceirizados. 3
P1: - Principalmente assim, em relação a esse manejo de poda, poda sempre foi uma coisa complicada porque, a gente tem a empresa de energia, também fazendo poda onde tem a fiação, então a gente também já fez várias reuniões com a empresa de energia, inclusive envolvendo promotoria de meio ambiente, pra alinhar qual é a medida ideal pra fazer esse manejo, e... assim, devagarzinho a gente tem conseguido alguma coisa, né? Melhorar nesse sentido.
Conflitos de interesses nas podas.
Gestão de conflitos, buscando um manejo
que evite podas drásticas.
Questão 3.5. O que está sendo feito para possibilitar que profissionais da estrutura municipal envolvidos com
a Arborização Urbana sejam capacitados em seu município? Quais as dificuldades encontradas e boas práticas adotadas para atender a esse critério?
Seq. Transcrição 12 – P2 (AU5/Capacitação dos
profissionais) Dificuldades
Boas Práticas
1
P2: - Esse ano a gente participou de vários cursos, então, cursos que são oferecidos, é... tanto pelo município verde azul, que eles acabam abrindo em algumas cidades e temos ido, como cursos assim... mais técnicos, é... em instituições até privadas.
Não foram citadas.
Participação em cursos especializados, além
dos oferecidos pelo PMVA.
2
P2: - Então, a nossa secretaria, e outra que também está envolvida, que no caso é os serviços públicos. A gente tem feito cursos, tanto fora, como cursos pra capacitar quem está dentro. Então esse ano a gente realizou curso é... pra os funcionários das secretarias. Então a gente tem capacitado tanto de fora pra capacitar o pessoal que trabalha com isso, quanto dentro pra capacitar outras pessoas que também trabalham, nem que forem os terceirizados.
Setor de arborização separado em duas secretarias. Secretarias participam de capacitações e compartilham o conhecimento, inclusive aos terceirizados. 3
P2: - Então sempre a gente está fazendo. Isso é uma coisa que desde o ano passado a gente tem buscado, essas capacitações... essas novas técnicas... tudo que melhore a... questão de poda, questão de avaliação de risco, avaliação é... da própria árvore, né?
Não foram citadas.
Busca por novas técnicas de manejo e
manutenção de árvores.
Fonte: Elaboração própria.