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Chapitre C - Sol-Gel Transition and Gelatinization Kinetics of Wheat Starch

6.1.1.1. A génese filosófica do Judaísmo

Conquanto filosoficamente não exista no sentido estreito do termo, a filosofia judaica tem a sua raiz na Bíblia, segundo o racionalismo talmúdico que a caracterizou de acordo com uma imagem definida e compreensiva do Mundo e da vida.

A esse racionalismo se deve a contribuição filosófica dos gregos. Essa mesma contribuição que aliada às dadas pelos árabes permitiu o surgimento, quer na Antiguidade, quer na Idade Média, de inúmeros filósofos judeus, cuja importância se revelou nos últimos dois séculos quando surgiram os grandes movimentos sionistas que foram a génese do Estado de Israel.

Entre esses filósofos destaque para Philo, de Alexandria, Saadaya – fortemente influenciado pelos calamitas árabes e de quem muitos afirmam ser o “pai da filosofia judaica”; a ele se deve o Torah, o livro sagrado dos judeus e de Israel, – Solomon ibn Gabirol, Bachya ibn Pakuda, este influenciado pela cultura árabe sufista, Judah Halevi, Moses Maimónides, Hisdai Crescas, Joseph Albo, Moisés Cordovero, a quem se deve a instituição do Yom Kippur Katon – o Dia da Expiação, – um dos dias mais sagrados para os judeus como mais adiante se verá, Isaac Lúria e Joseph Karo, entre outros.

Mas é entre os modernos movimentos filosóficos judaicos que vamos encontrar a génese do movimento sionista e do moderno Estado de Israel. Entre os movimentos moderados, destacamos a “Escola Livre Judaica de Berlim”, cujos mentores foram Moisés Mendelssohn, Naphtali Wesseley e David Friedländer, o “Movimento Conservador”, de Sabato Morais e Salomon Schechter, e o “Movimento de Reconstrução”, liderado por Mordecei Kaplan. Por sua vez, entre os mais tradicionalistas ortodoxos, destacam-se o “Princípio de Austritt” – separatismo, – do rabino Sansão Rafael Hirsch, a “Conferência Central de 1892” e os “Congressos Sionistas Mundiais”, de 1897, no Quénia, no qual Teodoro Helrz aceita a criação de um

Estado de Israel110, e o de 1917, em Londres, onde, no decorrer do qual, Arthur Balfour, antigo MNE britânico, se comprometeu em criar um “Foyer National Juif”, um território autónomo onde pudessem regressar todos os judeus da Diáspora.

A “Declaração de Balfour”111, como ficou conhecida, prometia aos movimentos sionistas, entre outras coisas, a criação de um Estado de Israel, num local que confinaria com as actuais fronteiras do Uganda, e a consagração dos direitos dos judeus, segundo o preceituado pelo Torah, o principal órgão regulador das Leis e Sabedorias terrena e espiritual judaica, nas palavras de Schechter112. Todavia, o interesse sionista estava virado para os ancestrais territórios judaico-samaritanos, a Palestina dominada pelos otomanos e árabes islamizados. Essa mesma teoria já tinha sido defendida, no terceiro quartel do século XIX, por Rabbi Zvi Hirsh Kalisher (1785- 1877), na obra “Derishath Zion”. A teoria de Kalisher defendia o avanço dos judeus para a Palestina113, através de colónias resultantes dos apoios de governos benevolentes e da generosidade de outros judeus. Justificando-se com passagens da Bíblia e do Talmude114.

6.1.1.2. A fundação de Israel

Foi com o Congresso Mundial de 1897 que o Sionismo surgiu como um movimento organizado, em torno de um ideal nacionalista, favorável ao retorno à terra prometida por Deus a Abraão. Ou seja, a defesa do retorno à Palestina, a Terra Santa ocupada pelos Otomanos.

Este ideal emergente leva a maioria dos povos centro-europeus e árabes a declararem uma surda guerra anti-semita e anti-judaica. Os árabes porque viam parte do seu histórico território ser, eventualmente, ocupado por “ímpios e ancestrais

110 Herzl tinha-se afirmado no ano anterior quando no I Congresso Sionista, realizado em Basle, Suiça,

lança a obra “The Jewish State”. Esta obra defendia a criação de um Estado judeu, não independente, reconhecido e apoiado pela comunidade Internacional.; cf. PHILIPS, Ellen (ed.), Library of Nations

“Israel”, Time-Life Books, Amsterdam, 1986, pág. 58.

111 Apresentada à Organização Sionista Mundial, pelo Ministro britânico das Relações Exterior, Lord

Balfour, em 2 de Novembro de 1917; cf. FAVROD, Os Árabes, op. cit., pág. 16 e The Internacional Status of the Palestinian People, United Nations, New York, 1981.

112 HERTZBERG, Arthur, Judaísmo, Lisboa, Editorial Verbo, 1981, pág. 99.

113 Do árabe “Phalestina”, que deriva do nome “Filistina”, a terra dos filisteus. Para um maior

desenvolvimento ver MAMEDE, Suleiman Valy, Palestina; Drama do nosso tempo, edição do autor, Lisboa, 1978, 45 págs. (mapas VI e VIII).

inimigos” e os europeus que começavam a registar a fuga dos seus melhores economistas e financeiros. A banca e a usura eram dominados pelos judeus.

Mas foi com a Declaração de Balfour, integrada na Declaração de Mandatos da SDN para os territórios dominados pelo Império Otomano, e apoiada, nomeadamente, pelos artºs 4º. e 9º. do mandato britânico na Palestina, que o Estado de Israel começou a tomar forma.

Os artigos em questão admitiam a compra e colonização de terras nos territórios sob mandato. Como se sabe, coube ao Reino Unido a administração do território conhecido por Palestina e onde os sionistas declaravam desejar instalar o Estado de Israel. Ora a política britânica da altura facilitou essa pretensão apoiando a emigração judaica para a Palestina, onde já existia uma pequena colónia judaica de cerca de 10 mil pessoas.

O que os britânicos não previram foi a ida em grande escala de judeus sionistas para aquele território, já de si problemático por os britânicos não estarem a cumprir com as suas promessas de autonomia e independência como recompensa do apoio árabe anti-turco na Primeira Guerra Mundial. Os Judeus cresceram, em dez anos, para um número próximo das 400 mil almas.

Este desmesurado crescimento, para uma região relativamente pequena e pobre, quer no ponto vista agrícola quer de acordo com as informações geológicas dos terrenos que indicavam não apresentarem quaisquer vestígios de minérios, levou os britânicos a tentarem conter a fuga judaica. Churchill chegou a afirmar nos anos 30, que admitiria a existência de um Lar Nacional na Palestina mas nunca que, alguma vez, a Palestina se viesse a tornar no Lar Nacional Judaico.

Todavia, para os judeus, as trágicas ocorrências ocorridas durante da II Guerra Mundial foram a mola impulsionadora que permitiu reforçar o poder sionista. As profundas feridas abertas pelo nazismo e a própria intolerância europeia foram factores condicionantes para que a fuga de uma Europa destroçada e empobrecida se tornasse realidade. A Palestina era a “terra prometida”.

114 Cf. EPSTEIN, Isidore, Judaísmo, Lisboa, Editora Ulisseia, não datado, pág. 295.

A posição das Nações Unidas, apoiadas pelos norte-americanos e pelos soviéticos, países onde as comunidades judaicas são numerosas e politicamente influentes, acabaram por tornar possível a criação de um Estado judaico. Assim, pela Resolução 181, da Assembleia Geral da ONU, de 29 de Novembro de 1947 (33 votos favoráveis, 13 contra e 10 abstenções), o Estado de Israel tornou-se numa realidade. Esta Resolução previa a existência de três entidades políticas diferentes: um Estado judaico (o Estado de Israel), uma Palestina árabe e uma Zona Internacional, que englobava a cidade Santa de Jerusalém, ligadas economicamente, entre si115. O Estado de Israel afirmou-se, existindo, oficialmente, desde 1948116.

6.1.1.3. As guerras israelo-árabes

A criação do Estado de Israel foi precedido de inúmeros, se bem que localizados, conflitos entre os sionistas e as populações árabes locais. Os primeiros movimentos sionistas, vincadamente militares, foram o Hashomer, liderado por Israel Shoat, e o Irgun Tsva’I Leumi (Organização Nacional Militar), de que foi membro Menachem Begin117.

No entanto, foi com a independência que esses conflitos se transformaram em guerras formais. A primeira aconteceu logo após a independência e ficou conhecida pela “Guerra da Independência”.

Todavia, foi com as seguintes que o movimento sionista se afirmou no contexto regional e conquistou a antipatia dos novéis países africanos, a maioria membros do Movimento dos Não Alinhados, de que fazia parte, entre outros, o Egipto, um dos principais Estados fundadores deste Movimento. De facto foram as guerras “dos Seis Dias”(1967), e a de “Yom Kippur” (Outubro de 1973) que provocaram a ruptura total entre os judeus e os governos africanos. Registe-se que, na habitual linha defendida pelos judeus em reconhecerem aos povos o direito à autodeterminação, que as independências africanas foram total e inequivocamente apoiadas por aqueles. Eram, regra geral, os primeiros a reconhecerem o novos Estados.

115 Cf. IÁKOVLEV, A. N. e ZAMIÁTIN, L. M. (dir) e outros Dicionário de Política Internacional,

Edições Avante, Lisboa, Agosto de 1988, págs. 311 e 312 e MAMEDE, Suleiman, op. cit., pág. 17.

116 A Declaração de independência e consequente criação do Estado de Israel, foi proclamada por David

Ben-Gurion (1886-1973), o primeiro presidente israelita, em 14 de Março de 1948.

No entanto, há que reconhecer que à posição africana não foram alheias as movimentações políticas dos Países socialistas que, salvo a excepção da Roménia, cortaram relações com Israel e apoiaram os Estados árabes na sua luta com os judeus. África estava, na sua maioria, ligada não só aos Não-Alinhados como, principalmente, alinhada com as posições soviéticas e cubanas.

Só a África do Sul, apesar do seu movimento segregacionista, e a Uganda, do ditador Idi Amin que tinha visto a sua tentativa em se tornar islamita ser recusada pelos imãs, se mantiveram ligadas a Israel. Além destes, por motivos mais políticos que culturais, os territórios ultramarinos portugueses.

Ao mesmo tempo que os africanos, nomeadamente os Estados ao sul do Saara, reafirmavam a sua crítica ao “movimento sionista internacional”, devido à ortodoxia religiosa judaica que, por vezes, domina o Knesset (Parlamento israelita), um outro movimento religioso começava, evocando as suas leis religiosas, a afirmar-se no Sistema Internacional, em geral, e no Norte de África e Médio Oriente, em particular.

Estamos a falar do Islamismo e da sua força religiosa, política e militar.