Os respondentes do Conjunto habitacional Coohabpel consideraram que o
estado de conservação das fachadas dos prédios estava de médio a bom. A satisfação com a aparência, o interesse pelas cores aplicadas e a harmonia foram
apontados por eles de forma neutra. Essa parcialidade em quase todas as respostas reflete o significado de quem há muito tempo reside lá e que, embora aprecie o local, detecta que o estado de conservação e manutenção da pintura dos prédios está prejudicado pelo tempo.
No Coohaduque, os moradores demonstraram, através dos resultados, um elevado índice de satisfação com o conjunto em que residem. Esses indivíduos afirmaram que a pintura das paredes das fachadas dos prédios estava em bom
estado de conservação e as cores em harmonia, sendo consideradas amigáveis. Os
moradores desse conjunto avaliaram as cores das fachadas com interesse, proporcionando uma grande agradabilidade. A satisfação elevada com esse conjunto reflete o estado de conservação da pintura de seus prédios, que possuem uma pintura relativamente nova.
Quanto ao Conjunto Habitacional Guabiroba, os resultados evidenciam contradições quanto aos demais. Os indivíduos avaliaram a aparência do seu conjunto habitacional de maneira muito insatisfatória. Na avaliação feita pelos moradores do conjunto, houve a comprovação e a ciência do péssimo estado de
conservação da pintura das fachadas, prejudicando a qualidade do ambiente. A falta
de harmonia e variedade das cores foi constatada pelos moradores, gerando grande descontentamento.
O que se pode constatar é o quanto a cor pode influenciar e valorizar as construções simplificadas em termos formais, sem fazer o uso da valorização da forma em si, com reentrâncias e saliências. Por outro lado, referenciam-se os benefícios que a cor pode trazer a esses planos de fachadas retilíneos e simplificados, como no caso deste objeto de estudo, os conjuntos habitacionais. Prova disso é o conjunto Coohaduque, que valoriza os aspectos formais de suas fachadas com o uso de cores diferenciadas e com a manutenção do estado de conservação de sua pintura. O reflexo disso se confirma na satisfação de seus moradores com seu ambiente residencial, proporcionando dessa forma, uma maior
agradabilidade. Com o intuito de atingir a qualidade estética visual, tanto nos
aspectos formais como cromáticos, é que se propôs a análise das fachadas dos prédios dos conjuntos habitacionais. A partir da análise das características (variáveis formais e simbólicas) dos modelos cromáticos que interferem na
percepção dos indivíduos é que se levantaram hipóteses que foram verificadas
5.3.2 Conclusões sobre hipóteses avaliadas
Após a análise de várias hipóteses já apresentadas no capítulo anterior, apresentam-se aqui, de forma contínua, os resultados dessas correlações, como se segue.
Conforme a verificação dos resultados, na relação entre agradabilidade e
satisfação, a hipótese em questão foi confirmada, ou seja, quanto maior a percepção
de agradabilidade das cores nos conjuntos habitacionais, maior é o nível de
satisfação com a aparência visual por parte dos indivíduos.
Com base nos dados verificados neste trabalho, é possível concluir que a
atratividade interfere na satisfação, existindo uma forte correlação entre ambas. Ou
seja, quanto mais interessantes em termos de cor são percebidas as fachadas dos prédios dos conjuntos habitacionais pesquisados, maior é o índice de satisfação dos indivíduos com o conjunto habitacional. Segundo Naoumova (2009), o potencial de
atratividade está diretamente ligado ao interesse proporcionado pelas características
formais dos objetos ou ambientes, e o seu grau de complexidade. De acordo com cada ambiente e estímulos visuais nele contidos, o interesse pode vir a ser de maior ou menor relevância para a preferência.
Na relação entre estado de conservação da pintura dos prédios e a
satisfação dos moradores, a hipótese confirma que o estado de conservação da
pintura dos prédios interfere na satisfação com a aparência visual dos conjuntos habitacionais. Nos testes realizados em conjuntos habitacionais, a correlação entre estado de conservação e satisfação obteve índices muito fortes para a sustentação desse pressuposto. Sendo assim, de acordo com outros estudos já realizados (LAY, REIS, 2004), a pesquisa em questão evidencia e, também, comprova essa hipótese. Os dados da pesquisa confirmam a hipótese que o grau de satisfação influencia a aparência visual do conjunto habitacional. O estudo das relações entre
satisfação e relacionamento harmônico entre as cores mostra correlação positiva
entre eles. Isso significa que os resultados tendem a ser proporcionais sendo que, quanto mais harmônicas são percebidas as cores dos prédios, mais
satisfatoriamente o conjunto habitacional é avaliado.
Na relação entre satisfação com as variáveis de destaque e coerência, especificamente quando abordado sobre o destaque, identificou-se que: o destaque
do conjunto habitacional no entorno imediato interfere na avaliação da satisfação com a aparência visual. Desse modo, quanto mais o conjunto habitacional se
destaca entre outros prédios da rua, menos satisfeitos se tornam os moradores do
conjunto (as cores do conjunto não parecem adequadas à rua). Por conseguinte, a hipótese foi parcialmente comprovada.
Quanto à coerência das cores do conjunto habitacional, a pesquisa identificou que: a coerência no entorno imediato interfere na sua avaliação (satisfação com a aparência visual). Consequentemente, quanto mais as cores do conjunto são coerentes com os prédios do entorno, mais satisfeitos com a aparência do conjunto ficam os indivíduos (as cores parecem adequadas). Portanto, essa hipótese foi confirmada.
O estudo também ratificou a hipótese das relações entre agradabilidade e variação das cores. A variação das cores nos prédios influencia o grau de
agradabilidade do conjunto habitacional, sendo que, quanto mais variadas são
percebidas as cores, mais agradavelmente os prédios do conjunto habitacional são avaliados. Essa conclusão está em paralelo com estudos de Prak (1985). O que se pode perceber, de acordo com os estudos realizados nesta pesquisa, é que, para os modelos cromáticos desenhados e apresentados, essa hipótese foi comprovada. Assim sendo, quanto maior a variedade cromática percebida nas fachadas dos modelos cromáticos, maior será o interesse em vê-las.
Outra análise que foi feita demonstra a ligação entre as variáveis de
interesse e variação das cores, propondo que o interesse está relacionado à variedade das cores nas fachadas dos prédios. Por essa razão, acredita-se que,
quanto mais variadas são percebidas as cores dos prédios, mais interessantes elas se tornam para os moradores do conjunto.
Na relação dos estudos entre agradabilidade e harmonia das cores, os dados confirmam essa hipótese. O relacionamento harmônico, avaliado como ordem entre as cores dos prédios, influencia a avaliação da sua agradabilidade. Por consequência, quanto mais harmônicas são percebidas as cores dos prédios, mais
agradavelmente elas serão consideradas. Esse resultado ratifica o estudo de Tosca
(2001). Assim sendo, na avaliação feita pelos indivíduos, moradores de cada conjunto habitacional, em relação à harmonia das cores, esta hipótese é evidenciada.
Outra hipótese estudada relacionou as variáveis entre agradabilidade e as
associações simbólicas. A avaliação positiva das associações simbólicas atribuídas
às cores dos prédios contribui para uma percepção maior de agradabilidade das cores dos prédios do conjunto habitacional. Quanto mais alegres e mais amigáveis são percebidas as cores das edificações, mais agradavelmente as cores dos prédios do conjunto habitacional são percebidas.
Como observação deste estudo, foi percebida uma influência da
familiaridade na preferência estética. Acredita-se que afamiliaridade com o conjunto
habitacional influencia a preferência estética. Sendo assim, julga-se que, quanto
mais familiarizado o respondente está com o conjunto em que reside, maior será sua preferência pelo mesmo, sendo avaliado mais positivamente. Outra relação de
variáveis percebidas e observadas indica que,para os indivíduos moradores desses conjuntos habitacionais, o julgamento de beleza está diretamente ligado à
familiaridade que eles têm com o local onde residem.
Quanto à relação entre a preferência estética (beleza) e a ordem das tipologias estruturais, identificou-se que a preferência pelas tipologias estruturais dos prédios está influenciada pelo nível de atratividade e organização das suas fachadas, sendo que quanto mais interessantes e mais organizadas são percebidas as tipologias são avaliadas como preferidas. Da mesma forma, a preferência
(beleza) pelos modelos cromáticos dos prédios está também influenciada pelo nível
de atratividade das cores usadas nesses modelos, sendo que, quanto mais
interessantes são percebidas as cores, mais os modelos são considerados preferidos. A preferência (beleza) pelas tipologias cromáticas dos prédios está
influenciada pelo nível de atratividade das cores usadas em suas fachadas, pois, quanto mais interessantes são percebidas as cores, mais elas são consideradas
preferidas. Notou-se que, quando essa questão foi investigada, os resultados
evidenciaram que o elevado grau de atratividade dos modelos cromáticos se relacionou com a beleza. A hipótese é sustentada pelos resultados, confirmando sua relação.
Quando avaliada a relação entre a preferência estética (beleza) e o
contraste, o estudo demonstrou que a preferência (beleza) pelas tipologias cromáticas dos prédios está influenciada pelo grau de contraste das cores usadas
elas se tornam preferidas. Essa hipótese não foi confirmada por este estudo, sustentando os estudos de Kopacz (2003). Os altos contrastes foram percebidos com maior rejeição pelos respondentes. E, na avaliação da harmonia das cores, a hipótese da relação com a preferência estética (beleza) foi demonstrada. Portanto, a
preferência pelas tipologias cromáticas dos prédios está influenciada pela harmonia
entre as cores usadas em suas fachadas. Logo, quanto mais harmônicas forem as cores, mais esteticamente elas se tornam preferidas.