objet.méthode(arguments)
Chapitre 15 : CGI et Python
Para definir as tecnologias digitais, faz-se necessário contemplar sua trajetória conceitual, que incluem sobretudo os conceitos de ciência, tecnologia e sociedade (CTS).
Vieira Pinto (2005) destaca que o maravilhamento de um novo produto cada vez dura menos tempo, havendo necessidade constante de novos produtos, novos fatos, novos acontecimentos. Assim,
Sob o nome de ciência, o que de fato se destaca é a solução, em forma de produção de conceitos e de utensílios, da contradição original do homem, a que o opõe à natureza, que necessita cada vez mais dominar para desenvolver, sempre em condições sociais, sua essência humana. Nesse sentido, a constatação de que o homem se maravilha agora com suas obras tem justificativa, pois revela o grau de avanço conseguido no domínio sobre a natureza. (VIEIRA PINTO, 2005, p. 39).
Antes, o homem se admirava das maravilhas do mundo, da natureza, agora, se maravilha de suas próprias obras, ou seja, dos produtos fabricados pela arte e pela ciência, estes que formarão a ele uma nova natureza (VIEIRA PINTO; 2005).
Bazzo, Linsingen e Pereira (2003, p. 14) definem que “o vocábulo “ciência” deriva do latim “scientia”, substantivo etimologicamente equivalente a “saber”, “conhecimento””.
Nessa conjuntura, Kreimer (2009) traz que o conhecimento é uma prática social como qualquer coisa, e que a ciência é uma promessa e uma garantia de soluções, ou seja, se um produto for cientificamente comprovado, significa que houve
um extenso trabalho anterior para obtê-lo. Ainda segundo o autor (ibid., 2009), ao estudar a ciência, deve-se permear a imparcialidade – no que diz respeito à verdade e à falsidade, ao sucesso ou ao fracasso – e à simetria – no estilo de explicação, e que os mesmos tipos de causas devem explicar, por exemplo, crenças verdadeiras e falsas. Alguns riscos envolvem os investimentos feitos pelos pesquisadores – indivíduos envolvidos em um processo de estudo para ver se o objeto de estudo é apropriado ou não –, o primeiro é o de não alcançar o resultado desejado, e o segundo é estabelecer o momento de usar (ibid., 2009).
Ainda segundo Kreimer (2009), a ciência moderna inclui três etapas. A primeira etapa contempla a institucionalização, a qual refere-se à criação de instituições e que se pode estudar diferentes assuntos. A segunda etapa é a de profissionalização, que inclui recursos econômicos para sua subsistência, e que há o compartilhamento do trabalho em fóruns e revistas. Por fim, a última etapa é a da industrialização, nesta a ciência está presente na multiplicação em massa de equipamentos.
Antes de definir o termo tecnologia, apresenta-se o significado de técnica, pois este apoiará no entendimento da definição do referido termo. Bazzo, Linsingen e Pereira (2003, p. 39-40) definem que a “técnica faz referência a procedimentos, habilidades, artefatos, e desenvolvimentos sem ajuda do conhecimento científico”. Para Vieira Pinto (2005), a técnica representa uma relação entre o homem e a natureza, pois em cada fase histórica, desenvolve uma técnica para dominar a natureza. Ainda o autor (ibid., 2005) defende que uma concepção contemporânea da técnica não dever ser compreendida partindo da ferramenta, mas pelo seu manejo e fabricação de coisas.
Gama (1986, p. 30) define técnica como:
Conjunto de regras práticas para fazer coisas determinadas, envolvendo a habilidade do executor e transmitidas, verbalmente, pelo exemplo, no uso das mãos, dos instrumentos e ferramentas e das máquinas. Alarga-se frequentemente o conceito para nele incluir o conjunto dos processos de uma ciência, arte ou ofício, para obtenção de um resultado determinado com melhor rendimento possível. Definidos os termos de ciência e técnica, torna-se plausível conceituar tecnologia. De tal modo, o termo tecnologia vem do grego (techne = arte, ofício + logos = estudo de) e quer dizer aplicação de conhecimentos científicos na solução de problemas práticos, ou ciência aplicada, conforme Nérici (1973, p. 9).
Para Vieira Pinto (2005) a palavra tecnologia pode ser resumida em quatro significados. O primeiro é aquele etimológico que diz ser a tecnologia a teoria, a ciência, o estudo, a discussão da técnica, ou também, com a noção de artes e de habilidades do saber fazer, e ainda, como modo de produzir alguma coisa. O segundo, que é o mais usado, trata da tecnologia como um equivalente da técnica quando se apresenta como fazer bem ou, principalmente, um fazer novo. O terceiro estritamente ligado a esse segundo entende a tecnologia como o conjunto das técnicas de que dispõe uma determinada sociedade, em qualquer fase histórica de seu desenvolvimento. O quarto, e último significado, observa a tecnologia como uma ideologização da técnica, ou seja, a ideologia da técnica.
Outras definições para o termo tecnologia são apresentadas a seguir: Estudo e conhecimento científico das operações técnicas ou da técnica. Compreende o estudo sistemático dos instrumentos, das ferramentas e das máquinas empregadas nos diversos ramos da técnica, dos gestos e dos tempos de trabalho e dos custos, dos materiais e da energia empregada. A tecnologia implica na aplicação dos métodos das ciências físicas e naturais e, [...] na comunicação desses conhecimentos pelo ensino técnico. (GAMA, 1986, p. 30-31). Conjunto de procedimentos que permitem a aplicação dos conhecimentos próprios das ciências naturais na produção industrial, ficando a técnica limitada aos tempos anteriores ao uso dos conhecimentos científicos como base do desenvolvimento tecnológico industrial. (BAZZO; LINSINGEN; PEREIRA, 2003, p. 39).
Logo, a tecnologia depende da pesquisa científica e na sequência o homem passou a atuar em causa e efeito, bem como a ser auxiliado por instrumentos (NÉRICI, 1973). Desta forma, o homem passou a atuar tecnologicamente, e auxiliado por máquinas sempre que possível. A educação não fugiu deste envolvimento, assim, a tecnologia da educação significa a aplicação de princípios científicos (ibid., 1973).
Uma nova semântica da tecnologia é encontrada por Mota e Scott (2014) e por Lévy (2010), como é o caso da tecnologia digital, sustentada pela introdução da Internet, tendo como principal razão viabilizar a interatividade. Nesse sentido, o significado do computador se desloca de uma fonte de informação fria e racional, para um meio de comunicação, com o suporte ao desenvolvimento do ser humano e de comunidades virtuais (FEENBERG, 2010a).
Por fim, o sociólogo Robert Merson (apud KREIMER, 2009) sugeriu a associação de ciência, tecnologia e sociedade, e descreve que há uma relação entre
o conhecimento científico, desenvolvimento tecnológico e social, econômico, cultural, entre outros.
O fator humano também é apontado por Kim Vicente (2005) como o centro de planejamento de uma tecnologia eficiente para o mundo moderno, e o autor estabelece uma Escada Humano-Tecnológica. Esta Escada constitui as necessidades humana ou societária de tecnologia, a qual deveria se fazer presente no desenvolvimento de novos produtos ou de sistemas tecnológicos complexos, principalmente aqueles de segurança crítica, como a aviação, as usinas nucleares e os hospitais. Essas necessidades são determinadas no âmbito de elementos físicos (por exemplo: tamanho, formato; ou seja, necessidade material), psicológicos (por exemplo: conteúdo de informação, estrutura; ou seja, necessidade causa/efeito), de equipe (por exemplo: autoridade, padrões de comunicação; ou seja, necessidade de responsabilidades), organizacional (por exemplo: cultura corporativa; ou seja, necessita dos níveis de pessoal), e político (por exemplo: agenda política, leis e regulamentos) (ibid., 2005).
Desta forma, Vicente (2005) propõe uma revolução Humano-Tecnológica, elencando alguns pontos:
- os cidadãos devem comprar produtos Humano-tecnológicos;
- os executivos de corporações devem desenhar produtos que com base no fator humano, também sejam uma forma de lucrar;
- os governos devem fazer do pensamento Humano-tecnológico parte integrante das regras que governam os setores de segurança crítica do governo para que vidas possam ser melhoradas e poupadas;
- as organizações internacionais para o desenvolvimento humano devem focar em um tipo diferente de tecnologia nos países menos desenvolvidos para que tenha afinidade com as necessidades locais;
- a mídia deve focar suas reportagens nas pessoas e suas necessidades e não na tecnologia; e
- as universidades podem contribuir dirigindo um olhar mais crítico para o ensino técnico.
Com isso, como as tecnologias tornam-se cada vez mais complexas e o seu ritmo de atualização aumenta – como é o caso dos dispositivos móveis –, infere- se que a situação só tende a agravar se não houver uma conscientização de que os fatores humanos são imprescindíveis, e que produtos mal projetados podem oferecer
prejuízos à vida humana e ao planeta. Nesse sentido, alguns aspectos relacionados à destinação dos aparelhos em desuso, bem como à radiofrequência e outros possíveis riscos instigados pelos dispositivos móveis são deliberados mais adiante.
Concorda-se com Postman (1994, p. 27) em sua citação de que
uma nova tecnologia não acrescenta nem subtrai coisa alguma. Ela muda tudo. No ano de 1500, cinquenta anos depois da invenção da prensa tipográfica nós não tínhamos a velha Europa mais a imprensa. Tínhamos uma Europa diferente.
Entende-se que esta mudança não é devido à tecnologia em si, mas às possibilidades de suas aplicações pelos seres humanos, ou seja, como os dispositivos móveis e a Internet são empregados no cotidiano dos atores desta pesquisa. Então, deduz-se que não há uma solução simples, mas é importante analisar e discutir cada tecnologia com a comunidade científica e com a sociedade, para então chegar à uma solução. Portanto, compreende-se que se a tecnologia tiver afinidade com a natureza humana, esta será capaz de criar mudanças sociais.
De tal modo, nesta pesquisa, presume-se que a sociedade envolvida seja a da cibercultura, que vem se desenvolvendo juntamente com o crescimento da Internet. Esta sociedade é apresentada a seguir.