4. Handshake Protocol
4.4. Authentication Messages
4.4.2. Certificate
A partir da listagem final, muitas possibilidades de estudo se abrem. Uma análise dos resultados aponta a predominância da narrativa do tipo “mãe em foco”, que representa 60,83% dos resultados finais encontrados (14 dos 25). Diante deste dado, nosso caminho foi optar pela análise deste grupo.
A escolha também se justifica pelo fato de que as temáticas “outros/maternidade”, “pai” e “família” tangenciam o tema, mas não colocam a maternidade como questão central de sua produção. A categoria “famosa”, por sua vez, tem a especificidade de trazer “a reboque” do conteúdo veiculado no YouTube a visibilidade destas mulheres em outros meios, o que torna estes canais um fenômeno menos “orgânicos” - a busca pelo canal de Tata Fersoza, por exemplo, pode se dar pela tanto pela admiração à atriz de televisão, como pelo fato de ela ser casada com um cantor famoso - não necessariamente por falar de sua vida como mãe. Já a temática “mãe adolescente” seria, em nossa avaliação, um recorte muito específico, visto que trata de uma experiência de maternidade em determinada faixa etária. Contudo, acreditamos que haja potencial para outros estudos específicos neste caso, visto que o YouTube consolidou-se, em 2018, como a rede social mais popular entre jovens de 13 e 17 anos, conforme estudo do Pew Research Center45.
Entre os 14 canais do grupo que apareceram na listagem final, procuramos avaliar aqueles que receberam maior número de apontamentos nas buscas do Google e que, simultaneamente, apareceram também nas buscas do YouTube, o que nos fez chegar a um total de cinco canais: Flavia Calina, Hel Mother, Tali Mãe dos Bê, Babi Sabbag e Macetes de Mãe. O canal Vida de Gestante e Mãe também seria enquadrado em tais características, mas em função 43 Thiago Queiroz, pai de três filhos, que faz vídeos sobre criação com apego, disciplina positiva e
paternidade ativa.
44 Marcos Piangers, pai de Anita e Aurora, autor do best-seller “O Papai é Pop”, palestrante sobre
criatividade, inovação e filhos.
71 de estar inativo há mais de seis meses, foi excluído da amostragem, já que os demais canais elencados apresentam atualizações, no mínimo, semanais.
Há que se observar que, exceto no caso de Flavia Calina, que é o canal com maior número de inscritos de todos (mais de cinco milhões), outros têm menos inscritos que alguns presentes nas listas do YouTube. No entanto, acredita-se que o referenciamento e aparecimento em múltiplas buscas (Google e YouTube) proporciona um resultado mais amplo de análise do que unicamente o critério de número de inscritos.
Pondera-se que a análise em profundidade destes cinco canais pode dar pistas sobre como as mães youtubers tratam a experiência da maternidade nesta rede social e, a partir do número de visualizações dos vídeos, comentários e outras formas de interação, também revele o tipo de conteúdo que mais atrai usuários desta rede.
Enfatizamos que a escolha destes canais deu-se a partir do número de apontamentos e cruzamentos dos diferentes dados de busca, cujo percurso foi até aqui explicitado, mas isto não significa que estes devam ser encarados como “modelos únicos” ou exemplos representativos dos demais e sequer da temática em si, visto que cada proposta de canal é única - assim como a própria experiência da maternidade em si, na realidade, também o é.
Uma vez definidos os cinco canais de YouTube sobre maternidade a serem analisados (Babi Sabbag, Flavia Calina, Hel, Macetes de Mãe e Tali Mãe dos Bê), o trabalho debruça-se sobre o conteúdo dos mesmos, com a metodologia da análise de conteúdo e o aporte teórico até aqui explicitado. A partir da análise dos objetos empíricos - os vídeos dos canais de youtubers que são mães - tem-se o intuito de compreender as imagens simbólicas que emergem nas produções destas youtubers bem como avaliar as modificações e/ou permanências das imagens coletivas sobre maternidade historicamente identificadas neste material.
O YouTube apresenta vídeos de um canal a partir de três critérios: mais populares, data de inclusão “mais antigo” ou data de inclusão “mais recente”. A análise é feita a partir dos vídeos mais populares, ou seja, aqueles que têm mais visualizações, pois isto demonstra que tal conteúdo interessou a um número maior de pessoas. Contudo, também é importante fazer menção a vídeos mais recentes, pois é natural que vídeos mais antigos tenham mais visualizações - mas também nos parece importante verificar o que de mais atual o canal vem apresentando. Além disso, através da análise do vídeo mais recente é possível perceber o fluxo de espectadores e de publicações - em alguns canais, poucas horas após ser publicado, um determinado vídeo já é
72 visto por milhares de pessoas. Para abarcar estes diversos aspectos, a proposta engloba a análise aprofundada dos dois vídeos mais populares e também do mais recente de cada canal, o que gera um total de 15 vídeos a serem analisados em profundidade.
A análise dos vídeos dos canais envolve as três etapas descritas por Bardin (2011) que, neste trabalho, seguem o seguinte percurso para cada um dos cinco canais que compõem o corpus do trabalho:
1) Pré-análise: descrição das informações do canal no YouTube; contextualização complementar de informações do canal e de sua criadora a partir de buscas no Google e no Google Acadêmico.
2) Exploração do material: análise do conteúdo dos vídeos, a partir da descrição dos dois vídeos mais populares do canal e do mais recente.
3) Tratamento dos resultados: inferência e interpretação dos resultados obtidos nas etapas anteriores.
Os canais em estudo contam com um fluxo permanente de atualização e o YouTube, como rede social digital, trata-se de um espaço de constantes modificações. Por este motivo, foi definida a data do dia 23 de agosto para o “vídeo mais recente” a ser analisado em cada canal. A definição de um único dia possibilita comparação de atualizações e fluxos de visualizações entre os diferentes canais. Já os dados referentes à descrição geral de cada canal (números de visualizações, inscritos, etc.) foram coletados no dia 26 de agosto de 2019.
A inferência e interpretação dos resultados parte das categorias mapeadas inicialmente pelo trabalho no que se refere às imagens simbólicas de maternidade: santa-mãezinha, mãe higiênica, mãe educadora, mãe cívica, boa mãe e modelos flexíveis de maternidade. A caracterização destes tipos, devidamente explicitada na etapa teórica, é confrontada com os achados empíricos dos vídeos para que, então, seja possível avaliar a permanência ou não destes tipos bem como o aparecimento de outras categorias.
Para melhor avaliação do material analisado, sugere-se que sejam assistidos os vídeos, cujos links são disponibilizados nos quadros-resumo, juntamente dos dados de cada vídeo. Contudo, há, também, uma descrição de cada vídeo em forma de texto nos apêndices deste trabalho, bem como outros detalhamentos técnicos de cada canal.
As análises que seguem são compostas, portanto, de uma breve contextualização do canal e da respectiva youtuber e, porteriormente, de análises e inferências resultantes da observação do
73 material em composição com os achados da etapa teórica. Salienta-se que nas citações referidas nos sites, foram mantidos os chamados “emojis”, ou seja, ilustrações usadas como formas de expressão e comunicação na internet.
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