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Section I- Les causes de l’exploitation enfantine à Madagascar

B- Causes tenant à la famille

Terminada a fase de observação do contexto educativo começámos a intervenção. No entanto, a observação continua presente no trabalho do educador e precisa ser realizada de forma sistemática. Por isso, considerámos pertinente fazer um treino da observação.

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Assim, o treino começou com a planificação da observação e nesta contemplámos as suas especificidades: o que, quando, quem e onde íamos observar e, ainda, durante que período e tempo do estágio o iríamos fazer. Todas estas premissas tornaram-se essenciais para que pudéssemos, de facto, observar.

Para além do que foi referido, a planificação da observação continha ainda os objetivos da observação (que temática está implícita no brincar; que áreas de conteúdo estão envolvidas; que relação existe entre as crianças) e os instrumentos de recolha de dados (registo fotográfico, escrito, vídeo gravação) que poderiam ser utilizados.

Relativamente aos instrumentos de recolha de dados, inicialmente tínhamos apontado três formas possíveis para proceder ao registo das observações, já referidas precedentemente. Todavia, depois de todas as observações realizadas, pudemos perceber que o instrumento de recolha de dados deve ser ajustado mediante diferentes aspetos, os quais especificaremos em seguida. No caso da vídeo gravação, este foi o registo que permitiu, de uma forma mais fiel, observar ao mais ínfimo pormenor, todas as movimentações, gestos, expressões da criança que estamos a observar. Contudo, este registo é mais pertinente quando as crianças estão a brincar em grupo, uma vez que é impossível conseguir descrever todos os pormenores durante meia hora e, logicamente, todas as interações que a criança, que observamos, estabelece com todos os parceiros de brincadeira.

O registo fotográfico apesar de ser possível de realizar em todos os momentos e ser igualmente fiel não foi o que mais nos satisfez, visto que se se conciliar a vídeo gravação e o registo escrito, como foi feito, conseguimos perceber e identificar aspetos mais interessantes, quer durante, quer depois do momento de observação, quando confrontamos os registos videográficos com os registos escritos. O registo escrito por si só revela-se mais interessante quando o brincar espontâneo é realizado individualmente, na medida em que escrevemos tudo aquilo que uma só criança vai fazendo, sendo por isso mais facilitador. Desta forma, pelo que referimos, podemos constatar que o registo da vídeo gravação, a par dos registos escritos, foram uma mais-valia para conseguirmos descrever a observação de uma forma mais pormenorizada e detalhada.

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No final das observações e após as vídeo-gravações estarem concluídas, procedemos à organização de toda a informação recolhida, o que reverteu na sua transcrição. No que respeita a este processo, também aqui tivemos a oportunidade de aprender a retirar e a transcrever das vídeo-gravações apenas o que nos interessava, tendo em conta o que estávamos a observar (anexo 1).

Neste momento importa refletir, ainda, sobre a postura da estagiária durante a observação das crianças. Quando planificámos a observação pensámos que seria melhor assumir uma postura de observador não participante, de forma a não interferir nas suas brincadeiras. Contudo, durante os momentos de observação, pela proximidade que mantínhamos com as crianças passámos a adotar a observação participante, na medida em que interagiam connosco regularmente.

Com este treino de observação, e para além das aprendizagens que foram referidas anteriormente, importa destacar um último aspeto. No início das observações, inerente à pouca prática que tínhamos, reparávamos apenas no que era mais evidente, como as falas individuais (quando brincam sozinhos), entre pares e nos gestos, pouco mais. No entanto, com a continuação do processo de treino de observação começámos a sentir que foi havendo uma evolução a este nível, uma vez que já não nos satisfazia ouvir apenas as conversas entre pares, as falas individuais ou observar os gestos. Com este treino de observação aprendemos a retirar o máximo de informações possíveis e pertinentes acerca daquilo que estamos a observar como se movimentam no espaço, o tipo de conversa que estabelecem, o tipo de atitude que têm durante o brincar, que tipo de brinquedo utilizam, se brincam com materiais naturais, se imaginam histórias e as interpretam, se se incluem sempre numa brincadeira que já decorre, se inventam brincadeiras, entre outros aspetos, que a cada observação procurámos estar cada vez mais atentos, dentro do tema que nos propusemos observar.

Observar, ao contrário do que pensávamos, não é, de todo, uma tarefa fácil, visto que requer um grande conhecimento e treino por parte de quem observa. Num processo de observação é fundamental que estejamos capacitados para ter uma maior sensibilidade, de forma a conseguirmos identificar acontecimentos significativos em quem, ou no que observamos, sem nos distanciarmos daquele que é o nosso objeto de estudo.

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Concluindo, pelas aprendizagens adquiridas e referidas ao longo deste tópico, podemos referir que este treino de observação foi, sem dúvida alguma, uma mais-valia para o nosso percurso, enquanto futuros educadores e/ou professores, na medida em que nos permitiu refinar o olhar para os pequenos detalhes. Este processo de treino possibilitou-nos ainda, falhar pelas nossas próprias mãos, uma vez que aquela que julgávamos ser a melhor planificação para a observação, poderá não o ter sido, e é quando falhamos que mais aprendemos. Segundo Máximo-Esteves (2008) afirma “a observação é uma faculdade que, sendo natural, tem de ser treinada; todavia, a sua aprendizagem imbrica-se necessariamente na prática: aprende-se praticando” (p. 87). Desta forma, os erros que cometemos na planificação da observação neste primeiro contexto permitiram que nos tornássemos mais atentos a determinados pormenores, minimizando possíveis falhas em situações futuras.

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Segundo contexto

49 Nota introdutória ao segundo contexto

O objeto de estudo definido no segundo contexto foi “a interação professor-aluno e aluno-aluno na sala de aula no 1º Ciclo do Ensino Básico”. Este surgiu no âmbito da Unidade Curricular de Seminário de Investigação Educacional, em articulação com a Unidade Curricular de Prática Pedagógica Supervisionada. Este estudo foi desenvolvido numa sala do 1º Ciclo do Ensino Básico, mais especificamente numa turma do 2º ano, inserida num Centro Escolar do Agrupamento de Escolas de Ílhavo.

A temática da interação surgiu numa fase posterior ao tema que mais nos aliciou, inicialmente, para inaugurar esta viagem – o brincar. Quando iniciámos a segunda parte desta grande viagem, optámos por alterar o objeto de estudo, não por considerarmos que o brincar nesta faixa etária seja dispensável, mas porque as brincadeiras, pelas características inerentes aos espaços, assumem características diferentes.

Tendo em conta as observações efetuadas antes do início das intervenções, e a partir das conversas que surgiram com o professor orientador, foi possível perceber que as interações dos alunos eram sistemáticas entre si e com o professor titular, o que por vezes era percecionado como um fator de distração, fazendo por isso, todo o sentido, estudar se de facto as interações estavam maioritariamente relacionadas, ou não, com os conteúdos tratados na sala de aula, de forma a promover a aprendizagem dos alunos.

Assim, de seguida, far-se-á a caracterização do contexto e do grupo-turma com quem se desenvolveu este estudo.

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