Para Zamberlan et al. (2014), as pesquisas, de uma maneira geral, podem ser classificadas. Existem vários tipos de pesquisa, que geralmente variam de acordo com o foco do estudo; elas apresentam características em relação à natureza, abordagem, aos níveis ou objetivos, segundo os procedimentos técnicos, meios e estratégias usadas.
3.1.1 Pesquisa quanto à natureza
Consoante Gil (2010), as pesquisas quanto à natureza podem ser classificadas em básicas e aplicadas.
A pesquisa básica tem por objetivo aumentar ou gerar conhecimentos novos, além de buscar possibilidades importantes de aplicação. Já a pesquisa aplicada utiliza principalmente o conhecimento da pesquisa básica para ser aplicado na busca de soluções para problemas específicos, relacionados a aplicações concretas. Quanto à natureza, a presente pesquisa classifica-se como básica, pois buscou gerar conhecimento a partir do estudo de teorias comparadas a práticas adotadas nas empresas estudadas atualmente, no que diz respeito ao desenvolvimento de novos produtos e à participação dos clientes nesse processo.
3.1.2 Pesquisa quanto à abordagem
Quanto à abordagem metodológica, as pesquisas podem ser classificadas em pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa (MINAYO, 1994; GIL, 1999; SILVA; MENEZES, 2001; OLIVEIRA, 1997; RICHARDSON et al., 1989 apud ZAMBERLAN et al. 2014).
A pesquisa quantitativa caracteriza-se pelo interesse nos dados quantitativos, ou seja, considera tudo o que pode ser traduzido em números, gerando informações que possibilitem a classificação e análise. Já a pesquisa qualitativa tem por intuito estudar aspectos da realidade que não podem ser quantificados; trata-se de uma pesquisa descritiva (ZAMBERLAN et al., 2014).
Para Zamberlan et al. (2014, p. 94), “as caraterísticas básicas desse processo de pesquisa é a interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados”.
No caso da presente pesquisa, a mesma classifica-se como qualitativa, por não utilizar métodos quantitativos, mas buscar informações por meio da percepção adquirida mediante pesquisas e informações obtidas; portanto não possibilita o uso de recursos ou métodos estatísticos.
3.1.3 Pesquisa quanto aos objetivos
Segundo Zamberlan et al. (2014), outra forma de classificar as pesquisas é quanto aos objetivos, sendo que as mesmas podem ser exploratórias, descritivas ou explicativas.
O objetivo da pesquisa exploratória, para Zamberlan et al. (2014), é “investigar uma situação para proporcionar aproximação e familiaridade com o assunto, fato ou fenômeno e com isso gerar maior compreensão a respeito dele”. Para os autores, esse tipo de pesquisa favorece o aprimoramento de ideias quando realizado em áreas pouco estudadas. Vergara (2010, p. 42) complementa essa ideia quando afirma que a pesquisa é exploratória porque “é realizada em área na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado”. Normalmente esta investigação se dá por meio de pesquisas bibliográficas e estudos de caso (ZAMBERLAN et al., 2014).
Já a pesquisa descritiva, para Zamberlan et al. (2014), “visa identificar, expor e descrever os fatos ou fenômenos de determinada realidade em estudo”, de forma que a mesma busque compreender e descrever a relação entre variáveis e defina sua natureza. Ela, no entanto, não tem obrigatoriedade em explicar os fenômenos que descreve, afirma Vergara (2010), e exige do pesquisador bastante conhecimento a respeito do assunto.
Quanto à pesquisa explicativa, trata-se de uma investigação mais completa. Muitas vezes pode ser a continuação de uma pesquisa descritiva. Como o próprio nome sugere, a mesma procura explicar, aprofundar conhecimentos e identificar e esclarecer fenômenos (ZAMBERLAN et al., 2014).
No entendimento de Vergara (2010, p. 42), este tipo de pesquisa visa a “esclarecer quais fatores contribuem, de alguma forma, para a ocorrência de determinado fenômeno”.
Mediante essas informações, pode-se afirmar que o presente estudo se tratou de uma pesquisa exploratória, porque buscou identificar se os produtos são desenvolvidos, tendo como base as necessidades dos clientes, utilizando, para isso, duas empresas; ao mesmo tempo é uma pesquisa descritiva, porque descreveu os processos de desenvolvimento de novos produtos nas organizações estudadas.
3.1.4 Pesquisa quanto aos procedimentos técnicos
Em uma pesquisa normalmente são usados vários procedimentos metodológicos para a coleta de dados necessários à elaboração do estudo. Eles podem ser classificados em diferentes denominações; tudo dependerá do estudo que será abordado.
A pesquisa documental é um dos procedimentos que podem ser adotados em um estudo. Trata-se da pesquisa realizada diretamente em documentos originais e materiais que não foram analisados, mas que podem agregar informações. Por outro lado, documentos que já foram processados não impedem de receberem outras interpretações (GIL, 2010).
Para Gil (2010, p. 30), “a pesquisa documental vale-se de toda sorte de documentos, elaborados com finalidades diversas, tais como assentamento, autorização, comunicação, etc.”
Já na pesquisa experimental, Gil (2010) entende que o pesquisador tem participação ativa no processo de análise. “Consiste essencialmente em determinar um objeto de estudo, selecionar as variáveis capazes de influenciá-lo e definir as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto” (GIL, 2010, p. 32).
Diferente do que se imagina, a pesquisa experimental pode ser realizada em qualquer local desde que apresente propriedades, como manipulação, controle e distribuição aleatória (GIL, 2010).
Similar a este procedimento técnico, é possível citar o ex-post facto, que procura realizar um estudo da relação entre as variáveis, no entanto ocorre depois dos fatos (GIL, 2002 apud ZAMBERLAN et al, 2014).
Outro procedimento técnico que pode ser aplicado é o levantamento. Como o próprio nome sugere, nada mais é do que uma pesquisa aplicada a um certo grupo de pessoas ao qual se quer uma resposta sobre determinada indagação (ZAMBERLAN et al., 2014).
Gil (2010, p. 35) lembra que esse tipo de pesquisa “caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer”.
O laboratório, para Vergara (2010), é quando determinada experiência é realizada em um lugar específico, que oferece condições melhores de análise fora do local em que acontece. Já a pesquisa participante permite que se desenvolva um contato maior entre pesquisador e pesquisado (GIL, 2002 apud ZAMBERLAN et al., 2014).
Pesquisa-ação é um tipo de pesquisa que tem uma base experimental, ou seja, busca, por meio da ação, uma solução para determinado problema coletivo. Deste modo, todos os envolvidos participam de forma cooperativa dela (THIOLLENT,1998 apud ZAMBERLAN et al., 2014).
Gil (2010, p. 42), no entanto, afirma que a pesquisa-ação “tem características situacionais, já que procura diagnosticar um problema específico numa situação específica, com vistas a alcançar algum resultado prático”.
Por outro lado, a pesquisa baseada na observação procura captar os fatos de forma sensorial. Durante um período de tempo preestabelecido, o pesquisador observa determinado acontecimento/ação em que deseja obter respostas e mantém um registro dos acontecimentos, de forma a encontra-las (ZAMBERLAN et al., 2014).
No estudo em questão foram utilizados procedimentos metodológicos, como a pesquisa bibliográfica, que se refere ao estudo baseado em publicações já realizadas sobre o assunto, como livros, revistas, jornais, monografias entre outros (ZAMBERLAN et al., 2014).
Para Vergara (2000, p. 48), esta forma de investigação “fornece instrumental analítico para qualquer outro tipo de pesquisa, mas também pode esgotar-se em si mesma”.
Em sua maioria, pesquisas acadêmicas utilizam algum tipo de embasamento bibliográfico, elaborado com o intuito de fornecer ao leitor o maior conhecimento possível a respeito do tema (GIL, 2010).
A pesquisa de campo corresponde à investigação que pode ser realizada no local de ocorrência do fenômeno, ou, então, onde dispõem de elementos do mesmo, capaz de explicá-lo. Neste caso, podem ser utilizados recursos como entrevistas, questionários, testes e observações (VERGARA, 2010).
Este tipo de pesquisa procura estudar, com maior profundidade possível, o fenômeno em questão (ZAMBERLAN et al., 2014).
Gil (2010) destaca que, em virtude de a pesquisa ser realizada no local em que acontece o fenômeno pelo próprio pesquisador, acaba tendo maior credibilidade; no entanto exige mais tempo de pesquisa. A atenção deve ser dobrada no processo de análise e interpretação dos dados coletados, comparado aos demais métodos.
Pode-se classificar também como um estudo de caso. Trata-se da pesquisa aprofundada e detalhada que investiga um fenômeno, de um ou poucos objetos, permitindo um entendimento amplo e profundo, podendo ser realizada, ou não, no campo (VERGARA, 2010).
Neste sentido, Gil (2010) complementa afirmando que o principal objetivo é detalhar as características do objeto pesquisado.
No que diz respeito aos procedimentos técnicos, utilizados na presente pesquisa, a mesma teve cunho bibliográfico por partir de um referencial teórico já exposto, construído desde literaturas existentes na área. Buscou-se construir uma base de conhecimento para compreender e analisar o tema do estudo, podendo ser considerado um estudo de caso, posto que foram analisados os processos de desenvolvimento de produtos dentro de duas organizações atuantes no setor industrial e de serviço.
Além disso, a pesquisa de campo também se aplica, pois incluiu a realização de entrevistas junto aos profissionais responsáveis dentro das organizações estudadas, com o intuito de aprofundar ao máximo possível a compreensão dos processos.