PARTIE 2 : ETUDE COMPAREE DE LA PATHOGENIE
1. DEFICIT EN ENERGIE ET EN GLUCOSE : UN CONTEXTE BIOCHIMIQUE
1.3. Des importations énergétiques insuffisantes
1.3.2. Les causes de la diminution de la capacité d’ingestion
A defesa dos autores, na questão política, ao longo de todas as variações canônicas, dos cenários e aqui no mundo padrão é a coexistência pacífica entre URSS e EUA. A defesa
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KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 141-143. 380 Ibid., p. 221.
ocorre, primeiro, como uma atestação de uma situação presente que é desejável, para, depois, serem pensadas as possibilidade de sua continuidade para o futuro. Assim, Kahn e Wiener concluem que uma primeira característica possível do mundo padrão é que os territórios das velhas nações permaneceriam iguais, ou seja, livre de invasões e de violências internas381. Para ilustrar esse ponto, os autores pensam conforme a metáfora heurística.
Assim, para eles, o mundo, em 67, não era muito diferente daquele da Europa de 1815. Portanto, após um quarto de século de intenso conflito ideológico, dos sérios distúrbios revolucionários em 1830 e 1848 e da expectativa de mais conflitos, os anos vindouros não foram tão intensos como muitos temiam. Porém, para os futuristas, quando uma mudança no equilíbrio de poder ocorreu, em 1866 e 1871, ela veio de uma fonte mais ou menos inesperada: a Prússia. E, por fim, veio a I Guerra, que acabou com uma era de quase 100 anos de paz relativa e estabilidade resultantes diretamente das mudanças inesperadas do equilíbrio de poder. Assim, na Europa, foi um desequilíbrio de poder que conduziu, ao fim de todo um processo, à I Guerra. Justamente por desconsiderar processos similares a esse, os autores afirmam que o mundo padrão possui uma aparência estática e até irreal. Porém, por outro lado, acham difícil selecionar qualquer nova possibilidade que poderia ser razoavelmente incluída no mundo padrão382.
Kahn e Wiener recorrem à outra metáfora heurística para entender o que estava em jogo e quais as forças em tensão em 1967. Os futuristas iniciam uma comparação que será retomada em outros momentos, que é com a Antiguidade. Os EUA são comparados com Roma, a Europa, com a Grécia e a URSS ou a China com a Pártia ou a Pérsia. Os autores ressalvam, contudo, que tais analogias, apesar de sugestivas, não prediriam nada com certeza383.
Pensando nos gregos/europeus, os autores afirmam que eles penderam avidamente à idéia de um império mundial, mas falharam. A Grécia, por exemplo, colonizou as costas do Mediterrâneo e do Mar Negro e as ilhas de Marselha até a região do Cáucaso – e, incluindo a Macedônia Helenística, é possível contar a Índia. Mas, segundo os futuristas, a Grécia não pôde manter esse império conjunto, o qual colapsou antes do impacto do Império Romano. Similarmente, conforme os autores, as forças européias colonizaram o mundo subdesenvolvido e, até 1914, elas dominavam todos os países, exceto os EUA (que já fora uma colônia), alguns países da América Latina e o Japão. Até mesmo países
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KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 221-222. 382
Ibid., p. 221-222. 383 Ibid., p. 222.
denominadamente independentes, como China e Egito, foram marionetes das potências da Europa Ocidental. No entanto, nos anos 60, conforme os futuristas, todos os países, exceto os menos desenvolvidos, eram independentes da Europa Ocidental e, em alguns, casos hostis a ela384.
Os romanos, por sua vez, e mais ou menos contra suas vontades, para os autores, foram forçados a intervir três vezes no mundo grego para impedir sua dominação por um único poder. Fizeram-no sob a alegação ou de uma ameaça ou de uma afronta aos seus aliados. Nas duas primeiras vezes, durante a primeira metade do século II a.C., eles lutaram duas campanhas seguidas contra os Macedônicos e uma campanha vitoriosa contra a Síria e retiraram-se após cumprirem sua missão. A terceira intervenção aconteceu quando o postulante ao trono da Macedônia (agora fragmentada em 4 repúblicas) obteve alguns sucessos locais contra as forças romanas da ocupação. As cidades gregas (Tebas, Atenas e Coríntio) acreditaram que aquele momento era oportuno para juntar forças com o postulante. Todavia, em 146 a.C., logo após o saque de Cartago, os gregos foram derrotados e Coríntio demolida. Sob o pretexto de proteger as forças mais fracas, os romanos acharam necessário permanecer e administrar metade da área que fora conquistada pelos gregos, anexando, então, a Grécia e a Macedônia ao Império, o qual já contava com as colônias asiáticas tomadas anteriormente da Síria. A outra metade da Grécia coube a Pártia, com quem os romanos tinham uma coexistência incômoda385.
Pensando, então, o paralelo atual, os autores afirmam que os EUA lutaram duas guerras na Europa no século XX e tornaram-se o poder mais destacado do mundo sem desenvolver uma proximidade ou um gosto pelo imperialismo agressivo. Todavia, Kahn e Wiener acreditavam que se os EUA achassem necessário intervir em mais uma grande guerra Européia no século XX, e se eles considerassem – tal como os romanos fizeram – os aliados mais ou menos abertos ao inimigo, pareceria plausível que medidas permanentes pudessem ser tomadas para tentar prevenir uma IV Guerra Mundial, até mesmo se isso significasse a ocupação permanente da Europa. Porém, se os EUA pacificassem a zona européia por ocupação permanente, a forma que isto ocorreria seria sem dúvida bastante diferente da romana sobre a área helenística. Conforme os futuristas, havia pouco, na história americana
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KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 222-223. 385 Ibid., p. 222-223.
recente, ou no atual cenário internacional, para sugerir uma semelhança de tal resultado. Portanto, essa situação não seria parte do mundo padrão386.
Definidas, então, as duas potências na Antiguidade, os futuristas afirmam que a relação entre Roma e Pártia foi como uma Guerra Fria pontuada com campanhas “quentes”. Nenhum dos lados esteve apto a ganhar a decisão e a coexistência conturbada continuou por séculos, até o Islã finalmente conquistar ambos. Roma estava, na visão dos autores, muito menos disposta que a Grécia a colonizar o mundo. Sua política era uma forma de “equilíbrio do poder”: prevenir o crescimento de um poder único, grande e suficientemente forte para representar uma ameaça a si. Para realizar este objetivo, os romanos, tal como os americanos nos anos 60, trabalharam através de um sistema de alianças387. É, portanto, a política de equilíbrio de poder que, como veremos, concretiza-se pela coexistência pacífica com a URSS.