• Aucun résultat trouvé

4. Résultats et Analyse

4.2 Catégories d’analyse

Transformar a visão em acção, faz com que os treinadores aproveitem todas as oportunidades para mostrar em que consiste a visão, quais os sentimentos que esta provoca e como é que os jogadores podem vivê-la tanto hoje como no futuro. Utilizam-se a si próprios como instrumentos de descoberta e de mudança, mantêm-se relações de proximidade com o processo e não afrouxam os esforços antes de atingirem os objectivos. Idealmente, em todas as interacções e em todas as decisões, os treinadores actuam de forma coerente com os seus próprios princípios, valores, referências e com os valores da organização que pretendem criar.

Para tal, apelam aos jogadores para que vivam de acordo com os seus próprios valores e com a missão da organização, transformando as estruturas organizacionais e as funções da equipa, mudando as normas de relacionamento, remodelando os sistemas e as expectativas de

desempenho de acordo com a visão e fazem com que as tarefas que os jogadores executam se ajustem melhor à missão da organização (Goleman et al., 2002).

Assim, as organizações pretendem que a mesma seja constituída por elementos impulsionadores da organização e capazes de dotá-la da inteligência, do talento e da aprendizagem indispensáveis à sua constante renovação e competitividade num mundo pleno de mudanças e desafios (Chiavenato, 2000:21). Ou seja, pretendem-se que a organização possua pessoas com capacidade de impulso próprio, que invistam na organização por intermédio do seu esforço, dedicação, responsabilidade, comprometimento, entre outras, havendo retorno através do sucesso colectivo das organizações.

Para que tudo isto possa ser viável, é imperial que a organização possua um líder – o treinador – que albergue dentro da sua cabeça um modelo mental do mundo, fazendo com que o mesmo possa afigurar-se mais pertinente através da “sua adequação à personalidade do treinador e dos jogadores, bem como à cultura específica do clube onde o trabalho se desenvolve” (Garganta, 2004).

Depois da abordagem ao Modelo de Jogo, passando pelo sistema de jogo e constituição de novas ordens, culminando na importância que os jogadores possuem no reconhecimento e identificação com o Modelo e a sua evolução dentro do mesmo, revela-se crucial verificar como é que tudo isto se processa. Para tal, nada melhor do que caracterizarmos os promotores de tamanha complexidade, ou seja, a Equipa Técnica, verificando o modo como desenvolvem toda a construção da equipa.

Por intermédio da entrevista realizada a Paulo Bento (Anexo 1, pág. XXIII e XXIV) verificámos que o treinador destaca a organização e a solidariedade como características fundamentais para a execução do trabalho da sua equipa técnica. No que concerne à organização, o treinador salienta a sua importância “para que cada um saiba o que tem de fazer, o que cada um leva para o treino”, de modo a que possa existir dinâmica no desenvovlimento da operacionalização no treino. “A dinâmica da equipa técnica está dentro da organização da equipa técnica, ou seja, daí dizer o que é que vais fazer para o campo, o que é que vais fazer na primeira fase do treino, na segunda fase do treino, quem o faz, como é que faz…”, existindo sincronismo e conexionismo entre todos os elementos da mesma, sendo algo simultaneamente tão concreto pois é orientador e permite determinar a direcção e o sentido em que se pretende ir.

Como o futuro é sempre o elemento estruturante do processo, esta união de esforços entre todos os elementos da equipa técnica, permite que todos o projectem “mais à frente”, tendo no momento da operacionalização, de saber aquilo que se pretende para verificar se tudo está a decorrer exactamente conforme planeado e nesse sentido, o feedback deve ser o mais congruente possível. Tudo isto tendo o Modelo de Jogo como “pano de fundo”.

Quanto à solidariedade, o treinador exacerba que esta não se cinge somente aos resultados. Por outro lado, esta possui maior relevância no que toca à “forma como partilhas as coisas, como fazes as coisas em equipa. Se no campo queres que cada um saiba o que tem de fazer e se aquele que vai executar uma tarefa, os outros sabem e estão preparados para o fazer, tens de, em primeiro lugar, na preparação, dar oportunidade que todos possam contribuir para isso, falar, colocar, até que chegamos a um consenso final. Depois a decisão é mais solitária, é individual mas a partilha, tens de saber fazê-la” (Anexo 1, pág. XXIV).

A par disto, é inegável a influência que toda a Equipa Técnica exerce sobre as atitudes e comportamentos, sobre os princípios, valores, orientações e o sentido que vai ser atribuído a tudo o que os jogadores vão executar em compreensão. Nenhum treinador é igual, como tal o modelo que transporta para os contextos de treino e competição, possuem a sua impressão digital (Campos, 2007), a qual é construída em profunda comunicação, interacção, compreensão e solidariedade como todos os elementos dessa equipa. Assim, treinar é modelar através de um projecto (Marina, 1995), ou seja, “para o treino ser treino, e não apenas exercitação, impõe-se uma carta de intenções, um caderno de compromissos que funcione como representação dos aspectos” (Garganta, 2000), sendo que a interligação dos mesmos, conferem sentido ao processo, rumando intencionalmente na direcção objectivada não só pelo treinador mas, principalmente, pelo trabalho desenvolvido por toda a equipa.

Deste modo, Paulo Bento (Anexo 1, págs. II e VI) destaca a existência do “modelo de jogo para este trabalho que queremos desenvolver, para esta equipa que nós treinamos, para este clube onde nós estamos”, sendo que no caso concreto do Sporting, “está identificado.” Uma vez que o Modelo de Jogo está identificado, o mesmo impõe que se criem padrões de conexões alicerçados às ideias, visão, filosofia e comportamentos que o mesmo sustenta e estabiliza.

Segundo Andrew Coward (1990, in Jensen, 2002), afirma que o cérebro forma rapidamente hierarquias para extrair ou criar padrões. Os padrões dão à informação um contexto. De outra forma, esta seria rejeitada por ser considerada desprovida de sentido. Isto é muito relevante e deve ser utilizado como uma informação teórica para a construção do Modelo

de Jogo. Ou seja, para que a construção e aplicação do Modelo se processem, existe a necessidade de se realizar uma nova identificação ou reidentificação com o Modelo, utilizando um suporte teórico como auxiliar.

Assim, Paulo Bento (Anexo 1, pág. VIII) menciona que os jogadores que transitam da época anterior para a nova época, não necessitam “de ouvir essa mesma informação teórica porque não há alterações, pelo menos numa fase inicial”, daí lhe ter atribuido a designação de reidentificação. Enquanto que para os novos jogadores que chegam ao Clube, o procedimento que é utilizado centra-se na apresentação dessa mesma informação teórica, executando-se uma nova identificação por parte dos novos elementos para com o Modelo.

Porém, quando há a necessidade de haver a “introdução de um novo sistema de jogo, dentro do nosso modelo, ou o sistema alternativo para o nosso modelo de jogo, fazê-lo como fazemos no início da temporada, ou seja, com todos e sob o ponto de vista teórico também.” Podemos depreender que o plano relacionado com uma identificação mais teórica sobre aquilo que se pretende no plano da interacção prática reveste-se de alguma importância, e como tal, Guilherme Oliveira (2007) salienta que “aquilo que eu faço é apresentar os comportamentos de uma forma verbal e de uma forma visual para eles terem uma noção muito exacta daquilo que eu quero que eles depois façam, pois embora eu pretenda que os comportamentos se transformem em hábitos, também pretendo que, antes de se transformarem em hábito, eles percebem aquilo que estão a fazer, para actuarem no Jogo em função das necessidades que o próprio Jogo pede mas sempre dentro de padrões comportamentais que nós acharmos que são os ideais para a nossa equipa. Por isso é extremamente importante nós explicarmos bem aquilo que queremos para eles perceberem e a visualização de vídeos com esse tipo de comportamentos é fundamental para essa mesma compreensão.”

Dando continuidade à ideia supracitada pelo autor Andrew Coward, o nosso cérebro na realidade funciona por padrões e é o modo dele trabalhar de forma mais adaptativa (por isso são abertos), eficaz e eficiente. Se assim é, o treino de uma determinada forma de jogar tem de os fazer emergir. É uma questão biológica. Eles fazem parte da maneira como o cérebro consegue evoluir e incorporar o meio ambiente que o rodeia. Por isso mesmo, temos de os criar através de um processo de treino que não retire a importância a nenhuma dimensão, mas que as superlative todas sobre o signo da Especificidade. Temos de construir de forma muito coerente e concreta a forma como pretendemos que a equipa jogue e depois todo o treino deve ser nesse sentido.

Para além disso, a construção de padrões começa a um nível microscópico, nos neurónios. Eles não conseguem aprender de forma individual, apenas em grupo e são estas redes de neurónios que conseguem reconhecer e responder à aprendizagem significativa, de forma inter-independente. Da mesma forma que isto ocorre com cada um, numa óptica mais abrangente, considerando o que a equipa realiza, as relações decorrem de interacções, ou seja, cada um age de forma individual mas quando o faz importa que actue segundo princípios colectivos que fazem com que tenha de interagir de acordo com um projecto comum.

Por tudo isto, podemos dizer que o estabelecimento de conexões (pertinência - familiarização com o Modelo de Jogo) e a localização de redes neuronais adaptativas (construção de padrões - no treino sob o registo da emoção) são factores críticos na formação de significados intrínsecos. A par desta ideia, Paulo Bento (Anexo 1, pág. VI) operacionaliza o seu Modelo de Jogo através da execução de exercícios segundo o que foi apresentado e defendido sob o ponto de vista teórico, permitindo que os jogadores reconheçam equivalência e sustentabilidade na prática. “Quando lhes apresentamos aquilo que em cada momento do jogo, é o nosso objectivo para o nosso modelo de jogo, levamo-lo depois para o campo, para que os jogadores pratiquem aquilo que nós também teorizamos com eles. Isto é, fazer os exercícios na zona onde queremos que eles ocorram, fazê-lo da maneira que queremos que em termos mentais ocorram no jogo. Por isso, no fundo é passar da informação que lhes damos em relação aquilo que queremos em cada momento (do jogo), passá-lo para a prática.”

A partir das ideias mencionadas anteriormente, evidenciam-se dois conceitos muito importantes na construção e aplicação do Modelo de Jogo ao longo do seu desenvolvimento processual, isto é, identificação e reentrada da informação teórica relacionada com a execução prática e a repetição sistemática. No que concerne à relação teórico-prática que o Modelo de Jogo encerra, Gerald Edelman (2008:11) destaca o conceito de reentrada como chave da coerência do processo através do exemplo manifestado entre duas cartas em resposta a estímulos diferentes, mas correlacionadas e conectadas por fibras reentrantes. Se, ao longo do tempo, os grupos neuronais representados por esferas, no mapa 1, forem frequentemente activadas de forma simultânea com aqueles representados por cubos, no mapa 2, as suas ligações serão reforçadas. Como tal, as respostas dos dois cartões serão ligadas entre si, reforçando-se as ligações entre os dois estímulos percebidos no mundo exterior (Figura 21).

Figura 21. A reentrada da informação como chave da coerência (Edelman, 2008, LES DOSSIERS DE La Recherche

)

Pelo indicador supracitado, podemos percepcionar o facto da “paisagem mental” ter de nascer primeiro na cabeça dos jogadores (Frade, 2003), para que os mesmos possam acreditar numa lógica de funcionamento dos comportamentos individuais e colectivos, isto é, “o jogador só consegue fazer determinado comportamento bem se primeiro o compreender e depois, se achar que realmente esse comportamento é benéfico, tanto para a equipa como para ele” (Guilherme Oliveira, 2006). Em similitude com os autores anteriores, Paulo Bento (Anexo 1, pág. VI e VII) exacerba que “a sua construção e a sua aplicação tenham sempre uma relação muito grande entre aquilo que se transmite e aquilo que se faz porque se transmitirmos uma coisa e formos fazer outra, o jogador aí não tem capacidade nem vê credibilidade naquilo que se faz.”

Relativamente ao segundo conceito, repetição sistemática, esta emana da tremenda importância do treinar em especificidade, tendo na repetição sistemática o suporte à viabilidade da aquisição dos seus princípios de jogo, permitindo-lhe promover o aparecimento, no cerne do meio colectivo que é a Equipa, das “intenções em acto em conformidade com as intenções prévias”, no sentido de diminuir a discrepância entre ambas (Oliveira et al., 2006:201).

De acordo com o pensamento lógico, coerente e estruturado manifestado pelo entrevistado, podemos destacar que da identificação total do Modelo de Jogo por parte do treinador e da equipa, à transmissão teórica dos fundamentos de jogo na vertente teórica, tendo reconhecimento dos mesmos na execução em compreensão por intermédio da reentrada da informação teórica pela acção contextual executada em treino, auxiliada pela repetição sistemática em especificidade, deslocamo-nos para o potenciar do Modelo de Jogo no seu habitat natural, no terreno de jogo.

Para que o desenvolvimento de um «jogar» específico se dê em direcção a um futuro presente com um fim inalcançável, Paulo Bento potencia, desenvolve e faz com que o seu processo de jogo evolua através de novos exercícios e do confronto entre os seus sistemas de jogo, de modo a que a Equipa seja sujeita a índices de dificuldade superiores.

De forma a que tal se manifeste, Paulo Bento destaca que utiliza “novos exercícios para os mesmos objectivos mas não mais do que isso, pelo facto de achar que a única maneira que há para melhorar um modelo de jogo é treinando mais, evoluindo ao nível do treino para que o modelo ao nível do jogo possa evoluir também. Isso passa, acima de tudo por tentar de alguma forma, criar novos desafios aos jogadores em termos de exercícios para que eles possam ir descobrindo coisas diferentes.”

Por outro lado, a colocação em confronto dos dois sistemas de jogo preconizados para a equipa no treino, permite trabalhar os dois sistemas da mesma maneira e em algumas situações também, podendo colocá-los em confronto. Tudo isto com o intuito de induzir nos jogadores uma familiaridade com as ideias de cada sistema e dos respectivos princípios de jogo. Para Paulo Bento, esta aplicação permitiu que “não só se adquirisse as ideias em termos daquilo que nós queríamos para nós e, ao mesmo tempo, um confronto desses dois sistemas” (Anexo 1, pág. IV).

Alicerçado à ideia anterior e de acordo com Paulo Cunha e Silva (1999:86), “o movimento de um estado ao mesmo estado (a repetição) admite a transformação (a variação), como se, durante o percurso previamente estabelecido, surgissem novas possibilidades que apontassem para outros trajectos e outros destinos”, os quais permitem que o próprio gesto humano signifique “para lá da simples existência e presença de facto, inaugurando um sentido. O comportamento simbólico é privilégio do corpo próprio e da sua estrutura afectiva” (Dantas, 2001:177), favorecendo a construção de novos trajectos, novos significados que ao serem compreendidos se transformam em conhecimento, permitindo a evolução de todo o sistema organizacional, ou seja, a Equipa.

Os novos desafios impostos aos jogadores nos treinos através dos exercícios, permitem descobrir novos caminhos para o desenvolvimento do processo de jogo, devendo assim salientar-se que o treino é um momento de aprendizagem onde os jogadores podem aprimorar e resolver os erros que os condicionam, tanto a nível individual como colectivo. Como o treino se centra na aquisição em exercitação e compreensão de princípios comportamentais e suas respectivas interacções, de modo a que os jogadores saibam resolver os problemas que se lhes colocam, podemos dizer que o treino promove conhecimentos específicos, colectivos e individuais.

Deste modo, “quando o treino faz o jogo, também há a desmontagem do processo e, consequentemente, do jogo”, sendo que daqui emerge uma “permanente articulação de sentido, que permite, em todos os momentos do treino, haver coerência no que se faz e nos conhecimentos adquiridos pela equipa e jogadores” (Guilherme Oliveira, 2004). Como tal, os jogadores são cumpridores dos princípios, agindo e colaborando na construção de uma linguagem comum, tendo liberdade para atribuir uma outra característica à linguagem comum na interpretação desses mesmos princípios, ou seja, uma linguagem criadora.

Para que essa construção criadora possa ser possível, “o treinador deve pintar os quadros, os melhores, os mais simples” (Beswick, 2001), uma vez que a dinâmica do processo é uma “fenomenotécnica” de natureza não linear (Frade, 2007). Segundo Guilherme Oliveira (2004), “a não linearidade advém da natureza do próprio processo e da necessidade do treinador ter que geri-lo, criá-lo e direccioná-lo sistematicamente no sentido da Especificidade e do Modelo de Jogo.”

Implicitamente relacionado com esta questão, Paulo Bento (Anexo 1, pág. III) afirma que “no futebol a maior dificuldade é usar a simplicidade, ou seja, quanto mais simples for o jogo, quanto mais simples for a transmissão das ideias, pelo menos teoricamente, maior capacidade deverá haver de recepção, para compreender essa mesma mensagem.” Contudo, o mesmo autor exacerba que o jogador tem maior e melhor disponibilidade e capacidade para ouvir e executar as situações mais simples, não deixando de existir a complexidade no exercício e na intervenção do treinador. Isto é, “a complexidade já lá está no exercício, pelo menos simplificá-la na comunicação, naquilo que pretendemos dos jogadores no exercício” (Anexo 1, pág. IV).

Ao falarmos de situações mais simples, não pretendemos diminuir a capacidade intelectual do jogador mas sim, demonstrar a importância capital que o treinador possui ao fornecer aos jogadores o seu foco de atenção no exercício, aquando da explicação do mesmo e

do seu respectivo objectivo, ou seja, executarem-no em função de determinado comportamento (Guilherme Oliveira, 2007).

O Modelo de Jogo por si só, é um meio riquíssimo para que a construção do «jogar» específico de cada equipa se processe e desenvolva, alicerçado às culturas emergentes, a do Clube e a do Treinador, uma vez que caminham de “braço dado” com a Especificidade. Assim, todas as acções executadas dentro das linhas orientadoras desta ligação, possuem objectivos claros, coerentes, interligados e estruturadores de uma prática que sustenta a ideia de evolução permanente do processo.

Deste modo, os treinadores devem utilizar determinadas estratégias para que os jogadores se identifiquem o melhor possível com o seu Modelo de Jogo. Para que tal se manifeste, Jorge Jesus (2009:5) destaca como primeiro pilar desta relação treinador-jogador, a comunicação, dizendo que “se a mensagem do treinador passar facilmente, os jogadores vão assimilá-la rapidamente”, uma vez que “com os jogadores a linguagem é a do futebol!” (idem, 2009:7). Em sintonia com a opinião de Jorge Jesus, Paulo Bento (Anexo 1, pág. IV e XI) menciona que “quanto mais simples for a transmissão, mais fácil é para os jogadores interpretá- la”, nunca perdendo de vista a relação estratégica entre a comunicação e a prática, sendo que “elas tem de convergir relativamente aquilo que se diz e aquilo que se faz.”

No exacerbar da relação existente entre a comunicação e a prática, emerge a “estratégia com algo que está adstrito ao que se passa colateralmente ao jogo propriamente dito, e aos aspectos que dependem, sobretudo da intervenção do treinador” (Garganta. 2000:51) mas neste caso, o conceito de estratégia está directamente relacionado com o plano de acção manifestado pelo treinador no treino, de forma a que os jogadores concretizem os objectivos do mesmo. Como estamos a tratar de uma questão operacional, do aqui e agora da acção, a interacção entre a comunicação e a prática assentam em duas dimensões da equipa, isto é, numa visão colectiva e individual.

Para Paulo Bento (Anexo 1, pág. XII) a utilização de estratégias individuais na intervenção sobre os jogadores em termos tácticos, muitas das vezes, não se releva o meio mais indicado de intervir, pelo facto de se ter de ir à procura de “um trabalho individualizado, deixando de ser um trabalho dentro da organização da equipa.” No que concerne à aplicação e informação manifestada, o treinador privilegia que a primeira se centre nas questões mais colectivas, intervindo segundo os aspectos tácticos mais relevantes. Enquanto na segunda, procura realizar “a junção das duas, isto é, a parte individual para o jogador poder entender certas e

determinadas coisas e colectivamente, para se falar sobre a forma de jogar da equipa e aquilo que pretendemos” (Anexo 1, pág. XI).

De forma a que tal se possa manifestar, Garganta (2000:57) defende que a detecção dos erros e correcção da execução são dois pontos que merecem atenção especial, de tal modo que “o treinador deve estar capacitado para identificar os erros, bem como mecanismos (perceptivos, decisionais, cognitivos, motores) que estão na base da sua ocorrência durante a

Documents relatifs