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Le cas d’une grande entreprise très faiblement intensive en R&D faisant partie d’un groupe

Les résultats des entretiens qualitatifs auprès des bénéficiaires et non-bénéficiaires

Encadré 4 Le cas d’une grande entreprise très faiblement intensive en R&D faisant partie d’un groupe

Embora os números relativos às ocupações rurais não-agrícolas não representem exatamente a dimensão da pluriatividade (uma vez que nem todas as famílias ou pessoas ocupadas em atividades não-agrícolas são pluriativas) eles permitem, no entanto, termos uma idéia da expressão e importância da pluriatividade na agricultura familiar.

Schneider (2003) apresenta números relativos à evolução das ocupações agrícolas e não- agrícolas entre países que compõem a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE, países da América Latina e, também, do Brasil.

Utilizando dados divulgados pela OCDE (1996), relativos ao período que vai de 1980 a 1990, Schneider observa que entre os países integrantes22 houve variação anual positiva nas ocupações agrícolas em apenas dois (Holanda e Canadá). Em contraste, houve variação anual positiva das ocupações não-agrícolas na totalidade dos países selecionados. O destaque fica por conta da França com variação anual negativa nas ocupações agrícolas de 4% e a Holanda com variação anual positiva nas ocupações não-agrícolas de 1,8%.

Com relação à América Latina, da mesma forma que nos países da OCDE, o meio rural é cada vez menos sinônimo de produção agrícola. Utilizando dados de diferentes países e em diferentes períodos (conforme censos de cada país), Schneider mostra que na região como um todo a população economicamente ativa ocupada em atividades agrícolas teve variação negativa anual de 0,8% enquanto que a população rural economicamente ativa ocupada em atividades não- agrícolas teve variação positiva anual de 3,4%.

Utilizando dados das Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios - PNADs sistematizados pelo Projeto Rurbano, Schneider apresenta a variação nos números da população economicamente ativa (PEA), ocupada em atividades agrícolas e não-agrícolas no Brasil, na região Sul, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina , nos períodos de 1981 a 1992 e de 1992 a 1999. Na Tabela 01, a seguir, são sistematizados alguns números apresentados por Schneider referentes ao período 1992 a 1999.

TABELA 01 – Variação anual da PEA ocupada em atividades agrícolas e não-agrícolas, domiciliadas no meio rural, no Brasil, na região Sul, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, no período 1992 a 1999. Variação anual Unidades analisadas Agrícola Não-agrícola Brasil - 1,7% 3,7% Região Sul - 3,9% 4,3%

Rio Grande do Sul - 2,6% 2,7%

Santa Catarina - 4,4% 4,1%

Fonte: Schneider (2003)

22 Schneider apresenta os números relativos a Canadá, Estados Unidos, Austrália, Japão, Nova Zelândia, Áustria,

Observando os números apresentados por Schneider, percebe-se que no período mais recente (1992 a 1999), no Brasil, houve uma variação anual negativa de 1,7% no número de pessoas domiciliadas no meio rural e ocupadas em atividades agrícolas. Por outro lado, observa- se que o número de pessoas domiciliadas no meio rural e ocupadas em atividades não-agrícolas tem variação anual positiva de 3,7%.

Da mesma forma, contata-se variação anual negativa no número de pessoas ocupadas em atividades agrícolas no período de 1992 a 1999, na região Sul de 3,9%; no Rio Grande do Sul de 2,6%; e, em Santa Catarina de 4,4%. Por outro lado, os números mostram uma variação anual positiva da PEA domiciliada no meio rural e ocupada em atividades não-agrícolas de 4,3% na região sul; de 2,7% no Rio Grande do Sul e de 4,1% em Santa Catarina.

Alguns setores de atividades não-agrícolas no meio rural apresentam taxas de crescimento anuais expressivas. Dentre os mesmos destaca-se, tanto para o Brasil como para a região Sul, o setor da indústria da construção com respectivamente crescimento de 9,5% a.a e de 8,2% a.a. O grande destaque, no entanto, fica por conta da indústria de alimentos que apresentou crescimento no período de 1992 a 1999 na região Sul de 16,4% a.a, de acordo com os dados apresentados por Schneider (2003).

Ao analisar os efeitos das ocupações rurais não-agrícolas sobre a renda no meio rural brasileiro, Neder (2003) constata que as atividades não-agrícolas têm contribuído para compensar a crescente redução da renda das famílias rurais, embora, não contribuam para minorar o problema da distribuição da renda no meio rural.

Mattei (1999) ao estudar a dinâmica do trabalho rural em Santa Catarina, a partir das PNADs de 1981 a 1997, aponta a expressão das ocupações rurais não-agrícolas que na época chegavam a 29% da PEA rural da estado. No estado de Santa Catarina, no período de 1992 a 1997, a evolução do número de pessoas ocupadas em atividades não-agrícolas foi de 5,6% a.a, enquanto que a PEA ocupada em atividades agrícolas no mesmo período teve redução de 4,5% a.a, demonstrando, assim, a importância das ocupações não-agrícolas para a manutenção do emprego rural.

Um dos setores que mais contribuiu para o aumento da PEA ocupada em atividades não- agrícolas, em Santa Catarina, foi o setor da indústria de transformação. O destaque ficou com a indústria de alimentos com evolução no período de 1992 a 1997 de 20,5% ao ano. Desta forma, a agroindustrialização (que é tratada na próxima seção, pois é neste contexto que esta pesquisa

estuda a pluriatividade) constitui-se num setor que oferece cada vez mais oportunidades para que as famílias rurais se tornem pluriativas.

Percebe-se, pois, que tanto nos países integrantes da OCDE quanto na América Latina e, também, no Brasil, o meio rural cada vez mais se configura como um espaço para múltiplas atividades. No caso brasileiro, estudos que tratam das questões da agricultura familiar revelam diferentes opiniões com relação às atividades não-agrícolas. Graziano da Silva (2002, p.29), por exemplo, sustenta que diante da redução do crescimento do emprego em atividades agrícolas e do aumento das oportunidades de emprego rural não-agrícola “a criação de empregos não-agrícolas nas zonas rurais é, portanto, a única estratégia possível capaz de, simultaneamente, reter essa população rural pobre nos seus locais de moradia e ao mesmo tempo, elevar o seu nível de renda”. Em contraste, Buainain et al (2003, p.318) defendem que “o lógico seria estimular ao máximo, sim, a geração de empregos não-agrícolas, mas principalmente aqueles que seriam gerados através do apoio a agricultura familiar”. Esses autores defendem a necessidade de desenvolvimento de políticas para o fortalecimento da agricultura familiar e ao mesmo tempo estimular a geração de novas oportunidades de empregos não-agrícolas no meio rural.