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Dans le document OmniCure MD modèle LX500 (Page 36-40)

Silva, D. M1.; Lima, M.T¹.; Paixão, P.P¹.; Silva, L.F.B¹.; Cordeiro, R.P¹.; Sousa, J. R. O2,3,*. 1Associação Caruaruense de Ensino Superior e Técnico – ASCES 2Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUCMINAS 3Escola de Referência em Ensino Médio Luiz Alves da Silva – EREMLAS *[email protected]

Resumo: A Etnobotânica é a área do conhecimento que estuda a relação

existente entre o homem e as plantas, e o modo como às comunidades tradicionais usam os recursos vegetais. O presente trabalho teve como principal objetivo verificar o conhecimento e o uso das plantas medicinais da Caatinga por moradores da Vila do Pará e do Assentamento Fazenda Santa Helena, no município de Santa Cruz do Capibaribe – Pernambuco. O levantamento foi realizado através de entrevistas semi-estruturada a 33 moradores, identificando- se as plantas utilizadas, sua diversidade de uso, a finalidade terapêutica, os órgãos vegetais e a forma de preparo dos fitoterápicos. Além do mais, identificou- se também a forma de aquisição dos conhecimentos acerca das plantas e o nível socioeconômico dos informantes. Os resultados demonstram que são utilizadas com fins medicinais 39 espécies pertencentes a 23 famílias botânicas. No contexto geral, as espécies nativas mais utilizadas foram a Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud. (mororó), Anadenanthera colubrina var. cebil (Griseb.) Altshul (angico), e Myracrodruon urundeuva (aroeira). Como remédios, a casca foi a mais utilizada e o lambedor a principal forma de preparo. As doenças mais frequentes tratadas por remédios caseiros referem-se ao sistema respiratório e digestório. Observou-se que não á posologia e duração do tratamento, ficando este a critério do hábito de cada informante. Os dados obtidos demonstram que as duas comunidades são detentoras de um rico conhecimento sobre a flora medicinal local, o que possibilita o fortalecimento científico e cultural.

Palavras-chave: Etnobotânica, Plantas medicinais, Caatinga.

E-mail: [email protected] Telefone: (81)93999537 Categoria: Artigo Original

Introdução

O conhecimento sobre a utilização de plantas medicinais e de seus compostos empregados com fins terapêuticos são amplamente utilizados pela medicina alternativa (AMOROZO, 2002). E de acordo com Maciel et al., (2002) a Etnobotânica é amplamente citada na literatura como área de pesquisa que tem se destacado na coleta e identificação de plantas medicinais.

A utilização de plantas medicinais conhecidas na Caatinga e sua obtenção na própria comunidade sugere uma forte correlação entre uso e conhecimento tradicional dessas plantas. Na maioria das vezes, as comunidades obtêm esses

55 materiais nas proximidades de suas casas, sugerindo que seu conhecimento está embasado em estratégias de manejo focalizadas nas espécies de maior interesse, o que pode ser fundamental no uso sustentável e conservação da vegetação (ALBUQUERQUE e ANDREDE, 2002). Marodin e Baptista (2002) são categóricos ao afirmarem que estudos etnobotânicos com o registro de todas as informações possíveis acerca da utilização das plantas medicinais de uma determinada região, devem ser realizados para que esses conhecimentos possam ser preservados.

Objetivo

O presente trabalho teve como principal objetivo verificar o conhecimento e o uso das plantas medicinais por moradores da Vila do Pará e do Assentamento Fazenda Santa Helena, no município de Santa Cruz do Capibaribe – Pernambuco.

Material e métodos

A pesquisa foi realizada entre abril e novembro de 2013, baseou-se em visitas as residências do povoado Vila do Pará e do assentamento Fazenda Santa Helena no Município de Santa Cruz do Capibaribe – Pernambuco. Através de entrevista dirigida com questionário semi-estruturado, realizada a 19 moradores da Vila do Pará e 14 moradores do assentamento Fazenda Santa Helena, sendo contempladas questões sobre: o perfil socioeconômico, sobre o nível de conhecimento, utilização das plantas medicinais pela comunidade e também em relação a importância da preservação das plantas medicinais para a comunidade.

Resultados e Discussão

Em relação à dimensão socioeconômica a maioria dos entrevistados foi do sexo feminino (54,5%), cuja idade predominou na faixa etária de 36 a 45 anos, com uma acima de 65 anos. A idade do sexo masculino predominou também a faixa etária de 36 a 45 anos. Os dados sobre escolaridade mostraram que o nível de escolaridade dos moradores da Fazenda Santa Helena é baixo, onde 42,9% dos entrevistados são analfabetos e 21,4% só sabem lê e escrever. A maioria dos indivíduos entrevistados possui rendimento salarial baixo, com prevalência de renda de um salário mínimo (51,5%); dois salários (30,3%); menos de um salário mínimo (9,1%) e acima de quatro salários (9,1%).

Quanto à dimensão conhecimento e utilização das plantas medicinais, 23 (69,7%) dos informantes afirmaram que os conhecimentos adquiridos com o uso das plantas medicinais foram através do conhecimento tradicional familiar, seguido de 07 (21,2%) através de amigos e vizinhos e 9,1% não souberam informar.

Do total de espécies vegetais, utilizadas pelos informantes como plantas medicinais, foram citadas 39 espécies pertencentes a 23 famílias botânicas, sendo as mais importantes em número de espécies: Anacardiaceae, com 8 espécies (20,5%), Fabaceae, com 7 espécies (17,9%), Euphorbiaceae, com 4 espécies (10,3%), Bombacaceae, com 3 espécies (7,7%). Porém, ao analisar os dados de forma quantitativa, identificamos a utilização nas duas localidades, por parte da maioria dos entrevistados, das espécies nativas, Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud. (mororó), Anadenanthera colubrina var. cebil (Griseb.) Altshul (angico), e Myracrodruon urundeuva (aroeira). De acordo com Albuquerque e

56 Andrade (2002) estas espécies podem ser consideradas ameaçadas devido às técnicas destrutivas para obtenção do produto com a retirada da casca do caule, afetando os sistemas condutores da planta.

Com relação à preparação dos remédios caseiros, todas as partes das plantas foram citadas: raiz, casca do caule, entrecasca, folha, flor, fruto e semente. De acordo com a análise dos dados, houve um predomínio da casca (25,6%), seguida das folhas (23%) e entrecasca (20,5%), preparadas sob a forma de lambedor (33,3%), de decocção (20,5%), chá (17,9%) e maceração (10,2%).

Aproximadamente 72% das espécies citadas como úteis na Fazenda Santa Helena e pertencem a mais de uma categoria de uso, com destaque para Ziziphus joazeiro que está incluído em seis das 08 categorias catalogadas: medicinal, alimentícia, madeireira, melífera, forrageira, produção de energia, ornamental e higiene-limpeza. Copernicia prunifera e Mimosa caesalpiniifolia foram incluídas em quatro categorias. Dados semelhantes são relatados por Amoroso (2002) em Santo Antônio do Leverger - MT.

Dentre os entrevistados 94,8% afirmaram que a vegetação nativa está sendo reduzida, foram destacados em seus discursos os seguintes argumentos: 51,3% afirmaram que a vegetação local era mais verde, 25,6% disseram que as pessoas estão desmatando a vegetação nativa e 17,9% relataram que a mata ciliar está sendo invadida pela algaroba, o que é corroborado por Andrade et al. (2010), ao afirmarem que a invasão por essa espécie diminui a diversidade e compromete a regeneração natural da vegetação nativa.

Conclusões

Os moradores das comunidades Vila do Pará e Fazenda Santa Helena apresentam conhecimento diversificado sobre as plantas nativas de uso medicinal (39 espécies). Os resultados revelam que ainda utiliza-se, consideravelmente, como método para prevenção e tratamento de doenças os recursos de plantas medicinais, utilizando os conhecimentos obtidos de seus antepassados.

Nesta pesquisa foi encontrado um número significativo de espécies mencionadas na literatura etnobotânica brasileira como úteis para o tratamento de doenças dos sistemas digestório e respiratório, dentre outros sintomas.

O estudo etnobotânico de plantas medicinais é uma ferramenta importante na preservação do conhecimento popular e no descobrimento de novos fármacos, sendo assim, estes resultados demonstram a importância de investimentos em pesquisas da flora do bioma Caatinga como alvo para o desenvolvimento de novas substâncias.

Referências

ALBUQUERQUE, U. P.; ANDRADE, L. H. C. Uso de recursos vegetais da caatinga: o caso do agreste do estado de Pernambuco (Nordeste do Brasil). Interciencia, Caracas, v. 27, n. 7, p. 336-346, 2002.

AMOROZO, M. C. M. Uso e diversidade de plantas medicinais em Santo Antônio do Leverger, MT, Brasil. Acta de Botanica Brasilica, Brasília, v. 16, n.2, p. 189- 203, 2002.

ANDRADE, L. A.; FABRICANTE, J. R.; OLIVEIRA, F. X. Impactos da invasão de Prosopis juliflora (sw.) DC. (Fabaceae) sobre o estrato arbustivo-arbóreo em

57 áreas de Caatinga no Estado da Paraíba, Acta Scientiarum. Biological

Sciences, v. 32, n. 3, p. 249-255, 2010.

MACIEL, M. A. M. et al. Plantas medicinais: a necessidade de estudos multidisciplinares. Química Nova, São Paulo, v. 25, n. 3, p. 429-438, 2002. MARODIN, S. M.; BAPTISTA, L. R. M. O uso de plantas com fins medicinais no município de Dom Pedro de Alcântara, Rio Grande do Sul, Brasil. Revista

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