Chapitre 2 - Méthodes expérimentales et numériques
1.2 Caractéristiques et performances de la ligne
Como exposto no item 3.4 Critérios de Escolha, o qual faz parte do capítulo referente ao desenvolvimento metodológico desta pesquisa, as bandas participantes do estudo foram selecionadas com base na nomenclatura adotada pela Confederação Nacional de Bandas e Fanfarras – CNBF – para efeito de julgamento em concursos de bandas e fanfarras promovidos pela instituição. Tal classificação foi adotada neste trabalho, no sentido de delimitar o objeto de estudo. Dessa forma, após o primeiro contato com os maestros das bandas investigadas e conforme as informações fornecidas pelos mesmos, foi realizada uma pré-classificação dessas bandas, a partir da nomenclatura adotada pela CNBF. A pré- classificação realizada no início da pesquisa pode ser observada na Tabela 7:
TABELA 7 - CLASSIFICAÇÃO DAS BANDAS INDICADA PELOS MAESTROS Banda Musical Banda Marcial Banda Musical de
Marcha Banda Sinfônica
Banda 1 Banda 7 Banda 10 Banda 4
Banda 2 Banda 9 Banda 5
Banda 3 Banda 15 Banda 6 Banda 8 Banda 11 Banda 12 Banda 13 Banda 14 Banda 16 Banda 17 Banda 18
Através das entrevistas, pude constatar que em algumas bandas investigadas, se for considerada a nomenclatura adotada pela CNBF, a classificação indicada pelo maestro não corresponde à formação instrumental do grupo. Dessa forma percebi que a classificação adotada pela CNBF é seguida somente por bandas que participam de concursos ligados à confederação. Nos grupos investigados, os quais possuem como objetivos a manutenção da cultura musical, a participação em eventos promovidos no município onde atuam e em outros municípios da região e, no caso das bandas ligadas à IAD, a participação nas celebrações e festas da igreja, não há uma preocupação rígida em relação à formação instrumental e à nomenclatura adotada pelo grupo. A classificação das bandas, indicada pelos maestros entrevistados, está mais ligada à tradição da nomenclatura utilizada para denominar grupos compostos por instrumentos de sopro e percussão. Assim como pôde ser observado na revisão de literatura, outras bandas no Brasil também utilizam uma denominação que, se for considerada a indicação da CNBF, não corresponde à sua formação instrumental.
As bandas investigadas, cuja classificação indicada pelo maestro e a formação instrumental diferem daquela proposta pela CNBF são as seguintes: Banda 7, Banda 8, Banda 9 e Banda 15. Gostaria de deixar claro que não considero que isso seja um problema. O que pretendo aqui é descrever a formação instrumental dos grupos investigados, com base na classificação adotada pela CNBF, a qual serviu de critério para a escolha das bandas participantes do estudo.
A Banda 7 participa de concursos de bandas e fanfarras promovidos no Estado de Santa Catarina, seguindo a formação instrumental indicada no regulamento da CNBF. No entanto, em apresentações sem caráter competitivo, fazem parte do instrumental da banda, também instrumentos de sopro da família das madeiras, como por exemplo, flauta transversal,
clarinete e saxofones. O Maestro Paulo, explica a inserção de instrumentos de sopro da família das madeiras na formação da Banda 7: “(...) eu fui incorporando esses instrumentos porque (...) o intuito da banda é formar alunos. Nós trabalhamos com crianças mais pobres. Então (...) a ideia é fazer com que essas crianças (...) se envolvam com a música”. (MAESTRO PAULO. ENTREVISTA em 29/04/2010). Por opção do maestro, a banda continua participando de concursos na categoria de banda marcial. Nessas ocasiões, os instrumentistas de sopro acompanham a banda executando instrumentos de percussão ou então auxiliando na organização do material utilizado pelo grupo nas apresentações. Em apresentações sem caráter competitivo, os instrumentistas de sopro participam normalmente, executando seus instrumentos.
Classificada como banda marcial, a Banda 9 possui instrumentos comuns à formação de banda musical, isto é, instrumentos da família dos metais, como trompetes, trombones, bombardinos e baixo tuba, instrumentos da família das madeiras, como clarinetes e saxofones e também instrumentos de percussão comuns em bandas musicais, como bombo, caixa e par de pratos. O Maestro Felipe justifica a nomenclatura dada à banda:
Banda marcial, pelo estilo de tocar, da partitura. Não é uma orquestra. Uma sinfônica, já tem violino, violoncelo, piano, vários tipos de aparelhos de percussão. A nossa não. É só metais... nós falamos só sopro. Madeiras, tem só o clarinete, no caso, de madeira. O resto é tudo metais. (MAESTRO FELIPE. ENTREVISTA em 07/07/2010).
A Banda 8 encontra-se em um processo de mudança em sua composição instrumental. Com o objetivo de formar uma orquestra, o Maestro Marcelo citou a inserção de instrumentos de corda na banda:
De fevereiro para cá a gente começou um processo de transição. Da última turma de músicos que nós formamos, nós já direcionamos alguns para aprender cordas. Violinos, cello, contrabaixo, temos um piano. Então, nós queremos passar do estilo de banda musical para uma orquestra filarmônica. Nós já adquirimos esses instrumentos, inclusive fagote, oboé, trompa em fá, sax barítono, clarone. Esses instrumentos realmente vão nos dar uma estrutura, uma visão de orquestra. (MAESTRO MARCELO. ENTREVISTA em 28/05/2010).
Mesmo com a criação da orquestra, o Maestro Marcelo declara que a Banda 8 não deixará de existir, pois as apresentações da banda e da orquestra serão direcionadas para ambientes diferentes:
Nós estamos para fazer uma grande reestruturação, onde nós vamos ter vários segmentos dentro da nossa estrutura. (...) lá dentro da igreja, em recintos fechados a
gente precisa trabalhar com a orquestra filarmônica. Até porque é um toque mais suave, menos metalizado. Mais condizente com o ambiente. Agora fora, como a gente participa (...) sempre nas aberturas de Sete de Setembro, inaugurações no município, às vezes a gente é convidado por escolas, nós vamos manter a banda musical mesmo. Só com instrumentos de sopro. (MAESTRO MARCELO. ENTREVISTA em 28/05/2010).
Nota-se na fala do Maestro Marcelo a concepção de que, devido ao timbre dos instrumentos que compõem a banda, suas apresentações devem ser destinadas à ambientes externos. A formação instrumental da orquestra, segundo ele, seria mais adequada para ambientes fechados, como a igreja, onde o grupo costuma tocar durante os cultos. No entanto, não é o timbre dos instrumentos que vai determinar a “suavidade” da música executada, mas sim a forma como esses instrumentos são tocados. Assim como um instrumento de sopro de metal pode produzir sons fortes e estridentes, ele também pode gerar sons suaves. O tipo de som produzido vai depender da capacidade técnica do instrumentista e da exigência do maestro em relação à intensidade dos sons e ao caráter expressivo das músicas executadas.
A Banda 15 é considerada pelo Maestro Otávio, como uma “banda marcial com adaptações”. (MAESTRO OTÁVIO. ENTREVISTA em 04/06/2010). Essas adaptações correspondem à inserção de instrumentos de sopro da família das madeiras, como clarinete e saxofones e também instrumentos de corda, como violinos e violoncelos. A presença dos instrumentos citados deve-se, assim como a Banda 8, a um processo de mudança pelo qual o grupo está passando. Segundo o Maestro Otávio, o objetivo é transformar a banda em uma orquestra: “(...) o nosso objetivo é evoluir49, não ficar a vida inteira naquele sistema que a gente tocava, que era a banda. Hoje a orquestra vai se tornar mais eficaz, mais eficiente e proveitosa dentro da igreja” (MAESTRO OTÁVIO. ENTREVISTA em 04/06/2010). O Maestro Tiago, da Banda 18 e o Maestro Mateus, da Banda 11 também citaram a intenção de introduzir instrumentos de corda, como violino, no grupo. Sobre essa inserção, o Maestro Mateus comenta que as bandas da IAD estão introduzindo instrumentos de corda com o intuito de se aperfeiçoar:
(...) se você não se aperfeiçoar, você para no tempo. O que ocorre hoje é que todas as igrejas que têm bandas estão colocando instrumentos de corda. Se nós ficarmos só no sax, clarinete e trombone, nós vamos parar no tempo (...) então nós temos que evoluir pra acompanhar. (MAESTRO MATEUS. ENTREVISTA em 05/07/2010).
A concepção do Maestro Otávio e do Maestro Mateus de que a mudança de banda para orquestra está relacionada à evolução e ao aperfeiçoamento musical do grupo, pode estar
ligada ao senso comum de que a orquestra representa maior status social para aqueles que dela participam. Essa concepção é exposta por Bozon (2000) em pesquisa de campo realizada em uma pequena cidade francesa situada nos arredores de Lyon: “portadora de uma imagem social „burguesa‟ (...) a orquestra é uma associação hierarquizada onde se exprimem aspirações diversas: desejo de ascensão social, tanto quanto desejo de distinção intelectual”. (BOZON, 2000, p. 160).
A tendência das bandas de transformarem-se em orquestras, observada nos grupos que estão ligados à IAD na região investigada não é um fato isolado no Estado de Santa Catarina. Em conversa informal com um maestro que atua na região de Florianópolis e ministra cursos para regentes de bandas das IAD de Santa Catarina, este comentou que bandas da IAD de outras cidades catarinense também têm passado por esse processo de transformação. Tal processo é reflexo da troca de informações sobre a formação instrumental dos grupos, entre os maestros durante cursos de regência promovidos pela IAD. Além disso, os regentes também assistem apresentações de bandas que possuem instrumentos de corda em sua formação e acabam inserindo esses instrumentos nos grupos com os quais trabalham. Segundo o profissional com o qual tive contato, essa inserção dos instrumentos de corda, principalmente violinos, nem sempre é realizada de forma equilibrada. Buscando atender à demanda de alunos interessados em aprender determinado instrumento, os maestros muitas vezes acabam inserindo muitos instrumentos em um naipe específico, gerando uma desproporção em relação a outros naipes de instrumentos da banda.
Em relação ao vínculo institucional, as bandas participantes da pesquisa estão ligadas ao poder público municipal e também à Igreja Assembleia de Deus. Dentre as bandas investigadas, dez são mantidas financeiramente pelo poder público do município onde estão sediadas e oito bandas são vinculadas e tem os custos de manutenção mantidos pela IAD onde atuam. O fato as bandas serem mantidas pelo poder público municipal e pela IAD demonstra o incentivo e o interesse dessas duas instituições na manutenção da cultura musical instrumental na região investigada. O número de bandas ligadas a igrejas evidencia que essas instituições também representam uma parcela considerável na formação musical nessa região. Nas conversas com os maestros ligados às igrejas, foi destacada a tradição dessas instituições em todo o Brasil, no que diz respeito à formação e manutenção de grupos musicais instrumentais e vocais.
A Tabela 8 apresenta a ligação institucional e as principais entidades mantenedoras de cada uma das bandas investigadas:
TABELA 8 - VÍNCULO INSTITUCIONAL DAS BANDAS PESQUISADAS Vínculo Institucional
Prefeitura Igreja Evangélica Assembleia de Deus
Banda 1 Banda 8 Banda 2 Banda 9 Banda 3 Banda 11 Banda 4 Banda 12 Banda 5 Banda 13 Banda 6 Banda 14 Banda 7 Banda 15 Banda 10 Banda 18 Banda 17 Banda 16
A Banda 16, vinculada ao poder público municipal, a Banda 8 e a Banda 14, vinculadas à IAD, criaram associações a fim de facilitar o recebimento de recursos financeiros para a manutenção do grupo, pagamento do trabalho dos maestros, aquisição de instrumentos e outros materiais necessários para o funcionamento da banda, além de pagamento de despesas operacionais e custos de possíveis viagens para apresentações.
(...) nós transformamos a banda em uma associação, justamente visando divulgar a própria cultura musical e com isso também ter uma contrapartida de investimentos do Governo do Estado, Governo Federal, municipal, como já recebemos verbas para a gente poder ter a manutenção de instrumentos. (...) já ganhamos partituras, coisas assim. (MAESTRO MARCELO. ENTREVISTA em 28/05/2010).
Além do vínculo com a IAD a Banda 9 e Banda 13, possuem uma parceria com o poder público do município onde atuam. Nesses grupos, o poder público auxilia no pagamento dos maestros, manutenção dos instrumentos musicais e gastos com viagens para apresentações. Em contrapartida os grupos se apresentam em eventos promovidos pelo poder público e pela comunidade em geral. O vínculo entre as bandas e instituições públicas ou religiosas, é uma forma de garantir a existência desses grupos.