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Chapitre 3 : Réalisation technologique des transistors organiques

III. Caractérisations électriques des transistors

hemodiálise pode ser assim resumida:

- a primeira diálise peritoneal aconteceu em 1964, sob a responsabilidade dos médicos Elias Boutala Salomão, Paulo Marcelo Martins Rodrigues, Edísio Tavares;

- a primeira hemodiálise foi realizada pelo médico Emir Limaverde, em 1966.

Um fato marcante na história da hemodiálise no Brasil foi a chamada “tragédia de Caruaru”, ocorrida em 1996. Em uma clínica de hemodiálise daquele município pernambucano, havia 138 pacientes em hemodiálise, dos quais 80% apresentaram sintomas de forte intoxicação e, em cinco meses, 54 pacientes faleceram de insuficiência hepática. Após vários debates sobre as diversas hipóteses levantadas, as autoridades sanitárias chegaram à conclusão de que o problema estava na água utilizada pela clínica, que provinha de um açude, a qual água estava contaminada por cianobactérias (que podem causar hemorragias intra- hepáticas que levam à morte), dali era bombeada para os caminhões-pipa, onde os motoristas cloravam a água (MELO; RIOS; GUTIERREZ, 2007).

Tamanho descaso com a vida da clientela só poderia mesmo culminar em uma tragédia. Desde então, a legislação brasileira específica vem sendo aprimorada por meio de sucessivas regulamentações que visam ao controle de qualidade da diálise.

3.3 A Hemodiálise como opção de tratamento

No Brasil, a atenção com a DRC dá ênfase quase que exclusiva ao estádio mais avançado da doença, quando já existe indicação para a TRS, (BASTOS et al., 2004).

Conforme Góes Júnior et al., (2006, p.424),

A prevalência é mais elevada no sexo masculino e aumenta com a idade, passando de 12 pacientes por 100.000 habitantes, naqueles com menos de 30 anos para 144 naqueles com 60 anos ou mais (em 2002). Em 2004, cerca de 59.000 pacientes estavam em terapia dialítica. [...] Os fatores de risco que mais influenciam a mortalidade são a idade avançada e a presença de diabetes.

Segundo Bastos et al. (2004), relatam, a comunidade científica mundial admite que para cada paciente em TRS existam de 20 a 30 outros, nos diferentes estádios da DRC. A TRS é, portanto, indicada quando se estabelece a falência funcional dos rins, caracterizada pela perda de suas funções regulatórias, excretórias e endócrinas.

O Ministério da Saúde (MS) percebendo a forte sobrecarga socioeconômica advinda dessa problemática instituiu a Política Nacional de Atenção ao Portador de Doença Renal, pela Portaria Nº 1168/GM (BRASIL, 2004c), numa tentativa de organização de estratégias que promovam a inversão do modelo de atenção à saúde.

Apesar de, a legislação vigente definir que a implantação dessa política deve acontecer nos níveis de atenção básica, média complexidade e alta complexidade, na atenção básica, as ações de promoção da saúde e prevenção de danos são incipientes, até porque ainda persiste na área da saúde uma cultura de ações curativas e não de promoção, proteção, prevenção e também porque muitos profissionais não atentam para a problemática da IRC.

No nível de média complexidade, onde se realizam as ações diagnósticas e terapêuticas especializadas, o fluxo nem sempre segue o trajeto esperado em razão do não funcionamento do processo de referência e contra-referência. Um portador de DRC que tenha sido encaminhado pela rede básica de saúde a uma unidade de média complexidade, muitas vezes, não recebe o encaminhamento subseqüente e “se perde” no emaranhado burocrático, agravando seu estado de saúde.

Concordamos com Bastos et al. (2004), quando dizem que a atenção à DRC acontece quase que exclusivamente no estádio mais avançado da doença, quando o paciente, por fim tem acesso ao tratamento, mas já no nível de alta complexidade e a doença em seu estádio terminal. A hemodiálise situada na esfera da alta complexidade, por sua vez, é uma modalidade de assistência paliativa importante para a manutenção da vida daqueles que se submetem ao tratamento.

É visível, contudo, o alto custo não só financeiro – o que é inegável, mas o elevado dispêndio social e humano. A irreversibilidade da doença, aliada à obrigatoriedade presencial à clínica, três vezes por semana, durante quatro horas – isto quando não ocorre a necessidade de sessões extras, altera o curso normal de

vida do indivíduo e limita fortemente suas atividades. Na Figura 6 é apresentado um paciente durante uma sessão de hemodiálise.

Figura 6 – Sessão de hemodiálise

O contexto social destes pacientes é comprometido pela dependência à previdência social, por não ser possível exercer regularmente as atividades de labor, o isolamento do ciclo de amizades se torna visível, as dificuldades para o lazer são imperiosas e, em muitos casos, há limitações até para a locomoção.

As conseqüências das perdas sociais, físicas e afetivas produzem o que consideramos o alto custo humano. O indivíduo, ao ser comunicado de que será submetido a hemodiálise, começa a vivenciar uma ruptura com seu cotidiano. As relações familiares são afetadas, os que antes eram independentes passam a ser dependentes e, via de regra, há uma queda na renda familiar.

Surgem, então, outros tipos de dependência – a da máquina de hemodiálise e à equipe de profissionais de saúde. Nova rotina se estabelece: a obediência à restrição dietética, o controle do peso, os exames laboratoriais mensais, trimestrais, semestrais e anuais.

Segundo alguns relatos de pacientes, o início do tratamento é desalentador. A sensação de perdas e o medo constituem ameaça constante. Sua imagem corporal é modificada pela implantação provisória de cateteres e, posteriormente, a confecção da FAV, que é o chamado acesso definitivo. Portanto, a identidade do indivíduo também passa por um processo de mutação. Nas Figuras 7 e 8, são apresentados os dois tipos de acesso vascular.

Figura 7 – Acesso vascular por cateter Figura 8 – Acesso vascular por FAV

Os que, porém, se submetem ao tratamento, quer sejam crianças, adolescentes, adultos ou idosos, têm um ganho: a possibilidade de sobrevivência. Todos esses aspectos levantados são importantes para o planejamento de uma assistência que não só utilize o avanço da tecnologia, os equipamentos de última geração e o conhecimento científico no processo terapêutico em uso, mas, sobretudo, que também avance na compreensão do SER.