A norma ISO TS 16949 estabelece requisitos específicos em relação a qualidade no desenvolvimento de produtos. Para o planejamento do produto, a norma requisita:
Definição de objetivos e requisitos para o produto;
Providências sobre documentação e processos necessários para levantamento de recursos específicos para o produto;
Planejamento de atividades de verificação, validação, monitoramento, medição, inspeção e testes específicos para aceitação do produto;
Definição de como serão executados registros para evidenciar o cumprimento dos requisitos do produto;
Todas as atividades citadas estão contidas em uma fase de planejamento do PDP dos fornecedores de autopeças. Como saída desta fase, segundo a norma, deve ser identificada a forma adequada de operação da organização para produção do produto do cliente de acordo com todos seus requisitos. Para que seja iniciada a produção devem estar claros os critérios de aceitação do produto, sendo estes aprovados ou não pelo cliente. Dados referentes aos atributos de produto devem ser considerados para aceitação somente se obtiverem status de “zero defeitos”, ou seja, características qualitativas de produtos não permitem qualquer forma de defeito.
A norma estabelece o requisito referente a confidencialidade de projetos solicitados pelas montadoras. O contrato de confidencialidade é exigido antes de qualquer relação com o fornecedor a qual envolva caraterísticas técnicas de produtos e processos. Portanto, pode ser considerada como uma atividade de entrada para o início da fase de planejamento, independente se serão de fato firmadas parcerias entre fornecedor e montadora, visto que pode ser exigido para simples cotação de produtos.
Qualquer alteração realizada, seja esta em produto ou em processo, deve possuir um planejamento de gestão e implementação, o qual envolve aceitação formal do cliente. Ainda na fase de planejamento, a norma exige que sejam criados planos para atendimento de requisitos de entrega e pós-entrega, além do levantamento de requisitos estatutários e regulamentares. Em todas as fases que envolvem o produto, desde seu planejamento até sua pós-entrega, há o constante feedback dos clientes, realimentando o PDP de forma a favorecer a melhoria contínua.
Como resultado dos planejamentos, faz-se necessária a análise de risco envolvida no desenvolvimento do projeto, ação esta que pode ser utilizada como atividade de decisão, visto que dependendo do risco do projeto pode-se decidir em seguir ou tomar medidas para alterar o projeto de forma a reduzir estes riscos.
Durante a execução do projeto do produto a norma cita a necessidade de equipes multifuncionais (área de engenharia de projetos e fabricação, qualidade, produção e demais envolvidos) para execução das seguintes atividades:
Desenvolvimento e monitoramento das características especiais; Desenvolvimento e avaliação do FMEA;
Desenvolvimento e revisão dos planos de controle;
Na fase de execução do projeto exige-se o registro dos requisitos dos produtos, tais quais:
Requisitos funcionais e de desempenho, como características especiais, identificação, rastreabilidade e embalagem;
Requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis;
Informações originárias de projetos anteriores semelhantes; Definição de metas de conformidade com os requisitos,
confiabilidade, durabilidade, facilidade de manutenção, tempo e custo;
Definição de metas de produtividade;
Durante a execução do projeto são levantadas as necessidades de aquisição, produção e prestação de serviços envolvidos para que estes possam ser requisitados. Nesta mesma fase também são implementados dispositivos à prova de erros no processo (Poka yoke), assim como medidas para prevenção de possíveis falhas identificadas no FMEA. Estas atividades são citadas na norma em relação a entradas e saídas de projeto do produto e processo de manufatura, como ilustrado (Figura 23 e Figura 24).
A fase de execução do projeto, assim como demais fases, exige revisão e monitoramento, ações de gate/decisão, antes de seguir para fases seguintes. A validação dos produtos para produção corrente depende da avaliação de produtos de processo inicial, ou protótipos, de acordo com a necessidade do cliente. O processo de produção do protótipo deve ser o mesmo a ser utilizado na produção corrente pretendida.
Figura 23 - Entradas e saídas na execução do projeto do produto segundo a norma ISO TS 16949
Fonte: Elaborada pela Autora
Figura 24 - Entradas e saídas na execução do projeto de manufatura do produto segundo a norma ISO TS 16949
Fonte: Elaborada pela Autora
Em situações onde são solicitadas alterações de engenharia após implementação do processo produtivo, as mesmas deverão ser testadas com intuito de avaliar os impactos ocasionados pela alteração. Os testes deverão ser registrados, por exigência da norma.
Em relação aos subfornecedores envolvidos na cadeia de produção da autopeça, o fornecedor é responsável em avaliar e controlar as atividades dos seus subfornecedores, mantendo documentados os processos envolvidos. Desta forma, a documentação deverá conter:
Requisitos de aprovação do produto, processo e equipamentos; Qualificação dos envolvidos;
Requisitos do sistema de qualidade;
Os produtos de terceiros só poderão ser adquiridos após a verificação e garantia de atendimento aos itens acima descritos. São exigidas também, inspeções rotineiras nos produtos adquiridos antes da utilização para fabricação, assim como acompanhamento do atendimento às entregas e requisitos solicitados pelo fornecedor da autopeça.
Na fase de execução do projeto, a norma cita como requisito a necessidade de implementação do Plano de Controle para sistemas, subsistemas, componentes e materiais. No pré-lançamento do produto ao cliente exige-se um Plano de Controle específico levando em consideração o FMEA de produto e processo e as respectivas saídas dessa análise. O plano de controle deve ser revisado sempre que sejam identificados problemas na produção da autopeça, ou quando houverem alterações de engenharia. Outra documentação exigida na fase de execução do projeto refere-se às Instruções de Trabalho. As instruções de trabalho estão atreladas ao Plano de Controle e fornecem instruções aos envolvidos no processo sobre como executar as atividades buscando atender os requisitos.
Sempre que iniciados novos ciclos produtivos, denominados pela norma como set up de produção, são necessários os devidos acompanhamentos. Caracteriza-se como set up a mudança de equipamento para produção, mudança de operador ou de material. Nestas condições, características especiais devem ser conferidas, e controles estatísticos são indicados caso seja aplicável. A produção deve, inclusive, ser programada e pré-agendada de forma a atender a necessidade do cliente, buscando o just in time com apoio de sistemas de informação vinculados ao processo, onde cada etapa esteja identificada.
Na fase de execução do projeto encontram-se as atividades de manutenção preventiva e preditiva de equipamentos utilizados na fabricação do produto, assim como a exigência para que seja realizada a gestão de ferramentas da produção.
Quando houver acordos de serviços firmados com o cliente, na fase de execução do projeto, a organização deve verificar a eficácia de qualquer centro de serviço da organização, ferramentas com propósitos específicos ou equipamentos de medição, e a formação dos envolvidos na realização dos
serviços. Quando existentes processos produtivos ou de prestação de serviços, os quais não sejam cabíveis de verificação posterior (corre-se o risco de que falhas sejam identificadas somente após entrega do produto ou serviço), o processo de validação deverá ser capaz de demonstrar a capacidade do processo produtivo ou atividades de prestação de serviços.
A norma apresenta requisitos de rastreabilidade durante a produção. Portanto, nessa fase devem ser estabelecidos os métodos de identificação do produto no processo produtivo, indicando inclusive, a passagem por etapas de conferência de qualidade. A rastreabilidade aplica-se sobre as embalagens dos produtos, sendo que estas podem ser de propriedade do cliente. A respeito de materiais de propriedade do cliente, a norma cita que fica sob responsabilidade da organização (fornecedores), cabendo a ela o cuidado e checagem sobre suas condições.
Na fase de produção ainda são considerados os planos e monitoramento de equipamentos utilizados na medição e controle de características de qualidade dos produtos. Registos devem ser mantidos como forma de evidência das correções e ajustes das ferramentas quando necessárias. Sempre que identificadas não conformidades nas ferramentas de controle, as mesmas deverão ser corrigidas com métodos específicos ou por empresas adequadas, e deverá ser registrado. Tanto nos equipamentos de medição quanto nas medições executadas devem ser elaborados estudos estatísticos para análise dos resultados.
Produtos acabados devem ser estocados, sendo que o estoque deve possuir uma gestão apropriada, adotando estratégias como “o primeiro que entra é o primeiro que sai”, conhecido como first-in first-out (FIFO). Produtos obsoletos devem ser tratados como produtos não-conformes.