Os avanços tecnológicos condicionam mudanças nas práticas, exigindo novas atitudes e formas de estar nos profissionais.
Para além da participação da pessoa e utilização da experiência profissional do enfermeiro subsidiarem a determinação das necessidades e condutas de cuidar, estas devem ser devidamente pautadas em melhores evidências científicas (SASTRE R.S, SOLÍS M.J.N., 2000). A tomada de decisão dos enfermeiros deve assentar em princípios científicos e pesquisas que comprovem a efetividade das suas intervenções.
Por definição, a Prática Baseada em Evidência (PBE) compreende o uso consciente, explícito e judicioso da melhor e mais atualizada evidência para a tomada de decisão sobre o cuidar (ATALLAH A.N., CASTRO A.A., 1998). Neste sentido, pretende‐se que se pensem e executem os cuidados a partir da necessidade concreta das pessoas, procurando integrar na reflexão as intervenções terapêuticas que conduzem a resultados sensíveis aos cuidados de enfermagem.
Esta estratégia objetiva assim maximizar a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados, buscando a melhor tomada de decisão no sentido da construção de um nível mais elevado de saberes. Para a operacionalização desta metodologia, o profissional necessita construir um conjunto de competências relacionadas, principalmente com :
a) Capacidade de analisar criticamente o contexto da prática;
b) Habilidade de converter situações ‐ problema em foco investigativo;
c) Conhecimento sobre metodologia de pesquisa: desenho do estudo, análises de confiabilidade, efetividade, custo ‐ benefício;
e) Habilidade de implementar mudanças e de avaliá‐las continuamente (ISERN MTI, 1999; SASTRE R.S, SOLÍS M.J.N., 2000).
Face ao exposto o presente trabalho assenta na via indutiva com o objetivo de promover a reflexão na ação e sobre a ação, mobilizando para a mesma a conceção teórica anterior.
Sendo o percurso de cada mestrando baseado em opções estratégicas no sentido de colmatar necessidades e objetivos pessoais em ensino clínico, pretendeu a autora, durante este percurso, seguir as linhas orientadoras da revisão sistemática de literatura em que os resultados dessa pesquisa, foram integrados na construção de melhores práticas (projeto de intervenção comunitária). Assim e partindo destes princípios, descreve‐se seguidamente o protocolo de pesquisa que suporta a componente metodológica deste trabalho. 1.1 ‐ PROTOCOLO DE PESQUISA O processo de Empowerment surge como motor de busca de forças do sistema familiar para enfrentar crises e transições, de uma forma autónoma, participativa e responsável. Pode ser desenvolvido com recursos a múltiplas estratégias, transformando‐se cada uma delas em úteis instrumentos clínica.
O ganho na complementaridade dos diferentes elementos deste conceito reflete a coesão e a flexibilidade dos mesmos, através da implementação de processos como a comunicação, cooperação e negociação de papéis, nos quais o enfermeiro pode ser parceiro e mediador. (McCUBBIN E McCUBBIN, 1993; GIBSON, 1991). Emerge assim o conceito de negociação, a validar na seguinte revisão sistemática, concebida em estreita ligação com processos comunicacionais eficazes.
Numa tentativa de dar sentido e aproveitar todo o conhecimento produzido pelo suporte bibliográfico e de prover contributos para o projeto realizado, recorreu‐se a bases científicas de descritores em saúde e lançou‐se nas mesmas alguns conceitos de forma a proceder a sua validação e fiabilidade científica (URL: <http://www.nlm.nih.gov/mesh/MBrowser.html>). Optou‐se pelos termos Nursing, Family,
Empowerment, e Diabetes.
Por uma questão de uniformização utiliza‐se o termo Empowerment, tal como se apresenta na base de descritores em saúde, na pesquisa e em todo o documento, considerando‐se aquele que melhor reflete o sentido do processo.
41 É necessário também compreender a opção por gestão em detrimento de adesão ao regime terapêutico. Após operacionalização dos conceitos, conclui‐se que o termo adesão constituiu um resultado e a gestão um processo, pelo que representa assim um foco com maior sensibilidade aos cuidados de enfermagem e que adquire ainda maior relevância no contexto familiar. Contudo, o conceito de adesão deve estar também presente no sentido de fornecer dados quantificáveis, refletindo a escolha livre e informada das pessoas, estando positivamente relacionado com uma gestão de regime terapêutico eficaz.
Perante qualquer doença crónica, impõe‐se uma “vida em comum”, uma adaptação e controlo da mesma, tornando implícito a existência de um regime terapêutico. A diabetes não é exceção e a partir do momento que é diagnosticado, a pessoa é inundado com inúmeras “exigências”. Justifica‐se aqui a opção do uso do conceito de diabetes, em detrimento do termo “regime terapêutico” nesta pesquisa.
Após este percurso e tendo por base as palavras‐chave selecionadas, formulou‐se a seguinte questão – problema: “ De que forma a negociação como estratégia de empowerment familiar influencia a gestão do regime terapêutico da pessoa com diabetes?”
A negociação incluída nesta interrogação foi transformada em critério e não em termo de busca, através da inclusão de estudos que aludissem a processos de negociação entre enfermeiro e família.
Os textos foram agrupados de forma a emergirem artigos que possam fornecer os contributos pretendidos, segundo protocolo em anexo (ANEXO V). 1.2 – ARTIGOS EMERGIDOS Após a aplicação do protocolo supramencionado, de um total de 18 artigos retirados de bases da EBSCOHOST (CINHAL e MEDLINE), sujeitos à filtragem dos respetivos critérios, obtiveram‐se quatro documentos utilizados como ferramenta de integração na construção da síntese reflexiva (ANEXO VI).
Da leitura geral dos quatro artigos evidenciam‐se conceitos transversais à temática em questão como a importância da abordagem sistémica e do envolvimento da família e redes sociais no cuidado à pessoa com doença crónica/ diabetes. O estabelecimento de processos de negociação, sobretudo nos artigos referentes a programas de intervenção, é bem evidente mas sempre considerado numa lógica de parceria com os cuidadores.
Tendo em conta a apreciação crítica dos artigos (ANEXO VI), baseada em critérios como a qualidade dos mesmos a sua aplicabilidade no contexto da prática, as características do participantes e a viabilidade das estratégias utilizadas pelos autores (CRAIG, J. V. SMITH, R;2004), constrói‐se no quadro seguinte, uma ponte para a intervenção planeada no ensino clínico realizado: QUADRO 3 – Contributos da evidência para o projeto realizado CONCEITO MOBILIZADO ARTIGO CONTRIBUTOS PARA O PROJETO A DESENVOLVER “Promotores de saúde” / “grupos de interajuda”
“ A comunidade e as redes sociais como promotora de suporte material, instrumental, afetivo e informativo”
MENDOZA‐ NÚÑEZ et al (2009)
Envolvimento dos cuidadores das instituições de apoio social como promotores de saúde “Negociação para gestão eficaz do regime terapêutico” “Importância do contexto e das relações interpessoais” “Importância da rede formal e informal” ABDOLI et al (2008) Estabelecimento de um contrato com a família
Foco da intervenção na família inserida no seu contexto domiciliário e redes de apoio.
“Modelo centrado no desenvolvimento das capacidades
comunicacionais da família – parceria no cuidar “ “Criação de site na internet ”
MOORE (2008) Facilitar canais de comunicação enfermeiro/família (suportes escritos e linha telefónica)
“Foco na identificação de stressores e nas soluções dos problemas”
DUCHARME et al (2006)
Abordagem sistémica da família (NEUMAN e CALGARY)
Da mesma forma, nas competências do Enfermeiro Especialista em ECSP, definidas no Decreto‐lei 128/2011, surgem uma serie de critérios de avaliação da mesma dos quais se salientam para a presente intervenção os seguintes (em consonância com os contributos da evidencia recolhida):
43 QUADRO 4 ‐ Critérios de avaliação de competências mobilizados para o projeto de intervenção CONTRIBUTOS DOS ARTIGOS PARA O PROJETO A DESENVOLVER
CRITERIOS DE AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS DO