Performances physiques de CMS
5.1 Les performances scientiques de l'expérience CMS
5.1.4 Calorimètre hadronique[ 51 ]
O produtor e emissor deste texto encontram-se indicados na capa do próprio livro, correspondendo à Editora Arrow Books e ao autor Craig Russell. A editora Arrow Books faz parte do maior grupo de editoras do mundo, The Random House Group. Trata-se de uma federação de trinta e uma diferentes empresas editoriais com publicações de mais de mil e quinhentos livros por ano com compromisso de preservar a cultura e os valores de cada obra. No que diz respeito à editora Arrow Books, esta é uma das editoras mais bem- sucedidas do Reino Unido que cresceu, sobretudo, através da publicação de autores ingleses e americanos como James Patterson, Robert Harris e Kathy Reichs. É neste quadro que se enquadra o autor da obra A Fear of Dark Water, de Craig Russell, que iniciou a sua relação com a editora através da publicação do seu primeiro livro Blood
42 Eagle em 2006. Desde então, o autor tem continuado a sua relação com a editora, publicando os livros da série do detetive Jan Fabel até ao presente momento.
O texto em análise foi publicado em 2012. A capa da obra em questão fornece ao seu recetor indícios sobre o tipo de livro de que se trata, auxiliando, deste modo, a criação de determinadas expectativas sobre a leitura, alertando para a existência de mistério, de crime e do obscuro.
No que diz respeito ao tempo e ao espaço desta obra, sendo esta uma obra contemporânea, o autor procura introduzir o leitor no mundo quotidiano, apresentando temas importantes e predominantes da sociedade, entre os quais podem-se distinguir a tecnologia, a política, a ecologia e o terrorismo. Por vezes, pode-se considerar que o texto apresenta um carácter biográfico, pois a descrição do mundo do crime bastante realista deve-se, provavelmente, à experiência do autor como polícia no seu passado. No entanto, este texto destina-se a um público-alvo inglês na sua generalidade, sendo originalmente escrito na língua inglesa. Contudo, pode-se considerar que está dirigido a um público, não só falante da língua inglesa, como também ao interessado por, ou com algumas noções, da língua e cultura alemã, devido à espacialização do texto em si, cuja ação se desenvolve em Hamburgo, Alemanha, e às inúmeras referências de língua alemã fornecidas no texto pelo autor. A escolha da introdução destes elementos não foi realizada ao acaso. Craig Russel optou por tentar dar a conhecer uma nova visão, modernizada, da Alemanha e da própria população alemã ao recetor, sendo esta a sua intenção não só no texto em análise, como também em todos os outros livros da série.
A Fear of Dark Water narra um dos episódios da vida do detetive da Mordkommission de Hamburgo, Jan Fabel, que mais uma vez se encontra perante um
43 torso brutalmente mutilado. O corpo é descoberto durante os trabalhos de busca e salvamento após uma enorme tempestade que atingiu e inundou a cidade de Hamburgo a poucos dias de uma cimeira ambiental. À primeira vista, Fabel considera o torso descoberto como mais uma vítima de um violador e assassino em série, que seleciona as suas vítimas através das redes sociais, persegue, assassina e larga os seus corpos no rio Elba. A investigação de Fabel, tal como os acontecimentos posteriores, levam-no até a um grupo ativista-terrorista, Pharos, que torna este caso ainda mais complexo e sinistro, colocando o detetive no mundo da cibertecnologia, que lhe é tão desconhecido, e tornando-o num indivíduo perseguido por criminosos.
No que diz respeito ao conteúdo, esta obra caracteriza-se pela presença de elementos da língua alemã, como topónimos (designações de lugares e outros elementos geográficos), nomes próprios e designações de instituições nela representados, assim como cargos profissionais mencionados pelo autor ao longo da história, relevantes para a tradução, que destacam informações acerca da cultura do local da ação.
No que diz respeito à estrutura, esta obra, ao nível macrotextual, está dividida em cinco partes, epígrafo, prólogo, parte I, parte II e epílogo, perfazendo um total de trinta e cinco capítulos, narrados na terceira pessoa do singular, heterodiegética, não fazendo parte da ação e dirigindo-se diretamente ao leitor durante a narrativa do desenlace da história.
Quanto à forma, esta obra foi escrita de um modo coloquial, com predominância de marcas de oralidade, com ocorrência de siglas e elementos apresentados em itálico. A linguagem da escrita pode ser considerada tanto formal como informal, consoante o contexto específico da ação, com recurso a calão e linguagem tabu, elementos geralmente
44 associados ao mundo da literatura policial. Observa-se também, o recurso a repetições, expressões idiomáticas e paralelismos. Sendo esta uma obra policial, onde imperam cenários de carácter criminal, existe a ocorrência frequente ao jargão técnico de cariz policial, que pode servir, também, para instruir o leitor no mundo da criminologia.
Os quadros que se seguem demonstram, de uma forma breve, os elementos em análise relevantes para a elaboração da tradução.
45 Quadro I.
Factores Extratextuais Quem?
(Emissor)
- Relação de coincidência ou diferença entre emissor e produtor do texto
- Pistas provenientes de factores de ambiente textual (ex.: contracapa) ou situacional
- Craig Russell
- Editora Arrow Books ( Grupo Random House)
Para quê?
(Intenção do emissor)
- Extra-textos
- Convenções de acordo com o tipo de textos
- Pistas de contexto situacional (papel comunicativo, tempo, espaço, meio, recetor intencionado) ou de características intratextuais
- Introdução do leitor no mundo quotidiano - Apresentação de uma nova visão da cultura alemã
A quem? (Destinatário)
- Informações sobre expectativas e formação prévia a partir de ambiente textual e de outros factores da situação comunicativa
- Diferença entre o recetor do texto de partida e do texto de chegada e a sua influência nas estratégias de tradução
- Público-alvo inglês
- Público i nteressado por língua e cultura alemã - Público com noções de cultura e língua alemã
Porque meio? (Canal)
- Meio escrito ou oral - Tipo de canal
- Existência da alteração do canal/ meio na tradução
- Meio escrito - Impressão
- Possibilidade de edição em formato eletrónico
Onde? (Lugar)
- Informações sobre o local de produção que se infere ser conhecida do recetor do texto de partida e as transformações decorrentes para o recetor do texto de chegada - Deíticos relativos ao espaço de comunicação
- Londres, Reino Unido
Quando? (Tempo)
- Data de produção, publicação e transmissão do texto
- Influência do tempo no reconhecimento de informação pelo recetor do texto de partida e as transformações a realizar no texto de chegada
- Deíticos relativos ao tempo de comunicação
2012
Porquê? (Pretexto da comunicação)
- Motivação interferida a partir do ambiente textual
- Texto intencionado para uma ocasião pontual ou uma ocasião repetida
- Coincidência entre a motivação de produção do texto de partida com a tradução -Relação entre a motivação e a função do texto (ex.: expressiva, comissiva, argumentativa, informativa e poética)
-Função textual vs. função da tradução (aprendizagem de língua, ênfase na denotação em detrimento da conotação, tentativas de homologação, etc.)
Comunicação Entretenimento
46 Quadro II.
Fatores Intratextuais6 Sobre que?
(Tema)
- Coerência ou multiplicidade de temas - Existência da hierarquização de assuntos
- Existência da coerência entre o tema e as expectativas extra-textuais ou o ambiente textual (título, cabeçalho, etc.)
- Universalidade do tema ou associação do tema a um determinado contexto cultural
Crime Tecnologia Política Ecologia Terrorismo O quê? (Conteúdo/ dimensão referencial ou denotativa)
- Tipo de unidade de informação
- Falhas de coerência (paradigma) ou coesão (sintagma). Possibilidade de supressão ou reconstrução de informações em falta (paráfrase)
- Relevância de elementos conotativos
Elementos de língua alemã
Elementos verbais relacionados com os temas predominantes
Por que ordem? (Estrutura textual)
- Molduras textuais
- Interações textuais (citações, exemplos, notas de rodapé) - Relação com convenções de tipo de texto
- Unidades de texto e unidades de tradução - Marcadores de composição textual e conectores
- Epígrafo
- Prólogo (4 capítulos) - Parte I (18 capítulos) - Parte II (13 capítulo) - Epílogo
Elementos não verbais - A função das imagens, gráficos, sinais tipográficos, espaços em branco - Especificidade cultural e/ou de tipo textual destes elementos
- Marcas de oralidade - Itálicos
- Siglas
Com que palavras? (material lexical)
- Campo semântico determinado pelo tema ( palavras-chave)
- Palavras compostas, colocações, nomes próprios, expressões idiomáticas, perífrases, eufemismos
- Factores extratextuais que determinam o léxico (jargão técnico, arcaísmos, etc.) - Elementos lexicais indicativos de registo de texto e de interesse estilístico do autor
- Léxico coloquial -Topónimos - Nomes próprios
- Designações; Cargos profissionais - Expressões idiomáticas
Com que frases? (Recursos morfológicos)
- Ordem frásica da língua de partida
- Estruturas frásicas convencionais de tipos textuais
- Tipos frásicos predominantes, subordinação ou coordenação frases curtas/longas
- Frases simples e compostas/ curtas e longas - Registo formal e informal consoante o contexto - Repetições
6
*Quadros retirados da Antologia de Textos Literários fornecida no âmbito da cadeira de Tradução Literária ministrada pela Professora Doutora Margarida Vale de Gato.
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CAPÍTULO III
A Fear of Dark Water: um passo até à tradução Normas, estratégias e problemas de tradução